Na minha primeira coluna aqui para o Euro Dicas eu contei um pouco sobre a minha história e o que me trouxe para a Europa em 2021. Em 2026, irei completar 5 anos morando no exterior e, no auge dos meus 32 anos, consigo perceber algumas mudanças em mim graças aos aprendizados dessa experiência intensa — um pouco maluca, mas de muita coragem.

Há muitas coisas que aprendi morando no exterior
Índice Descobrir quem eu sou sem plateia A força de ser só mais uma Quando sucesso deixa de ser só carreira Cada país, um jeito diferente de viver Aprender sobre o Brasil morando fora

Descobrir quem eu sou sem plateia

Em 2021, eu tinha 27 anos e muito do que eu havia vivido até então sempre teve grande influência da minha família e de amigos de longa data. Ao me mudar pra Alemanha na época, eu finalmente descobri quem eu era sem ter uma plateia conhecida me observando.

Longe da família, dos amigos de infância e das expectativas alheias sobre mim e sobre o que eu faço com a minha vida. Aqui fora eu era só mais uma, não era “a filha de alguém” ou “a amiga de fulana”.

E ao mesmo tempo que isso é assustador, é libertador. Eu desenvolvi muito do meu senso crítico, vi o mundo com os meus próprios olhos e me apresentei como eu queria para uma pessoa nova e desconhecida.

A força de ser só mais uma

Ser uma “zé ninguém” também me mostrou que eu sou capaz de fazer muitas coisas que antes eu achava impossíveis. Não ter pessoas queridas e conhecidas por perto me fez tomar decisões sozinha, resolver problemas sem ter para quem pedir ajuda e, no fim, ver que eu consigo me virar, sim.

Não quero romantizar o fato de que muitas vezes isso é solitário e que ser forte o tempo todo cansa, mas não tem como não admitir que morar fora me deixou mais independente do que eu jamais imaginei.

Quando sucesso deixa de ser só carreira

E a independência tem a ver com a minha nova definição de “sucesso”. Aprendi a olhar pra minha vida além da minha carreira. No Brasil quando conhecemos alguém, não demora mais do que cinco minutos de
conversa pra você contar ou te perguntarem sobre a sua carreira. Aqui, a vida vai além do seu trabalho.

Hoje em dia eu tenho resposta pronta pra perguntas como:

  • Qual é o seu hobby?”
  • O que você gosta de fazer aos finais de semana?”
  • Tem alguma viagem planejada para este ano?

Não é só sobre “dar certo”, ter status, uma carreira invejável e muito dinheiro. É mais sobre ter um equilíbrio entre trabalho e lazer, saúde mental, qualidade de vida e segurança.

Cada país, um jeito diferente de viver

Sem contar que levar a vida com mais calma, tendo mais momentos de lazer e equilíbrio nas esferas da minha vida me fez aprender que não existe só um jeito de viver.

Ao longo dos últimos 12 anos eu morei em três países diferentes: Estados Unidos, Alemanha e agora, Holanda, e em cada um deles reparei como as pessoas levam a vida, o que priorizam, quais são os costumes, o que fazem aos domingos e onde se encontram para se divertir.

Mi Alves em Amsterdam no verão
Agora em Amsterdam também conheci novos hábitos culturais que adotei. Foto: Mi Alves

Cada lugar possui sua particularidade, suas diferenças, e isso não quer dizer que um jeito é melhor que o outro, as coisas só são diferentes, e o diferente é bom.

O diferente amplia minha visão de mundo, me faz ver que não sou uma estranha por ter minhas particularidades e, de alguma forma, isso me deixa mais interessante.

Aprender sobre o Brasil morando fora

E eu não poderia terminar esse texto sem mencionar que aprendi muito mais sobre o Brasil agora que eu moro fora, se comparado aos anos que morei por lá.

Antes, na minha rotina comum, na cidade em que morei minha vida toda, convivendo com as mesmas pessoas, “Brasil” tinha um significado, tinha apenas uma cara, um cheiro, um sabor. Hoje, tendo conhecido brasileiras de todo o lugar que também moram em Amsterdam, eu conheço várias versões do meu país.

Eu aprendi nomes de pratos típicos que até então nunca tinha ouvido falar, aprendi expressões e gírias das quais nunca usei, conheci diferentes estilos musicais do meu país e entendi como o Brasil pode ser muito mais do que eu achava. Eu passei a amar o meu país de uma forma plural, colorida e muito mais real do que antes.

Já dizia minha mãe: vivendo e aprendendo. A vida é um eterno aprendizado. A vida do imigrante também.

*As opiniões dos colunistas não refletem necessariamente a opinião do Euro Dicas.