Em 2026, a economia da Espanha apresenta um crescimento moderado, com melhoria no mercado de trabalho e inflação contida, apesar de ter desafios estruturais e incertezas. Quem busca imigrar para o país deve se atentar aos dados econômicos e sociais.

A economia da Espanha deve ser considerada por aqueles que buscam imigrar para o país
Índice Como está a economia da Espanha atualmente? O impacto dos imigrantes na economia da Espanha Previsões para a economia da Espanha em 2026 Com o atual cenário da economia da Espanha, vale a pena investir no país? Principais indicadores da economia da Espanha Quais os principais setores da economia da Espanha? Histórico da economia da Espanha Vale a pena morar na Espanha na atual situação econômica? Perguntas frequentes sobre a economia da Espanha

Neste artigo, vamos ver como isso afeta a vida dos cidadãos e residentes, analisando a economia espanhola e todos os seus principais indicadores, com a participação de especialistas.

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Como está a economia da Espanha atualmente?

A economia da Espanha tem passado por uma longa recuperação que vem sendo arrastada desde a crise de 2008, passando também pela Covid-19 e a Guerra na Ucrânia.

Oussama Chemlal é docente especializado em economia de universidades públicas espanholas como Carlos III e a Autônoma de Madrid. Ele explica que, apesar de o cenário estar sendo de crescimento, este pode não ser contínuo.

Para Chemlan, “espera-se uma recuperação nos anos posteriores, ainda que seja desigual em diferentes setores e regiões”.

Oussama Chemlal é doutorando em Economia e Empresa, e comenta sobre economia da Espanha.
Oussama Chemlal é doutorando de Economia e Empresa na Universidade Complutense de Madrid. Foto: Oussama Chemlal.

Conforme esclarece o jornal El País com dados de 2026, o Fundo Monetário Internacional (FMI) diminuiu a sua previsão de crescimento do PIB da Espanha para 2,1% em 2026, devido às consequências da guerra no Oriente Médio. Isso constitui uma desaceleração significativa em comparação com o crescimento registrado em 2025, de 2,8%.  

Segundo o último relatório World Economic Outlook – All Issues (WEO, na sigla em inglês), divulgado pelo FMI, em abril de 2026, a Espanha não está imune aos bombardeios da guerra. Por outro lado, o relatório informa que a Espanha manterá sua posição como a economia de crescimento mais rápido da Europa pelo quinto ano seguido, mesmo com o conflito no Oriente Médio.

Em 2026, a economia espanhola crescerá menos, criará menos empregos e terá uma inflação mais alta do que se não houvesse a guerra. Mas, mesmo com a pequena revisão em baixa do FMI, o país apresenta boa saúde financeira.

Outros fatores interferem na economia espanhola

Para somar à causa, o custo do empréstimo diminuiu entre 2025 e 2026, o que gerou um aumento na demanda pelo financiamento de propriedades. Ou seja, o dinheiro tem fluído de certa forma.

Alguns indicadores básicos que comprovam este crescimento são o PIB, que aumentou 2,8% em 2025, e a taxa de desemprego, que foi de 10,61% em 2024 a 9,93% no ano seguinte, caindo a barreira dos 10%.

Contudo, o cenário de incerteza global — principalmente devido ao conflito no Oriente Médio e às tensões comerciais — pode afetar estas projeções otimistas, já que o mesmo relatório aponta que a contribuição de setores do exterior será levemente positiva.

O que pensam os cidadãos espanhóis sobre a economia?

Do ponto de vista dos cidadãos, de acordo com a pesquisa mais recente “What Worries the World” realizada pela consultora Ipsos, a maior preocupação é o desemprego — mesmo levando em conta que os últimos esforços governamentais para reduzir a taxa de pessoas sem trabalho parecem estar obtendo êxito.

No primeiro trimestre de 2024, a taxa de desemprego era de 12,29%. Já no primeiro trimestre de 2025, nota-se uma leve queda para 11,36% e, no quarto trimestre de 2025, uma nova redução para 9,93%. Os dados são do Instituto Nacional de Estatística (INE).

E, ainda com esta pequena variação, o desemprego continua sendo relativamente alto. Se compramos com países vizinhos, como França e Portugal, este mesmo indicador foi de 7,9% e 5,6%, respectivamente, no final de 2025.

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O PIB está em constante crescimento

O Banco de Espanha, por sua vez, indica que o PIB espanhol crescerá 2,3% em 2026 – cifra mais elevada do que a média do continente, que deve ser entre 1,1 e 1,2%.

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Em março de 2026, o Banco de Espanha revisou sua previsão em 0,1% acima em comparação à estimativa de dezembro de 2025. A justificativa foi que a economia da Espanha fechou 2025 com um ritmo mais acelerado do que o esperado e as medidas anticrise do governo irão compensar o impacto da guerra no Oriente Médio.

Já, segundo a pesquisa mais recente publicada pelo Caixa Bank Research, os setores considerados os principais catalisadores das melhorias econômicas na Espanha, tanto em 2024 quanto em 2025 e em 2026, são:

  • Tecnologia da informação (TI);
  • Serviços profissionais;
  • Atividades administrativas, construção e atividades imobiliárias.

Outros setores que também crescem, mas têm previsão de desaceleração, são o setor primário, de manufaturas e do turismo – este último, apesar de ainda estar em expansão, avança em ritmo mais moderado, depois dos fortes ganhos nos anos anteriores.

O impacto dos imigrantes na economia da Espanha

O país é considerado muito aberto a imigrantes, com diferentes opções de visto para Espanha, até mesmo visto para aposentados, empreendedores e, o mais recente de todos, o visto para nômades digitais na Espanha. Para além de abrigar estrangeiros, estas oportunidades também são uma forma de atrair investimento, consumo e mão de obra.

Enrique Palacios, economista e Chief Compliance Officer da Onyze explica a importância dos imigrantes para o país:

Para a economia de um país, a chegada da imigração preenche esta lacuna e fornece valor. Isto é importante para equilibrar as contas da previdência social, embora haja o risco de aumentar o déficit público se a chegada de imigrantes não for feita de forma equilibrada, segundo Palacios.
Economista Enrique Palacios relata como funciona a conjuntura econômica do país ibérico.
Palacios é especializado em digitalização de bancos, acumulando experiência na Espanha, Irlanda e Portugal. Foto: Enrique Palacios.

Previsões para a economia da Espanha em 2026

Os índices econômicos básicos apresentaram melhorias em 2025, com o crescimento de 2,9% do PIB. Em 2026, a previsão segue positiva, com um aumento de 2,2% do PIB. Os dados foram consultados no painel de previsões da Funcas, um centro de análise espanhol dedicado à investigação econômica e social.

Contudo, não haverá muita melhoria no índice de inflação. É verdade que o grande salto foi dado em 2023, de mais de 6% a 2,8% no final de dezembro. Porém, em 2025, a inflação média anual ficou em 2,7%. Para 2026, estima-se que este índice fique em 2,2%, ainda acima da meta do Banco Central Europeu, de 2%.

Apesar disso, segundo vídeo do canal DW Brasil, de 2026, a Espanha tem potencial de ser o novo motor econômico da Europa:

Ainda segundo a Funcas, a inflação subjacente (que não considera o custo da energia e dos alimentos não processados) apresenta maior resistência à desaceleração, com projeção de 2,3% para 2026. Isso é resultado de pressões nos setores de serviços e alimentos.

A estabilização dos preços energéticos e a convergência gradual dos gastos laborais são fatores fundamentais para a moderada e prevista desinflação.

Mercado de trabalho

Em relação ao emprego na Espanha, a taxa de desemprego em 2025 teve uma queda acelerada e consistente, com um forte crescimento na criação de vagas e uma taxa de afiliação à segurança social que aumentou em 2,5% no ano.

Em março de 2026, a Espanha ultrapassou pela primeira vez os 22 milhões de afiliados à Segurança Social, com mais de meio milhão de trabalhadores a mais do que no último ano.

Portanto, o mercado de trabalho espanhol demonstra resiliência, mas também depende de reformas estruturais que fortaleçam a formação de capital fixo e ampliem a base do consumo privado, elementos essenciais para sustentar o crescimento de longo prazo.

A força de trabalho de imigrantes tem sido determinante: em março de 2026, são mais de 3,15 milhões de afiliados estrangeiros. Eles representam 14,4% do total de trabalhadores, respondendo por uma parcela significativa no mercado de trabalho.

A economia da Espanha precisa de suportes econômicos mais estáveis

Chemlal explica que, apesar das melhorias, a economia precisa de suportes mais estáveis, como a formação bruta de capital fixo (FBCF) e o consumo privado. Em 2025, o desempenho econômico foi positivo, com crescimento de 2,8% do PIB. Mas a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e o consumo privado ainda enfrentam desafios:

Enquanto o consumo privado estimulou a demanda interna com ganhos de poder aquisitivo e crescimento do emprego, a FBCF apresentou impacto negativo, que ainda não superou os níveis pré-pandemia. Dessa forma, a recuperação do mercado imobiliário e o aumento dos investimentos em infraestrutura são essenciais para sustentar o crescimento.

As exportações de bens continuam fracas, enquanto as exportações de serviços, especialmente no turismo, seguem como um pilar importante.

E, como na economia tudo funciona em efeito dominó, se o investimento das empresas não cresce, é mais difícil gerar empregos, aumentar o PIB e incentivar o consumo sustentável. Ou seja, o dinheiro deixa de circular e o país precisa optar por outras fontes de fortalecimento econômico.

Embora o cenário de 2025 e a previsão para 2026 sejam positivos, a economia da Espanha sempre parece estar à beira da estagnação, com discussões frequentes sobre o momento em que os incentivos ao consumo privado se esgotarão e será necessário buscar novas fontes de crescimento sustentável.

Eleições espanholas e os desafios na economia

Diante das dificuldades enfrentadas atualmente, o governo tem tentado fortalecer a economia por meio de ações como o favorecimento da inovação empresarial, a reformulação das cláusulas legais dos contratos de trabalho temporais e uma reforma laboral, que entrou em vigor em 2022.

Mas o cenário político é altamente instável, e não se sabe se poderemos entender de fato o impacto destas medidas a longo prazo, caso haja novas mudanças governamentais. Por sua vez, as eleições espanholas de julho de 2023 instauraram uma grande polêmica no país: Pedro Sánchez (do partido PSOE) não foi o presidente eleito pela população, mas segue no poder.

Isso porque a Espanha é uma monarquia parlamentarista e, para assumir o posto de chefe de Estado, o candidato precisa obter não só a maioria dos votos de urna, mas o apoio de pelo menos metade das cadeiras do parlamento. Neste embate, Sánchez foi obrigado a negociar com partidos separatistas da Catalunha, o que causou uma onda de manifestações no país.

Os imigrantes representam um papel fundamental na base dos países europeus
No dia a dia, os indicadores mais sentidos pelos cidadãos são a taxa de desemprego e a inflação. Foto: Bianca Alves

Esse processo enfraqueceu o governo tanto em relação à população quanto dentro das instituições públicas, dificultando a aprovação dos projetos propostos pelo PSOE.

De maneira direta, ao buscar apoio dos separatistas catalães (maioritariamente partidos de direita), Sánchez perdeu parte da autoridade para aprovar as medidas mais populares que havia prometido durante sua campanha.

O maior exemplo disso foi a proposta de redução da jornada laboral de 40 a 37,5 horas, um projeto que começou a ser discutido em janeiro de 2024, foi aprovado em fevereiro de 2025, mas foi rejeitado pelo Parlamento em setembro de 2025. O governo precisou reabrir as negociações com os partidos de oposição para apresentar uma nova proposta, mas, até abril de 2026 não ocorreu nova tramitação legislativa.

Desafios econômicos para a Espanha em 2026

O primeiro desafio para a economia da Espanha é continuar a diminuir o desemprego de forma sustentável, superando as fragilidades do mercado. 

“Apesar dos esforços feitos para a recuperação econômica, o desemprego continua sendo um dos principais problemas econômicos da Espanha, um problema endêmico e estrutural”, aponta Chemlal.

E, com isso, vem a precarização das ofertas para trabalhar na Espanha.

“Muitos trabalhadores enfrentam contratos temporários, baixos salários, falta de estabilidade no emprego e oportunidades limitadas de progressão na carreira. Essa situação pode dificultar o planejamento de longo prazo, a poupança e a obtenção de crédito para moradia ou outros fins”, completa Chemlal.

Ou seja, se não é possível gerar mais emprego, o dinheiro não circulará, afetando todos os indicadores.

Envelhecimento da população espanhola é um fator

No âmbito demográfico, o principal desafio é o envelhecimento da população: com a baixa taxa de natalidade, a preocupação de não ter meios durante a aposentadoria ronda a cabeça dos espanhóis.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) já destacou que a dívida pública poderá crescer significativamente na década de 2040, caso não sejam feitas reformas estruturais no sistema de pensões – devido aos custos ligados ao envelhecimento.

A inovação também é uma questão na qual o governo tem investido nos últimos anos. Alguns exemplos são a lei das startups, lançada para incentivar o empreendedorismo na Espanha, e o uso dos fundos Next Generation.

Porém, não basta só investir em tecnologia; o país precisa estar preparado para receber empresas digitais.

“Embora isso ofereça oportunidades em termos de criação de empregos e desenvolvimento de novos setores, também exige investimento em educação e treinamento para garantir que a população esteja preparada para as mudanças tecnológicas e ambientais, esforços que estão sendo prejudicados pela baixa taxa de investimento em P&D”, explica professor.

De acordo com a Funcas, a Espanha investe somente 1,4% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, percentual bem inferior à média da União Europeia (2,2%). Isso dificulta a sua capacidade de capitalizar plenamente os fundos europeus disponíveis.

Com o atual cenário da economia da Espanha, vale a pena investir no país?

Investir na Espanha pode valer a pena ou não; tudo depende do setor.

É certo que a Espanha é um país que tem grandes pilares da sua economia no turismo, no setor imobiliário e na hospitalidade, de forma que os três podem ser opções tradicionais e menos arriscadas. Por outro lado, o país tem aberto as portas para o investimento empresarial.

Além da Lei das Startups, o Instituto de Comércio Exterior (ICEX) tem incentivado áreas mais inovadoras, como energia renovável, tecnologia da informação e da comunicação, farmacêutica e biotecnologia.

Para o docente especializado em economia de universidades públicas espanholas, Chemlal, a Espanha está emergindo como um centro de inovação e tecnologia na Europa, com startups e centros de pesquisa ativos em áreas como inteligência artificial, biotecnologia, comércio eletrônico e fintech.

Ele esclarece que isso tem atraído investimentos de capital de risco e fundos de investimento interessados no potencial de crescimento desses setores.

Quais os melhores setores para investimento?

De acordo com pesquisas feitas por instituições financeiras, como a Caixa Bank, e consultorias especializadas, os melhores setores para investir na Espanha em 2026 são:

  • Imobiliário;
  • Turismo;
  • Logística;
  • Energia renovável;
  • Tecnologia e startups;
  • Turismo e hospitalidade;
  • Serviços financeiros;
  • Setor primário e indústria de alimentos;
  • Construção civil.

Porém, segundo Enrique Palacios, o melhor setor para investir depende do risco a assumir e da duração do investimento.

“Tradicionalmente, os investimentos imobiliários nas grandes cidades e no setor de turismo e hospitalidade têm sido as opções preferidas pelos investidores. Existem outros setores, como as energias renováveis, nos quais a Espanha tem grande potencial, embora as incertezas legais precisem ser removidas”, revela.

Ele também aponta que o setor da tecnologia também pode ser promissor.

“Cidades inteligentes estão sendo promovidas, e municípios como Málaga estão se tornando uma referência na Europa para atrair talentos e empresas de tecnologia”.

Para latino-americanos, Palacios destaca que a Espanha pode ser a porta de entrada para a Europa, pois há muitas oportunidades no setor de serviços, com talentos altamente qualificados, que viajaram ao exterior e que têm muita experiência em setores tecnológicos.

Principais indicadores da economia da Espanha

Como qualquer outro país, os principais indicadores econômicos permitem avaliar os resultados da economia nacional. Diante disso, vamos olhar os dados da economia da Espanha.

PIB

Nos últimos anos, a Espanha tem apresentado um crescimento moderado do seu Produto Interno Bruto (PIB), que aumentou de 3,2% em 2024 e 2,8% em 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Com base em dados do INE divulgados em março de 2026, o quarto trimestre de 2025 registrou um aumento de 0,8% em comparação ao trimestre anterior, a maior taxa trimestral de todo o exercício. Este valor pode ser considerado alto, já que a OCDE tinha como previsão o aumento de 2,2% no início deste mesmo ano.

Ainda assim, nota-se uma desaceleração do crescimento, que foi registrado em 5,5% no ano de 2022. Para podermos entender o histórico de crescimento, vejamos os dados mais recentes do INE.

AnoTaxa anual de crescimento
2025+2,8%
2024+3,5%
2023+2,5%
2022+6,4%
2021+6,7%
2020-10,9%
2019+2,0%
2018+2,4%
2017+2,9%
2016+2,9%
2015+4,1%
2014+1,5%
2013-1,4%
Dados de abril de 2026

É preciso destacar que, apesar de o crescimento ter desacelerado, não significa que o país vá de mal a pior. Considere que, em 2020, a taxa foi de -10,9%. Então, os dois anos seguintes representaram um grande esforço para a sua recuperação. Agora, a tendência é que a economia encontre uma via mais estável.

Mas o que estes números dizem sobre a economia da Espanha?

Enrique Palacios explica que o PIB é a criação de valor de um país e beneficia todos os agentes da economia.

“Historicamente, diz-se que o emprego é gerado a partir de 2% do PIB. Entretanto, é necessário analisar qual dos componentes deste dado tem mais peso, seja o consumo, o investimento, a exportação… E, dependendo da resposta, podemos dizer que um cidadão ou empresa o percebe mais diretamente, explica.”

Enrique ainda aponta que os indicadores mais palpáveis para o cidadão são o desemprego, a inflação e a taxa de juros, já que estes afetam diretamente a cesta de compras e a hipoteca.

Palacios também explica qual será o desafio depois da expansão monetária dos bancos centrais, que beneficiou a todos – como ele mesmo ressalta:

“[…] será um desafio para os governos nos próximos anos administrar o ajuste às políticas mais ortodoxas. Isso faria com que aqueles indicadores ‘menos visíveis’, como o déficit público ou a dívida externa, afetassem o mínimo possível os cidadãos, evitando aumentos de impostos que atrasem a atividade econômica.”, completa Palacios.

Dívida pública

A Espanha fechou o ano de 2025 com uma dívida pública de 100,7% do PIB, segundo o jornal El Español em abril de 2026. Isso faz com que o país seja o quinto mais endividado da Europa, atrás da Grécia, da Itália, da França e da Bélgica.

A dívida pública pode ser um dos fatores menos visíveis para o cidadão. Contudo, é um dado primordial, já que afeta a capacidade do governo de investir e implementar políticas econômicas.

Com relação a 2024, quando a dívida pública era de 101,6% do PIB, este índice indica uma diminuição de 0,9%, um resultado superior ao esperado pelo governo, que previa 101% para 2025. A leve redução da dívida pública na Espanha se deve especialmente ao forte crescimento da economia do país (crescimento de 2,8% do PIB em 2025) e a uma continuação sólida em 2026.

A economia da Espanha está melhorando

Além disso, a recuperação da receita fiscal, estimulada pelo bom desempenho do mercado de trabalho e intensa atividade turística, possibilitou que o governo aumentasse os impostos e reduzisse o défice orçamental.

Segundo os dados mais recentes do portal oficial European Commission, as reformas laborais e o ajuste nos custos no mercado de trabalho contribuíram, também, para a competitividade da economia da Espanha, ajudando no seu crescimento.

Ainda, a retirada gradual de medidas de apoio implementadas durante a pandemia de Covid-19 e a crise energética diminuiu os gastos públicos. Além disso, a alta inflação ajudou na diluição do valor real da dívida pública, ao aumentar o PIB nominal sem precisar elevar a dívida pública proporcionalmente.

Ainda de acordo com a European Commission, a meta do governo é reduzir essa dívida para menos de 100% até o final da década, incentivado pelo crescimento econômico sustentado.

Inflação na Espanha

Desde a pandemia de Covid-19, a inflação tem sido reduzida, mas de maneira pouco uniforme e enfrentando flutuações em diferentes setores. Chemlal destaca que a inflação na Espanha na última década foi variável, embora tenha se mantido relativamente baixa.

Também chamada de Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a inflação em março de 2026 foi de 3,3%, conforme esclarece o jornal Euro News. Esse percentual significa um aumento de 1% em relação a fevereiro de 2025 e a taxa anual mais elevada desde junho de 2024.

Segundo o INE, o principal fator desse aumento foi a subida dos preços dos combustíveis e lubrificantes para veículos particulares. Os números revelam uma inversão da tendência desinflacionista na Espanha e surgem quando os mercados energéticos globais continuam instáveis devido à guerra no Oriente Médio.

No entanto, essa queda nem sempre se reflete no bolso do cidadão. A inflação de alimentos e bebidas não alcoólicas chegou a 15,7% em março de 2023. Mesmo após ser controlada e recuar para 2,7% em meados de agosto de 2024, o valor da cesta básica ainda não voltou completamente ao patamar anterior ao pico.

De certa forma, este número ainda é positivo se comparado ao pico de 5,7% em 2022, mas representa uma reversão da tendência de queda observada em 2025, quando a inflação média anual ficou em 2,7%.

Taxa de juros de empréstimos

Para os que necessitam recorrer a crédito bancário, o cenário parece não apresentar grandes evoluções. O Banco de Espanha fixou como juros legais uma taxa de 3,25% em 2023. Desde então, este valor não foi alterado.

Conforme esclarece a reportagem do Estado de Minas em março de 2026, o Banco de Espanha teme a “desaceleração significativa” da economia espanhola pelo conflito no Oriente Médio.

O Banco de Espanha afirmou, em seu relatório de março de 2026, que o cenário central prevê uma desaceleração significativa no ritmo de expansão econômica, que será condicionada por um contexto internacional marcado pela incerteza geopolítica devido ao conflito.

“Anos de políticas monetárias e de liquidez expansionistas levaram a excessos inflacionários, que vieram à tona muito rapidamente, forçando as taxas de juros a subir de forma acentuada para esfriar as economias”, explica Palacios.

E, com a diminuição dos juros entre 2023 e 2025, provavelmente mais hipotecas sejam solicitadas. Segundo o INE, este impulso já pode ser notado, já que a quantidade de empréstimos hipotecários cresceu 17,8% entre 2024 e 2025, de acordo com dados da Revista Capital.

O valor médio dos empréstimos para adquirir moradia chegou a mais de 150 mil euros, com taxas médias de juros para novas operações reduzindo de 3,62% em fevereiro de 2024 para 2,75% em fevereiro de 2026.

Os principais indicadores econômicos do país ibérico devem ser analisados para quem quer imigrar
Com a taxa de juros em alta, menos pessoas compram imóveis, aumentando a crise no setor imobiliário.

Embora os juros tenham se estabilizado em 2026, a inadimplência continuou caindo, atingindo 2,71% em dezembro de 2025, a menor taxa desde setembro de 2008, conforme informado na Forbes.

A crise da moradia na Espanha é uma realidade

Uma preocupação crescente entre os jovens e os trabalhadores de classe média é a dificuldade de acessar a moradia, especialmente nas grandes cidades. O aumento acelerado dos preços (12,9% no quarto trimestre de 2025) e a especulação no mercado imobiliário, com o crescimento lento dos salários, têm dificultado a vida de quem quer comprar uma casa com financiamento.

“Juntamente com a precariedade do emprego entre os jovens, que faz com que opte-se por alugar em vez de comprar. Sem mencionar o efeito de que, em cidades como Barcelona, Madrid ou Málaga, há um excesso de demanda de aluguel devido à chegada de pessoas que querem viver e trabalhar ali”, detalha Palacios.

Isso significa que o preço do aluguel na Espanha aumenta por causa da alta procura (Lei da Oferta e da Procura) e do número de imigrantes que desejam viver e trabalhar na Espanha.

Taxa de desemprego na Espanha

Segundo o INE, a taxa de desemprego foi de 10,83% no primeiro trimestre de 2026, 9,93% no último trimestre de 2025 e 11,36% no primeiro trimestre de 2025, o que representa uma queda de mais de 1% em 2025.

Veja os dados históricos também publicados pelo órgão público INE, consultados em abril de 2026:

AnoTaxa de desemprego
2026 (primeiro trimestre)10,83%
20259,93%
202410,61%
202311,80%
202212,99%
202113,44%
202016,13%
201913,78%
201814,45%
201716,55%
201618,63%
201520,90%
201423,70%
201325,73%
Dados de abril de 2026.

Palacios menciona que o desemprego é o “calcanhar de Aquiles da Espanha“. Para ele, “naturalizamos o desemprego estrutural e o assumimos como aceitável, o que é intolerável.”. Ainda segundo o economista:

“As causas são diversas e têm suas raízes nas negociações de acordos coletivos, a rigidez das leis no mercado de trabalho sobre demissões e novas contratações, a porcentagem entre emprego público e privado e na economia ilegal, que em muitos setores e comunidades autônomas ainda está mais enraizada do que em outros países da OCDE.”, completa.

O desemprego na Espanha ainda é o segundo mais alto da Europa, ficando atrás apenas da Finlândia. Mas, mesmo com a taxa de desemprego ainda elevada em relação aos países europeus, a Espanha conseguiu atingir a meta de redução do índice para menos de 10%, menor taxa desde a crise financeira de 2008.

No primeiro trimestre de 2026, as perspectivas são positivas: o Banco de Espanha estima que, em 2027, a taxa de desemprego ficará estabilizada em torno de 9,5%, mesmo ainda ficando distante da meta de “pleno emprego” de 8%, fixada pelo governo de Pedro Sánchez.

Qual a taxa de pobreza na Espanha?

Durante a última década, a percentagem da população em risco de pobreza na Espanha manteve-se em torno dos 21%, registando os seus piores valores entre 2014 e 2016. Os dados são os mais recentes da Statista, que também informa que a taxa da população em risco de pobreza era de 19,7%.

De acordo com dados recentes, publicados em fevereiro de 2026 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) da Espanha, os valores dos indicadores de pobreza são os seguintes:

  • Risco de Pobreza ou Exclusão Social (taxa AROPE): 25,7% da população;
  • Taxa de Risco de Pobreza (Renda Relativa): 19,7%;
  • Pobreza Infantil (Menores de 16 anos): 33,9%;
  • Privação Material e Social Severa: 8,1%.

Mesmo que a economia da Espanha tenha crescido e o mercado de trabalho no país tenha ficado mais aquecido em 2025 e em 2026, especialistas revelam que a pobreza se tornou crônica para uma parcela da população no país – e o custo da habitação é o principal fator que dificulta a melhora nos rendimentos para que famílias saiam da pobreza.

Onde acompanhar os indicadores da economia espanhola?

Os jornais tradicionais que têm a economia da Espanha como tema principal são:

Algumas organizações bancárias contam com blogs ou sites de notícias, como o Bankinter e o BBVA Research. Ambos tendem a ser mais explicativos e educativos e, por isso, podem ser uma boa opção para quem não tem muita familiaridade com o tema.

Já as instituições nacionais e internacionais, como o site do INE e do Fundo Monetário Internacional (FMI) podem oferecer dados, notícias e comunicados à imprensa esclarecedores.

Quais os principais setores da economia da Espanha?

Os principais setores da economia da Espanha em 2026 são o setor de serviços, a indústria (incluindo construção) e a agricultura.

Com base nos indicadores oficiais do Banco Mundial (atualizados em abril de 2026), a contribuição dos setores no PIB se divide da seguinte maneira:

ClassificaçãoSetor % PIB
1Serviços68,9%
2Indústria (incluindo construção)19,50%
3Agricultura e pesca2,54%

Por setor de serviços entende-se tudo o que abrange o comércio de varejo e atacado, tecnologia, hospitalidade, transporte e logística, intermediação financeira, atividades imobiliárias, administração pública, educação, atividades sanitárias e veterinárias e outros serviços sociais prestados à comunidade.

Produção e exportação espanhola

O déficit comercial da Espanha disparou em 2025 em relação a 2024, atingindo 57,054 bilhões de euros – houve um aumento de 41,6% em relação aos mais de 40,276 bilhões do ano anterior. Trata-se do terceiro pior índice desde 2008, acima somente dos picos da crise energética pós-invasão da Ucrânia.

Porém, nos primeiros meses de 2026, verificou-se uma melhoria significativa: o déficit acumulado de janeiro e fevereiro de 2026 diminuiu 24% em relação ao mesmo período de 2025, ficando em 7,306 bilhões de euros. O dado é do serviço de imprensa estatal La Mocloa.

Os setores que mais trouxeram verba para a Espanha em 2026 foram:

  • Alimentação;
  • Bebidas e tabaco;
  • Automóveis;
  • Semimanufaturas não químicas.

Já entre os serviços intercambiados, podemos encontrar os empresariais, de viagens, transporte, informáticos e financeiros.

Histórico da economia da Espanha

Em termos de crises e recuperações, a Espanha parece não ter uma brecha. De 2008 para 202, já somamos três crises financeiras, as quais vamos olhar mais a fundo a seguir.

Crise de 2008 na Espanha

A Grande Recessão teve o seu estopim em 2008, tendo como principais atores o mercado imobiliário e o Lehman Brothers, que era a quarta maior instituição bancária dos Estados Unidos e declarou falência.

Na Espanha, por sua vez, pode-se dizer que o setor imobiliário já não ia tão bem. Entre 1997 e 2007, o país já enfrentava a sua maior bolha imobiliária e o fato de ter um consumo mais elevado que a produção.

Com a economia encarecida e a dívida pública nas alturas, uma das saídas para desaguar a crise foi um corte nos empregos. Apenas em 2012, já sem poder realizar qualquer tipo de autofinanciamento, a Espanha pediu fundos à União Europeia para financiar o resgate dos bancos.

Em 2013, o índice de desemprego chegou a quase 27%, correspondendo a mais de 6,2 milhões de desempregados, o auge do século XXI. Muitos atribuem a alta do desemprego contínua a esta crise. E, de fato, desde então o menor índice se deu recentemente. Antes disso, o país tinha visto dias melhores, como no segundo semestre de 2007 (7,93%). Os dados são do INE.

Crise da Covid-19 na Espanha

A crise da Covid-19 afetou profundamente o índice de desemprego. Em 2020, houve uma alta de 16,26%.

Mas não foi só isso. Neste ano, a economia da Espanha estava paralisada e o seu PIB contraiu 11%. Por um lado, as recuperações de 2021 e 2022 deram uma boa ajuda. Mas, ainda assim, três anos após a pandemia, a Espanha é o único país da zona do euro que ainda não recuperou este indicador.

Precisamos lembrar que o turismo é um dos setores que mais impulsiona a economia espanhola e, em 2020, o fechamento total das atrações e aeroportos praticamente conteve a indústria. Segundo os dados da Confederação Sindical de Comissões Obreiras (CCOO), mais de 578 mil trabalhadores do setor de hospitalidade perderam o emprego devido à pandemia.

Guerra da Ucrânia e o impacto na Espanha

O principal efeito da guerra da Ucrânia na economia espanhola é o preço da energia e do combustível, que afeta todas as indústrias e setores de alguma maneira. Isso porque a Rússia detém grande parte da reserva mundial de gás e ostenta o segundo lugar no ranking de exportação do petróleo.

Ainda mais, o aumento da inflação também está relacionado à guerra, já que o conflito causa perturbações na oferta. Somado ao alto preço do combustível, tanto a Rússia, como a Ucrânia são grandes exportadores de trigo, fertilizantes e algumas matérias-primas utilizadas na indústria, principalmente automotiva.

Na Espanha, algumas medidas foram tomadas e podem ser percebidas pelo cidadão, dentre elas estão o aumento do preço de eletricidade e incentivos para a utilização de transporte público.

Guerra em Israel impacta a economia espanhola?

Sim, a guerra em Israel impacta a economia espanhola e afeta o mundo inteiro, ainda que não seja diretamente.

Historicamente, os conflitos causam cenários de incerteza mundial. E, diante destas situações, a maioria dos investimentos acaba se concentrando em mercados mais seguros, o que pode gerar grandes quedas nas bolsas de valores internacionais.

Em suma, as tensões recorrentes no Oriente Médio afetam os setores de energia, defesa e turismo. Isso sem contar o aumento do preço do petróleo, que eleva os custos de produção e transporte na Europa, impactando também a inflação.

Vale a pena morar na Espanha na atual situação econômica?

Sim! A Espanha tem oferecido facilidades para a imigração e para a criação de empresas, o que pode trazer investimentos e, ao mesmo tempo, gerar empregos.

É importante lembrar que a Espanha é um país que oferece alta qualidade de vida. De certa forma, podemos dizer que é mais “fácil” conseguir ter o básico aqui do que no Brasil — desde que você esteja em situação legal no país.

Por outro lado, o índice de desemprego tem se recuperado lentamente, o que pode significar um risco para quem quer deixar tudo no Brasil e tentar a vida por aqui. A taxa caiu a barreira dos 10%, mas ainda continua sendo uma das mais altas da Europa, o que não deixa de ser um problema estrutural.

Perguntas frequentes sobre a economia da Espanha

Agora que você já tem um panorama sobre como está a economia da Espanha, confira as respostas para dúvidas frequentes sobre o tema:

O que a economia da Espanha mais produz?

O setor de serviços é o principal da economia espanhola, com quase 70% do PIB. A área de turismo é o maior destaque do país, que é um dos mais visitados do mundo.

Com relação ao produto, o azeite de oliva é o destaque — o país é o maior produtor mundial e responde de 40% a 50% da produção global.

Qual é a riqueza da Espanha?

A riqueza da Espanha tem um valor total de cerca de 1,69 trilhão de euros (aproximadamente USD 2,09 trilhões) em 2026, segundo o FMI. Neste período, o PIB do país cresceu 2,8% em 2025, estimulado pelo consumo de bens e pelo setor de serviços, crescendo acima da média da União Europeia.

Qual PIB é maior, Brasil ou Espanha?

O PIB do Brasil é maior que o da Espanha, com base nos dados de 2026. O Brasil está em 10º lugar no ranking das maiores economias do mundo, e a Espanha ocupa a 12ª posição.

A Espanha é um país desenvolvido?

Sim, a Espanha é um país muito desenvolvido, com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) muito elevado, elevada qualidade de vida, economia estável com o euro como moeda oficial, além de boa infraestrutura de transporte e saúde pública.

Qual país paga mais impostos, Brasil ou Espanha?

Depende. A carga tributária (% do PIB) é maior na Espanha (cerca de 37% a 38% do PIB contra cerca de 32% a 34% no Brasil, de acordo com dados de 2025/2026).

No entanto, a carga tributária paga pela população espanhola é revertida em saúde pública de excelência, ótima infraestrutura de transporte, educação pública de qualidade e segurança pública eficiente.

Por outro lado, mesmo a população brasileira pagando alta taxa tributária (semelhante à de países desenvolvidos), esse valor não é revertido em serviços públicos de qualidade. Assim, muitas famílias acabam pagando, além dos impostos, saúde e educação particulares, e isso pesa ainda mais no consumo.

Qual é mais rico, Portugal ou Espanha?

A Espanha é mais rica que Portugal. Em 2026, a Espanha conta com um PIB cerca de 6 vezes maior do que Portugal (aproximadamente USD 1,89 trilhão contra 313 bilhões em 2026). A Espanha é a 12ª maior economia do mundo e Portugal, a 46ª).

Se você está em dúvida sobre mudar para a Espanha ou não, saiba que é preciso preparar-se bem, tanto do lado psicológico quanto financeiro. Pergunte-se se você não está abrindo mão de muita coisa, a fim de saber se vale a pena mergulhar nesta aventura.

Neste meio tempo, você já pode ir se organizando, a começar pela leitura do nosso ebook Como Morar na Espanha. Nele, poderá entender mais sobre todos os assuntos possíveis, dos documentos e burocracias às dicas valiosas para viver na terra do jamón!