Empreender em Portugal, principais erros cometidos

Portugal  / 

Esse texto foi escrito por Gustavo Strobel, que é empreendedor serial e trabalha na Strobel & Santos Consultores Associados com soluções para vistos e negócios em Portugal.

O Visto D2 estourou no último ano no Brasil como o caminho para poder residir em Portugal. Mas será que ele é tão fácil e acessível como dizem? E mais, será que vale a pena empreender para obter o Visto D2? Abaixo eu enumero os 5 maiores erros que acontecem aos detentores do visto D2 quando querem empreender em Portugal.

Veja como funciona o Visto de Empreendedor Portugal (Visto D2)

Empreender em Portugal é diferente de trabalhar em Portugal

O Visto D2 é designado para aqueles que vão empreender em Portugal. E empreender não é bater ponto e receber um salário no final do mês – empreender é criar um emprego, pelo menos pra si próprio no início. E você pode ralar um mês inteiro e não conseguir trabalho. Então você deve se perguntar – eu consigo trabalhar e perseverar por semanas ou meses sem receber nada? Eu possuo a dedicação necessária para trabalhar sem chefe?

Não fazer uso da terceirização legalizada de Portugal

Ao contrário do Brasil, em Portugal tem muito emprego terceirizado. O mercado de trabalho em Portugal já entendeu que a terceirização é o caminho para se pagar menos imposto. Logo, utilizar sua empresa unipessoal para trabalhar dentro de outra empresa pode ser a melhor opção para você entrar no mercado de trabalho. Muitas empresas na Europa tem o próprio dono como único empregado. Obter o D2 através de empresa Unipessoal para trabalhar em outra empresa é muito fácil, e não requer investimentos em estrutura.

Ser otimista demais e não ter reservas financeiras

Eu não iria empreender em Portugal com 5.000 euros no bolso e família a tira-colo. A não ser que tivesse já um emprego terceirizado alinhado com conhecidos (TERCEIRIZADO – Se você entrar com o D2 para trabalhar subordinado, o SEF não vai te dar o cartão de residência). Apenas para tu conseguir alugar um imóvel sem fiador, você vai precisar deixar uma caução ou pagar 6 meses antecipado de aluguel. Só aqui você morre de inicio com pelo menos 2.000€ em Lisboa. A manutenção da tua empresa com os impostos básicos de segurança social e contador começam em 300€ mensais.

Não conhecer o mercado de Portugal

Portugal está colado no primeiro mundo. Muito do que o brasileiro compra, o português nem dá bola. Eles rodam com um software muito diferente do nosso em termos de consumo. A densidade demográfica em Portugal é muito menor do que no Brasil. Você definitivamente não quer ser um vendedor de panos para quem já tem panos. Uma análise de plano de negócio com um escritório local pode fazer toda a diferença, antes de você investir mais de 5.000€ em Portugal. O brasileiro médio ainda não aprendeu que know-how e conhecimento profissional possuem valor.

Desconsiderar a formalidade européia com impostos

No Brasil você roda tuas contas bancárias como você bem entende. Em Portugal as Finanças (a Receita Federal deles) está de olho. Se você não quiser que teu contabilista te abandone, registre toda movimentação da empresa e guarde os recibos de todas as contas feitas com ela. Pague seus impostos. O Governo de Portugal está de dando a residência para você ajudar a carregar o barco, e não para apenas onerá-lo.

Dos meus clientes de visto D2, 40% não conseguem se adaptar seja economicamente ou culturalmente, e retornam ao Brasil. Preparação pode ser a diferença entre uma experiência portuguesa feliz, ou de insatisfação. Faça a sua lição de casa, e tua residência européia com o visto D2 terá muito sucesso! Portugal te espera!

Gustavo Strobel, da Strobel & Santos Consultores Associados

Veja 6 maneiras para morar e trabalhar em Portugal.

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Erick é luso-brasileiro, aos 21 anos mudou para a Europa e dedica parte do seu tempo para ajudar outros brasileiros realizarem o sonho de viver na Europa. Mora atualmente em Portugal, trabalha com tecnologia e é fundador da Euro Dicas.

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