Descendentes de italianos terão que arcar com custos mais altos para obter a cidadania italiana a partir de 2025. As mudanças constam na Lei Orçamentária de 2025, aprovada pelo Senado da Itália em dezembro de 2024.

Cidadania italiana ficou mais cara em 2025
Índice O que mudou nos valores cobrados Cidadania italiana pode ficar mais cara e mais lenta Governo brasileiro acompanha as mudanças Associações se posicionam contra o novo projeto 150 anos da migração italiana para o Brasil

As novas regras já estão em vigor desde 1º de janeiro de 2025 e impactam diretamente brasileiros que buscam o reconhecimento da cidadania italiana jus sanguinis.

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O que mudou nos valores cobrados

A nova legislação altera as taxas aplicadas em algumas situações. A principal delas é a mudança na taxa do Consulado, que subiu de 300€ para 600€ por cada requerente maior de idade. O valor equivale a cerca de R$ 3.700 segundo a cotação na Wise na data da publicação desta notícia.

Um processo único com quatro pessoas da mesma família passará a custar 2.400€, caso a proposta seja aprovada. Ou nos casos de ações coletivas com 10 pessoas, por exemplo, em que o total chegará a 6.000€.

Além dessa, mais duas taxas sofreram alterações: os comuni (cidades italianas) também poderão cobrar até 600€ para receber e dar andamento a processos administrativos de reconhecimento de cidadania.

As comuni também passam a estar autorizadas a cobrar taxas de até 300€ para fazer a emissão de certidões antigas solicitadas pelos descendentes de italianos.

Custos judiciais sobem com nova lei

No caso das cidadanias por via judicial, o valor também passa a ser de 600€. Em outras palavras, todo o cidadão que tiver que recorrer à justiça no seu processo irá pagar esse novo valor, além dos demais custos associados ao processo.

Antes da mudança, o custo era de 545€ por processo, independentemente do número de pessoas incluídas. Após as alterações, o valor passa a ser cobrado por pessoa, o que pode deixar os processos familiares muito mais caros.

Cidadania italiana pode ficar mais cara e mais lenta

A medida foi aprovada pelo Parlamento e pelo Senado e está em vigor desde 1º de janeiro de 2025. Ela impacta diretamente milhares de descendentes de italianos em todo o mundo, incluindo os brasileiros requerente de cidadania italiana.

O jornal Público Brasil ouviu a advogada brasileira Ana Carolina Nogueira, que atua nesta área e fez outro alerta: além de ficar mais caro, o tempo de espera para a tramitação de todo o processo deverá tornar-se ainda mais longo. Isso porque o Tribunal de Roma decidiu suspender o sistema de juízes especializados em cidadania.

Além disso, as ações devem ser impetradas na justiça da região onde estão registrados os antepassados do interessado. “Mesmo nos tribunais menores, como o de Veneza, a demanda judicial pela nacionalidade é enorme, com as decisões demorando em torno de dois anos. Vemos isso como um absurdo, pois prejudica muita gente”, lamenta a advogada.

Governo brasileiro acompanha as mudanças

A advogada brasileira entrevistada pelo Público Brasil afirmou que a Embaixada do Brasil na Itália acompanha essas movimentações e as possíveis mudanças. Hoje, segundo ela, há acordos bilaterais entre países que limitariam a cobrança das custas judiciais.

“O governo brasileiro tenderá a questionar a taxa individual para registros nos tribunais de ações de cidadania”, acredita a advogada.

Associações se posicionam contra o novo projeto

A MAIE (Movimento Associativo de Italianos no Exterior) tem sido uma das importantes vozes contra a proposta do governo. Em seu portal e em encontros com parlamentares italianos, o movimento reforça mensagens de associações de juristas como a AUCI (Avvocati Uniti per la Cittadinanza Italiana) e AGIS (Associazione Giuristi Iure Sanguinis), que trabalham para proteger os direitos dos descendentes de italianos.

“Este novo imposto representa uma barreira econômica injustificada, que limita o acesso à cidadania apenas aos descendentes que podem pagar”, explicam os advogados das duas associações”.

Segundo o MAIE, “a introdução desta contribuição unificada de 600€ insere-se num contexto de crescente discriminação e campanhas difamatórias nos meios de comunicação contra os italianos de ascendência italiana, retratados como ‘astutos’ em busca de vantagens ligadas à aquisição de um passaporte europeu”.

A lentidão nos processos de cidadania italiana é uma reclamação antiga.
Lentidão nos processos é um problema que poderá ser acentuado com a nova proposta de lei orçamental.

As associações não deixaram de se posicionar contra a medida. “É uma luta desigual”, reforçam a AUCI e a AGIS.

150 anos da migração italiana para o Brasil

Segundo o Consulado Geral da Itália em São Paulo, o ano de 2024 marcou os 150 anos da chegada do vapor “La Sofia”, que atracou no porto de Vitória com 380 famílias que embarcaram em Gênova.

Conforme dados do consulado, o Brasil possui mais de 32 milhões de descendentes de italiano. Estima-se haver, no mundo, entre 60 e 80 milhões descendentes das famílias que deixaram o “país da bota” entre meados do século XIX e início do século XX. O total de descendentes ao redor do mundo é maior do que a população atual da Itália.

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Em relação aos cidadãos com nacionalidade italiana vivendo no exterior, os dados mais recentes (2022) apontam um total de 6 milhões de pessoas. São pouco mais de 3,2 milhões vivendo na Europa e quase 2,4 milhões nas Américas.

As principais cidades onde vivem os cidadãos italianos são Londres (375 mil), Buenos Aires (322 mil) e São Paulo (mais de 239 mil).