Há alguns anos, nós decidimos embarcar num sonho: mudar para Portugal em busca de novas oportunidades e experiências. Queríamos evitar uma imigração frustrada, e o caminho foi cheio de aprendizados, desde a complexidade do processo burocrático até a adaptação à cultura e ao estilo de vida.

Foi e tem sido uma experiência incrível, mas também um pouco como aprender a andar de bicicleta de novo. Após quase 4 anos vivendo aqui, podemos dizer que Portugal é um país lindo, mas que não é para qualquer um. Assim como o ato de imigrar, que requer muita pesquisa e planejamento para evitar frustrações.

Estruturando a mudança

Nosso planejamento foi cuidadosamente elaborado ao longo de mais de dois anos, para adquirir o máximo de informações. Dedicamos atenção especial às colunas e artigos do Euro Dicas e não tínhamos preguiça de aprender. Antes de tudo, realizamos uma visita para conhecer melhor o país e selecionar as cidades de Portugal onde nos víamos morando.

Fizemos um plano financeiro realista, considerando todos os custos envolvidos. Investimos tempo e esforço para ter conhecimento de todos os aspectos da vida no país, incluindo documentação, cidades, clima, gastronomia, mercado de trabalho, hábitos e cultura.

Estabelecemos metas também realistas, considerando diversos cenários. Mas, como o mundo é imprevisível, acabamos atingindo metas que nem mesmo imaginávamos.

“Hoje alcançamos boa parte dos nossos objetivos e estamos felizes com tudo o que conquistamos. Sabemos que ainda virão mais coisas boas!”

Mesmo com todo o planejamento que fizemos, ainda nos surpreendemos diariamente com novidades positivas (e negativas) sobre diversos aspectos da vida no país. Isso é normal.

Imigrar com coragem, não aventura

Mudar de país é uma decisão complexa, que deve ser tomada com responsabilidade e planejamento. No entanto, muitas pessoas decidem não seguir essas orientações. Isso ocorre porque, no Brasil, estamos acostumados a lidar com a imprevisibilidade desde o nascimento. Por isso, há quem não tenha medo de mudar, mesmo que não saiba o que o espera.

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Difícil de acreditar, mas conhecemos uma pessoa que imigrou sem o mínimo de conhecimento. Para vocês terem uma ideia, ela admitiu que nem sabia ao certo em que continente ficava Portugal.

Imigrar é um ato de coragem, mas não pode ser encarado como uma aventura sem compromisso ou sem conhecimento, como muitos querem.

É preciso estar ciente dos desafios que serão enfrentados, como a adaptação a uma nova cultura, a busca por emprego e a saudade da família e dos amigos. Não é diversão, é algo muito sério, não importa se você é jovem ou mais velho. Isso evitará uma imigração frustrada.

Às vezes voltar para o Brasil vai ser a melhor opção

Por essas e outras é que a quantidade de imigrantes brasileiros em Portugal buscando auxílio para retornar ao Brasil tem aumentado. Chegam aqui por conta própria, tentando uma nova vida em outro país, mas são surpreendidos com o desemprego, a dificuldade em se regularizar, a falta de preparação e o custo de vida cada vez mais elevado.

E para entender mais sobre o assunto, conversei com pessoas que desistiram da mudança e compartilharam seu relato recentemente em redes sociais.

O sonho que virou pesadelo

Rita Ferreira, uma das pessoas que respondeu ao meu pedido de entrevista, compartilhou no TikTok sua decisão de voltar para o Brasil. O vídeo recebeu dezenas de comentários.

Tudo começou com um sonho. Ela e o noivo decidiram entrar em Portugal como turistas em 2023. Uma escolha comum e arriscada, que provoca inúmeros inconvenientes. Ambos viveram um pesadelo em terras lusitanas.

Foram vítimas de um dos golpes mais comuns em Portugal: o de falso arrendamento. Ficaram sem dinheiro e sem um teto para morar.

Rita Ferreira voltou para o Brasil depois de alguns perrengues em Portugal.
Rita voltou para o Brasil depois de alguns problemas em Portugal. Foto: arquivo pessoal

Rita também trabalhou em um restaurante onde sofreu xenofobia e não recebeu seu salário. O carro que ela e o noivo compraram apresentou problemas no motor e eles não puderam pagar o conserto.

Para piorar a situação, uma vizinha portuguesa implicava com o casal, alegando fazerem muito barulho na casa. Rita e o noivo chegaram a ouvir a fatídica frase “voltem para a vossa terra”.

Em dezembro de 2023, Rita e o noivo desistiram e retornaram para o Brasil.

Em busca de novos horizontes

Já o caso de Rayra Fortunato é um pouco diferente.

Hoje formada em Relações Internacionais, ela saiu do Brasil com visto para Portugal justamente para estudar. Utilizou muito a internet para aprender sobre o país. Lia blogs e acompanhava alguns conteúdos no YouTube de pessoas que moravam em Coimbra, para conhecer de longe a cidade onde iria morar.

Não teve dificuldades de organizar a viagem, pois recebeu todo o suporte da faculdade e do consulado.

Depois de uma imigração frustrada em Portugal, Rayra Fortunato, foi viver na Bélgica.
Depois da temporada em Portugal, Rayra partiu para a Bélgica. Foto: arquivo pessoal

Saiu de Portugal recentemente, pois queria buscar novos horizontes. Ela já havia morado em Coimbra, Lisboa e Porto. Após 8 anos, quis descobrir outros lugares que ainda havia explorado.

Motivos ligados ao crescimento na profissão também importaram na decisão:

“O segundo maior motivo foi a sensação de falta de progresso profissional, no sentido de ver que o mercado de trabalho no país está bem debilitado. Sou formada em Relações Internacionais. Essa área possui salários muito baixos em Portugal quando comparado com outros países da Europa ou até mesmo em regiões mais centrais do Brasil.”

Além disso, Rayra revela que o custo de vida em Portugal também foi um fator determinante para sua saída:

“Se você não tem um bom salário, provavelmente vai passar um tempo tendo que economizar bastante. Isso me desmotivou porque via que o custo-benefício em outros países era melhor. O salário em Portugal não acompanhou o aumento dos preços de mercado, aluguel e bens básicos. Isso foi um ponto muito importante que me fez refletir.”

Desde outubro de 2023, Rayra Fortunato mora em Bruxelas, na Bélgica.

Desafios financeiros

Outra pessoa que compartilhou sua história foi Thays Cavalcanti. Ela admite que não se aprofundou muito na pesquisa sobre o país, pois não queria aumentar sua ansiedade na imigração com o processo da mudança.

Thays Cavalcanti com o marido e o filho tiveram uma imigração frustrada em Portugal.
Thays e família acharam melhor voltar para o Brasil. Foto: arquivo pessoal

O desafio de Thays estava relacionado à questão financeira, já que sua intenção era abrir um restaurante, mas a realidade se revelou mais complexa do que imaginava.

“Não deixei minha terra natal para permanecer na mesmice. Vim para Portugal em busca de crescimento, mas a situação estava insustentável para mim. Meu marido tinha seu emprego, mas, na prática, apenas ele trabalhando no Brasil renderia muito mais. Assim, vendi tudo e parti com duas malas e meu filho para o Brasil.”

Falta de perspectiva

Rafaela Jacquet também desabafou nas redes sociais. Natural do Rio de Janeiro, ela morou em Portugal com o namorado e desistiu depois de 6 meses.

Brasileira Rafaela Jacquet em um restaurante
Falta de perspectiva profissional, fez Rafaela abandonar a vida em Portugal. Foto: arquivo pessoal

Além da questão do aumento dos aluguéis em Portugal, Rafaela conta que o principal motivo era a falta de uma projeção de carreira e de futuro:

“A gente pensava e repensava: por que a gente ia permanecer ali? E para a gente não fazia mais sentido. A gente voltou tranquilo, apesar de não ter sido uma decisão fácil, porque a gente podia pensar que seria um lugar de mais oportunidades, mas a gente viu que, no fundo, não era. Não estava sendo compatível com que a gente buscava.

Rafaela explica que no caso dela, não foi falta de planejamento ou de dinheiro. Ela diz: “Fomos sábios para entender que aquele não era nosso lugar.”

Mais conhecimento, menos riscos

Diante destes e de outros relatos, percebi que conquistar novos horizontes é empolgante, mas a falta de preparo pode transformar a busca por uma vida melhor em um desafio desanimador. A mudança de país exige mais do que uma passagem aérea; é um processo que demanda responsabilidade e planejamento sólido.

Muitos, seduzidos pela ideia da “qualidade de vida”, arriscam um salto no escuro. Contudo, a falta de conhecimento e a imprudência frequentemente resultam em uma imigração frustrada. Basear essa transição em “achismos” só aumenta as chances de uma experiência negativa.

Você precisa ter conhecimentos sólidos sobre o que está fazendo para afastar ao máximo qualquer chance de erro. Muitas famílias vendem tudo ou quase tudo o que têm no Brasil para investir nesse sonho. É essencial estar com boas informações na palma da mão para poder equilibrar expectativa e realidade.

É crucial compreender também que o processo de imigração muitas vezes é solitário. A ilusão de contar com suporte imediato de amigos ou colegas pode levar a decepções. Falo por experiência própria: poucos estão dispostos a oferecer ajuda nesse percurso desafiador. Conte com sua força de vontade e se o apoio surgir, de verdade, encare como uma grata surpresa.

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Planejar ou arriscar: eis a questão

Contudo, se, mesmo seguindo os passos certos, bater o arrependimento, lembre-se: nunca é tarde para retornar ao que te faz feliz. Mantenha a consciência tranquila, afinal, experimentar é valioso.

Suas asas estão aí para mais voos, desde que sonhe com responsabilidade, pés firmes no chão e um planejamento sensato. O importante é estar aberto para novas possibilidades, mesmo que isso signifique descobrir que o Brasil não era tão ruim assim.

Confira também a nossa coluna sobre adaptação reversa e saiba como se preparar para voltar ao Brasil.