Comer como um espanhol é comer bem. Digo isso porque a alimentação espanhola segue a tradição mediterrânea, com um alto consumo de frutas, verduras e legumes. Muito saudável! Mas também têm destaque as carnes, os pães e os queijos. Resultado: uma delícia. Por isso, tenho me adaptado cada vez melhor aos hábitos alimentares da Espanha.
Ok, sigo sendo fascinada por arroz com feijão e farofa. E sigo cozinhando iguarias brasileiras como essas algumas vezes por aqui. Mas a culinária espanhola sabe conquistar o paladar e tem muitas tradições e curiosidades que vale a pena provar (e repetir).
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PEDIR UM ORÇAMENTO →O que os espanhóis comem em cada refeição
Aqui em casa, o dia começa com suco verde, café preto e uma bolachinha. No café da manhã, eu e o maridão não costumamos seguir os hábitos alimentares espanhóis. Exceto quando viajamos pelo país, aí sim nosso “desayuno” se espanholiza.
Sentados em um café, o jeito é pedir um croissant, uns churros para molhar no café, uma madalena ou um pão tostado.
No almoço e/ou jantar, é mais comum prepararmos algum prato típico espanhol em casa. Pode ser uma tortilha de batatas ou um bom “pisto manchego” (fritada de verduras), por exemplo.

Ou então, umas lentilhas com linguiça ou umas almôndegas com batatas. O importante é não esquecer o pão e o azeite – acompanhamentos básicos para comer como um espanhol.
O prato brasileiro e o menu espanhol
Enquanto no Brasil é comum ter porções de distintas receitas no mesmo prato, aqui na Espanha, o usual é comer uma sequência de pratos: o menu. Ou então, preparar apenas uma receita.
O menu é mais comum quando comemos fora. Muitos restaurantes espanhóis oferecem a possibilidade de pedir uma entrada, um prato principal, uma bebida e uma sobremesa e/ou café por um preço único.
Mas se for para preparar em casa, essa variedade costuma ser bem mais reduzida. Um prato de lentilhas com linguiça, por exemplo, costuma ser acompanhado simplesmente com pão e azeite. No máximo, uma saladinha antes. Nada de cozinhar arroz e feijão e farofa e bife e batata frita e uma verdurinha refogada e… ufa, cansei só de lembrar.
Receitas espanholas daqui e dali, de inverno e de verão
Um dos mitos sobre a Espanha que eu só descobri quando cheguei aqui foi que a paelha não é o prato espanhol por excelência. E a autêntica não é de mariscos. A paelha é originalmente valenciana e a tradicional é de frango e coelho.
Assim como a paelha, há muitas outras receitas típicas de cada parte da Espanha: a fabada asturiana, o cozido madrilenho, as migas manchegas… Ainda assim, a maioria delas podem ser encontradas por todo o país.
Mas comer como um espanhol é também saber que a receita autêntica no local de origem costuma ser melhor.
Aliás, também existem pratos típicos de inverno – como a fabada e o cozido – e de verão – como o “gazpacho” e a “ensaladilla rusa”. Eles podem ser encontrados e preparados durante o ano inteiro, claro. Mas no clima apropriado, podem ser melhor apreciados.
O almoço valenciano (que não é almoço)
Uma tradição tão valenciana quanto a paelha é a de “esmorzar” (em valenciano) ou “almorzar” (em castelhano). E apesar das aparências, “esmorzar” não é almoçar. O “esmorzaret” está mais para um segundo café da manhã, já que se come entre as 10h e as 11h mais ou menos.
A tradição é comer um super “bocadilho” acompanhado de uma “caña”, ou seja, um sanduíche bem recheado em pão de baguete e um chopp. Os recheios típicos incluem: lombo de porco com ovo frito e bacon; sobrasada com cebola caramelizada e queijo; bacalhau com pimentão; linguiça com morcilha, etc. E para arrematar, um “cremaet”: café com rum, açúcar, canela e casca de laranja.
Historicamente, esse hábito vem do campo. E é bem compreensível se a gente pensa que os trabalhadores rurais acordam com as galinhas e precisam dessa pausa para repor forças. Mas a moda pegou e perdura, na cidade e no campo. Para os valencianos, “esmorzar” é um hábito essencial para comer como um espanhol.
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QUERO CONHECER O EBOOK →Me lembra aquela música do Chico Science: “uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor”. Mas confesso que, para mim, só funciona nos finais de semana.
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Abrir Conta Multimoeda →“Irse de tapas”: uma tradição espanhola
Foi aqui na Espanha que aprendi a gostar de tomate cru. Me julguem, mas antes eu não comia tomate cru puro, assim só com azeite e sal. Só que esse é um dos “tapas” bem comuns por aqui.
Aliás, “irse de tapas” e/ou “de copas”, ou seja, sair para beliscar e/ou tomar algo é uma tradição muito arraigada na cultura espanhola. E a lista de “tapas” (aperitivos) é bastante variada.

A lista dos mais populares começa com as “bravas” (batatas cozidas/fritas com molho ligeiramente picante), as croquetas (croquetes) e o “jamón” (presunto curado).
Além disso, também são muito habituais: os “huevos rotos” (ovos fritos com linguiça e batatas fritas), os “pimientos del padrón” (um tipo de pimentão verde assado), a “ensaladilla rusa” (uma espécie de salada de maionese), o polvo, a lula, a sépia, as sardinhas e os “boquerones”, os mexilhões…
Comer como um espanhol também é dar valor ao porco
Na breve lista de “tapas” que acabo de citar, eu incluí o “jamón”. Mas deixei propositalmente de fora muitos outros aperitivos à base de carne de porco. Porque a carne de porco é tão importante na culinária espanhola que merece uma seção à parte.
Começamos com o “jamón”, que pode ser “de bellota”, “ibérico” ou simplesmente “serrano”. Também há uma extensa variedade de embutidos: o “chorizo”, a “butifarra”, a “longaniza”, a “chistorra”, a “sobrasada”, o “salchichón”, a “morcilla”, o “fuet”, a “caña de lomo”, o “botillo”…
A questão é que os espanhóis aproveitam tudo do porco. Mas tudo mesmo, do focinho (“morro”) ao rabo. Daí a fama de aperitivos e pratos, como: “chicharrón”, “torrezno”, “oreja a la plancha”, “manitas de cerdo”, “lacón” (pata de porco curada), “carrillera” ou “carrillada” (bochecha de porco), “pinchos morunos”, entre outros.
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INSCREVER GRÁTIS→Influências internacionais
Comer como um espanhol também é comer pizza, massa, risoto, hambúrguer, sushi, ramen, crepe e muito mais. Assim como na maioria dos países, a globalização também influi nos hábitos alimentares espanhóis.
Aliás, devido à grande quantidade de estrangeiros, me parece que aqui há, inclusive, mais variedades culinárias do que no Brasil.
Foi aqui na Espanha que descobri as cachapas venezuelanas e o hotpot taiwanês, por exemplo. Isso sem falar no kebab, que é muito comum em toda a Espanha e eu e o maridão comemos muito.
Na verdade, aqui em casa, o cardápio é bem multicultural: brasileiro por minha parte, sírio, pelo meu marido, e meio espanhol, meio internacional, por ambos. Não aconselho misturar todas essas influências em um mesmo prato. Melhor fazer como os espanhóis e montar um menu. Mas é claro que tudo é uma questão de gostos.
*As opiniões dos colunistas não refletem necessariamente a opinião do Euro Dicas.