O desemprego na Espanha é um problema persistente e tem se mantido elevado por décadas. O país apresenta uma das taxas mais altas da União Europeia e os que mais sofrem com a falta de vagas são os jovens.

Mas nem tudo são más notícias. Em 2021, o número de vagas disponíveis teve um aumento histórico e em algumas áreas há emprego sobrando. Confira tudo nesse artigo!

Qual a taxa de desemprego na Espanha?

Em 2021, a taxa de desemprego da Espanha fechou o ano em 14,1%.

A Espanha tem taxas de desemprego altas há muitos anos e isso foi agravado pela pandemia, que afetou fortemente os serviços, setor que representa em torno de 70% PIB nacional. Em 2020, foram fechados 360 mil postos de trabalho na Espanha e o país terminou o ano auge da pandemia com uma taxa de 18,33% de desemprego.

Porém, o país tem se recuperado bem da crise e os postos estão sendo reabertos. O desemprego na Espanha em 2021 caiu 20,12%, quando comparado a 2020, e é a maior redução no índice de toda a sua série histórica. A alta é puxada principalmente pela recuperação do setor dos serviços – o turismo, lazer e comércio – após a pandemia.

O desemprego é apontado como uma das desvantagens de morar na Espanha pelos brasileiros.

Comparação com outros países da Europa

Segundo dados de novembro de 2021 da Eurostat, a Espanha é o país com a maior taxa de desemprego da União Europeia, com 14,1%. Em seguida, estão Grécia (13,4%) e Itália (9,2%).

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A média do bloco europeu é 6,5% de desempregados. A taxa de desemprego em Portugal é de 6,3% e na Irlanda, 5,3%. As menores taxas da região estão na Alemanha (3,2%), Países Baixos (2,7%) e República Tcheca (2,2%).

Por que o desemprego na Espanha é o mais alto da Europa?

Mesmo em tempos de economia favorável, o desemprego se mantém elevado na Espanha e desde 1980 a taxa nunca foi menor que 8%. Os recordes foram em 2012 e 2013, com 25,8% e 25,7% respectivamente.

Desemprego estrutural

A persistência do problema, mesmo em tempos de bonança, indica que há uma situação de desemprego estrutural, ou seja, que o desemprego é causado em parte pela própria estrutura da economia espanhola.

Uma das causas para os altos índices seriam o modelo de produção do país, que se concentra em serviços. Segundo dados de 2021, este setor gera 75,5% dos empregos, a indústria pouco mais de 13,8%, a construção 6,6% e a agricultura, 4,2%.

Desemprego conjuntural

Além da estrutura da economia da Espanha, as crises também afetaram fortemente a oferta de emprego. Setores como construção civil e serviços representam grande parcela da economia espanhola e foram justamente as áreas afetadas pelas últimas crises globais.

A crise da bolha imobiliária em 2008 afetou um dos pilares da economia do país: a construção civil, e levou a um aumento do desemprego a uma velocidade nunca antes vista. O primeiro trimestre de 2009 teve um recorde de perda de emprego, com o fechamento de 800 mil postos.

A crise do coronavírus atingiu o principal setor da economia espanhola, os serviços, responsável por três em cada quadro postos de emprego no país. Com o fechamento – ou restrições – de bares, restaurantes, lojas e a queda brusca na atividade turística, o emprego despencou. O país fechou 360 mil postos de trabalho em 2020 e fechou o ano com quase um quarto da população desempregada.

Os jovens são os mais afetados

A população na faixa dos 50 anos ou mais em geral têm contratos de trabalho na Espanha por tempo indeterminado (o que aumenta a estabilidade no emprego), gozam de maior proteção laboral e têm direito a aumentos salariais periódicos.

Por outro lado, os jovens têm contratos laborais recentes, muitas vezes de caráter temporário e estão bastante desprotegidos contra a demissão. Nestes contratos temporários, empregador e empregado não têm incentivo à formação profissional e, em tempos de crise, das empresas geralmente optam por demitir os trabalhadores com contratos temporários e manter a equipe de contrato por tempo indeterminado.

Em 2021, o índice de desemprego dos jovens chegou a 40%, enquanto a fatia de desempregados maiores de 50 anos em 12,7%.

Como funciona o seguro-desemprego na Espanha?

O seguro-desemprego (chamado de subsídio por desempleo) é concedido pelo Servicio Público de Empleo Estatal (SEPE). Tem direito ao benefício os trabalhadores que perdem emprego involuntariamente, ou seja, que são demitidos.

Oficina de emprego em Madrid, na Espanha
O seguro-desemprego deve ser solicitado no Servicio Público de Empleo Estatal da Espanha.

Estrangeiros que trabalham legalmente na Espanha possuem os mesmos direitos dos trabalhadores espanhóis, inclusive o seguro-desemprego. Para receber o auxílio, deve-se atender às seguintes condições:

  • Estar em situação legal de emprego e ter sido demitido;
  • Ter trabalhado e contribuído para a segurança social por pelo menos 360 dias nos últimos seis anos anteriores à data de perda do emprego;
  • Ter entre 16 e 65 anos na data da solicitação;
  • Estar disponível para aceitar uma recolocação adequada no mercado de trabalho, através da assinatura de um termo de compromisso de atividade.
  • Não realizar atividade laboral por conta própria ou trabalho extra no momento da solicitação, com exceção dos casos em que o trabalho é propiciado por programas de fomento de emprego.

Como solicitar?

O pedido do auxílio deve ser apresentado em até 15 dias úteis após o fim do contrato de trabalho, tanto online, por meio do site do SEPE ou nas oficinas de empleo, mediante marcação prévia. É necessário apresentar os seguintes documentos:

  • Registo como candidato a emprego (cartão de desemprego);
  • Formulário oficial de pedido de seguro-desemprego;
  • Documento de identificação do requerente e dos dependentes que que constam no formulário oficial de pedido;
  • Certificado da empresa onde trabalhava (algumas empresas optam por enviar eletronicamente ao SEPE e outras entregam o documento ao trabalhador);
  • Comprovante de renda (última declaração de renda);
  • Documento com o número da conta bancária de que o requerente é titular e na qual pretende receber o auxílio.

Valor do seguro-desemprego na Espanha

O valor do seguro-desemprego depende de vários fatores, entre eles o salário do trabalhador quando empregado, tempo de contribuição à segurança social e até mesmo a quantidade de filhos.

O valor mínimo das prestações mensais é de 527,24€ e o máximo é de 1.482,86€.

Por quanto tempo posso receber seguro-desemprego?

A quantidade de parcelas do seguro-desemprego que o trabalhador tem direito é proporcional ao tempo de contribuição à segurança social. O trabalhador tem direito a receber o auxílio mensal por no mínimo quatro meses (ou até arrumar um outro emprego) e, no máximo, por 24 meses.

É possível fazer um cálculo da quantidade e valor das prestações por meio da calculadora oficial do SEPE.

Áreas com mais empregos na Espanha

Nem todos os profissionais têm problemas em arrumar emprego na Espanha, inclusive em algumas áreas há vagas sobrando por falta de mão de obra. Se você trabalha em um desses setores, morar na Espanha pode ser mais fácil.

Uma pesquisa da Infojobs de setembro de 2021 indica que as áreas com mais empregos são:

  • Tecnologia (desenvolvedores, especialistas em BI, data analyst, machine learning, profissionais de segurança da informação, IoT e cloud)
  • Profissionais de saúde, seja para o setor de saúde ou farmacêutico (médicos, enfermeiros e técnicos de laboratório).

Das profissões de nível médio, a Infojobs indicou que há uma grande procura por trabalhadores de construção civil (em diversos postos), especialistas em eletromecânica, soldadores, ferramenteiros, torneiros e motoristas de empilhadeira.

Outra pesquisa, que consultou especialistas do LinkedIn, Infojobs e Adecco, concluiu que os profissionais mais demandados em 2022 serão:

  • Desenvolvedores de software;
  • Novas profissões, como advogados cibernéticos e profissionais da área de realidade virtual;
  • Arquitetos de cloud, especialistas em segurança cibernética ou em inteligência artificial;
  • Profissões ligadas à experiência do cliente;
  • Motoristas de veículos de entrega;
  • Estoquistas;
  • Corretores de imóveis;
  • Profissionais sociossanitários e de saúde.

Outro fator de impacto é o European Next Generation EU Recovery Plan, o plano europeu de reconstrução pós-pandemia, que envolve a injeção de até 140 milhões de euros na economia espanhola até 2026. Os recursos irão privilegiar os investimentos tecnológicos e a luta contra as mudanças climáticas, o que significa que especialistas nessas áreas terão mais demanda na região.

Onde procurar empregos na Espanha?

Como em outros países, a internet é aliada na busca de emprego em terras espanholas. Os principais sites de emprego da Espanha são:

Infojobs

Infojobs é um dos maiores sites do assunto na Espanha, com uma grande oferta de vagas. Além disso, tem uma sessão dedicada a trabalhadores freelancers.

Indeed

O Indeed – agregador de vagas que também está presente no Brasil – é muito popular na Espanha. O diferencial também é a grande oferta de vagas.

Infoempleo

Infoempleo, além da oferta de vagas, tem uma sessão (Avanza en tu carrera) onde estão disponíveis informações sobre cursos em todo o país.

Monster

Monster é o site de empregos parceira do jornal El País com o site de emprego. O diferencial é que o candidato pode saber se a empresa visualizou a candidatura.

Trabajamos.net

Trabajamos.net é um misto de site de emprego e rede social – parece um pouco com o LinkedIn.

LinkedIn

Falando nele, o LinkedIn também é um aliado para procurar emprego na Espanha. Não esqueça de manter o seu currículo atualizado e disponível em espanhol.

Empleomarketing

Empleomarketing é um site voltado para a área de marketing digital. Há vagas para freelancer, empregos fixos e também para trabalho remoto.

Ticjob

Ticjob é um site voltado para os profissionais das áreas de TI e comunicação e também tem uma área para freelancers.

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