Até o momento em que esta notícia foi escrita, dia 5 de setembro, já se pode dizer que a Espanha vem passando, há pelo menos quatro dias, por momentos trágicos causados pelas chuvas torrenciais em grande parte do país.

Um dos mais recentes boletins oficiais das autoridades relata que na comunidade de Toledo foram três mortes. Em Madri, uma criança de 10 anos foi resgatada do carro em que estava com a família e que caiu em um rio, mas o pai do menino continua desaparecido. Também seguem as buscas por duas pessoas, em Madri e em Toledo, que foram arrastadas pela força das águas.

Esta é apenas uma parte do cenário de devastação causado pelas águas que caíram sobre a Espanha. A chuva começou a diminuir em grande parte do país, mas deixou um rastro de destruição, principalmente na região de Madri.

DANA, o nome do evento climático

As tempestades foram provocadas pela depressão atlântica isolada de altos níveis sobre a Península Ibérica, fenômeno também conhecido por DANA (depresión aislada en niveles altos ou depressão isolada em níveis altos, em português).

Trata-se da colisão de uma massa de ar frio em altitude com ar quente na superfície, o que favorece a formação de nuvens que provocam fortes tempestades. Vale lembrar que a Espanha registrou recentemente recordes de alta de temperatura em todo o país.

Como especialistas explicam o fenômeno

Segundo os especialistas da Agência Estatal de Meteorologia da Espanha (Aemet) uma DANA tem dois tipos de causas: dinâmica (associada ao fenômeno) e termodinâmica (devido à diferença de temperaturas).

No hemisfério norte, normalmente as tempestades e os anticiclones circulam de oeste para leste, mas muitas vezes formam-se “ondas” (como uma espécie de bolsa de ar frio) que ficam isoladas e apresentam trajetórias difíceis de serem previstas.

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A explicação técnica ajuda a justificar o fato de não ter sido possível adotar medidas preventivas com antecedência. Esse fato acabou colocando 13 comunidades autônomas da Espanha em alerta, causando inundações, mortes e uma série de outros problemas no sistema de transporte. Também há danos ainda não totalmente quantificados nas cidades e no campo.

Não saiam de casa, não usem os carros

A Câmara Municipal de Madrid, uma das regiões mais afetadas, fez um comunicado formal aos cidadãos, no domingo, pedindo que todos permanecessem em casa e evitassem ao máximo sair de carro. Por precaução, muitos túneis e ruas foram fechados ao longo do final de semana. A situação ficou ainda mais delicada pelo fato de coincidir com a volta das férias de grande parte da população.

Os serviços de emergência e de apoio social foram reforçados, principalmente para atender a todos que estavam na cidade de passagem apenas. Fora de suas casas, estas pessoas podiam contar com locais específicos como alternativas de abrigo e proteção.

Para todos, a recomendação era a mesma: dar prioridade para o uso de rodovias, afastando-se de rios, encostas e trechos alagados. A câmara de Madri pedia também que, se necessário, era recomendável buscar abrigo em edifícios que protegessem contra a queda de raios, evitando atravessar zonas arborizadas.

Mapa de chuvas na Espanha
Regiões mais afetadas pelo fenômeno DANA durante os dias em que houve mais chuva. Fonte: rtve com dados do Aemet.

Em outra das comunidades mais afetadas, a de Castilla-La Mancha, foram registrados, em apenas 24 horas, 335 incidentes, a maior parte deles na província de Toledo. O prefeito também se manifestou publicamente pedindo precauções extremas.

No domingo, dia 3, 11 regiões autônomas mantiveram-se em estado de alerta devido ao risco de inundações. Cidades como Tarragona, Alicante, Valência, Murcia e Toledo alternaram o nível de gravidade dos alertas durante o final de semana, mas sempre com grandes riscos. Em Madrid e em parte do sul da Espanha, o mau tempo deixou as cidades sob alerta vermelho.

Tráfego aéreo e ferrovias impactados

Em diversos pontos do país, o tráfego de aviões e de trens sofreu algum tipo de restrição, com muitas viagens sendo até mesmo canceladas.

A Renfe, operadora de serviços ferroviários na Espanha, emitiu um comunicado e tomou uma série de providências para tentar amenizar os impactos negativos causados pelas inundações. Segundo a empresa, em boletim divulgado na tarde do dia 5, foram registrados incidentes e interrupções em diversos trechos das linhas pelo país.

Desde sábado, a Renfe acionou suas equipes para solucionar problemas causados ​​pelas chuvas, mobilizando mais de 1.500 trabalhadores, tanto nos centros de gestão de operações como nas equipes de atendimento ao cliente.

Uma das primeiras medidas adotadas foi permitir alterações e cancelamentos para aqueles viajantes que não quisessem realizar sua viagem sem qualquer tipo de custo. Mais de 50 mil pessoas alteraram ou cancelaram seus bilhetes desde a manhã de domingo até a tarde de terça-feira.

Voos e metrôs também sofreram consequências das chuvas

Nos aeroportos, os transtornos também dificultaram a vida dos passageiros, com voos atrasados ou mesmo cancelados, principalmente em Madri.

As duas principais entidades ligadas ao tráfego aéreo e à gestão dos aeroportos na Espanha (Enaire e Aena, respectivamente), se posicionaram nas redes sociais com alertas sobre possíveis complicações nos voos, principalmente no domingo.

O metrô de Madri também foi atingido pelas chuvas, como se pode ver no vídeo abaixo que reúne registros de usuários do transporte.

Futebol cancelado

As chuvas também acabaram tendo impacto na primeira divisão do futebol espanhol, cancelando um importante clássico do Atlético de Madri contra o Sevilha FC. Em comunicado oficial, os dirigentes esportivos declararam que

“dada a situação meteorológica excepcional em Madri, na sequência dos alertas vermelhos da AEMET e das recomendações da Câmara Municipal de Madrid, a LALIGA, depois de ter analisado a situação e conversado com os presidentes dos dois times, tomou a decisão de adiar o jogo agendado para hoje (domingo), em Madri”.

A partida ainda não tem nova data para ser realizada.

Chuvas começam a dar trégua e buscas continuam

As chuvas perderam intensidade no país, mas ainda há muito trabalho a ser feito, principalmente em relação aos estragos causados pelas inundações, rompimento de estradas, destruição de casas e outras edificações.

Em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira, dia 5, a ministra da Política Territorial e porta-voz do governo em exercício, Isabel Rodriguez, manifestou a solidariedade do Governo a todos os afetados pelas chuvas torrenciais, especialmente aos familiares das três pessoas que morreram em Toledo. A busca por outras pessoas desaparecidas também continua.

A ministra aproveitou para reconhecer o trabalho das Forças de Segurança do Estado, da polícia local, da Proteção Civil e das equipes de emergência que ainda enfrentam os efeitos das tempestades. Agradeceu também aos cidadãos “pela colaboração em circunstâncias muito complicadas” e por respeitarem as instruções das autoridades “para melhorar a reação a estas intempéries”.

Por fim, a porta-voz lembrou que as alterações climáticas estão aqui, que se expressam de diferentes formas, com verões quentes, com grandes secas, mas também com situações extremas de cheias como as experimentadas agora.

A Amnistia Internacional também emitiu um comunicado reforçando a preocupação com as alterações climáticas no país. O órgão cobra medidas de resposta aos impactos das alterações para a proteção da população.