União Europeia aprova fundo de reconstrução da economia pós-coronavírus

Depois de quatro dias de duras reuniões, finalmente a União Europeia aprova fundo de reconstrução da economia com 750 bilhões de euros (cerca de R$ 4,57 trilhões) para socorrer os países mais afetados pela crise do coronavírus.

Esta é a primeira vez que a União Europeia emitirá uma dívida conjunta.

Como será o fundo de reconstrução da economia aprovado pela União Europeia?

Dos 750 bilhões de euros que contemplam o pacote de socorro para os países se recuperarem da crise, 390 milhões de euros serão destinados aos países mais atingidos, como Itália e Espanha, via doações.

Outros 360 milhões ficarão disponíveis como empréstimo.

“Conseguimos! A Europa é forte”, comemorou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, segundo a CNBC.

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Ele, no entanto, admitiu que as negociações foram duras. “São tempos muito difíceis para todos os europeus”, afirmou.

Pacote encontrou forte resistência

A aprovação do pacote, foi por unanimidade, como exige a União Europeia. Mas a “batalha” foi árdua até os 27 países do bloco chegarem a um consenso.

O pacote de socorro representa, especialmente, uma vitória da chanceler alemã Angela Merkel e do presidente francês Emmanuel Macron, que estavam empenhados em convencer todos os países da necessidade de atuação conjunta.

Holanda, Áustria, Dinamarca e Suécia, os chamados “quatro frugais” se opunham à doação aos países mais atingidos.

“Se serão doações, quem vai pagar as doações? Empréstimos, eu acho que são uma maneira mais interessante de discutir, mas também temos que discutir em que condições concederemos esses empréstimos”, afirmava a ministra das Finanças sueca, Magdalena Andersson, antes de ser anunciada a decisão do bloco.

Para convencer os “frugais”, foi necessário reduzir de 500 milhões de euros para 390 milhões de euros a ajuda disponibilizada via subsídios.

A decisão do bloco econômico também ajuda a estreitar os laços da União Europeia, que vêm se desgastando desde o Brexit, com a saída do Reino Unido.

“Trata-se de muito mais do que dinheiro. Diz respeito a trabalhadores e famílias, seus empregos, sua saúde e seu bem-estar. Acredito que este acordo será visto como um momento crucial na jornada europeia, mas também vai nos lançar no futuro”, enfatizou Charles Michel.

Segundo ele, este acordo manda um sinal concreto de que a Europa é uma força para a ação”.

Cenário é de forte recessão

“A Europa está passando por um choque econômico sem precedentes desde a Grande Depressão. Tanto a profundidade da recessão como a força da recuperação serão irregulares”, avisou recentemente Paolo Gentiloni, comissário europeu de economia do bloco.

Na Itália, país do continente mais afetado pela doença, a projeção é de queda do PIB de 9,5% para 2020, após registrar crescimento de 0,3% em 2019.

A Espanha, outra economia que sentiu fortemente o impacto do vírus, a expectativa de queda é de 9,4%.

Na França, a projeção é de queda de 8,2%. Na Alemanha, queda de 6,5%. E na Holanda, queda de 6,8%.

Estes seriam os cinco países mais afetados, segundo a União Europeia.

Proposta precisa ainda ser chancelada pelo Parlamento Europeu

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, comemorou o consenso ao qual chegaram os líderes da União Europeia. Mas alertou que a proposta ainda precisa ser chancelada pelo Parlamento Europeu para se tornar realidade. E esta etapa também não deve ser fácil.

“Existe um preconceito comum contra a Europa. Dizem que ela reage muito pouco, muito tarde. Aqui nós provamos o oposto”, afirmou em coletiva de imprensa.

O pacote, apelidado de Next Generation EU, foi conseguido após uma luta difícil, mas revela que a Europa é capaz de responder vigorosamente a essa crise sem precedentes. Segundo Ursula, “Esta resposta utiliza o orçamento da União Europeia e combina solidariedade com responsabilidade”.

“O plano de recuperação transforma o imenso desafio que enfrentamos em uma oportunidade. Estamos investindo no nosso futuro. Este é o momento da Europa. Nossa vontade de agir deve corresponder aos desafios que todos estamos enfrentando. Estamos oferecendo uma resposta ambiciosa para a próxima geração da União Europeia”, disse.

União Europeia aprova fundo de reconstrução da economia criança

Itália e Espanha entre os países mais beneficiados

As especulações veiculadas na imprensa, ainda não confirmadas, dão conta de que
Itália e Espanha seriam elegíveis para receber cerca de 80 bilhões de euros em subsídios.

França e Polônia teriam acesso a cerca de 38 bilhões de euros. E a Alemanha poderia receber 28 bilhões.

E que os subsídios não serão simplesmente concedidos. Os países teriam que se candidatar, estabelecendo seus objetivos para aplicação do dinheiro e comunicando quais reformas eles planejam realizar.

Veja também: Itália foi primeiro país europeu a reabrir fronteiras.

Mercado vê pacote com bons olhos, mas menos ambicioso do que se esperava

Para os economistas do Goldman Sachs, o pacote de socorro foi classificado como “menos ambicioso” do que o esperado, especialmente no que diz respeito às doações. Mas, ainda assim, bem-vindo.

“O acordo dá apoio à visão de que a zona do euro está bem posicionada para se recuperar do choque da Covid-19”, afirmaram em comunicado.

Já o Bank of America (BofA) interpretou a decisão da União Europeia como uma “forte mensagem política”. Mas insuficiente, no entanto, para mitigar os efeitos da pandemia.
Esta é a mesma opinião dos economistas do banco holandês ING.

Uma das principais críticas é que o fundo, se aprovado pelo Parlamento Europeu, só entrará em vigor em 1º de janeiro de 2021. E que os recursos só devem alcançar os países mais afetados na metade do ano que vem.

Já para o Morgan Stanley, o acordo torna a União Europeia mais estável, protege os países periféricos e abre precedentes para apoios fiscais conjuntos diante de novas crises.

Veja também: Portugal libera viagens essenciais do Brasil, mas exige teste de covid negativo.

Cláudia Zucare Boscoli trabalha como jornalista há 20 anos, tendo se formado na Cásper Líbero, com extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), especialização em Marketing Digital pela FGV e pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP. Já trabalhou para IstoÉ Online, O Estado de S. Paulo, Diário de S. Paulo e Editora Abril, entre outros veículos. Adora viajar, conhecer novas culturas e contar o que descobriu.

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