Economia da Espanha: previsão pós-pandemia do coronavírus

O mundo enfrenta uma pandemia sem precedentes que tem afetado a economia global, trazendo colapso em diversos setores. A Espanha, um dos países mais atingidos pelo Coronavírus, busca se recuperar do golpe sofrido que devastou o país. Confira no nosso artigo um panorama sobre a economia da Espanha, as taxas de desemprego, as previsões para o PIB e as perspectivas para os imigrantes no país.

Previsão da economia da Espanha pós pandemia

Cinco letras (Covid) e dois números (19) provocaram um curto-circuito na economia mundial. Nunca antes na história houve um colapso tão rápido atingindo tantos países e tanta gente como o provocado pela pandemia atual. O choque causado pelo coronavírus com a globalização da doença levou o mundo para uma recessão em escala sem precedentes que já foi batizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) de “o Grande Confinamento”.

Essa é considerada a maior crise desde a Grande Depressão, nos anos 1930. É a primeira vez, desde então, que economias avançadas e emergentes estão em recessão sincronizada e caminham por um terreno inóspito sem saber o alcance real da extensão do golpe.

Para onde vamos?

A incerteza é marcante, mas ainda assim a previsão da economia da Espanha pós-pandemia do coronavírus é muito pessimista. O país vinha se recuperando das feridas de 2008, quando o setor financeiro desmoronou levando a reboque todo o conjunto da economia, foi duramente castigado pelo Covid-19 e pode levar anos para voltar a respirar plenamente.

A atividade econômica registrou uma desaceleração radical em consequência do estado de alarme e do confinamento da população decretados pelo governo em 14 de março de 2020 para deter a pandemia.

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O FMI, em seu último relatório, projeta que a economia espanhola cairá 12,8% em 2020, sendo a maior queda entre os países da Europa junto com a Itália. Para se ter uma ideia, esse recuo seria 3,7% superior ao do Brasil, cuja economia também é uma das mais afetadas pela pandemia.

Taxa de desemprego na Espanha

A Espanha tem um problema estrutural com o emprego. Sua taxa de desemprego sempre esteve acima da média da União Europeia e, além disso, muitos dos contratos de trabalho são temporários ou em regime de meio período, o que torna o mercado de trabalho espanhol muito precário.

Essas condições afetam principalmente a população jovem, que foi a mais atingida pelas consequências econômicas da pandemia de Covid-19. Dos aproximadamente 1 milhão de espanhóis que perderam o emprego devido à crise, cerca de metade tem menos de 35 anos. Ou seja, a crise do coronavírus foi um duro golpe para os jovens da Espanha.

Neste cenário, a taxa de desemprego que estava em 13,9% em janeiro subiu para 14,5% em maio. Porém, esse número não é real, pois durante o período de confinamento o Estado adotou medidas muito radicais para proteger o emprego, que estão em vigor desde março.

Uma das principais medidas é o ERTE (Expediente de Regulación de Empleo Temporal) que, fundamentalmente, consiste em o Estado assumir uma boa parte do custo dos trabalhadores em troca de que as empresas não demitam seus trabalhadores. A estimativa é que tenham sido evitadas mais de 3 milhões de demissões.

Apoio estatal para prevenir demissões

Obviamente, esse tipo de apoio estatal faz com que as pessoas que se beneficiam do acordo não contem como desempregadas, mas essa situação para conter os efeitos da pandemia não vai durar muito tempo, já que desde o início o limite do ERTE é até 30 de setembro. Por isso, a previsão da economia da Espanha pós-pandemia do coronavírus mergulha no desconhecido e conferir números à crise é arriscado, pois em pouco tempo já estarão obsoletos.

Distanciamento social na Espanha

O que vai acontecer a seguir? “Esse desemprego provavelmente vai disparar e algumas previsões estimam que excederá os 20%”, afirma o analista de economia Juan Bosco Plaza, que vive em Madrid e colaborou em várias rádios e jornais da Espanha.

A economia da Espanha sofre um grande impacto por sua forte dependência do turismo (que representa aproximadamente 12% do PIB e do emprego) e de outros setores de serviços relacionados, como transporte e lazer, que foram particularmente afetados pelo Covid-19.

PIB e Economia da Espanha

Conforme a pandemia do Covid-19 avança, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) traça um panorama cada vez mais tenebroso para a economia. Segundo os cálculos da Organização, por cada mês de confinamento as economias sofrerão uma perda de aproximadamente dois pontos percentuais do PIB.

A Espanha, a quarta maior economia da União Europeia atrás da Alemanha, França e Itália, teve um dos confinamentos mais rigorosos da Europa e já sente os impactos na sua produção econômica por causa do isolamento. O país que estava em meio a uma recuperação econômica equilibrada nos últimos anos, com uma média de crescimento do PIB de 2,8% entre 2014 e 2018, viu o produto interno bruto recuar 5,2% só no primeiro trimestre de 2020.

Essa foi a maior queda desde a crise da década de 1930, de acordo com o Instituto de Nacional de Estatística do país (INE). É mais que o dobro da redução registrada (2,6%) no primeiro trimestre de 2009, após a crise mundial de 2008. As quedas no mercado imobiliário (9,6%), no consumo das famílias (7,5%) e no investimento privado (3,5%) foram alguns dos principais fatores de contração.

PIB espanhol em queda

“O pior ainda está por vir”, analisa Bosco Plaza.

O economista acha muito provável que a queda do PIB espanhol exceda os 20%. Vale lembrar que, até o fechamento deste artigo, o PIB do segundo trimestre de 2020 ainda não tinha sido divulgado e foi justamente neste período que o desemprego caiu e que a economia parou quase que completamente devido ao elevado número de casos do coronavírus.

No entanto, ele acredita que, durante o terceiro e quarto trimestres do ano, é bem possível que a economia da Espanha se recupere um pouco, mas não o suficiente para atingir taxas anteriores ao Covid-19. Estas, na melhor das hipóteses, não serão alcançadas até 2022. “Tudo é muito incerto”.

A incerteza na economia espanhola: à espera de um medicamento ou vacina

Existem muitas variáveis que determinarão o futuro da economia espanhola e do resto do mundo, entre elas, um medicamento que permita o tratamento adequado para os doentes de coronavírus ou, no melhor cenário possível, uma vacina contra a doença disponível em pouco tempo. A economia está, talvez mais do que nunca, nas mãos da ciência. Mas não é só. “Desta vez, a Europa deve salvar a Europa”, conclui o economista.

Para a Espanha e para outros países europeus, será muito importante a resposta eficaz da União Europeia e do Banco Central Europeu à crise provocada pelo coronavírus. Este último está agindo com grande força e assegurando que a dívida pública emitida pelos países mais afetados pela pandemia (Espanha, Itália) seja negociada nos mercados a taxas muito baixas.

A última emissão de dívida pública espanhola há 10 anos foi de 0,45% e no Brasil de 4%. Ou seja, o Brasil paga quase 10 vezes mais que a Espanha para emitir dívida, apesar de em 2019 a dívida pública brasileira ser equivalente a 91,57% do PIB e a espanhola a 95,5% do seu PIB.

Plano de recuperação da Comissão Europeia

O que será feito na União Europeia também poderá ser decisivo para a economia da Espanha pós-pandemia. Em princípio, está previsto um plano de recuperação promovido pela Comissão Europeia de 750 milhões de euros, mas esse plano ainda não foi aprovado.

Vários países como Holanda, Suécia, Áustria e Dinamarca resistem à conversão da maior parte desse dinheiro em subsídios (que não devem ser devolvidos) aos Estados mais afetados pelo Covid-19. Além disso, se esse plano for finalmente aprovado, é muito provável que o dinheiro chegue um pouco tarde, no início da segunda metade de 2021, quando grande parte dos danos aos negócios já ocorreu e será irreparável.

Ao plano anterior, devemos acrescentar outros 450 milhões de euros que serão adquiridos por meio de diferentes canais, e o dinheiro que poderá advir dos orçamentos da Comissão Europeia. Tudo isso independentemente do que cada Estado possa fazer. A Alemanha, por exemplo, pode fazer muito por si mesma, mas a Espanha não pode fazer tanto. Nenhuma nação ocidental voltará ao nível do PIB anterior à pandemia em 2021.

Turismo é um dos setores na economia da Espanha mais atingidos

No dia 1.º de julho de 2020, a Espanha reabriu oficialmente suas fronteiras para a maioria dos países europeus e encerrou o estado de alarme, um dos mais rigorosos do continente, anunciado no dia 14 de março de 2020, em uma tentativa de dar um impulso à indústria do turismo.

O setor foi gravemente afetado pela pandemia do coronavírus, com perdas de mais de 80 milhões de euros em restaurantes, hotéis, serviços de transporte e toda a rede que faz parte deste mercado, de acordo com a Exceltur.

O turismo é responsável por mais de 12% do PIB espanhol e vinha batendo recordes no número de visitantes. Ao longo de 2019, a Espanha recebeu 83,7 milhões de turistas internacionais. O número foi somente 1,1% superior ao registrado em 2018. Porém, os gastos dos turistas aumentaram 2,8%, somando 92,2 bilhões de euros à economia local.

Em 2020, o cancelamento e a interrupção das viagens penalizaram todas as atividades relacionadas ao setor. O tráfego aéreo, especialmente os voos comerciais, sofreram uma consequência direta. Nos primeiros quatro meses do ano, o tráfego aéreo mundial caiu 60%, segundo o Eurocontrol. Essa redução foi ainda maior na União Europeia, onde o número de voos foi reduzido em 88%, em média. Na Espanha, a redução foi de quase 95%.

Esperança no turismo doméstico

Embora o turismo doméstico possa voltar a respirar a médio prazo, a recuperação do turismo internacional dependerá da situação nos países de onde os visitantes vêm. Para apoiar o setor, o governo espanhol anunciou um plano que vai injetar 4.262 milhões de euros na indústria do turismo, a maior parte (2.5 milhões de euros) para fornecer financiamento e liquidez às empresas.

O investimento direto representa apenas 7% do plano (cerca de 300 milhões de euros), e a maioria será destinada à formação de negócios e treinamento de funcionários. Cerca de 40 milhões de euros serão utilizados para marketing, promoção e aprimoramento da análise e inteligência do turismo.

Apenas uma parcela vai diretamente para as empresas: as companhias aéreas receberão 25 milhões de euros, embora isso também não seja sob a forma de transferência extra, mas será deduzido das taxas aeroportuárias a serem pagas.

Comércio sofre com a pandemia

Assim que o comércio voltou a abrir suas portas, era preciso eliminar o estoque acumulado e aliviar as perdas provocadas pelo Covid-19. Assim, a maioria das lojas já tinha produtos em promoção. Mas os descontos muitas vezes agressivos e com pouca margem de lucro não foram suficientes para melhorar o desempenho do setor.

De acordo com a Confederação Espanhola de Comércio, na primeira semana de julho houve uma queda nas vendas entre 20 e 30%. Comparando com o mesmo período do ano passado, houve um colapso que chegou a 50% nas áreas onde o movimento de turistas é maior.

Lockdown na Espanha

Por isso, a previsão da economia da Espanha pós-pandemia do coronavírus para o setor não é das melhores. Com seus negócios fechados por mais de dois meses e diante da atual situação, os empregadores temem que 20% das lojas nas ruas e até metade das pequenas empresas nos shopping centers não sobrevivam até o final do ano. De dezembro de 2019 até junho de 2020, o emprego no setor caiu 4,3%.

Construção, finanças e energia também sofreram impactos

Embora menor do que nos anteriores, há um impacto significativo em setores como construção e materiais, atividades imobiliárias, finanças, seguros, energia, transporte, química industrial, metalurgia e produtos de metal, produtos elétricos e eletrônicos, máquinas e equipamentos, publicações e mídia, educação, bebidas, indústrias extrativas, outros setores manufatureiro e atacadista.

O setor de construção merece menção especial porque, no início de 2020, já apresentava sinais de atividade enfraquecida, com reduções no consumo de cimento e nas transações habitacionais, tendências que se acentuaram no segundo trimestre do ano. Também neste grupo estão o setor financeiro, que enfrentará um aumento nas taxas de inadimplência, e o setor de energia, que sofrerá o efeito do colapso dos preços do petróleo.

Setores mais favorecidos na economia da Espanha

Exceto em casos muito específicos (alimentação, serviços de saúde, etc), nenhum setor se beneficiou da pandemia. Devemos considerar que a crise desencadeada pelo coronavírus tem um componente de demanda muito importante. Ou seja, as pessoas consumiram muito menos durante o confinamento e ainda continuam gastando pouco, e isso afeta todos os setores produtivos.

As viagens diminuíram, assim como a compra de roupas, aquisição de carros, máquinas de lavar, entre outros, causando estragos em todos os setores. Nesse sentido, as famílias espanholas passaram a economizar e isso se deve ao medo, pois há uma clara necessidade das pessoas em poupar para caso as coisas piorem.

Talvez o mais apropriado nesse momento seria pensar quais os setores econômicos que serão reforçados após a crise. Ou, ainda, “se eu sou um jovem brasileiro e quero ir para a Europa trabalhar, como seria mais fácil encontrar emprego?”. De acordo com os planos da União Europeia, será dado um impulso muito radical a tudo o que tem a ver com a “economia verde”: energia renovável, recuperação de espaços, rios, água, reflorestamento, reciclagem de resíduos, entre outros.

Fortalecimento nos setores de comunicação e saúde

A economia digital também receberá incentivo. Segundo estudo recente, da Escola de Business espanhola Inesdi, entre as vinte e cinco profissões digitais mais procuradas estão Gerente de Marketing Digital, Gerente de Contas Digitais, Gerente de Comunidade, Gerente de Comunicação e Marca Digital e Gerente de Conteúdo de SEO.

Após a pandemia, os sistemas de saúde serão fortalecidos após anos de cortes no orçamento. Esse setor também exigirá muitos trabalhadores, assim como o cuidado com os idosos. Este último será essencial, pois os idosos foram as principais vítimas da pandemia e a população europeia está em um processo de envelhecimento. A Alemanha, por exemplo, precisará de um grande número de trabalhadores que vêm do exterior nos próximos anos.

Crise de 2008 x Crise do coronavírus

Em sua origem, a crise de 2008 e a crise do coronavírus são completamente diferentes. A primeira começou em um setor e num país: o mercado financeiro imobiliário dos Estados Unidos. Bancos e empresas mantinham bilhões de dólares atrelados à investimentos de alto risco no mercado americano, os chamados subprime. O dinheiro sumiu, levando empresas e bancos a quebrarem em todo o mundo.

Como os Estados Unidos são o centro financeiro do mundo, a falta de recursos se espalhou, gerando reflexos em vários países como a Espanha. Ou seja, houve uma crise financeira, o crédito foi cortado e prejudicou seriamente a economia do país.

Crise na economia da Espanha

Em 2020, a origem da crise começou em um país, mas vêm de um problema sanitário. Temos uma doença, sem tratamento e sem vacina, que se espalha muito rapidamente em todo mundo. Para conter o novo vírus, governos restringiram o funcionamento de empresas e a circulação de pessoas. A atividade global econômica travou em questão de semanas, com efeitos devastadores que superam os de 2008.

Iminência de uma nova crise financeira que afeta a economia da Espanha

O perigo agora é que a atual crise também se transforme em crise financeira. A dívida pública e corporativa é muito alta em todo o mundo e isso pode levar a inadimplências de países e empresas que prejudicariam o sistema financeiro global. Para evitar uma catástrofe, que pode atingir dimensões desconhecidas desde a Grande Depressão da década de 1930, é preciso resposta imediata dos países que disponibilizarão recursos dos governos.

Nos países com moeda forte, onde os governos podem aumentar os gastos públicos, a retomada econômica será mais vigorosa. Já nos países emergentes, onde os governos têm limitações para aumentar os gastos públicos, a saída da crise será muito mais difícil.

Os estrangeiros serão mais afetados que os espanhóis?

Ainda é cedo para saber se os estrangeiros serão mais afetados que os espanhóis, mas é provável que sim. Isso ocorre porque muitos exercem atividades que não exigem revalidação de diplomas, trabalham em setores mais precários com salários menores ou muitas vezes no mercado informal.

Em momentos de crise, um dos grupos mais vulneráveis é o de pessoas que deixaram seus países por motivos alheios à vontade própria e vivem em situação irregular. Na Espanha, por exemplo, esses imigrantes não costumam contar com a mesma rede de proteção social que ampara os nacionais, especialmente aqueles empregados informalmente.

Mas as estatísticas anteriores ao Covid-19 nos dizem que o desemprego afeta todos os que vivem na Espanha, espanhóis ou não. Atualmente, mais de 50% dos jovens espanhóis estão desempregados. Quando possuem um emprego, costuma ser precário, temporário ou em regime de meio período, com uma baixa remuneração, não correspondendo à sua formação, que é muito alta.

O impacto para os brasileiros na Espanha durante a crise do coronavírus

Segundo os números do Instituto Nacional de Estatística (INE), a Espanha tem cerca de 5,5 milhões de estrangeiros, sendo quase 99 mil de nacionalidade brasileira. E é muito difícil encontrar alguém que, de uma maneira ou de outra, não tenham sido afetado pela crise.

O tsunami econômico provocado pelo coronavírus causou demissões nas empresas ou “férias sem salários” para quem trabalha como autônomo. Além disso, os brasileiros que estão na Europa e dependem do valor do Real foram prejudicados com a alta da moeda.

Em posts, haviam pessoas oferecendo quartos para alugar, buscando ajuda para conseguir emprego e pedindo dinheiro para pagar contas essenciais, como aluguel e comida. Para cerca de 50 famílias de brasileiros em dificuldades econômicas, o Consulado Brasileiro em Barcelona, em parceria com entidades locais, distribui alimentos semanalmente.

O sonho de retornar ao Brasil

Quando o presidente do governo, Pedro Sánchez, oficializou o estado de alarme, no dia 14 de março, o país parou. Quem estava em território espanhol e agiu rapidamente conseguiu voltar para casa. O brasileiro Marcelo Wright, que mora em Barcelona desde 2004, embarcou para São Paulo no dia 17 de março, em um voo da Swiss International Airlines, com conexão em Zurique.

O guia de turismo do @barcelonabymyself tomou essa decisão três dias após a Organização Mundial de Saúde declarar o coronavírus uma pandemia mundial, que ocasionou em praticamente 100% do cancelamento das reservas dos clientes que ele tinha para 2020.

Marcelo disse que o voo foi uma das maiores aventuras de sua vida:

“saí da Espanha sem saber se ia conseguir entrar na Suíça, porque as fronteiras estavam fechando. Os passageiros que pegaram essa conexão em Zurique vieram de dezenas de cidades europeias e eu acredito que esse foi um dos últimos voos comerciais para o Brasil”.

No mesmo dia em que Marcelo deixou a Espanha, Portugal cancelou todas as ligações aéreas com o país após o número de casos do novo coronavírus dispararem no território vizinho. Quem tinha voos para o Brasil com conexões em Lisboa ou Porto, acabou “preso” na Espanha por não ter como fazer a primeira etapa da jornada. Em seguida, a situação foi piorando e na segunda quinzena de março, as companhias aéreas que operam na Espanha cancelaram 4.400 voos.

Caos aéreo com o cancelamento dos voos

Com o tráfego aéreo fechado e o cancelamento constante dos voos comerciais, a pergunta mais frequente nas redes sociais formadas por brasileiros que vivem na Espanha era: “alguém sabe me dizer quando haverá um voo para o Brasil?”. Para muita gente, comprar um bilhete estava fora de cogitação, já que as poucas empresas que continuavam operando colocavam o preço das passagens lá nas alturas. “Vaquinhas virtuais” foram organizadas e cada um ajudou como pôde. A solidariedade foi bem grande.

Aeroportos fechados

Uma das saídas em meio à situação foi a repatriação, com voos especiais negociados pelo governo brasileiro junto às empresas e às autoridades espanholas. O Itamaraty embarcou em voo de repatriação humanitária, 408 brasileiros que se encontravam retidos na Espanha, no dia 30 de maio. Entre os passageiros, haviam 13 menores de dois anos de idade e um bebê recém-nascido.

Minha visão sobre a crise na economia da Espanha

Ninguém, absolutamente ninguém (inclua na lista até os ganhadores do Premio Nobel de Economia), sabe o que acontecerá nos próximos meses e anos. Qualquer previsão para a economia da Espanha pós-pandemia do coronavírus, como as do FMI, considera várias opções diferentes em relação ao futuro, o que significa que não temos ideia de como será o amanhã. Vai depender da evolução da doença, que tampouco os cientistas conseguem projetar. A incerteza permanece alta e é necessário ser cauteloso, pois muito do que acontece depende da ação responsável das autoridades, mas também dos cidadãos.

Tenho a impressão de que na Espanha a gravidade da situação ainda não foi internalizada. Assim que as medidas de contenção foram anunciadas, as pessoas correram para as ruas, praias e bares. Talvez tenha sido uma reação ao confinamento rigoroso de tantas semanas.

Talvez estejamos na primeira fase do duelo, negando os acontecimentos. Mas a realidade acabará prevalecendo quando a crise apertar. Seja quando o dinheiro público terminar, quando as dívidas tiverem que ser pagas, os verdadeiros números do desemprego forem conhecidos ou uma nova onda da epidemia voltar em outubro, como preveem muitos especialistas.

Combate ao Covid na Catalunha segue forte

O Covid-19 já mostrou que não perdeu força. No dia 4 de julho, as autoridades catalãs ordenaram o confinamento de cerca de 200 mil habitantes em Lérida, a oeste de Barcelona, após um surto de novos casos na região. E no dia 9 de julho, o uso da máscara voltou a ser obrigatório em toda a Catalunha, em lugares públicos (abertos e fechados), ainda que se mantenha o distanciamento social. A ordem foi anunciada pelo líder regional, Quim Torra, e está prevista uma multa de 100€ para quem não cumprir as regras. O pior da crise não ficou para trás.

Adriana Levis Alambert trabalha como jornalista há mais de 20 anos. Se formou na UniverCidade, no Rio de Janeiro, com pós-graduação em Mídias Digitais e Interativas pelo Senac-Rio e pós graduação em Mídia, Tecnologia da Informação e Novas Práticas Educacionais pela PUC-Rio. Trabalhou como repórter, apresentadora e editora no Canal Futura, Sportv e na Web TV da Petrobras. Atualmente faz um Master em Direção de Cinema Documental, na Escola de Cine de Barcelona, na Espanha. Também trabalha com turismo, adora viajar, conhecer novas culturas e compartilhar suas experiências.

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