O projeto-piloto do novo horário de trabalho alemão com apenas quatro dias na semana deve iniciar em 2024 com período de duração de seis meses. Utilizará o sistema 100-80-100: 100% de produção em 80% de tempo com 100% do salário.

Resultados serão avaliados durante e após o teste

o projeto irá implementar a semana de quatro dias de trabalho para as empresas que desejarem participar. Ao longo da fase teste, que deve durar um período de seis meses, a evolução e resultados serão avaliados cientificamente.

A iniciativa parte de um trabalho em conjunto da empresa Intraprenör, em Berlim, e a ONG 4 Day Week Global, que já realiza trabalhos semelhantes em outros países.

“Esperamos elevar o debate sobre a semana de trabalho de quatro dias a um novo patamar – com apoio científico”, diz o consultor de empresas Jan Bühren, da Intraprenör.

A princípio, a ideia é implementar uma semana de quatro dias de trabalho onde o tempo será reduzido, no entanto, o desempenho do funcionário e o salário devem permanecer os mesmos.

De acordo com matéria publicada no jornal Tagesspiegel, esse sistema já é aplicado pela empresa IG Metall, indústria do ferro e do aço. O objetivo é que, através da semana de quatro dias, as pessoas sintam-se mais focadas e motivadas para desenvolverem suas tarefas e alcançarem suas metas.

Mais qualidade dentro e fora do trabalho

Dentre os motivos pela adoção da semana de quatro dias na Alemanha, está o equilíbrio entre profissão e família, além do desejo de tornar o mercado de trabalho mais atrativo, através da implementação de outras medidas, como a aprovação da mudança na Lei de Imigração.

Em abril deste ano, em declaração à Redaktionsnetzwerk Deutschland, rede de impressa na Alemanha, Saskia Esken, líder do SPD, debateu sobre a semana de quatro dias.

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“Posso imaginar que alcançaríamos bons resultados com uma semana de quatro dias”.

Esken acredita que a iniciativa apoiaria especialmente os pais, que precisam de horários de trabalho diferentes, mais flexíveis e mais curtos para organizar melhor suas obrigações e necessidades familiares.

Projeto-piloto deve funcionar em cooperação com empresas

As empresas interessadas devem se inscrever para participar do projeto. Segundo a Intraprenör, a meta estabelecida é de que cerca de 50 empresas possam adotar a fase teste, que pode iniciar ainda em 2023.

De acordo com o método aplicado (100-80-100), os funcionários deverão manter o mesmo nível de desempenho em menos horas trabalhadas, mas recebendo 100% do seu salário.

Durante o processo, as empresas serão acompanhadas por especialistas para que possam se capacitar com novos métodos e realizar colaborações com outros empregadores, assim como ter mais proximidade com empresas que já realizaram a transição. A Universidade de Münster, na Alemanha, deverá realizar a avaliação científica.

Alemanha segue exemplo de outros países adotaram o sistema

A semana de quatro dias foi implementada e está sendo experimentada em larga escala na Islândia, Reino Unido e Bélgica.

Islândia: primeiro país a implementar o sistema de quatro dias

A Islândia inovou a ser o primeiro país a adotar o método de menos horas de trabalho na semana. Em um período entre 2015 a 2019, o país conseguiu aplicar um sistema de 35 a 36 horas semanais com 100% do salário dos empregados.

O projeto foi avaliado pela empresa britânica Autonomy e pela Associação para Sustentabilidade e Democracia (ALDA). Cerca de 2.500 pessoas participaram da fase de teste, que foi avaliada como um sucesso, chegando a resultados positivos: o estresse e o esgotamento entre os trabalhadores diminuíram e o equilíbrio entre vida e trabalho melhorou.

A semana de trabalho na Islândia tem 4 dias
Atualmente, 90% dos trabalhadores da Islândia exerce a profissão em horários reduzidos ou realizando ajustes.

Bélgica adota o sistema para uma maior flexibilidade para os funcionários

Desde novembro de 2022, os funcionários belgas podem optar pela semana de quatro dias de trabalho ao invés de cinco. Aqueles que optam pela jornada de trabalho de apenas quatro dias não terão as horas de trabalho reduzidas, apenas necessitam distribuí-las nas quatro jornadas de trabalho.

O primeiro-ministro da Bélgica, Alexander de Croo, espera que a medida torne o mercado de trabalho belga menos rígido e, além disso, que os funcionários tenham maior liberdade e flexibilidade para equilibrar a vida familiar e profissional.

“O objetivo é dar às pessoas e às empresas mais liberdade para organizar seu tempo de trabalho”, disse de Croo.

Reino Unido tem experiência bem-sucedida

Após seis meses de experiência, a Inglaterra prevê tornar o modelo de semana de trabalho mais curta permanente. O país adotou o sistema com o objetivo de analisar o impacto da redução das horas de trabalho sobre a produtividade das empresas e o bem-estar dos trabalhadores, bem como o impacto sobre o meio ambiente e a igualdade de gênero.

No total, cerca de 61 empresas e mais de 3.300 trabalhadores participaram do projeto. De acordo com a Euronews, 92% das empresas que participaram do teste optaram por manter o sistema, citando o projeto como um “grande avanço”.

O país também adotou o mesmo modelo previsto pela Alemanha: 100% do salário durante 80% do tempo, e a meta de pelo menos 100% de produtividade.

Quais as vantagens e desvantagens da semana de quatro dias?

A proposta em si já remete a um pensamento positivo a respeito, menos tempo no trabalho e mais horas livres. Quais são realmente os possíveis impactos desse sistema na vida dos trabalhadores?

O jornal Deutsche Welle (DW) publicou uma matéria a respeito do tema e citou vantagens e desvantagens do modelo.

Os prós de uma semana de trabalho mais curta

Menos riscos de estresse e burnout

Uma semana de apenas quatro dias de trabalho resultou na diminuição do nível de estresse, ansiedade, distúrbio do sono e cansaço, além de menos riscos de casos de burnout. Os dados são resultados do estudo britânico divulgado em 2023, onde mostra que o modelo de trabalho apresentou um risco menor relacionado aos transtornos psíquicos nos trabalhadores.

Queda no número de funcionários doentes

Nas empresas que adotaram o sistema, o número de licenças médicas caiu, o que foi apontado como resultado do projeto, uma vez que, trabalhando apenas quatro dias na semana, os funcionários teriam mais tempo para se recuperar.

Igualdade de gênero nos ambientes corporativos e divisão de tarefas no lar

O sistema de quatro dias de trabalho pode impactar não apenas dentro das empresas, mas também no ambiente familiar dos funcionários.

O estudo britânico indicou que, no modelo de trabalho com menos dias, os homens têm mais tempo para se ocuparem de tarefas que, ainda em alguns países, somente ou a maioria das mulheres são responsáveis, como os cuidados com a casa e as crianças.

Além disso, o sistema permitiria também que houvesse uma melhor divisão na carreira profissional das famílias, facilitando o retorno da mulher ao mercado de trabalho.

Jornada semanal mais curta, empresas mais atraentes

Apesar de manter a carga horária igual, mas em menos dias, as empresas que oferecem o modelo de quatro dias de trabalho tendem a tornar-se mais atraentes. Segundo a psicóloga Hannah Schade, do Instituto Leibniz Pesquisa sobre o Trabalho, da Universidade Técnica de Dortmund, não é exatamente o modelo de 40 horas que atrai candidatos, mas uma diminuição significativa da carga de trabalho:

“Para isso os candidatos também estão dispostos a abrir mão de outras coisas”.

Contras da jornada semanal de quatro dias

Menos ou mais estresse?

Ter um dia livre a mais na semana deveria ser visto como uma vantagem, no entanto, a obrigação de realizar 100% de suas tarefas em menos tempo, também acarreta estresse, de acordo com o economista Bernd Fitzenberger.

Ameaça à competitividade nacional

Nem todos veem a jornada semana mais curta com bons olhos. Christian Dürr, chefe da bancada parlamentar do Partido Liberal Democrático (FDP), teme que a implementação do sistema acarrete uma desvantagem na competividade da indústria alemã. Dürr alega que, diante da escassez de mão de obra a qual o país vive, um sistema de apenas quatro dias na semana é “incompreensível”.

Vantagem para alguns setores, desvantagem para outros

Um dos desafios será aplicar o sistema em diferentes setores. De acordo com Fitzenberger, o modelo dificilmente poderá ser aplicado em setores emergenciais, como saúde, segurança ou transporte: “Se aplicássemos uma norma rígida, afetando igualmente todos os ramos, isso poderia comprometer a competitividade”, afirma.

Maioria dos alemães aprova a semana de 4 dias de trabalho

De acordo com uma pesquisa realizada em setembro de 2022, pelo Instituto de pesquisas na Alemanha, o Statista, muitos funcionários (77%) conseguem imaginar esse modelo. Entretanto, para 63% dos entrevistados, o pré-requisito para isso é a compensação salarial integral.

A pesquisa contou com cerca de 3.891 entrevistados, com idade a partir de 15 anos, entre eles, 368 autônomos/freelancers e 3.523 empregados. Os resultados mostram que 63% dos entrevistados aprovam o sistema, mas com o pagamento integral do salário, 14% aprovam mesmo sem salário integral, 17% não são a favor do sistema e 6% não sabem ou desejam não opinar.

Empresas têm receio dos resultados

Apesar do alto número de aceitação por parte dos alemães, as pequenas e médias empresas veem o projeto-piloto com insegurança.

Christoph Ahlhaus, diretor-geral da Bundesverband Mittelständische Wirtschaft (Associação Federal de Empresas de Médio Porte) na Alemanha, afirma que soluções individuais entre empregados e empregadores são bem-vindas, mas se opõe a uma intervenção estatal que reduza as horas de trabalho.

Segundo Ahlhaus, devido à escassez de mão de obra que o país vive, tal medido poderia afetar a produtividade.