Madri é agitadíssima e Barcelona é fascinante, mas devo confessar: me apaixonei por Valência. Dos sete anos que vivo na Espanha, já faz quatro que moro na capital valenciana (e amo).

Cidade Velha em Valência
Índice A Espanha mediterrânea A Valência mediterrânea Uma cidade grande, mas nem tanto Verde que te quero verde Uma cidade saudável A cultura e a receptividade A capital do Turia Me apaixonei por Valência, mas vou me mudar

Antes disso, morei em Barcelona. E também já visitei várias outras cidades espanholas. Mas não tem jeito: Valência me conquistou. E tem tudo para conquistar você também. Quer saber por quê? Vem que eu te conto!

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A Espanha mediterrânea

Minha relação com Valência não foi de amor à primeira vista. Na verdade, primeiro eu escolhi morar na Espanha. E essa escolha foi com base em critérios bastante racionais. Entre eles, o clima mediterrânico: com estações relativamente bem marcadas, mas com temperaturas amenas (nem tão frio).

Foi só depois de chegar aqui que fui descobrindo que a influência do Mar Mediterrâneo vai muito além do que eu imaginava. Começa pelo clima, sim, mas também influi na agricultura e, portanto, na alimentação, assim como no estilo de vida.

Ao clima agradável e à saborosa culinária mediterrânea se soma uma boa dose de descontração. Aproveitar a vida ao ar livre e comer bem são costumes espanhóis que me encantam. E eu diria que é assim que se manifesta a cultura mediterrânea na Espanha.

A Valência mediterrânea

A cultura mediterrânea se estende por quase todo o país. Mas concentra-se especialmente nas comunidades banhadas pelo Mar Mediterrâneo: Catalunha, Baleares, Comunidade Valenciana, Múrcia e Andaluzia.

É verdade que, antes de me apaixonar por Valência, foi essa forma mais descontraída de viver das comunidades mediterrâneas o que me interessou. E isso começou já em Barcelona, a capital da Catalunha.

Praia de Malvarrosa
O Mar Mediterrâneo visto desde a praia da Malvarrosa em Valência. Foto: Tátylla Mendes.

Mas há dois pontos que fizeram Valência ir ganhando mais espaço no meu coração. O primeiro é que aqui faz mais calor do que em Barcelona e menos do que na maioria das cidades andaluzas. Um clima quase ideal (apesar de que nem sempre é fácil sobreviver ao verão valenciano).

Além disso, Valência está rodeada por um cinturão agrícola que faz ressaltar as delícias da culinária mediterrânea.

Uma cidade grande, mas nem tanto

Acho que nascer em um país continental como o Brasil deixa a gente meio sem noção de algumas proporções. Tudo parece pequeno. Só de pensar que a Espanha inteira (506 mil km2) cabe dentro de Minas Gerais (586,5 mil km2) já me cai o queixo. A cidade de Valência, então, tem apenas um pouco mais de 100 km2.

Falei isso para minha mãe antes dela vir me visitar e ela – que ainda não conhecia a Europa – pensou que estava vindo para uma cidadezinha de interior. Quando chegou aqui, ficou impressionada.

Em termos de população e economia, Valência é a terceira maior cidade da Espanha.

São mais de 800 mil habitantes. E aqui tem de tudo. Escolas, universidades, bancos, hipermercados, teatros, cinemas e uma longa lista de etc. Mas como sua extensão territorial não é das maiores, dá para chegar em pouco tempo em quase qualquer lugar da cidade. Ter tudo por perto foi um dos pontos que contribuiu para que eu me apaixonasse por Valência.

Verde que te quero verde

Antes de me mudar para a Espanha, eu vivi em duas cidades ricas em áreas verdes: Brasília e Floripa. Talvez seja por isso que sempre me senti muito bem perto da natureza. E essa é outra das razões pelas quais me apaixonei por Valência.

Outro dia eu li que mais de 90% da população de São Paulo vive a menos de 5 km de uma rodovia pavimentada. Imagino que muita gente valoriza isso. E no caso de uma grande megalópole como SP, eu até entendo.

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Jardins do Turia em Valência
Um pedacinho dos Jardins do Turia, no antigo cauce do rio. Uma das minhas paixões valencianas. Foto: Tátylla Mendes

Mas aqui em Valência a proporção que se destaca é diferente: 97% da população vive a menos de 300 metros de zonas verdes urbanas. A cidade é cheia de parques, jardins, praças… Tem até um rio que virou parque, o Turia. Mas essa história eu já contei quando Valência foi eleita a Capital Verde da Europa.

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Ah, e não posso deixar de citar a Albufera de Valência, um parque natural dominado por um lago que se conecta ao mar. Outro dos refúgios verdes valencianos que me fascinam.

Uma cidade saudável

Quando minha mãe veio me visitar em Valência, ela fez uma observação que me pareceu muito curiosa. Disse que não viu ninguém gordo por aqui. Não digo que não haja gente com uns quilos a mais. Mas realmente não me recordo de ver ninguém obeso. E imagino que isso tem relação com o estilo de vida que a cidade proporciona.

Primeiro porque Valência é totalmente plana, tem muitas zonas exclusivas para pedestres e muitos km de ciclovias. É uma cidade perfeita para caminhar, para andar de bike e também para correr. No ano passado, houve mais de 20 competições de atletismo na capital valenciana.

Os Jardins do Turia – o rio que virou parque – também favorecem esse estilo de vida mais esportivo e saudável. Em seus quase 10 km de extensão, há 6 campos de futebol e outros de rugby, beisebol e minigolf, além de aparelhos de musculação, pistas de skate e patins, circuitos de atletismo, etc. Um incentivo e tanto para ser mais saudável e para se apaixonar ainda mais por essa cidade.

A cultura e a receptividade

Como a maioria das grandes cidades, Valência tem muitas opções culturais. Para começar, uma de suas maiores atrações turísticas é a Cidade das Artes e das Ciências. E há também diversos outros museus, teatros, bibliotecas, galerias de arte, cinemas, além de muitas festas, eventos e espaços de entretenimento.

Cidade das Artes e das Ciências
Um dos edifícios da Cidade das Artes e das Ciências, em Valência. Foto: Tátylla Mendes

Por falar em festas e eventos, não há como não mencionar as Fallas de Valência, a festa mais tradicional da Comunidade Valenciana. Admito que tem partes da festa que eu curto e outras que não. Mas amar também é reconhecer e saber lidar com aquilo que a gente não gosta, não é mesmo?!

Por outro lado, fico muito feliz de viver em uma cidade que mantém suas tradições e sua cultura, mas que não se fecha em si mesma. Sinto que os valencianos são bastante abertos e receptivos. Esse é outro dos motivos pelos quais me apaixonei por Valência.

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Porque se trata de uma cidade com tradições, personalidade e língua própria, mas ao mesmo tempo muito acolhedora.

A capital do Turia

Capital da Comunidade Valenciana e da província de Valência, a cidade de Valência também é chamada de capital do Turia. O rio que virou parque é muito famoso por aqui. Tem até uma cerveja local com o mesmo nome.

E esse é só um dos apelidos carinhosos que destacam as qualidades da capital valenciana, “la millor terreta del món”, como dizem os próprios valencianos.

Museu de Belas Artes de Valência
O Museu de Belas Artes de Valência com sua bela cúpula azul, visto desde os Jardins do Turia. Foto: Tátylla Mendes

E se eu me apaixonei por Valência é também porque ela é a capital da “paella” (onde teve origem a receita); a cidade das mil torres (com cúpulas azuis e tão bonitas de ver); a cidade da luz (com mais de 300 dias de céu aberto por ano) e também das laranjas, da “chufa”, do “cremaet”, da “cassalla”…

Me apaixonei por Valência, mas vou me mudar

Costumo dizer que Valência é uma cidade que sabe ser bonita. Além disso, é plana e acessível, cheia de zonas verdes, agradável, segura e bastante receptiva. Não foi à toa que me apaixonei pela capital valenciana.

Mas acho importante dizer também que minha vida aqui não é um conto de fadas. Afinal, independentemente de onde vivemos, todos enfrentamos problemas e desafios, não é mesmo?

Para mim, um dos maiores desafios tem sido o crescente valor do aluguel e do custo de vida em geral. Por isso, é bastante provável que eu tenha que me mudar de Valência.

A cidade que me conquistou tem se tornado mais conhecida, mais turística e, consequentemente, mais cara. Mas fazer o quê? Nenhuma cidade do mundo é perfeita. Aliás, o que é perfeito para uns pode não ser para outros. Apesar de que, na minha opinião, Valência tem tudo para conquistar aqueles que a conhecem.

*As opiniões dos colunistas não refletem necessariamente a opinião do Euro Dicas.