O norte da Europa, especialmente a Escandinávia, registrou temperaturas excepcionalmente baixas no primeiro mês de 2024. O frio intenso que está atingindo países como Suécia, Noruega e Finlândia se deslocou também para o sul e centro do continente nos últimos dias, gerando uma grande queda de temperatura nessas regiões.

Após chegada de frio intenso, Escandinávia enfrenta temperaturas mínimas de -40°C

Na primeira semana de 2024, foram registrados recordes de temperaturas mínimas nos países nórdicos da Europa, um forte contraste com o inverno de 2023, atipicamente mais quente e sem neve. A onda de frio é um resultado do “vórtice polar”, fenômeno em que o frio dos polos diminui e as massas de ar frias se deslocam para a Europa.

A Suécia foi uma das mais afetadas pela chegada do frio extremo: os termômetros de diferentes cidades suecas marcaram 40 graus negativos. Em Nikkaluokta, no norte do país, a temperatura chegou a -41.6°C. Mas, a temperatura mais fria foi a de Kvikkjokk-Årrenjarka, na região da Lapônia: a cidade registrou mínima de -43.6°C na primeira semana do ano.

O frio intenso é um recorde, mesmo para um dos países mais gelados do mundo. De fato, a Suécia registrou as temperaturas mais baixas durante o mês de janeiro em 25 anos: a temperatura mais baixa até o momento era a de 1999, com -49°C, em Karesuando.

Neve em Courmayeur
Contrariando as tendências do inverno passado, a Europa está registrando temperaturas abaixo da média de janeiro. Foto: Giovanna Mauro

A Finlândia também bateu um recorde de temperatura mínima. No noroeste do país, os termômetros de Enontekiö registraram -42.1°C, a menor temperatura da cidade nos últimos 18 anos.

A massa de ar polar atingiu toda a Escandinávia, não poupando os noruegueses da nova onda de frio. No município norueguês de Kautokeino, as temperaturas caíram para -41°C, uma das menores mínimas das últimas décadas.

Frio extremo atinge França ainda em janeiro

O frio extremo que atinge os países nórdicos desde 02 de janeiro chegará em outros países da Europa. A massa de ar polar que provocou a queda das temperaturas escandinavas atinge, na segunda semana de janeiro, a França, segundo a previsão do Météo-France.

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Com o deslocamento da massa de ar do norte, as temperaturas máximas no leste da França e na região de Ile-de-France, em que está a capital Paris, se mantiveram negativas. No país, as temperaturas caíram cerca de 15 graus abaixo da média para o mês de janeiro, quebrando recordes de mais de 6 anos.

“Estes fenômenos tornaram-se menos frequentes com o aquecimento climático, mas ainda existem”, explica Patrick Galois, meteorologista da Météo-France.

Na primeira semana de janeiro, a França registrou uma média de 8°C. Porém, em meio à brusca queda de temperatura, o indicador nacional de temperatura francês está em -1°C.

O ar continental gelado não está afetando todo o país da mesma maneira. A onde de frio está sendo menos severa no oeste francês, com mínimas oscilando entre -5°C e -10°C. Na província de Chamonix, sul do país e fronteira com a Itália e a Suíça, as temperaturas mínimas alcançaram -15°C.

Recorde de temperaturas mínimas também em outros países europeus

A França não é o único país afetado pelo ar continental gelado vindo da Escandinávia. Em Portugal, janeiro está sendo um mês mais frio que o normal: para os próximos dias é prevista queda brusca da temperatura média portuguesa. Penalva do Castelo registrou temperatura mínima de -3°C e, em algumas cidades, as mínimas podem chegar até -8ºC.

Na última segunda-feira (08), Áustria e Alemanha também sentiram o frio intenso: a temperatura máxima da capital alemã foi de -5°C, enquanto a de Vienna foi -4°C. Com a onda de frio, temperaturas baixas estão afetando todo o Reino Unido. Na Escócia, a temperatura chegou à -10°C, enquanto a Inglaterra oscilou entre 0°C e 2°C, com os termômetros londrinos marcando uma média de 4°C.

A Espanha deixou para trás o inverno com temperaturas atípicas das últimas semanas de 2023. Em Madrid, as temperaturas atingiram mínima de -7°C, enquanto partes dos Pirineus registraram mínimas de -13ºC. Fortes nevascas são previstas para as próximas semanas.

Na Itália, as temperaturas caíram até 4 graus nas regiões do norte e o frio intenso está atingindo as cidades mais frias do país, com -8°C em Bolzano, -5°C em Belluno e -4° em Trento.

Além da neve, caos nas estradas e quedas de eletricidade

As temperaturas baixas vieram acompanhadas por nevascas e ventos intensos, causando estragos em muitos países. Na Suécia, estradas foram bloqueadas e centenas de veículos ficaram retidos. A situação se tornou crítica a ponto de o exército sueco ser mobilizado para ajudar os motoristas entre os municípios de Horby e Kristianstad.

O trânsito dinamarquês também foi afetado. Nas imediações Aarhus, a segunda maior cidade do país, os engarrafamentos atingiram 30 quilômetros nos últimos dias.

Engarrafamento em nevasca na Europa
Tempestades de neve geram engarrafamentos na Suécia e na Dinamarca

Ao mesmo tempo, as condições climáticas obrigaram as autoridades locais a interromper o transporte na região norte da Noruega e da Suécia. A circulação de trens e ferries foi suspensa, bem como o funcionamento de certas pontes.

As nevascas também atrapalharam a distribuição de eletricidade. Em Älvsbyn, no norte da Suécia, mais de 4.000 casas ficaram sem eletricidade na última quinta-feira (04), enquanto na Finlândia, a distribuidora Fingrid orientou um consumo “flexível” de eletricidade para enfrentar o frio intenso.

Com o deslocamento das tempestades em direção à Inglaterra e País de Gales, mais de 10 mil casas foram afetadas pela queda de energia, segundo a Energy Networks Association. A rede ferroviária do Reino Unido também está severamente comprometida em virtude das condições climáticas.

Chuvas e enchentes também são um problema do inverno europeu

Além do frio extremo, os países europeus estão sendo atingidos por tempestades, ventos fortes e inundações há duas semanas. Os temporais atípicos já provocaram vítimas na França e na Bélgica, enquanto Alemanha, França, Reino Unido e Holanda registraram volumosas enchentes.

Enquanto as autoridades britânicas emitiram mais de 300 alertas de inundação severa, 200 pessoas precisaram se retirar de Pas-de-Calais e Nord devido às fortes chuvas.

As cheias persistentes dos rios provocam as enchentes e são causadas pelas tempestades consistentes provocadas no continente pelo El Niño. Ao aquecer as águas do oceano, o fenômeno ocasiona a evaporação da água em lugares de altitudes mais baixas, provocando as chuvas.

As inundações também são consequências do aumento no nível dos oceanos, que faz com que os rios comportem menos chuva e encham mais rapidamente. Com a expectativa de que a chuva continue na Europa Central, as autoridades estão tomando providências para tentar controlar o problema:

“Tem chovido muito ultimamente, o que significa que a água em França já não pode ser drenada adequadamente. É por isso que é importante ajudarmo-nos mutuamente a eliminar a água o mais rapidamente possível”, ressaltou Mark Harbers, ministro das Infraestruturas holandês.

Depois de um verão escaldante, um inverno rigoroso

A Europa está lidando com o frio extremo e as suas consequências neste mês de janeiro após ter enfrentado o verão mais quente da história em 2023, segundo os dados do Copernicus, o programa da União Europeia que trata da observação da Terra.

De fato, nos meses de junho a agosto na Europa foi registrada uma temperatura média de 16.77°C, ou seja, 0.66°C acima da média para esta época do ano no hemisfério norte.

A comparação entre o verão de 2023 e o inverno de 2024 nos países europeus revela contrastes claro, veja:

País Temperatura máxima no verão de 2023 Temperatura mínima no inverno de 2024
Suécia 30°C -43.6 °C
Noruega 31.8 °C -41°C
Finlândia 32°C -42.1°C
Itália 45.5°C -8°C
Espanha 39°C -13°C
França 42.4°C -15°C
Reino Unido 33.6°C -10°C
Alemanha 38.8°C -5°C
Portugal 46.4°C -3°C

A amplitude térmica europeia demonstra que a onda de frio intensa que está afetando a Europa no momento não contraria o aquecimento global: apesar das condições climáticas recentes, a tendência ainda é que a temperatura média de cada país europeu aumente a cada ano.

Brasileiros na Europa têm reações variadas ao frio extremo

Em meio à onda de frio congelante, brasileiros que vivem na Europa estão reagindo de várias formas às temperaturas baixas do continente.

De forma bem humorada, a Madalena Gonçalves (@ruivinhadesantarém) conta como o inverno extremo de 2024 está contrariando as suas expectativas, criadas ainda no Brasil: ela acreditava que poderia ficar só de bermuda e camiseta, mas mostra como está usando até 3 blusas para enfrentar as baixas temperaturas de Portugal neste momento.

@ruivinhadesantarem

E dali frio🥶🥶 #portugal🇵🇹 #2024 #frioooooooo🥶🥶🥶🥶🥶 #europ #fypシ #morrir

♬ Daqui pra Sempre – Manu

A Morgana Faoro (@labelledujourmorgana) está gostando muito da onda de frio. Para ela, acordar com muita neve na França foi uma ótima surpresa e uma oportunidade para brincar na neve com o filho.

@labelledujourmorgana

Dia de neve por aqui genti ❤️🫶🏻❄️🥶#brasileiranafranca #brasileiranaeuropa #neve #inverno2024

♬ Sol e Mar – Mc Lerrê

O Rafael e a Luiza (@tripnlove) foram corajosos e decidiram até mesmo aproveitar o frio para uma experiência autenticamente finlandesa: eles mergulharam em um lago enquanto a sensação térmica era de -30°C.

A previsão é que a onda de frio continue afetando as temperaturas típicas da Europa pelas próximas semanas. Mas, como o El Niño deve durar até abril de 2024, autoridades e moradores deverão encontrar alternativas às nevascas, tempestades e enchentes.