Se você tem filhos pequenos e está planejando se mudar para uma cidade espanhola, há um aspecto muito importante que você deve levar em conta: como é a educação infantil na Espanha?

Para auxiliar você a fazer a melhor escolha, desvendamos alguns detalhes essenciais das escolas públicas e privadas na Espanha e como elas podem atender às necessidades dos pequenos em início de desenvolvimento.

Como funciona a educação infantil na Espanha?

A educação infantil na Espanha se refere à educação de crianças até os 6 anos. Esse período de ensino se divide em duas etapas: a que vai até os 3 anos e a que vai dos 3 aos 6 anos.

Nessas duas etapas, as crianças podem ser matriculadas em centros de educação públicos, privados ou “concertados”, ou seja, quando as escolas são remuneradas em parte pelo Estado e em parte pelas famílias da criança.

Essas etapas de escolarização não são obrigatórias, como é o ensino a partir dos 6 anos.

Crianças de até 4 anos em atividade da escola Bressol Baobab, fundada por Laura Fernández. Foto: arquivo pessoal.

No entanto, de acordo com Laura Fernández, é muito comum que as crianças comecem a frequentar a escola por volta dos 3 anos. Laura, 67 anos, é fundadora da escola infantil Bressol Baobab, na Catalunha, e idealizadora de um projeto educativo para crianças de 0 a 4 anos na década de 80, quando a etapa era coberta apenas por “guarderías”, um tipo de creche assistencialista.

Séries e idades

Como explicado, a educação infantil na Espanha é dividida em duas partes: dos 0 aos 3 anos e dos 3 aos 6 anos. Ambas são atendidas pelas escolas infantis, mas no caso de crianças até os 3 anos, os pais devem procurar centros específicos com educadores infantis especializados na educação dessa faixa etária.

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A partir dos 6 anos, a educação torna-se obrigatória e as crianças devem atender à educação “primaria”, que tem 3 ciclos:

  • Ciclo inicial, dos 6 aos 8 anos;
  • Ciclo médio, dos 8 aos 10 anos;
  • Ciclo superior, dos 10 aos 12 anos.

Depois disso, as crianças passam a frequentar a “Educación Secundaria Obligatoria (ESO)”, que vai até os 16 anos. E por fim, depois de completarem a “secundaria”, os jovens podem fazer o “Bachillerato” dos 16 aos 18 anos ou escolher a Formação Profissional.

O “Bachillerato” pode ser artístico, científico ou humanista, e a escolha é do aluno. A Formação Profissional é semelhante à Escola Técnica ou Profissionalizante no Brasil.

Matrícula

Nas escolas privadas, a criança pode ser matriculada naquela que for mais conveniente aos pais. Nas escolas públicas, por outro lado, as crianças são matriculadas de acordo com a zona, ou seja, nas escolas mais próximas da casa de cada criança.

Nessas escolas, as crianças começam a educação infantil na Espanha por ordem de prioridade. Isso acontece pela análise de fatores econômicos e sociais de cada família: se a mãe cria a criança sozinha, tem preferência; se a criança tem irmãos, também. E por aí vai.

Se as vagas são todas preenchidas em uma escola pública, as crianças também podem ser direcionadas a escolas de outras zonas até encontrarem seu lugar.

Já no caso das escolas privadas “concertadas”, o funcionamento segue as mesmas diretrizes das escolas públicas.

Como funciona o sistema educacional na Espanha?

O sistema educacional na Espanha é regulamentado pelo Ministério da Educação, mas a educação infantil na Espanha está nas mãos de cada comunidade autônoma do país. Portanto, cada comunidade desenvolve o plano educativo que mais convenha conforme as premissas governamentais.

Comunidades autônomas

O que entra em jogo para as famílias aqui, e isso principalmente para as que vêm de outros países, é a língua primária oficial que as comunidades adotam. No caso da Catalunha, por exemplo, o espanhol é uma língua secundária e ensinada como o inglês nas escolas brasileiras: quem manda mesmo é o catalão.

Isso pode acontecer também em outras comunidades como a Galícia, que tem o galego, e o País Vasco, que tem o idioma vasco, também chamado de euskera.

A língua catalã é a que mais tem força e presença escolar entre as três línguas oficiais de cada comunidade. Mas de toda forma, se você tem uma criança que está prestes a começar na educação infantil na Espanha, é sempre bom levar isso em consideração na hora de escolher a comunidade onde pretende viver na Espanha.

Isso pode, inclusive, influenciar nos resultados escolares:

“As comunidades autônomas de Castilla y León, Asturias e Cantabria são as que sempre alcançam os melhores resultados no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que avalia compreensão escrita, matemática e ciências de alunos de 15 anos,” comenta Laura.

A Espanha, na média nacional, costuma ficar entre as posições 24ª e 26ª. Em comparação, na avaliação de 2022, de acordo com um artigo publico pelo UOL, o Brasil ficou em 64º em matemática, 52º em leitura e em 61º em ciências.

Ainda sobre o aprendizado de duas línguas de uma vez (como nas comunidades bilíngues), nossa entrevistada explica que isso também tem valor no processo educacional.

Horários e férias

Na educação infantil e até os 12 anos, as crianças estudam em horários de manhã e à tarde: das 8h30 às 13h e das 15h às 16h30 ou das 9h às 13h e das 15h às 17h.

A partir dos 12 anos, nos centros de “primaria” e “secundaria”, os horários são das 8h às 15h com um intervalo de descanso de 30 minutos às 11h. Os alunos podem tanto almoçar na escola como voltar para casa – sempre que algum responsável os busque, claro. O tempo para a refeição pode ser de até 2 horas, dependendo da escola.

‌Vale lembrar que o serviço de “comedor escolar” (como é chamado o que pode ser traduzido como “refeitório) é opcional e muitas vezes é organizado pela Associação de Mães e Pais dos Alunos (AMPA) de cada centro educativo.

Já as férias acontecem em julho e agosto. Há também 15 dias de folga entre Natal e Dia de Reis, e mais 15 dias para a Semana Santa.

Atividades extracurriculares

Em escolas públicas ou privadas, o ensino também inclui uma série de ofertas extracurriculares para crianças a partir dos 6 anos, de prática de esportes a línguas estrangeiras.

Como são as escolas públicas na Espanha?

Laura afirma que as escolas públicas da Espanha melhoraram muito nos últimos 40 anos por conta de movimentos educativos e pressão do Estado. Com isso, algumas escolas inclusive ultrapassaram a alguns centros “concertados” em qualidade.

Por outro lado, considerando a experiência de sua filha, Jana, hoje com 21 anos, Laura também comenta:

“Tudo acaba dependendo da atitude dos profissionais envolvidos e das possibilidades que o sistema permite. Os conteúdos foram se diversificando, mas os métodos mudaram pouco.”

E as escolas privadas?

No caso das escolas privadas, as famílias pagam pelo ensino e as crianças a partir dos 12 anos passam por uma prova antes de serem matriculadas na escola de fato.

No demais, as escolas também seguem os mesmos preceitos básicos estabelecidos pela lei; a diferença é que as famílias são as responsáveis pelas entradas financeiras.

Como é a educação infantil na Espanha para imigrantes?

Depende muito.

Laura, que realmente acompanhou a educação infantil na Espanha de perto, conta que o projeto de educação para crianças de até 4 anos costuma ser mais para cobrir as necessidades e interesses que as crianças mostravam do que ensiná-las.

“Nós observávamos o que eles queriam aprender e proporcionávamos situações e materiais educativos necessários para satisfazer a curiosidade deles”, comenta.

Nessa fase, portanto, tudo pode ser educativo – inclusive a hora de almoçar. Para imigrantes cursando a educação infantil na Espanha, não seria muito diferente.

Para Laura, que estudou no Brasil até os 15 anos e voltou para a Espanha com a família nos anos 70, foram os próprios professores que fizeram toda a diferença para sua readaptação.

Embora o caso de Laura tenha acontecido décadas atrás e ela estivesse em uma fase diferente da educação, a questão da adaptação de alunos imigrantes, em parte, continua sendo a mesma: ter com quem contar direta ou indiretamente.

Alunos na sala com seu professor
Poder contar com um educador interessado é essencial para a educação das crianças e jovens – imigrantes ou não

O número de imigrantes aumentou muito nos últimos anos. Em 2023, segundo o jornal espanhol El País, o número de estudantes estrangeiros na Espanha era de quase 1 milhão. Embora isso não seja um problema, torna novas resoluções necessárias, como novos investimentos na educação pública, como comentado em artigo do El Periódico.

Alunos de escolas em zonas com muitos estudantes de origem árabe, por exemplo, podem acabar tendo mais dificuldades de aprendizado e integração por conta de barreiras linguísticas. E isso vale tanto os estrangeiros como os locais.

Por um lado, isso pode fazer com que as crianças, principalmente as estrangeiras ou filhas de estrangeiros, acabem abandonando a escola em algum ponto, o que está longe do ideal. Por outro lado, a diversidade cultural pode ser um ponto bastante positivo. Portanto, é preciso acompanhar de perto o andamento da educação infantil na Espanha.

Quanto custa uma escola infantil na Espanha?

Desde 2022 é possível encontrar escolas infantis gratuitas para crianças de 0 a 3 anos em muitas comunidades autônomas de Espanha – Catalunha, Castilla y León, Galícia e País Vasco são algumas delas. Contudo, de acordo com o ElDiario, isso não está universalizado no país.

Enquanto há comunidades que até reduzirão ou reembolsarão em 100% as mensalidades no sistema privado, a comunidade de Navarra, por exemplo, informou em 2023 que as escolas públicas seriam gratuitas apenas para famílias monoparentais e com renda inferior a 27.900€ anuais.

Diante disso tudo, é preciso estar constantemente atualizado. De toda forma, escolas privadas em geral podem ter preços que variam entre 250€ e 450€ apenas de mensalidades, desconsiderando material escolar.

Outras escolas podem até oferecer a educação de forma gratuita, mas cobrar por serviços de “comedor”(a famosa merenda escolar), e outros serviços extras.

Diferenças entre a educação infantil na Espanha e no Brasil

Para Laura, em sua época, a educação no Brasil era bem mais avançada que na Espanha. Porém, é preciso considerar que ela estudou no país entre as décadas de 50 e 60 e voltou a viver na Espanha nos anos 70, quando o país ainda vivia sob um regime ditador franquista.

Confira agora o resumo das diferenças básicas:

Brasil Espanha
O horário escolar, normalmente, dura apenas um turno. O período escolar pode ser mais alargado, podendo se estender da manhã à tarde.
O ano letivo começa em fevereiro. O ano letivo começa em setembro.
As férias acontecem durante os meses de dezembro, janeiro e julho. As férias acontecem em julho e agosto e no período entre Natal e Dia de Reis, de 22 de dezembro a 7 de janeiro.
Há um mínimo de 200 dias letivos. São pelo menos 175 dias letivos.
A educação é dividida entre ensinos Infantil, Fundamental e Médio. A educação é dividida entre Etapa Infantil (até 6 anos), Educación Primaria (entre 6 e 12), Educación Secundaria (entre 12 e 16) e Bachillerato ou Formación Profesional (a partir dos 16 anos).

Para saber mais detalhes, recomendamos que você assista ao vídeo do Marcelo Bueno sobre a educação infantil na Espanha.

Vale a pena optar pela educação infantil na Espanha?

Informando-se, pesquisando e entendendo o funcionamento da educação infantil na Espanha, com toda certeza vale a pena.

Isso porque, as crianças terão acesso a novas perspectivas tanto de aprendizado como de idiomas, o que pode ser bastante rico como um todo e permitir que a criança cresça com mais oportunidades na mão.

De toda forma, do lado dos pais, vale ressaltar a máxima que sempre volto a dizer desde que cheguei aqui: a Espanha é altamente burocrática e, portanto, é importante se preparar para perder alguns fios de cabelo no processo de matricular o seu filho ou filha na educação infantil. Mas, se você quer a experiência de morar na Espanha, certamente o esforço vai valer a pena!