Um ano de pandemia. No mês de março, completamos 1 ano de Covid-19 na Alemanha e em boa parte do mundo, com exceção de alguns lugares que viram o vírus se espalhar um pouco antes do fim de 2019 ou no início de 2020. E o que podemos dizer da situação no país?
Como os alemães estão vivendo essa nova realidade de distanciamento social, restrições, muita preocupação com os familiares e estresse com a situação econômica? E como o governo tem agido? Suas ações ajudaram a combater a pandemia? Poderiam ter agido melhor? Vamos trazer neste artigo um resumo desse um ano de pandemia no país e o que esperar daqui para frente.

Tudo sobre 1 ano de Covid-19 na Alemanha

Os números de Covid-19 são anunciados diariamente pelo Instituto Robert Koch, localizado em Berlim, a maior autoridade alemã de proteção contra infecções. São mais de 2 milhões e 600 mil infecções e 75 mil mortes no país, desde o primeiro óbito em 8 de março do ano passado.
Os números aumentaram particularmente na segunda e atual ondas quando tudo saiu do controle. Os números totais atualizados de Covid-19 na Alemanha podem ser acompanhados em diversos sites online diariamente atualizados.

Primeiro lockdown na Alemanha e o medo em decorrência da pandemia

Apesar das medidas de isolamento no país terem começado oficialmente em março do ano passado, o primeiro caso registrado do vírus data de 27 de janeiro, na região da Baviera, no sul da Alemanha. Desde então, o país passou de exemplo na gestão da pandemia durante a primeira onda a uma das nações da Europa que sofreram com a segunda onda, depois do verão no ano passado e, mais recentemente, com a já considerada terceira onda do vírus.

Instituto Robert Koch
Créditos da foto: Clarissa Gaiarsa

Mas, voltando aos primeiros meses da pandemia, a Alemanha foi um modelo entre os países europeus, seguindo com um baixo número de mortes e havia, no geral, um respeito às regras. A população, ou boa parte dela, agia com medo, pois o vírus ainda era pouco conhecido e ninguém sabia ao certo o que poderia acontecer nos próximos dias e meses.
Muita gente foi aos mercados para fazer compras grandes e garantir itens básicos como papel higiênico, leite, arroz, farinha por algumas semanas, assim não precisariam sair de suas casas.
As chamadas Hamsterkäufe, ou compras de Hamster na tradução literal, fizeram com que certos itens desaparecessem das prateleiras. As pessoas temiam um desabastecimento e, por isso, acumularam papel higiênico e produtos não perecíveis. Diversas lojas tiveram que limitar o número de pacotes na compra de um mesmo produto por família.

Governo e sistema de saúde na Alemanha durante a primeira onda

E como foi o posicionamento do governo? Desde o início da pandemia, a chanceler Ângela Merkel realizou pronunciamentos frequentes para a população, ajudando a evitar o pânico entre as pessoas. Sempre priorizou mensagens que transmitissem a severidade da situação, mas sem fazer drama e orientando as pessoas a fazer o correto para que tudo se resolvesse com mais rapidez e tranquilidade.
Na primeira onda, por exemplo, enquanto alguns países tiveram restrições que impediam as pessoas até mesmo de sair de casa, aqui sempre pudemos sair, apenas evitando encontrar outras pessoas e mantendo a distância na rua e nos locais fechados, como mercados, farmácias, clínicas médicas e transporte público. O uso de máscara foi aderido entre abril e maio, mas nessa fase ainda eram liberadas as máscaras de pano.
Com um sistema de saúde preparado, bom número de leitos de UTI, de médicos e equipamentos, a Alemanha até ofereceu assistência aos países vizinhos, trazendo infectados para tratamento aqui, e o sistema de saúde não foi tão afetado. As regras foram sendo alteradas à medida que a situação se estabilizou. Mas, quando se pensava que as coisas voltariam ao normal, uma nova onda chegou ao país, e dessa vez ainda pior.

Auxílios governamentais da Alemanha durante a pandemia de Covid-19

Desde o início da pandemia e fechamento das cidades, com restrições ao comércio, restaurantes, eventos culturais, viagens e outros tipos de serviços, o governo da Alemanha teve de buscar alternativas para manter a economia girando e evitar um total colapso com fechamento de pequenos negócios e demissões em massa. Mais de 156 bilhões de euros foram aprovados em um pacote de ajuda na primeira onda.
Com isso, freelancers e autônomos registrados na Alemanha (independente da nacionalidade e principalmente das áreas de serviço, artísticas e culturais), receberam suporte financeiro. Pequenas empresas que sofreram impacto nos negócios também puderam contar com a ajuda. Muita gente conseguiu manter seus empregos, apenas reduzindo as jornadas e os salários, no sistema chamado de kurzarbeit (algo como jornada reduzida de trabalho).
Houve ainda redução de impostos para venda de determinados produtos, contribuindo para a diminuição dos prejuízos, principalmente do varejo e gastronomia. Empresas grandes, como a Lufthansa, não ficaram de fora e programas de crédito foram disponibilizados através do Instituto de Crédito para Reconstrução (KfW), banco federal de investimentos e incentivos da Alemanha. O banco foi fundado após a Segunda Guerra Mundial para a reconstrução do país e provou mais uma vez ter sua utilidade.

Auxílio para famílias e home-office por toda a Alemanha

Uma outra ajuda, bem curiosa aliás, foi dada aos pais de crianças no país. Além do regular Kindergeld, benefício social pago mensalmente a casais ou responsáveis, cada família recebeu 300€ a mais por criança diretamente do Estado no segundo semestre de 2020. A medida buscava, além de ajudar, trazer um aumento do consumo. Pois, com a crise, a tendência geral dos alemães foi economizar.
Além de todas as medidas de ajuda do governo, as empresas tiveram que fechar seus escritórios e manter os funcionários trabalhando de casa, o que segue até hoje e sem previsão de retornar. O chamado home-office (em alemão eles também usam a expressão em inglês) alterou a vida de muita gente, reduzindo também a necessidade do transporte público, o que gerou o cancelamento de muitas anuidades de bilhetes de transporte.

Relaxamento das regras e protestos pela Alemanha

Apesar de medidas como o home-office, a proibição de aglomerações e o distanciamento social não terem sido abolidos em nenhum momento. Mesmo com a estabilização dos números e a pressão do comércio e de vários outros lados, a Alemanha começou a abrir aos poucos em maio de 2020. As fronteiras foram liberadas e as pessoas puderam se deslocar dentro e até mesmo fora do país.
Entre maio e junho, escolas puderam reabrir, restaurantes, shoppings e até cinemas. Mas isso não impediu protestos que acontecem desde o início da pandemia. Principalmente de grupos contra as restrições, de serem realizados nesse período, sendo na maioria das vezes grupos de extrema-direita. Eles normalmente acontecem nos centros das grandes cidades alemães, como Berlim e Frankfurt, e a polícia acaba intervindo em algumas dessas manifestações por desrespeito às restrições, como o não uso de máscaras e aglomerações com até 40 mil pessoas.

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Novo surto na Alemanha de Covid-19 nas segunda e terceira ondas

O verão de 2020 na Alemanha trouxe muito alívio para as pessoas. Existia certamente uma sensação de que as coisas estavam voltando ao normal e que, com a vacina em breve disponível, a situação estaria resolvida entre o fim do ano e começo de 2021. Mas, como já sabemos, não foi bem assim que aconteceu.
A segunda onda da pandemia no país já deu sinais em agosto, com o aumento do número de infecções que continuou subindo até setembro. Nesse período, as restrições ainda não haviam sofrido nenhuma alteração em relação ao relaxamento iniciado entre maio e junho. Porém, no início de novembro, o número dramático de 20 mil infecções por dia foi alcançado e um novo lockdown teve que ser instaurado no país.

Centro de testes Poststadion-Mitte
Crédito da foto: Clarissa Gaiarsa

Há muita discussão em torno das razões dessa segunda onda na Europa. Fala-se que o motivo pode ter sido a liberação das viagens e abertura das fronteiras, que voltou a espalhar o vírus, além do surgimento das novas cepas, identificadas nos últimos meses de 2020, com um poder de contágio mais alto. O fato é que, em dezembro, quando todos esperavam passar um fim de ano tranquilo com suas famílias, o aumento incontrolável dos números fechou novamente a Alemanha, incluindo o fechamento total do comércio e o limite de contatos nas festas de natal e ano novo.
Merkel fez um pronunciamento de Natal emocionante. A chanceler pediu às pessoas que respeitassem as regras para que, no fim de ano de 2021, fosse possível comemorar com a família completa e amigos. A chanceler se emocionou, mas se o seu discurso foi suficiente não se sabe ao certo. Em janeiro ocorreram novos picos dos números de casos e, mais uma vez, o relaxamento das restrições foi negada pelo governo.

Vacinação na Alemanha de Covid-19 e consequências da pandemia no país

A vacinação na Alemanha teve início no fim de dezembro de 2020, mas segue a passos muito lentos, assim como em diversas partes da Europa. Apenas cerca de 10% da população foi vacinada, segundo o site Impfdashboard, incluindo grupos de risco, idosos e profissionais da área de saúde. Com tantas polêmicas em torno das vacinas (incluindo a recente proibição e seguida liberação da Astra Zeneca), é difícil prever em que momento do ano boa parte da população estará imunizada.
Com a lenta distribuição e as variantes mais poderosas do vírus, o número de casos voltou a aumentar após uma baixa que durou alguns dias em fevereiro, quando novas regras de relaxamento das restrições foram discutidas. Havia alguma esperança de melhora na situação, porém, a incidência nos últimos dias já passou de 100 por 100 mil habitantes e é pouco provável que haja alguma alteração.
Os alemães e imigrantes do país devem passar seu segundo feriado de páscoa seguido em lockdown parcial, sem poder viajar e com limites para encontrar a família e amigos.

Fechamento de fronteiras na Alemanha e centros de testes

Não há um fechamento de fronteiras total, como ocorreu no mesmo período no ano passado. O que existe são limitações de viagens de e para países em situações de risco, além do constante cancelamento de voos. O Brasil está nessa lista e apenas residentes na Alemanha oriundos desses países conseguem entrar. Mesmo assim, é preciso seguir o período de quarentena mandatório. A recomendação geral, que já dura cinco meses, é para que as pessoas não façam viagens desnecessárias.
Já é confirmada que se trata de uma terceira onda, que nem mesmo deixou a segunda acabar por completo. As pressões aumentam por todos os lados, com mais protestos acontecendo e a população muito impaciente. Há um aumento geral do nível de estresse, além dos casos de depressão no país, com linhas telefônicas de ajuda congestionadas e muita dificuldade em encontrar horários para sessões com terapeutas e psicólogos.
Enquanto isso, o governo se vê em meio a muitas polêmicas, casos de corrupção e eleições à vista, tentando acalmar a população e oferecendo soluções temporárias como centros de testes gratuitos e até testes que podem ser feitos em casa, sendo vendidos em supermercados e farmácias.
A verdade é que não há muito o que fazer. Só nos resta mesmo esperar, sempre com muita paciência, os próximos capítulos da pandemia do Corona na Alemanha.
Se você tem vontade de morar na Alemanha, não deixe de ler o nosso guia completo.