A União Europeia recomenda a preparação de um kit de sobrevivência para que os cidadãos do bloco estejam preparados para enfrentar possíveis crises. A medida sugere que cada família tenha em casa um kit de emergência com itens básicos.
A ideia não é alarmar a população, mas sim fortalecer a resiliência civil diante de eventos que têm se tornado mais frequentes, como inundações e falhas no fornecimento de energia.
O que é o kit de sobrevivência recomendado pela União Europeia?
O que não pode faltar em um kit de sobrevivência diante de uma crise climática ou ambiental? A Comissão Europeia decidiu esclarecer essa questão e apresentou sua Estratégia de Preparação, acompanhada do slogan Prontos para Tudo.
A medida segue o exemplo de países como Suécia, Noruega e Finlândia, que já orientam seus cidadãos com manuais específicos. A França também planeja lançar um guia com recomendações semelhantes.
A União Europeia recomenda kit de sobrevivência para 72 horas como uma forma de garantir que os cidadãos possam se sustentar por pelo menos três dias em caso de crise.
A recomendação não é obrigatória
O conselho serve como uma orientação para que os Estados-membros incentivem a preparação civil. Cada país pode adaptar a lista de itens com base em suas necessidades específicas.
A proposta gerou um intenso debate na Europa. Defensores argumentam que a medida é prudente e pode salvar vidas em caso de emergência, considerando especialmente o aumento da frequência de eventos extremos, como inundações e ondas de calor. Para esses apoiadores, a recomendação fortalece a cultura de autoproteção e preparação.
Por outro lado, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, chamou a medida de “assustadora” e expressou ceticismo em relação à proposta, questionando as intenções por trás da recomendação e sugerindo que ela poderia indicar preocupações não reveladas por parte da Comissão Europeia.
Qual o objetivo da recomendação e por que surgiu agora?
A medida está alinhada com a agenda de resiliência civil da UE, chamada “Cultura de Prevenção”, que busca mudar a mentalidade da população de uma abordagem reativa para uma mais preventiva.
A recomendação da UE sobre o kit crise faz parte da nova Estratégia de Preparação da União, lançada para aumentar a resiliência dos 448 milhões de cidadãos do bloco frente a desafios que têm se intensificado nos últimos anos.
O projeto da Comissão Europeia, ainda em discussão e sujeito a alterações, faz parte de uma estratégia mais ampla. A iniciativa inclui 30 ações-chave, que vão desde medidas de preparação civil, como a recomendação de um kit de sobrevivência, até componentes mais técnicos, como exercícios conjuntos e cursos especializados para jovens e adultos.
A proposta busca fortalecer a resiliência da população e melhorar a resposta a possíveis crises, garantindo que cidadãos e autoridades estejam mais bem preparados para lidar com diferentes cenários de risco.
“Trata-se de sairmos de uma mentalidade reativa e responsiva em relação a riscos e perigos potenciais e entrarmos em uma abordagem que se refere à previsão, à antecipação de riscos e à prevenção”, afirmou Roxana Mînzatu, vice-presidente da UE para Pessoas, Habilidades e Preparação.
O momento do anúncio reflete o contexto global pós-pandemia e as crescentes tensões geopolíticas, como a guerra na Ucrânia e o aumento de eventos climáticos extremos, como as inundações que mataram mais de 200 pessoas na Espanha em outubro de 2024.
A Comissão Europeia identificou lacunas nos planos nacionais de resposta a desastres, apontadas por uma pesquisa de 2024, que mostrou uma abordagem fragmentada entre os países do bloco. Além disso, a pandemia demonstrou a importância de uma preparação coordenada, como explica Mînzatu.
Segundo a vice-presidente da Comissão, a pandemia de Covid-19 demonstrou que agir de forma conjunta, solidária e coordenada dentro da União Europeia é de valor crucial.
Medida não indica ameaça específica, reforça a comissão
É importante esclarecer que a União Europeia recomenda kit de sobrevivência como uma medida preventiva, e não porque há previsão de guerra, colapso energético ou catástrofe iminente.
Hadja Lahbib, comissária para Preparação e Gestão de Crises, enfatizou que o objetivo não é criar pânico, mas sim evitar situações de desespero, como as corridas aos supermercados vistas durante a pandemia.
Você não precisa gastar com a transferência do dinheiro. Use o cartão multimoedas da Wise direto, com câmbio justo e sem tarifas abusivas. Prático, seguro e econômico. Peça já o seu!
Abrir Conta Multimoeda →“Penso que estar ciente dos perigos e estar preparado para eles é o contrário de criar pânico. Pelo contrário, significa evitar movimentos de pânico, gestos irracionais como os que tivemos durante a pandemia, com pessoas a correr para as lojas e a comprar papel higiênico”, declarou Lahbib.
A Comissão Europeia reforça que a recomendação é uma prática de preparo civil, semelhante ao que já acontece em países como Alemanha, Suécia e Finlândia.

Na Alemanha, por exemplo, há um documento de 68 páginas detalhando como os cidadãos devem agir em caso de enchentes, incêndios ou emergências nucleares, com a sugestão de estocar suprimentos para 10 dias.
A Suécia distribuiu recentemente panfletos intitulados “Em caso de crise ou guerra” para todas as residências, e a Finlândia mantém abrigos subterrâneos e uma agência nacional de abastecimento de emergência, uma prática enraizada na cultura local.
Itens recomendados: o que ter em casa para situações de crise?
A União Europeia recomenda kit de sobrevivência 72 horas com itens que garantam a autossuficiência em crises. A lista sugerida pela Comissão Europeia inclui:
- Água: pelo menos 3 litros por pessoa por dia para beber, mais 10 a 12 litros para higiene e cozinha;
- Alimentos não perecíveis: conservas, arroz, massas, barras energéticas ou frutos secos;
- Rádio portátil a pilhas: para acompanhar informações oficiais em caso de apagão da internet;
- Lanterna e pilhas extras: essenciais em caso de falta de energia;
- Medicamentos: incluindo receitas médicas e um estojo de primeiros socorros;
- Documentos importantes: cópias de identidade, receitas médicas e contatos de emergência, guardados em uma bolsa à prova d’água;
- Dinheiro em espécie: como alerta Lahbib, “o seu cartão de crédito pode ser só um pedaço de plástico numa crise”;
- Roupas quentes e cobertores: para se proteger do frio em caso de falhas no aquecimento;
- Canivete suíço e jogos de tabuleiro: para tarefas práticas e entretenimento, especialmente para crianças.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil de Portugal recomenda adicionar um apito, um carregador para celular e produtos de higiene pessoal.
O kit deve ser armazenado em uma mochila de fácil acesso, pronta para ser usada nas primeiras horas ou dias após uma crise, enquanto os serviços essenciais, como água e eletricidade, não estiverem disponíveis.
Para compreender melhor os componentes do kit de sobrevivência recomendado pela União Europeia e como se preparar adequadamente para situações de emergência, assista ao vídeo abaixo:
Assine nossa Newsletter e receba gratuitamente notícias, artigos e colunas do Euro Dicas sobre a Europa no seu email. Se você sonha em morar no Velho Continente, essa newsletter é feita para você!
INSCREVER GRÁTIS→O que dizem especialistas sobre a preparação civil na Europa?
Especialistas veem a recomendação UE kit crise como um passo positivo para aumentar a segurança na Europa em 2025, mas também alertam para a importância de comunicar a medida claramente, para evitar alarmismo.
Hadja Lahbib explica que “as ameaças que a Europa enfrenta hoje são mais complexas do que nunca — e todas estão interligadas”.
Isso inclui eventos climáticos extremos, como incêndios florestais na Grécia e inundações na Espanha, além de riscos como ciberataques e tensões geopolíticas, como a guerra na Ucrânia. “A preparação é uma forma de garantir serenidade, e não de espalhar medo.”- enfatiza Lahbib.
A Comissão Europeia produziu um vídeo para ser divulgado nas redes sociais com Hadja Lahbib mostrando “O que tem em sua bolsa — edição kit de sobrevivência de 72 horas”. Acompanhe:
Lahbib revelou que já tem o hábito de manter um kit básico por conta própria: “Sempre carrego pelo menos seis garrafas de água. Com a rotina de viagens e horários irregulares de chegada, isso me garante autonomia por dois ou três dias sem precisar sair para compras.”
Roxana Mînzatu, vice-presidente da Comissão Europeia, destacou a necessidade de mudar a mentalidade dos cidadãos:
“É preciso saber como agir e reagir se faltar energia, se houver um terremoto, se houver uma grande inundação ou se houver qualquer tipo de ameaça. Como você se protege? De quais recursos você precisa?”.
A recomendação da União Europeia não é novidade em alguns países do bloco. Há muitos anos, os Países Baixos já aconselham a população a estocar alimentos enlatados, água e pilhas, enquanto a França sugere um kit de sobrevivência com itens como roupas quentes e chaves sobressalentes.
O governo francês, inclusive, planeja distribuir até o meio do ano um manual com dicas de sobrevivência para todas as famílias. A ideia se baseia em um guia norueguês.
A Suécia também atualizou seus conselhos de emergência civil em 2024 para refletir a atual política de segurança, incluindo orientações sobre como agir em caso de ataque nuclear. A Finlândia, que faz fronteira com a Rússia, é considerada um modelo de preparo civil, com abrigos subterrâneos e uma cultura de resiliência enraizada.
Por outro lado, em nações como Portugal, não há qualquer informação ou orientação oficial sobre diretrizes para sobrevivência.
Medidas abrangentes para fortalecer a resiliência europeia
A União Europeia recomenda kit de sobrevivência como parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer o preparo civil na Europa. Além do kit, a Comissão propõe integrar aulas de preparação nos currículos escolares, criar um “Dia Europeu da Preparação” e realizar exercícios regulares para melhorar a cooperação entre civis e militares.
O plano inclui simulações em escolas e setores como saúde e transportes, para ensinar as crianças a lidar com emergências. A Comissão também planeja abrir um “centro de coordenação de crises” e ampliar estoques de itens essenciais, como vacinas e equipamentos para combater ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares.
Confira no Instagram do Euro Dicas o post com orientações sobre como montar um kit de emergência, parte de uma nova estratégia de preparação civil para ajudar a população a lidar com crises como blecautes, enchentes, pandemias e eventos climáticos extremos.
Plataforma informativa será lançada
A entidade, com sede em Bruxelas, vai lançar uma plataforma digital para que cidadãos e viajantes encontrem informações sobre riscos e locais seguros, como abrigos, em caso de crise.
Pretende também coordenar, em toda a Europa, reservas estratégicas de medicamentos, matérias-primas, energia e alimentos, garantindo um melhor preparo para emergências.
Mais detalhes sobre todas as estratégias serão conhecidos em julho de 2025, durante a discussão do próximo orçamento plurianual da União Europeia.
Uma estratégia para o futuro
Embora o contexto global, com tensões geopolíticas e eventos climáticos extremos, tenha motivado a recomendação, a Comissão Europeia deixa claro que não há uma ameaça específica no horizonte.
Não há motivo para pânico, pois a questão sobre os kits de sobrevivência não é obrigatória, trata-se somente uma orientação para aumentar a preparação da população em situações de emergência.
A medida é preventiva e busca garantir que os cidadãos estejam prontos para lidar com imprevistos, como já fazem em países como Alemanha, Suécia e Finlândia.
Para os brasileiros que vivem na Europa, a recomendação é uma oportunidade de se preparar com calma, garantindo mais segurança para suas famílias em um mundo cada vez mais imprevisível. Montar um kit de sobrevivência 72 horas é uma ação simples que pode fazer toda a diferença em momentos de crise.
Maurício Martins