Uma intensa onda de calor atinge a Europa neste verão de 2025, colocando Portugal e Espanha em alerta máximo devido ao risco elevado de incêndios florestais. A situação também exige atenção na França.
Só no norte de Portugal, dezenas de focos de incêndio mobilizam milhares de bombeiros e isolam cidades. Na Espanha, a situação é considerada grave em regiões como Galiza, Andaluzia e Castela e Leão, com aldeias evacuadas e prejuízos ambientais graves.
Risco extremo: por que o alerta máximo?
Em diversas regiões da Europa, as temperaturas estão entre 5 e 10°C acima do normal para esta época do ano, tornando as florestas e vegetação ainda mais secas e inflamáveis.
Nas últimas semanas, dezenas de milhares de pessoas precisaram abandonar suas casas. Houve evacuações em massa em regiões como Catalunha (Espanha), Creta (Grécia) e Marselha (França), além de pelo menos três mortes na Turquia.
Com a aproximação de uma forte massa de ar quente vinda do norte da África, as temperaturas aumentaram de forma acentuada em Portugal e Espanha. Esses países decretaram estado de alerta máximo, proibindo entrada em áreas de floresta e restringindo uso de máquinas agrícolas e fogos de artifício para prevenir explosões de incêndio.
Alerta máximo ativado em Portugal e Espanha
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e a Agência Estatal de Meteorologia da Espanha reforçam o alerta máximo para regiões do interior e norte dos dois países.
“Neste verão as condições são críticas devido à combinação de calor extremo, pouca umidade e ventos fortes. Incêndios estão surgindo em áreas difíceis de acessar, o que dificulta o combate”, explica o comandante português Helder Silva.
Em Portugal, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) utiliza cinco níveis de risco para incêndios: reduzido, moderado, elevado, muito elevado e máximo. O risco máximo ocorre quando as condições meteorológicas, como calor intenso e pouca umidade do ar, aumentam consideravelmente as chances de incêndio começar e se espalhar rapidamente.
Incêndios já destruíram 231 mil hectares na Europa
Segundo dados oficiais, até 15 de julho, incêndios florestais já queimaram 231.539 hectares na Europa, quase o tamanho de Luxemburgo. Esse número é 119% maior que a média histórica para o período.
Os incêndios deste ano já geraram cerca de 1,9 megatoneladas de carbono na União Europeia, criando um ciclo que, segundo especialistas, aumenta a vulnerabilidade das florestas a novos incêndios.
No momento da publicação dessa notícia, já há novos incêndios em andamento, como em Trancoso, na região da Guarda.
Fatores climáticos por trás do aumento dos incêndios
Estudos recentes apontam que os verões de 2023 e 2024 foram os mais quentes já registrados na Europa. Em 2025, a tendência de calor acima do normal se manteve, favorecendo o ressecamento da vegetação.
As temperaturas extremas, que chegaram a bater recordes de até 46°C no sul da Espanha, geram um ambiente inflamável: qualquer faísca pode resultar em incêndios de grandes proporções.
Outro fator relevante é o fenômeno climático chamado “onda de calor”, que é um período prolongado de dias muito quentes, normalmente acima da média histórica. Quando coincidido com secas ou ventos intensos, como visto em Portugal neste verão, aumenta significativamente o risco de propagação de incêndios.
Além disso, por conta do aquecimento global provocado pela emissão de gases de efeito estufa, os verões estão mais prolongados e quentes, o que faz a estação de incêndios alastrar-se para além dos meses mais quentes. Assim, os riscos se estendem por períodos mais longos e pegam as florestas ainda mais secas.
Outros fatores aumentam o risco
Dificuldades na gestão florestal, presença de espécies altamente inflamáveis como o eucalipto e a falta de manutenção de áreas limítrofes também são apontados como agravantes.
Especialistas recomendam criar áreas diferentes dentro das florestas, com vários tipos de vegetação (o que chamam de “mosaicos florestais”) e também faixas de terreno limpo, sem árvores nem mato (os chamados “corta-fogos”), que ajudam a impedir que o fogo se espalhe.
O eBook Morar na Espanha organiza as informações que realmente importam para quem quer morar no país: vistos, custos, cidades, burocracia e planejamento. Ideal para quem quer sair da confusão e planejar a mudança com mais segurança.
QUERO CONHECER O EBOOK →Também defendem que o trabalho de prevenção deve ser feito o ano inteiro e não só no verão, quando os incêndios costumam acontecer. Alguns incêndios estão ficando “impossíveis de combater” devido à combinação de seca severa e ventos fortes. Por isso, a prevenção e alerta precoce são considerados essenciais para proteger vidas e patrimônio.
Você não precisa gastar com a transferência do dinheiro. Use o cartão multimoedas da Wise direto, com câmbio justo e sem tarifas abusivas. Prático, seguro e econômico. Peça já o seu!
Abrir Conta Multimoeda →Regiões mais atingidas e impactos ambientais
O sul da Europa segue em alerta. Algumas regiões são atingidas por incêndios com mais frequência do que outras. O norte da Europa, por exemplo, é mais resistente ao fogo (somente 3% da perda de árvores por incêndio), enquanto regiões sul como Portugal, Grécia e Espanha enfrentam perdas significativas, com grandes perdas de floresta.
O número de incêndios em 2025 está muito acima da média. Foram 1.230 focos ativos até 15 de julho (contra a média de 478). Grande parte desse aumento ocorreu entre fevereiro e março, devido a secas e calor fora do normal, especialmente na Europa Ocidental e Central.
Portugal
O agravamento da situação levou à colocação de mais de 100 concelhos (municípios) em risco máximo de incêndio, principalmente no interior norte e centro de Portugal, além de dois concelhos no Algarve.
Todos os concelhos dos distritos de Bragança e Guarda estão classificados como risco máximo. A maioria dos municípios de Vila Real, Castelo Branco e Viseu também está nesta categoria. Há ainda dezenas de cidades afetadas em Viana do Castelo, Braga, Porto, Coimbra, Aveiro, Leiria, Santarém, Portalegre, Beja e Faro.
Neste ano, os incêndios florestais já destruíram cerca de 42 mil hectares em Portugal, de acordo com o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR). Isso equivale a oito vezes mais do que o registrado no mesmo período de 2024 e é o número mais alto desde 2022.
Mesmo com previsão de uma pequena queda de temperatura nos próximos dias, o tempo segue quente e com pouco ou nenhum nevoeiro em quase todo o país.
Espanha
As regiões mais afetadas incluem Galiza, Andaluzia, Ávila (Barranco de las Cinco Villas no centro) e as comunidades autônomas da Catalunha e Extremadura. Vilarejos inteiros passaram por evacuações, casas foram totalmente destruídas, animais mortos e fumaça densa obrigou moradores a ficar em casa.
Assine nossa Newsletter e receba gratuitamente notícias, artigos e colunas do Euro Dicas sobre a Europa no seu email. Se você sonha em morar no Velho Continente, essa newsletter é feita para você!
INSCREVER GRÁTIS→O incêndio de Ávila resultou no confinamento de El Arenal e Mombeltrán, cidades isoladas pelo fogo. Todos os dias, há cerca de 50 casos suspeitos de incêndios provocados de propósito. Essas ações criminosas dificultam ainda mais o trabalho de quem tenta controlar o fogo.
França
Na França, destaque para o sul do país, como região de Aude (próximo de Carcassonne), que foi colocado em alerta vermelho e já enfrentou grandes incêndios em julho. A localidade fica próxima à fronteira com a Espanha.
Em apenas 12 horas, as chamas devastaram uma área de 11 mil hectares. Este já é o maior incêndio florestal registrado na França neste verão.

Mais de 1.500 bombeiros e muitos recursos foram empregados no combate às chamas. Outras nove regiões francesas seguem em alerta laranja. O risco segue elevado devido ao clima seco e ventos fortes.
Outras regiões
A Grécia também enfrenta uma grave onda de calor que dificulta o controle de dezenas de focos de incêndio em várias regiões do país. O nível de risco de incêndio florestal foi elevado para o nível 5, o mais alto, em todo o território grego.
Mais de 50 incêndios foram registrados em apenas 24 horas, com atuação intensa de bombeiros e uso de aviões e helicópteros para o combate.
Na Itália, a onda de calor também causou incêndios severos, especialmente na região de Cagliari, na Sardenha. Praias turísticas, como Punta Molentis, tiveram que ser evacuadas rapidamente devido à propagação rápida do fogo.
E na Turquia, as províncias de Bursa e Karabuk são as mais atingidas atualmente, com evacuação de milhares de pessoas. Só em Bursa, mais de 1.700 pessoas foram retiradas de áreas de risco, com apoio de cerca de 2.000 bombeiros atuando no combate ao fogo.
Efeitos da ameaça constante de fogo
As zonas atingidas já perderam boa parte da vegetação nativa, os animais têm dificuldade para sobreviver e a fumaça piora a qualidade do ar, até mesmo nas cidades.
Tudo isso afeta diretamente quem vive nessas regiões, prejudica o turismo e pode dificultar o acesso à água, especialmente em lugares que já sofrem com a seca.
Mortes e prejuízos econômicos
Ao menos oito pessoas morreram em função do calor extremo na Europa Central. As mortes ocorreram em três países mais atingidos: quatro na Espanha, duas na França e duas na Itália.
Entre as vítimas espanholas, duas morreram durante um incêndio florestal na Catalunha que destruiu várias fazendas e atingiu cerca de 40km antes de ser controlado. Outras mortes relacionadas ao calor foram registradas nas regiões de Extremadura e Córdoba.
O calor excessivo causou prejuízos e mortes. Em uma usina nuclear na Suíça, um reator precisou ser desligado devido ao risco elevado de sobreaquecimento.
Muitas cidades europeias registraram aumentos significativos nos atendimentos médicos por conta de insolação, hipertermia (quando o corpo perde a capacidade de controlar a própria temperatura) e desidratação, afetando principalmente idosos e pessoas vulneráveis.
Como as autoridades estão agindo
Para lidar com a crise, os governos adotaram medidas emergenciais:
- Proibição de acesso a florestas: pessoas não podem entrar em áreas verdes e rurais consideradas de risco;
- Restrições ao uso de máquinas: limitado o uso de tratores, serras elétricas e maquinaria agrícola que possam causar faíscas;
- Proibição de fogos de artifício e queimas: anulado qualquer evento com risco de explosão ou faísca, incluindo festas e celebrações tradicionais;
- Fechamento de trilhas, parques e atrações turísticas em áreas de risco, como os Passadiços do Paiva em Arouca.
Vigilância especial
- As regiões norte de Portugal, como Braga, Bragança, Porto, Vila Real e Viana do Castelo, estão sob alerta vermelho do IPMA;
- Na Espanha, Galiza e Andaluzia recebem reforço de bombeiros, polícia e Unidades Militares de Emergência (UME).
- Drones, helicópteros e aviões especializados realizam missões de vigilância e combate.
Apoio europeu: solidariedade e recursos
A União Europeia colabora com recursos logísticos e humanos, coordenando ações de resposta rápida para suprir deficiências locais. O Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) monitora focos e ajuda no compartilhamento de dados em tempo real.
Se necessário, o sistema aciona equipes de outros países-membros para auxiliar no combate direto e evacuação de moradores.
Organizações ambientais, como WWF e BirdLife, reforçam a importância das estratégias preventivas e do apoio às comunidades afetadas.
Regiões com muitos brasileiros afetadas
Portugal é um dos países europeus com maior presença de brasileiros, principalmente nos distritos de Lisboa, Porto e Aveiro, justamente áreas próximas de regiões fortemente atingidas pelos incêndios atuais.
Além de Portugal, outras áreas da Europa com grandes comunidades brasileiras estão sendo impactadas por incêndios em 2025 como Espanha, Itália e França, especialmente em regiões do sul e centro da Europa, onde o calor extremo e os incêndios florestais são mais frequentes neste verão.
Restrições e alertas para residentes e turistas
Com os incêndios florestais em andamento, as evacuações já estão afetando cidades onde vivem muitos brasileiros, o que dificulta o trânsito e atrapalha o funcionamento de escolas, universidades e comércios.
Além disso, voos e transportes terrestres podem ser suspensos temporariamente devido à fumaça densa e ao fechamento de estradas para garantir a segurança.
Por isso, as autoridades solicitam que se evitem deslocamentos desnecessários, principalmente para áreas rurais e florestais e sempre seguir as orientações oficiais para se proteger.
A qualidade do ar nas cidades está comprometida, o que representa um risco maior para pessoas com problemas respiratórios, idosos e crianças, que precisam redobrar os cuidados.
Links úteis e orientações
Abaixo você encontra links úteis e um guia rápido para saber como agir em caso de emergência durante incêndios florestais:
Portugal
- Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC): oferece informação sobre riscos de incêndio, medidas preventivas em dias de perigo “Muito Elevado” ou “Máximo”. Em caso de emergência, o número de contato é o 112;
- Fogos.pt / Portal do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR): mapas oficiais com incêndios ativos em tempo real, atualizados a cada 2 minutos. Permite consultar avisos, estatísticas e notificações por concelho;
- Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF): responsável por planejamento e gestão de áreas protegidas, incluindo o Projeto de faixas de gestão de combustível e o Plano Nacional de Fogo Controlado (PNFC), que ajuda a prevenir incêndios;
- EvacuarFloresta: plataforma que explica como definir e antecipar comportamentos de incêndio, tráfego e pessoas para tomar decisões seguras de evacuação.
Espanha
- Ministério da Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente (MITECO): publica informação oficial sobre prevenção, gestão e resposta a incêndios florestais. Coordena a Direção Geral de Política Florestal (ADCIF) que apoia as comunidades autónomas;
- Orientações Estratégicas para a Gestão de Incêndios Florestais na Espanha: documento que apresenta um quadro amplo para enfrentar incêndios, proteger ecossistemas e comunidades afetadas;
- Sistemas de alerta e resposta rápida: incluem o Forest Fires Assessment and Advisory Team (FAST) e o sistema europeu Cecis/UCPM para coordenação em emergências, reforçando a colaboração entre regiões e países em situações graves.
Orientações gerais
Durante a época de incêndios, é essencial estar preparado e saber como agir com rapidez e segurança. Antes mesmo do verão começar, informe-se sobre o nível de risco na sua região e prepare um plano de evacuação. Ter um kit de emergência sempre à mão, com documentos, água, rádio, máscara, medicamentos e outros itens essenciais, pode fazer toda a diferença.
Se o fogo se aproximar e o cheiro de fumaça começar a invadir a sua casa, feche imediatamente portas e janelas. Use panos molhados para vedar possíveis entradas de ar e procure abrigo num local mais protegido.
Evite, sempre que possível, sair de casa nessas condições, especialmente para praticar atividades físicas ou trabalhar ao ar livre, principalmente nas horas mais quentes do dia.
Mantenha-se atento às instruções das autoridades locais e siga as orientações oficiais sem hesitar. Tenha sempre um plano de fuga definido e nunca entre em zonas em risco. Agir rápido e com informação pode salvar vidas.
O vídeo abaixo complementa essas orientações sobre como agir antes e durante um incêndio florestal:
Informação salva vidas
O risco de incêndios neste verão de 2025 em Portugal, Espanha e França tem causas conhecidas: calor extremo, seca, ventos e desafios na gestão florestal. Autoridades recomendam atenção redobrada, respeito às determinações oficiais e solidariedade entre comunidades locais e estrangeiras.
Europa é atualmente o continente que mais sofre aumento de temperatura no planeta, aquecendo-se duas vezes mais rápido do que a média global desde a década de 1980, segundo o Serviço Copernicus da União Europeia.
É fundamental seguir os alertas e ter em mãos os contatos dos consulados. Os governos trabalham de forma intensa junto a parceiros internacionais para reduzir perdas e proteger vidas.
Continue acompanhando as últimas notícias sobre a Europa e atualizações sobre incêndios, clima extremo e orientações de segurança aqui no Euro Dicas Notícias.
Maurício Martins