Por que eu não volto mais para o Brasil, e por que tomei essa decisão.

Por que eu não volto mais para o Brasil

Europa  / 

Começo dizendo que quando a decisão de viver em um novo país chega, ela geralmente não vem com prazo ou data para a volta. É óbvio que uma decisão tão importante não é tomada da noite para o dia (ou não deveria) e envolve muitas pessoas, fatores e coisas.

É muito planejamento, são escolhas que muitas vezes não permitem erro, é pedir demissão do trabalho de longa data, é raspar a poupança no caso de estar desempregado, é vender o imóvel, o carro, decidir o que fazer com o financiamento e assim por diante.

Além disso, é óbvio que se você já foi ou está pensando em ir para um outro país, algo que você já tem (ou tinha) no Brasil não está batendo.

Você está em busca de um novo emprego, quer mais segurança, quer viver com mais tranquilidade, quer ver o seu dinheiro valorizado e não quer mais ter que conviver com a inflação, por exemplo, ou apenas quer um lugar seguro para criar os seus filhos.

Por que não consigo mais voltar para o Brasil

Um estranho no ninho

Viver em um outro país é comparar diariamente. Sim, você vai fazer comparações de todos os tipos, vai converter o dinheiro, vai cansar a mente no supermercado, provavelmente vai se impressionar com o trânsito e com a forma como as pessoas se tratam.

Por exemplo, se você optar por morar em um país de primeiro mundo, dificilmente irá se readaptar ao Brasil, pois as diferenças são muito grandes.

A gente se acostuma com o que é bom rápido

Se você for seguidamente ao supermercado durante alguns anos e perceber que os preços são sempre os mesmos, você vai entender que receber salário e inflação são coisas que não combinam.

Quando você sair para caminhar às 10 horas da noite sem medo, esquecer a porta de casa aberta e nada acontecer, levar o seu filho para estudar em uma escola pública de qualidade e utilizar um hospital público que é muito melhor que um privado, você vai perceber que é bem fácil se acostumar com o que é bom.

Segurança

Para começar, em países desenvolvidos, os bancos não possuem porta-giratória. Eles não fazem ideia para que serve isso, assim como você não vai encontrar seguranças armados com facilidade.

Na hora de sacar dinheiro, os caixas estão sempre na rua, nas paredes dos edifícios, sem qualquer proteção. Isso porque a violência não faz parte do imaginário dos cidadãos destes países.

Claro que por ter um problema crônico de falta de segurança, muitas pessoas quem saem do Brasil estão buscando tranquilidade, poder caminhar sem ficar olhando para trás e ir num caixa eletrônico sem medo de ser assaltado.

Segurança ao sacar dinheiro na Europa

Voltar é mais difícil do que partir

Partir não é fácil, mas voltar é muito mais difícil. É mais difícil porque parece que a gente fica no meio do caminho, não é de lá nem de cá, porque o que tínhamos quando resolvemos partir, não temos mais.

Nossa casa não é mais nossa, nosso carro é de alguém, nossos amigos seguiram suas vidas, se mudaram também e tudo, tudo, absolutamente tudo mudou.

O mundo não para

Apesar de acharmos, quando partimos, que as pessoas ficaram “paradas” no tempo, nos enganamos. Claro, assim como nós partimos, muita gente também vai partir.

O nosso melhor amigo vai encontrar um emprego em outro estado ou país, os irmãos vão casar, seu sobrinho vai nascer, sua afilhada vai se acostumar a te ver pelo Skype. O mundo não parou e nunca vai parar.

Experiência para a vida toda

Enfrentar uma nova cultura de peito aberto não é fácil, mas como já disse, se você estivesse satisfeito com a sua, não teria partido ou estaria pensando em partir.

Se você está morando em outro país e ainda não se adaptou, tenha calma. Com o tempo, com os tombos, com as novas experiências que nos são oportunizadas, é natural que a adaptação aconteça logo.

Agora, não diga que não recebeu o aviso: se você quiser voltar para o Brasil, saiba que muito raramente vai se readaptar, pois se você já tinha capacidade crítica suficiente para partir, ela estará à flor da pele no seu retorno.

Se você pensa em morar no exterior, não deixe de ler o nosso guia de como morar fora do Brasil, do planejamento até a mudança.

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Amanda é brasileira, jornalista, mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho (Braga, Portugal). Mora desde 2014 em Portugal. Escreve para seu site Vagas pelo Mundo sobre oportunidades de emprego, a experiência de morar fora, bolsas de estudo e vistos para morar no exterior.