Tudo parece caminhar para a resolução da incógnita de quem será o próximo presidente da Espanha. Veículos midiáticos como o jornal El País e o Diário AS apontam que Pedro Sánchez deve ser eleito após a sua investidura. A sessão em que todos os deputados do Congresso devem votar contra ou a favor da posse do político do PSOE deve acontecer até o dia 27 de novembro.

Acordos polêmicos com os separatistas

Na Espanha, o sistema eleitoral indica que não basta ter obtido a maioria dos votos para assumir o poder. O candidato eleito pelo povo deve ser aprovado por 176 deputados, o que representa a metade do Congresso. Para chegar a estes 176 votos positivos, os partidos precisam realizar acordos entre si.

Em 2023, o candidato mais votado pelos espanhóis foi Alberto Núñez Feijóo. Porém, em sua sessão de investidura, o Partido Popular (PP) conseguiu juntar apenas 171 votos.

Com isso, abriu-se o espaço para a investidura do segundo candidato mais votado, o atual presidente, Pedro Sánchez. O seu maior desafio, portanto, era conseguir acordos com partidos adversários, uma dificuldade que ganhou os holofotes da mídia, já que o candidato socialista precisa negociar com partidos separatistas, que dividem opiniões em território nacional.

As negociações têm acontecido entre as últimas semanas de outubro e as primeiras de novembro, porém, algumas especulações já foram confirmadas.

Anistia com o ERC e Junts per Catalunya

No dia 6 de novembro, Sánchez e Jordi Turull, do partido Junts per Catalunya, se reuniram em Bruxelas para negociar uma lei da anistia.

Ainda não se sabe exatamente as imposições desta lei, porém já foi confirmado o cancelamento de 15 bilhões de euros em dívidas e a transferência do órgão de mobilidade Cercanías (Rodalies) para a Catalunha, uma exigência histórica dos republicanos.

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Este acordo vai contra os valores do PSOE, que é socialista e defende a união da nação. Ainda mais, pode haver cláusulas ainda não mencionadas ou assinadas, as quais dão mais poder aos separatistas na Espanha.

Acordo deve garantir Pedro Sánchez na presidência do Governo

O PSOE conseguiu nas eleições 122 cadeiras do Congresso em total, o que já garantiria grande parte dos votos necessários. O partido Sumar, aliado da esquerda, demonstrou o seu apoio a Sánchez logo após as eleições em julho de 2023. Com isso, Sánchez já teria 153 cadeiras (os chamados escaños em espanhol).

À soma juntaram-se os partidos BNG, Bildu, PNV, que permitirão que o candidato alcance 165 votos.

Na falta de 11 deputados para investir no político, as negociações com o ERC e o Junts (ambos separatistas) se tornam substanciais para a reeleição de Sánchez, já que cada um dos partidos catalães conta com sete cadeiras.

Tudo indica que o acordo da anistia será fechado nesta semana. Enquanto isso, a sessão de investidura ainda não tem data marcada, mas Sánchez tem até o dia 27 de novembro para conseguir os 176 votos.

Feijóo, líder da oposição, protesta

Ainda que Feijóo tenha sido impedido de assumir o poder por não conseguir a maioria das cadeiras do Congresso, o líder do PP começou a mobilizar a população de todo o país contra a anistia. Desde que os rumores do pacto começaram a pairar sobre a mídia, o partido de direita tem realizado protestos todos os finais de semana, em diferentes províncias espanholas.

Feijóo também acusa Sánchez de “branquear o braço político de uma organização terrorista“.

Previsões para a Espanha nesse novo governo

O último ano do governo de Pedro Sánchez apresentou métricas favoráveis, as quais têm sido importantes no restabelecimento da Espanha após a crise da COVID-19. Apenas em 2023, o desemprego caiu 1,67 pontos percentuais entre março e junho, o que representa uma redução que se manteve por cinco meses consecutivos.

Além disso, segundo o jornal El Diario, a previsão é de que o número de pessoas desempregadas continue diminuindo e a economia da Espanha cresça 2% em 2024.

Imigração pode ser beneficiada

No que diz respeito à imigração, não há medidas ou informações claras sobre alterações nas leis.

Contudo, nos últimos anos, Sánchez foi responsável por muitas mudanças que favoreciam a entrada e legalização de estrangeiros no país, como a ampliação da permissão de trabalho para estudantes e a alteração da Lei da Memória Democrática, também conhecida como a Lei dos Netos, a qual permite que netos de espanhóis obtenham a nacionalidade.

Esta última lei estava ameaçada com a possibilidade de posse de Feijóo, que alegava que a norma se apoiava em dados não factuais e deveria ser repensada.

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