A facilidade de obtenção do visto, a facilidade com o idioma e a qualidade de vida são os principais fatores que atraíram os brasileiros em Portugal. Assim, nos últimos anos, o país luso foi (re)descoberto e tem atraído milhares de pessoas para morar.
Para escrever o artigo, além da minha experiência, conversei com muitas pessoas para entender melhor o perfil desses residentes, os principais motivos de escolher Portugal para morar, entre outros pontos.

Quantos são os brasileiros em Portugal?

De acordo com o último relatório do SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteias – em 2019, estima-se que cerca de 590.348 mil pessoas estrangeiras vivam em Portugal. Dentre elas, 151 mil são brasileiros residentes no país. Isso, sem contar com os brasileiros que possuem cidadania europeia ou estão ilegais.
Os brasileiros também tem grande destaque no pedido de cidadania portuguesa. Em 2019 foram 74.116 pedidos, sendo a maioria deles (22.928) de brasileiros.
Segundo os dados preliminares do SEF relativos ao ano de 2020, mesmo com a pandemia de Covid-19 foram emitidas mais de 117 mil novos títulos de residência em Portugal. Resta aguardar a divulgação dos dados finais para saber quantos deles foram emitidos para brasileiros.

Onde estão os brasileiros no país?

Não encontrei dados oficiais do SEF em que diz onde estão os brasileiros no país. Porém, facilmente podemos encontrar muitos brasileiros morando nas principais cidades, Lisboa e Porto e em seus arredores.
Braga, a capital do Minho, também teve um boom de brasileiros. A cidade tem ganhado muito destaque e prêmios importantes de qualidade de vida. Segundo reportagem do jornal O Globo, publicada em 2019, nos últimos 10 anos, a comunidade de brasileiros na cidade passou de 2.596 para 6.168 residentes.
No extremo oposto, a região sul, também tem atraído muitos brasileiros. Morar no Algarve é sinônimo de um bom clima o ano inteiro e a região foi eleita o melhor lugar para se viver na aposentadoria.

Quem são os brasileiros em Portugal?

Os brasileiros em Portugal são muitos e o perfil é bem heterogêneo. São muitos estudantes de graduação, mestrado e doutorado. São investidores no mercado imobiliário, trabalhadores qualificados e não-qualificados, empreendedores e aposentados. Muitos vieram sozinhos e muitos realizaram a mudança com toda a família.
As motivações para a mudança para Portugal são quase sempre as mesmas.
Os estudantes estão em busca de ter uma experiência fora ou aperfeiçoar o currículo. Além disso, muitos veem em Portugal uma maneira mais fácil de adquirir uma formação europeia e experiência profissional para depois mudar para outros países, ou voltar para o Brasil com um currículo com maior destaque, já que uma formação no exterior conta bastante aos olhos dos recrutadores.
Grupo de amigos em Portugal
A busca por qualidade de vida é o principal motivo de mudança para Portugal entre os outros perfis. Mas quando falamos em qualidade de vida estamos englobando em um conjunto de fatores como o balanço entre trabalho e vida pessoal, transporte, educação, saúde, poder de compra e principalmente, segurança. Esse ponto todos os brasileiros em Portugal destacam.

Por que tantos brasileiros escolhem Portugal?

A facilidade com o idioma é o principal motivo de tantos brasileiros escolherem morar em Portugal. Além disso, o custo de vida relativamente baixo se comparado a outros países europeus e a “aproximação” com a nossa cultura também são pontos destacados dentre os brasileiros em Portugal.

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Existe xenofobia contra os brasileiros?

Existe xenofobia contra os brasileiros e não vou mentir para vocês. Não são casos tão isolados assim, mas também não é um motivo para desistir da mudança. A maioria dos portugueses são bem receptivos conosco e estão de braços abertos para nos receber, mas existe sim uma minoria que é bem xenófoba, racista e machista.
Além disso, é muito comum a gente escutar piadinhas sobre brasileiros, assim como também fazemos as nossas piadinhas com portugueses. Sabe aquele ditado de chumbo trocado não dói? Pois é! Quando estamos do outro lado, a gente passa a enxergar que não é legal esse tipo de piada e para de fazer e rir delas.
Tem um perfil no Instagram chamado “Brasileiras não se calam” que está sempre publicando relatos assustadores de discriminação contra brasileiras no exterior. Porém, a ideia do perfil é criar uma rede para denunciar e apoiar as vítimas de assédio, discriminação e xenofobia não só em Portugal, mas no exterior.
A impressão que tenho pela minha convivência com portugueses é que esses assuntos (super importantes) não são pautados em conversas. É como varrer a poeira para baixo do tapete e fingir que nada acontece. No Brasil, esses temas são motivos de debate e estamos sempre trazendo o assunto para a conversa, não só em palestras ou conferências específicas, mas também no dia a dia do trabalho, em uma reunião familiar, na conversa do bar com os amigos, etc.

Como a comunidade brasileira se reúne em Portugal

Brasileiro conhece outro brasileiro e logo se tornam amigos íntimos. É parte da nossa essência ser assim. Não adianta fugir!
Existem muitos grupos de brasileiros em Portugal no Facebook e, no geral, as pessoas costumam se dar super bem, trocar dicas importantes e outras banais. Esses grupos acabam sendo uma grande rede de apoio dos brasileiros em Portugal.
Muitas amizades nascem nesses grupos. Vejo gente publicando dizendo que está se sentindo sozinho e logo aparecem várias pessoas chamando para sair, dar uma volta pela cidade, conversar, tomar uma cerveja ou um vinho. É bem bacana!
Também existem festivais brasileiros que conseguem reunir uma galera brasileira bem legal e entidades culturais, como a Casa do Brasil de Lisboa, que desenvolve várias ações no sentido de promover a integração de brasileiros em Portugal.

Quais os principais desafios dos brasileiros em Portugal?

Um dos principais desafios dos brasileiros em Portugal é o de encontrar trabalhos na área e que sejam bem remunerados. Apesar de que Portugal não é um país com um ótimo salário.
As dificuldades de arrendar uma casa também são grandes, visto que muitos proprietários pedem vários documentos e declaração de IRS (Imposto de Renda). E por fim, a saudade de estar longe dos familiares e amigos.
Três brasileiros em Portugal toparam me dar uma entrevista. Dois deles, moram em Cascais, nos arredores de Lisboa e uma mora no Porto. Por coincidências todos são paulistas. São eles, Robson Luiz de Lima (34), Eduardo Damico (39) e Kátia Oliveira (38).

Entrevistado Robson
Robson e família. Foto: Arquivo pessoal

1. Onde vive em Portugal e o que faz no país? Por que escolheu essa cidade?

Robson: “Vivo em Cascais. Atualmente trabalho como estafeta (entregador) para a empresa Mercadão e NoMenu e na construção Civil (madrugada) para a empresa JC Remodelações. Na verdade, não escolhi esta cidade, por acaso conheci pessoas que moravam aqui que me incentivaram a vir para cá por conta do trabalho na época! De certa forma, a cidade me escolheu.”
Eduardo: “Vivo atualmente em Cascais. Na real a cidade que me escolheu e me acolheu. Fui contratado para trabalhar em uma academia, depois para ser sócio e uma coisa foi levando a outra.”
Kátia: Vivo no Porto. Escolhi esta cidade primeiro por causa da Universidade que escolhi
estudar, também pela maior possibilidade de conseguir emprego (trabalho como cuidadora de idoso) e pelo que pesquisei, seria uma cidade com mais facilidade para adaptação de quem vinha de São Paulo. E isso foi confirmado. Amo o Porto!

2. O que motivou sua mudança para Portugal?

Robson: “A motivação da mudança foi a possibilidade de ter a oportunidade de oferecer a minha família uma vida com um pouco mais de segurança (econômica, para sair as ruas e etc), conforto, lazer e uma base educacional com um pouco menos de influências negativas. E, claro conseguir alcançar tudo isso trabalhando na área da Educação Física (uma meta a ser alcançada)”
Eduardo: “Eu sempre quis sair do Brasil, sempre admirei pessoas que conversavam comigo a respeito de lugares que eu nunca estive e seus costumes. Resolvi ver com meus próprios olhos.”
Kátia: “Estou aqui há um ano, coloquei minha esperança em algo que nunca imaginei
acontecer na minha vida. Fazer um curso de Mestrado e em outro país. Para alguns
não é nada de mais, mas para minha história é algo que não sonharia e nunca sonhei.
Acredito em Deus e sei que ´os planos dele são maiores que os nossos`. Aprendi o
amor-próprio e simplesmente buscar aquilo que me faz feliz. O que me motivou foi a
vontade de continuar buscando aprendizado profissional e pessoal, pois não há idade
máxima para isso. Com pesquisas e planejamento, vi em Portugal a possibilidade de
obter essa vontade para minha vida.”

3. Veio só ou com a família? A adaptação ao país foi difícil?

Robson: “Vim só, para poder ´organizar tudo` até a chegada da minha esposa e nossa 1° filha, que chegaram após 6 meses. Sim, imaginei tudo bem menos burocrático e lento de se resolver e isso causou uma certa impaciência no início, mas para minha esposa foi ainda pior, ela até hoje esta se ‘adaptando’ a forma de Portugal e portugueses viverem e resolverem as coisas (que é lenta)”.
Eduardo: “Vim com a esposa, um filho adolescente e um cachorro (cachorro também é família). Creio que toda adaptação é difícil. Por mais que tenha vindo a família, cada um de nós vai contar uma versão diferente desta mesma historia.”
Kátia: “Eu vim sozinha, tenho um amigo em Cascais e uma amiga em Lisboa apenas. Sim,
não foi fácil, mas é possível. No início sentia que não me adaptaria, não compreenderia nunca como tudo funciona, o que eles falam, etc. Com o tempo e a convivência, isso vai acontecendo naturalmente. Quando chegamos, parece que estamos em outro mundo, ficamos confusos e deslumbrados, mas com o tempo tudo se torna rotina, hábito. Mas ainda continuo me adaptando, pois, os vários sistemas portugueses muitas vezes nos deixam confusos, acredito que acontece com todos.”

Entrevistado Eduardo
Eduardo Damico e a esposa Samantha Siqueira. Foto: Arquivo pessoal

4. Quais são os desafios/dificuldades encontrados em Portugal?

Robson: “Encontrar um bom trabalho com um ordenado a altura do que você faz, acabamos no rendendo ao oferecido pela esperança de melhoria e necessidade. Encontrar uma renda barata em um lugar que não tenha que enfrentar 1:30/2horas de comboio (trem) ou autocarro para chegar ao trabalho.
Lidar, muitas vezes, com a forma de pensar e agir dos portugueses que muitas vezes é preconceituosa e xenofóbica. Seja no trabalho, nos serviços prestados a população ou nas situações cotidianas! Claro que não são todos, mas uma parte considerável age desta forma, infelizmente! Dificuldade é conseguir e organizar todos os documentos necessários para a regularização de um imigrante que vem com aquela “mentirinha” de vir a passeio!”
Eduardo: “Portugal tem muito pé atrás com brasileiro (algum motivo deve ter). Até as pessoas me conhecerem e perceberem que existem brasileiros e brasileiros. Assim como ingleses e ingleses, japoneses e japoneses. Enfrentei sim uma certa dificuldade na hora de alugar uma casa, por exemplo. Mas não foi muita, pelo contrário, as pessoas que mais me ajudaram aqui foram os portugueses.”
Kátia: “Acredito serem muitos e um pouco pessoal, mas vou citar o que vivi e o que ouço algumas pessoas dizer. Encontrar emprego que pague mais do que um salário mínimo (aqui trabalha-se muito e ganha-se pouco). Reconhecimento profissional, não sei como isso acontece em outros países. Compreender o que os portugueses falam literalmente, pois falam rápido e usam palavras que muitas vezes não são conhecidas por nós, a língua portuguesa tem muitos sinônimos, além da linguagem cultural de cada país. Transporte público aqui é muito complicado em relação a horários e não tem para todo lugar, no entanto, de carro é fácil e rápido chegar aos lugares.
Moradia aqui é muito caro e energia elétrica também. Por mais que Portugal tenha um clima próximo ao do Brasil, o inverno não se compara. Ouço algumas pessoas falarem da alimentação, eu não tive dificuldades nisso. Penso que psicologicamente é difícil e um desafio, para quem está sozinho e longe de quem ama.”

5. Em uma única frase, defina como é viver em Portugal?

Robson: “Viver em Portugal é buscar um “Eu” melhor em fé, paciência, determinação, coragem e humildade!”
Eduardo: “Viva a história que você quer contar.”
Kátia: “Uma experiência única para vida.”

6. Cite 3 vantagens e 3 desvantagens de morar em Portugal.

Robson: “Vantagens: segurança, lazer e poder de compra. Desvantagens: arrendamento caro, serviços lentos e pouca informação aos imigrantes.”
Eduardo: “Vantagens: segurança, beleza da paisagem e educação do povo. Desvantagens: saudades da família, frio do inverno e burocracia.”
Kátia: “Vantagens: adquirir conhecimento cultural, amadurecimento pessoal, desapegar de objetos, roupas, etc. Desvantagens: um dos menores salários mínimos da Europa (a maioria dos primeiros empregos para imigrantes pagam apenas o salário mínimo); xenofobia, a mulher brasileira não é bem vista tanto por homens quanto por mulheres portuguesas, (vejo que isso é algo histórico – leia sobre o episódio que ficou conhecido como as Mães de Bragança)”.

Entrevistada Kátia
Kátia no Porto. Foto: Arquivo pessoal

7. Se pudesse dar uma dica para quem está planejando a mudança, o que diria?

Robson: “Seja forte e corajoso, não se apavore nem desanime, pois, o Senhor, o Seu Deus, estará com você por onde você andar! Josué 1:9”.
Eduardo: “Não venha querendo mudança se você quer continuar tendo antigos costumes. Existem coisas que, no primeiro momento, nos causam indignação, mas são os costumes do povo daqui. Quem tem que se adaptar ao país é quem esta chegando, não ao contrário.
Faça um curso, tenha uma especialização, aprenda falar inglês. Mudar de país para fugir das dificuldades pode ser um tiro no pé. Você vai estar indo para um país que não é o seu, longe dos seus amigos e parentes, um lugar onde ninguém te conhece. Cada pessoa que tem uma história para contar. Viva a história que você quer contar.”
Kátia: “São várias dicas:

  • Planeje mesmo, planeje muito e muito bem, ainda assim provavelmente vai acontecer muita coisa fora do planejamento;
  • Venha com dinheiro para se manter por 6 meses sem emprego (agora com a pandemia, acredito que aumenta um pouco esse período), se vier com família, deve contar com cada um nesse planejamento e no orçamento. Parece óbvio, mas vemos muitas pessoas que não consideram isso e não tem um bom final;
  • Deixe o Brasil no Brasil. Venha aberto realmente a conviver com uma cultura diferente da nossa. Falar a mesma língua não significa mesma cultura, mesmos hábitos, mesma maneira de pensar, etc. Se não conseguir deixar, não vá para nenhum lugar do mundo;
  • Seja paciente, nada acontece fácil e rápido.”

Como se planejar para viver em Portugal?

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