A passagem da tempestade DANA na Espanha deixou um rastro de destruição e tragédia. Esse fenômeno de chuvas torrenciais, muitas vezes acompanhadas de fortes ventos e tornados, resultou em uma das piores catástrofes naturais do país nas últimas décadas, com centenas de mortos e desaparecidos.
Como está a situação na Espanha nesse momento
As consequências da tempestade DANA na Espanha são bastante graves especificamente na região da Comunidade Valenciana, ao sudeste da Espanha.
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PEDIR UM ORÇAMENTO →Em Valência e arredores, as inundações deixaram pelo menos 211 mortos e milhares de desaparecidos. A tragédia afetou profundamente “pueblos” como Chiva, Paiporta, Torrent, Utiel y Requena, todos na província de Valência, onde bairros inteiros foram varridos pelas chuvas intensas. Em Chiva, por exemplo, foram 491 litros por metro quadrado acumulados em 8 horas.
Conforme anunciou a Agencia Estatal de Meteorología (AEMET) da Espanha no Twitter em 30 de outubro, essa quantidade de água é o que costuma chover em um ano inteiro de chuvas na região.
Conversamos com a colunista do Euro Dicas, Tátylla Mendes, que vive na cidade de Valência:
“A maioria das estradas principais e secundárias estão cortadas, e seguem buscando os desaparecidos e tentando resgatar quem ainda pode ser resgatado”.
Além das mortes e desaparecimentos, o impacto estrutural é evidente: muitas estradas e ferrovias estão intransitáveis, deixando Valência isolada de outras regiões, como Madrid e Barcelona. De toda forma, as equipes de emergência continuam os trabalhos de busca, mas a extensão dos danos é grande e a recuperação deve ser lenta.
A DANA continua fazendo estragos – ainda que não com consequências tão desastrosas como na Comunidade Valenciana. Na noite do último domingo, 3 de novembro, o sul da Comunidade Autônoma da Catalunha passava por inundações e a proteção civil enviava alertas à população.
Para a segunda-feira, o governo catalão também suspendeu todas as atividades não indispensáveis nas cidades da região – que abarca principalmente a província de Tarragona.
DANA é um fenômeno frequente na Espanha, mas foi mais grave dessa vez
A DANA, sigla para “Depressão Isolada em Níveis Altos”, é um fenômeno relativamente comum na Espanha, especialmente no outono. Caracteriza-se por massas de ar frio presas nas camadas superiores da atmosfera, o que causa fortes chuvas e inundações.
Embora a Espanha tenha enfrentado eventos semelhantes ao longo de sua história, a gravidade da tempestade que aconteceu nos últimos dias não tem precedentes desde as inundações de 1957 em Valência, que deixaram 87 mortos.
As condições climáticas atuais foram determinantes para o aumento da intensidade da tempestade DANA na Espanha. E o aquecimento do Mar Mediterrâneo tem bastante a ver com isso.
Especialistas explicam o que aconteceu
Em resumo, são três os principais fatores: aquecimento global, geografia montanhosa da região e falta de um sistema de alerta eficaz.
Aquecimento global
De acordo com entrevista de Jorge Olcina, catedrático de Geografia da Universidade de Alicante, ao jornal La Vanguardia, um dos principais fatores agravantes foi o aquecimento do Mar Mediterrâneo, que transfere grande quantidade de energia para as nuvens.
O calor acumulado no mar, uma consequência do aquecimento global, aumenta a intensidade e a frequência de fenômenos como a DANA, tornando-os mais destrutivos.
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Com a intensidade das chuvas concentrada em intervalos curtos, o solo não consegue absorver a água rapidamente, levando a inundações rápidas e catastróficas.
Geografia montanhosa
Esse outro fator importante amplificou o impacto da tempestade. É uma configuração que retém as nuvens, intensificando ainda mais as chuvas nas áreas afetadas, mesmo em regiões já habituadas a chuvas fortes.
Em entrevista citada pela BBC, José María Bodoque, especialista em avaliação de riscos de inundação pela Universidade de Castilla-La Mancha, destacou que as chuvas saturaram rapidamente o solo, resultando em enchentes repentinas que limitaram o tempo de resposta para evacuação e salvamento.
Falta de um sistema de alerta eficaz
Além disso, Olcina também apontou que a falta de um sistema de alerta rápido e eficaz contribuiu para a alta exposição da população ao risco:
“As pessoas continuaram levando a vida normalmente e havia muita população exposta, com pessoas se deslocando por ruas e estradas ou em casas térreas quando deveriam ter se abrigado ou até mesmo evacuado algumas áreas”, comenta.
De acordo com a BBC, ainda que a AEMET tenha dado o alerta máximo sobre os riscos da DANA na manhã da terça-feira, dia 29 de outubro, as autoridades responsáveis não adotaram medidas excepcionais para a situação, como ordens de evacuação e alertas diretos aos moradores antes da chegada das chuvas.
Governo espanhol criou medidas emergenciais
O presidente Pedro Sánchez declarou 3 dias de luto oficial e anunciou que as áreas afetadas serão reconhecidas oficialmente como “zonas gravemente afetadas,” o que permitirá acesso a fundos e recursos adicionais para reconstrução.
Uma comissão interministerial também será formada para coordenar os esforços de recuperação e apoio econômico às comunidades.
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INSCREVER GRÁTIS→Além disso, milhares de soldados e agentes da polícia foram mobilizados para auxiliar nas operações de resgate e reconstrução.

Tátylla Mendes relatou que a Polícia Civil enviou alertas aos celulares dos residentes, mas destacou que essas notificações chegaram tarde:
“A Polícia Civil mandou um alerta terça à noite (meio tarde diante de tudo que já tinha acontecido) pelo celular de todos os residentes empadronados para evitar qualquer tipo de deslocamento e enviou outro alerta na quarta de manhã bem cedinho para evitar qualquer deslocamento pelas estradas”.
Esse atraso gerou questionamentos sobre a eficiência dos sistemas de alerta.
O “Consórcio de Compensação de Seguros” (entidade pública espanhola que faz parte do Ministério da Economia e é responsável por oferecer cobertura em situações de risco extraordinário, como catástrofes naturais e atos de terrorismo) está processando mais de 35.800 pedidos de indenização pelos danos causados. A expectativa é de iniciar os pagamentos nos próximos dias.
Ainda, o governo regional da Comunidade Valenciana também implementou restrições de tráfego para facilitar o trabalho das equipes de resgate e permitir o rápido transporte de recursos essenciais.
Por enquanto, o que se sabe é que a magnitude do evento expôs vulnerabilidades nas estruturas de alerta e os questionamentos sobre a resposta das autoridades podem indicar a necessidade de uma revisão nos protocolos de gestão de desastres e adaptação às mudanças climáticas na Espanha.
Renata Losso