Como lidar com a perda de pessoas queridas morando no exterior

A decisão de morar no exterior envolve a abdicação de muitas coisas. Uma vida já construída e estabelecida no Brasil, nossa cultura, trabalho, nossa casa. Para mim, “abrir mão” do convívio físico dos amigos e da família é o que mais dói. Não poder abraçar, sentir o cheiro e passar horas na companhia das pessoas mais queridas, faz uma falta enorme.

Neste artigo, trazemos dicas sobre como lidar com a perda de pessoas queridas morando no exterior, uma realidade de muitos que optaram viver fora do país de origem enfrentam. Saiba mais a seguir.

Saiba como lidar com a perda de pessoas queridas morando no exterior

Quando saímos do Brasil, experimentamos vários tipos de luto, os chamados lutos migratórios. São lutos por algo que continua lá, mas que não temos mais contato. Mas esse é um tema para outro dia, porque hoje, quero falar sobre o luto pela perda de pessoas que não teremos mais a chance de reencontrá-las.

Um dos maiores medos quando partimos é ter a notícia do falecimento de algum ente querido e não termos a oportunidade de nos despedirmos. Infelizmente, essa foi, está sendo e será a realidade de muitos brasileiros que moram no exterior, e que deixaram aqueles que amam no Brasil, principalmente, devido ao Covid-19. Mas, como lidar com essa situação?

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O que fazer com tanto sofrimento?

Infelizmente, não tenho uma receita de bolo e nem previsão de quando a dor pelo luto irá terminar, já que somos seres singulares e essa singularidade deve ser respeitada. Não há teoria para explicar o que você sente, pois é a sua experiência, foi a sua relação que foi rompida e de mais ninguém.

Mesmo a perda de uma pessoa da mesma família é sentida de formas diferentes por cada um de seus membros. A perda da mãe é sentida de um jeito por um filho e de outro por outro filho. Cada um dá um sentido para o luto. Pode ser que um sinta essa falta com mais intensidade agora e o outro sinta daqui algum tempo, anos até, e está tudo bem.

Aspectos a serem considerados durante o luto

No entanto, há alguns aspectos importantes devem ser considerados para que o luto seja elaborado e a pessoa enlutada consiga seguir com a vida:

  • Ter a consciência de que nunca estamos preparados para perder alguém: por mais que a morte seja anunciada devido a alguma doença, quando chega o momento, não estamos preparados. É impossível prever o que iremos sentir no momento, pois está no campo da imaginação, não vivenciamos o momento da partida;
  • O luto não deve ser considerado como doença: é um processo necessário, primordial para ser vivido e inerente à vida;
  • Quanto mais lutamos para não sentir, mais forte serão os sentimentos relacionados ao luto. Deixe vir;
  • Mesmo que você acredite que pode e/ou deve seguir com a sua vida normalmente antes de viver o luto, os sentimentos voltarão em algum outro momento;
  • Cada um dá um sentido para luto: respeite a sua forma de viver esse momento e respeite a forma que o outro está vivendo o luto dele;
  • Não tenha vergonha ou medo de chorar: o choro tem a função de reafirmar a ausência da pessoa querida;
  • Permita-se sentir o luto e falar sobre ele: é importante para que você entenda e aceite a perda da pessoa que tanto significou para você. Sentir e falar te ajudam a se reestruturar e ressignificar a vida sem a pessoa que se foi;
  • Lembre-se que só sente a dor da perda quem ama. E que lindo poder amar alguém;
  • Os rituais como o velório, enterro e missas são importantes e dão suporte no momento do luto. Quando se está longe e não é possível participar desses rituais, é possível criar os próprios rituais para se despedir. Pode ser uma carta de despedida, uma missa em casa, ou outros gestos que te ajudem na despedida.

É possível aprender em meio a tanta dor?

Por mais que uma das únicas certezas da vida seja a morte, quando esse momento chega, muitas vezes nos questionamos o porquê de acontecer, ainda mais se for no contra fluxo normal do ciclo da vida. A dor é tamanha que acreditamos que é impossível extrair algo de bom com a perda de alguém querido.

No entanto, esses momentos de grandes adversidades nos fazem refletir sobre a nossa vida. As situações de luto são importantes para:

  • Rever alguns valores que temos em nossas vidas, pois levamos um choque de realidade;
  • Nos atentarmos à maneira como estamos vivendo nossa vida e passamos a aproveitar mais cada momento;
  • Refletirmos sobre o que perdemos com quem perdemos.

Vamos aprender mais sobre o luto?

As 5 dimensões do luto

Como humanos, somos multidisciplinares, formados por 5 dimensões: intelectual, física, emocional, espiritual e social. Segundo Wolfgang Stroebe, Margaret S. Stroebe e Robert O. Hansson, quando perdemos o vínculo com uma pessoa querida que se foi, somos afetados em todas as dimensões da nossa vida, da seguinte maneira:

  • Intelectual: falta de concentração, confusão mental, desorientação, desorganização, negação;
  • Emocional: culpa, entorpecimento, raiva, alívio, depressão, solidão, tristeza, saudade, irritabilidade, choque, descrença, ansiedade, medo;
  • Física: alterações de apetite, alteração de sono, dor de cabeça, exaustão, inquietação, dispneia, palpitações, boca seca, visão borrada, perda de peso, mudança na função intestinal, choro. Muitas vezes, são confundidas com outras doenças;
  • Espiritual: sonhos, raiva de Deus, impressões, perda ou aumento da fé, dor espiritual, questionamento de valores, desapontamento com membros da igreja, desapontamento com Deus;
  • Social: perda da identidade, afastamento, falta de interação, isolamento, perda da habilidade para se relacionar socialmente.

Além da distância em momentos difíceis, existem outras coisas que é preciso abrir mão ao morar no exterior, saiba quais são elas.

Fases do luto e a vida como ela é

Há teorias que falam que, quando estamos de luto, passamos por algumas fases: a negação, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação.

No DSM V – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª Edição, encontramos o período de tempo para que o luto seja considerado normal ou patológico.

No entanto, a realidade não é bem assim. Não somos robôs para podermos programar o tempo e nem uma máquina, em que conseguimos delimitar um processo com algumas fases. Somos seres humanos. Ou seja, somos únicos, diferentes uns dos outros, imprevisíveis.

Viver o luto no exterior

Quando conversamos com alguém que está de luto, os sentimentos não são lineares e delimitados. Há um misto de emoções, um ir e vir destas sensações, dependendo dos gatilhos que ativam nossas lembranças.

Eu sei que queremos entender nossos sentimentos. Muitas vezes, queremos fugir do sofrimento. Outras vezes, não temos tempo para sentir. Na verdade, quando uma pessoa falece, o que precisamos é justamente entrar em contato com a dor, com os nossos sentimentos e ter tempo para curti-los.

Acredito que a perda de alguém é um dos momentos mais difíceis que passamos na vida, ainda mais quando estamos longe. No entanto, assim como tantas outras dicotomias que enfrentamos, são nos momentos de morte que mais pensamos na nossa vida.

Leia também outro artigo que escrevei sobre o preparo emocional para mudar de país.

Laise Kasaoka é brasileira, curitibana, graduada e pós-graduada em Psicologia, formada em Coaching Psicológico e Coaching de Fortalezas y Psicología Positiva. Apaixonada por gente, eterna aprendiz sobre psicologia intercultural e desenvolvimento humano! Trabalhou por anos no RH de grandes empresas. Atualmente ajuda profissionais a se desenvolverem e é psicoterapeuta, principalmente, de brasileiros que estão no exterior. Já nasceu intercultural pela sua descendência nipônica, já morou na Espanha e atualmente vive na Bélgica.

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