Depois de ter sofrido as consequências da crise de 2008, a economia de Portugal vinha passando por um processo de crescimento e ajustes nos últimos anos. Com a chegada da pandemia do coronavírus no início de 2020, as consequências logo começaram a ser sentidas pelos cidadãos e pelas empresas.

Aumento do desemprego, queda de faturamento e das exportações e diminuição do crescimento atingiram Portugal. Mas a boa notícia é: a economia do país já começa a se recuperar.

Afinal, como anda a economia de Portugal?

Atualmente a economia portuguesa já apresenta sinais de melhora face às perdas sofridas desde o começo da pandemia da Covid-19.

Em junho de 2021 o país precisou voltar alguns passos atrás nas regras de desconfinamento, em razão da nova subida do número de casos da doença. Isso fez com que o crescimento desacelerasse um pouco. Ainda assim, as previsões do Governo de Portugal e da Comissão Europeia para o país são otimistas para o fechamento do ano e para 2022.

Em 2021 o país demonstra o começo da recuperação econômica, que deve se intensificar até o final do ano com a ajuda da reabertura para o turismo em Portugal. Já para 2022, as projeções são ainda mais positivas. Espera-se que até o final de 2022 o país seja capaz de recuperar a economia nos padrões pré-pandemia.

Como a Covid impactou a economia de Portugal?

A economia portuguesa foi fortemente atingida pela chegada da pandemia e pelas inevitáveis medidas de confinamento impostas para frear a dissipação da doença.

Conforme os dados publicados pelo Banco de Portugal (semelhante ao Banco Central do Brasil), em 2020 o endividamento das empresas aumentou 1,6%. Os principais atingidos foram os setores de indústrias (8,6%) e comércio, alojamento e restauração (7,4%).

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Em relação aos particulares, o índice registrado foi semelhante. O endividamento cresceu 1,7%, em comparação com o ano de 2019. É interessante mencionar que os empréstimos tiveram uma subida que representou um crescimento de 2,1% dos empréstimos à habitação.

Impacto no PIB

O PIB (Produto Interno Bruto) de Portugal caiu 7,6% em 2020. Os registros trimestrais de queda neste ano foram, respectivamente 2,2%, 16,4%, 5,6% e 6,1%. Já no primeiro trimestre de 2021, a queda registrada foi de 5,3%.

Segundo o INE (Instituto Nacional de Estatística), a queda se relaciona com a diminuição das exportações e do consumo em geral, principalmente nos setores ligados ao comércio e ao turismo. Segundo o relatório do INE:

“Para esta variação do PIB, a procura interna apresentou um contributo negativo expressivo devido, sobretudo, à contração do consumo privado. A procura externa líquida acentuou o contributo negativo em 2020 refletindo sobretudo a diminuição sem precedente das exportações de turismo”.

Impacto na taxa de desemprego

Em 2020 a taxa de desemprego em Portugal chegou a 6,8%, segundo os dados do INE, o que representa que cerca de 350 mil pessoas estavam sem trabalho no país.

O desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos fechou em 22,6% no final de 2020. Além disso, os dados recolhidos pelo INE mostraram que as mulheres foram as que mais sofreram com o desemprego na pandemia.

Os dados mais recentes publicados, relativos ao mês de maio de 2021, mostram que no primeiro trimestre de 2021 a taxa de desemprego ficou em 7,2%.

Previsão de recuperação

A Comissão Europeia (CE) prevê que em 2021 o desemprego feche em 6,8% e em 2022 fique em torno de 6,5%, o mesmo valor registrado em 2019. É esperado também que em 2022 a taxa de emprego (oferta de vagas) ultrapasse os valores do período pré-pandemia, impulsionado pelo crescimento econômico estimado.

Setores que mais sofreram queda

Dentre os setores que mais sofreram com a pandemia estão os eventos e o turismo. Os eventos tiveram uma queda de faturação de 85%, e as perdas do setor estão estimadas em 765 milhões de euros. O turismo também foi fortemente afetado. A queda é de 73,7%, em relação a 2019 e representa uma perda de cerca de 16 milhões de euros.

Em abril de 2020, cerca de um mês depois da determinação do primeiro confinamento em Portugal, o INE confirmou que a queda no turismo havia atingido o percentual de 97%. No mês seguinte, o valor foi muito baixo, cerca de 95%.

Segundo dados divulgados pelo Jornal Público, o valor perdido pelo turismo em 2020 equivale a 8% do PIB do país.

A economia de Portugal deve se recuperar em 2021?

Não totalmente. Mas em julho de 2021, o Ministro do Estado e das Finanças de Portugal, João Leão, foi ouvido no Parlamento. Ele falou sobre as perspectivas de recuperação econômica para o período 2021-2022 com bastante confiança.

Segundo uma matéria publicada pelo Jornal Econômico, o Ministro explicou que o Banco de Portugal prevê um crescimento de 4,8% da economia portuguesa ainda em 2021.

Já a Comissão Europeia (CE) faz previsões mais modestas. Para 2021 a CE espera que a economia portuguesa cresça 3,9%, com ajuda do retorno do movimento turístico no país no terceiro trimestre do ano. Para a Comissão, o crescimento foi desacelerado pela volta de algumas restrições de confinamento durante o mês de junho.

Qual a previsão da economia de Portugal para 2022?

Para 2022, João Leão projeta que a economia de Portugal pode voltar aos valores do período anterior à pandemia. O crescimento previsto pelo Banco de Portugal para este ano é de 5,6%.

Na projeção da Comissão Europeia, a previsão de crescimento para o ano de 2022 é de 5,1%, e o órgão também calcula que o país deve alcançar os valores pré-pandemia durante o ano. Para isso, a CE conta com investimento público e privado na economia portuguesa.

Economia de Portugal produção vinho

Conforme os dados apresentados pelo Ministro, a expectativa de crescimento é ainda maior que a prevista em abril, apresentada no Programa de Estabilidade 2021-2025. Segundo o Programa, esperava-se um crescimento de 4% para 2021 e 4,9% para 2022.

Histórico de crises econômicas em Portugal: diferenças entre 2008 e 2020

Para algumas pessoas a chegada da pandemia do novo coronavírus trouxe à tona a recente memória da crise econômica de 2008, que levou o país a um momento de recessão e perdas econômicas. Em consequência da crise, o país chegou a ter desemprego de 9,5% e queda de 3,1% no PIB em 2009.

Estagnação da economia e aumento da dívida foram dois dos pontos que mais marcaram o período de crise vivido no país, principalmente em 2008 e 2009.

Com a chegada da Covid-19 a Portugal, era esperado que prejuízos econômicos fossem registrados ao longo de 2020, o que certamente aconteceu: aumento do desemprego, queda nas exportações, diminuição no PIB e quebra no turismo.

Apesar de duas crises tão próximas, são momentos diferentes e, felizmente, Portugal não parece que vai chegar em momentos muito próximos ao que sofreu com a crise de 2008. Em relação ao desemprego, por exemplo, as taxas de 2020 não atingiram os percentuais registrados em 2008, que foi de 7,55%.

Ao que parece isso vem se confirmando. A economia portuguesa já tem dado sinais de reação e as previsões para o próximo ano (como vimos) são bem positivas.

O impacto para os brasileiros da crise do coronavírus

Nos últimos anos, desde 2017, o número de brasileiros morando em Portugal vem aumentado a cada ano.

Em 2020, conforme o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), 183.993 brasileiros viviam legalmente em Portugal com autorização de residência (sem contar os que possuem dupla cidadania). O número representa 27,8% dos mais de 662 mil estrangeiros que vivem no país.

Os estrangeiros serão mais afetados do que os cidadãos nacionais?

Provavelmente sim. Muitos estrangeiros, quando vão morar em Portugal, encontram trabalho nos setores ligados ao turismo, como restauração (restaurantes), comércio e alojamento local. Sendo esse o setor com mais quebra durante a pandemia, foi também onde muitas pessoas se viram sem trabalho já nos primeiros meses de confinamento.

A situação pode ficar ainda mais complicada para os estrangeiros que esperam pela regularização da situação imigratória. Os processos, que já são demorados, ficaram ainda mais lentos desde o começo da pandemia.

Quem está nessa situação, muitas vezes trabalha de forma irregular e sem contrato de trabalho, o que fragiliza ainda mais as relações trabalhistas. Em um momento delicado economicamente, esses trabalhadores ficam mais vulneráveis à perda de emprego.

taxa de desemprego economia portuguesa

Brasileiros voltaram ao Brasil durante a pandemia?

Sim, muitos brasileiros decidiram voltar para o Brasil depois da chegada da pandemia. Logo depois do começo do confinamento em Portugal foi noticiado que cidadãos brasileiros voltaram ao país.

Como já comentamos, muitos imigrantes vivem em situações trabalhistas e econômicas mais precárias e foram os primeiros a sentir os impactos da pandemia – principalmente quem trabalhava em atividades informais ou ligadas ao turismo.

Pedido de auxílio para voltar ao Brasil

Para ter uma ideia, em 2020, foram feitos 710 pedidos de auxílio para retorno ao Brasil, tendo sido concedidas 333 ajudas. Só no primeiro semestre de 2020, durante a primeira onda da pandemia do coronavírus, foram feitas 434 solicitações de retorno.

O Programa de Apoio ao Retorno Voluntário é organizado pela OIM (Organização Internacional para as Migrações) e financiado pelo Fundo Asilo Migrações e Integrações e pelo Governo de Portugal.

Dados relevantes sobre a economia de Portugal

Portugal vem passando por uma modernização na economia nas últimas décadas, principalmente após a Revolução de Abril de 1974. O setor de serviços é um dos que mais têm crescido durante esse período, com a indústria e a construção civil.

Por outro lado, o setor de agricultura, que representava boa parte da economia de Portugal, vem diminuindo bastante nos últimos anos.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, as mudanças nessas últimas décadas representam a busca por mais equilíbrio na economia portuguesa:

“Nos últimos anos a economia portuguesa vem atravessando um novo período de ajustamento estrutural e consolidação das contas públicas, no sentido de uma maior sustentabilidade orçamental e da balança de pagamentos”.

Portugal ingressou na União Europeia em 1986 e desde 1999 faz parte da Zona Euro, tendo adotado a moeda em 2002. Em 2020 teve um PIB de 202 milhões de euros e a inflação foi nula. Os trabalhadores tiveram remuneração média 1.314€.

Apesar da pandemia, alguns setores obtiveram crescimento em 2020: produtos farmacêuticos, investigação científica, consultoria e programação informática, serviços de informação, telecomunicações e construção.

Produção e exportação portuguesa

No ramo da alimentação, Portugal produz batata, tomate, azeitona, uva, ovino, bovino, suíno, aves, peixes e produtos lácteos.  Possui também indústria alimentícia, além de têxteis, material para construção civil, cerâmica, entre outros.

Os bens mais exportados por Portugal são itens de fornecimento para indústrias, produtos têxteis, automóveis e alimentos, como vinhos, uvas, peixes, azeite e batata.

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