Diante das recentes modificações no cenário global e das tensões geopolíticas, é interessante saber como está a economia da França, especialmente se você pretende se mudar para o país.

Sede da Société Général, importante banco francês
Índice Economia da França: qual o cenário atual? Principais indicadores da economia da França O impacto dos imigrantes na economia da França Previsões para a economia da França em 2025 Com o atual cenário da economia da França, vale a pena investir no país? Histórico da economia da França Quais as principais atividades econômicas da França? Produção e exportação francesa Vale a pena morar na França na atual situação econômica?

Considerada uma potência e detentora de um alto poder de compra, neste artigo vamos apresentar um panorama atual com as principais previsões econômicas para 2025. Confira!

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Economia da França: qual o cenário atual?

Estimada com 68,6 milhões de habitantes, a França se mantém como a 7ª maior economia do mundo e a 2ª maior da União Europeia. Apesar de uma leve contração de 0,1% no último trimestre do ano de 2024, o país registrou um crescimento econômico.

O Produto Interno Bruto (PIB) francês, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI), deve chegar a US$ 3,3 trilhões em 2025. O país fica atrás apenas da Alemanha (US$ 4,9 trilhões) e do Reino Unido (US$ 3,6 trilhões), que, mesmo após ter saído da União Europeia, ainda faz parte da Europa no contexto econômico global.

Em 2024, o PIB da França cresceu 1,1%, mantendo o mesmo ritmo observado em 2023, ainda segundo o FMI. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelo consumo público (+2,1%) e pelo investimento público (+3,3%). Enquanto o investimento privado apresentou queda devido às altas taxas de juros e à baixa confiança econômica.

Para 2025, a estimativa do Banque de France é de que o crescimento do PIB francês será de 0,7%. Uma previsão para baixo em relação à anterior – de 0,9% feita em dezembro de 2024. Esse ajuste reflete o impacto de um cenário internacional marcado por incertezas, incluindo tensões comerciais e uma demanda global enfraquecida.

Principais indicadores da economia da França

Se você está pensando em morar na França, ou até mesmo investir no país, é preciso acompanhar os principais indicadores para entender a saúde geral da economia e o mercado de trabalho francês.

Os indicadores mostram se a economia do país está crescendo ou encolhendo, se a inflação está aumentando ou diminuindo, se a taxa de desemprego está alta ou baixa, entre outras informações relevantes.

Para facilitar o processo, listamos a seguir os principais dados da economia da França para você.

PIB

O Produto Interno Bruto (PIB) é utilizado para medir a produção de bens e serviços do país em um determinado período. Ele reflete o desempenho da economia e é utilizado para avaliar o crescimento econômico, o consumo e o investimento. Confira a evolução do PIB francês nos últimos anos:

Infográfico do PIB da França
Evolução do PIB na França de 2019 a 2024. Fonte: Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos.

O Intituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (Insee) é o responsável pela coleta e publicação dos dados da econômica da França, com publicações trimestrais disponíveis para consulta pública.

Dívida pública

A dívida pública é um indicador que avalia a saúde financeira de um país e sua capacidade de honrar suas obrigações financeiras. Na França, esse tema tem sido motivo de preocupação nos últimos anos, com um nível alto em relação ao seu PIB.

No final do segundo trimestre de 2024, a dívida pública da França chegou a 3.228,4 bilhões de euros. Isso é 68,9 bilhões de euros a mais do que no trimestre anterior, quando a dívida havia aumentado em 58,2 bilhões de euros.

Segundo o Insee, em relação ao PIB da França, a dívida representou 112%, ou seja, a dívida pública é um pouco mais que o valor de toda a economia do país. Isso é um aumento em relação ao 110,5% no primeiro trimestre de 2024.

Inflação na França

A inflação mede a variação dos preços dos bens e serviços ao longo do tempo, através do Índice de Preços ao Consumidor (IPC). O indicador também avalia a saúde econômica de um país. A inflação afeta diretamente a vida das pessoas, uma vez que o aumento dos preços reduz o poder de compra da população.

Na França, a inflação é monitorada pelo Banco Central Europeu (BCE), que define metas de inflação para os países da Zona do Euro, e pelo Insee. De acordo com o instituto, em 2024, a taxa de inflação na França foi de +2,0%, abaixo dos anos anteriores: 3,71% em 2023 e 5,85% em 2022.

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Infográfico sobre inflação na França nos últimos anos
Entre 2019 a 2024, a inflação da França apresentou oscilações significativas. Fonte: Inflation.eu

O Ministério do Orçamento da França, estima uma inflação média de 1,4% para 2025, com esforços para reduzir despesas públicas entre 30 e 32 bilhões de euros. Já segundo o Insee, os preços ao consumidor na França devem continuar aumentando em 2025, embora em ritmo mais moderado.

Em janeiro de 2025, o IPC registrou um aumento anual de 1,7%, impulsionado por preços mais altos nos serviços (+2,5%) e energia (+2,7%), enquanto os preços dos alimentos permaneceram quase estáveis (+0,1%) e os produtos manufaturados tiveram leve recuperação (+0,2%).

Taxa de juros de empréstimos

A taxa de juros afeta diretamente o consumo e o investimento das empresas e dos indivíduos, como, por exemplo, a compra de casa na França.

Na França e na Zona do Euro, a taxa de juros também é determinada pelo BCE, que define o nível de variação das demais taxas com base nas condições econômicas da União Europeia.

De acordo com dados do Trading Economics, a taxa de empréstimo na França foi de 4,47% em dezembro de 2024. Porém, o BCE projeta que as taxas de referência possam cair para 2% até setembro de 2025. Isto deve impactar diretamente as taxas de empréstimos cobradas pelos bancos comerciais.

Taxa de desemprego na França

A França fechou o ano de 2024 com uma taxa de desemprego de 7,3%, conforme dados divulgados pelo Insee. Esse número representa uma leve queda de 0,1 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, mantendo-se estável ao longo do ano.

O número de desempregados atingiu 2,3 milhões de pessoas. Notavelmente, o desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos aumentou para 19,7%, um acréscimo de 1,8 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.​

Esses dados refletem a complexidade do mercado de trabalho francês, destacando desafios persistentes entre os jovens que procuram uma oportunidade de emprego na França.​

Onde acompanhar os indicadores da economia francesa?

Para acompanhar os indicadores econômicos da França, você pode acessar a principal fonte deste artigo, o Insee.

Além deste órgão, você também pode consultar os dados e previsões econômicas nos seguintes portais para se manter informado sobre a economia na França:

O impacto dos imigrantes na economia da França

Em 2024, a França registrou aproximadamente 9,19 milhões de imigrantes, correspondendo a cerca de 13,5% da população total do país. Este número abrange residentes permanentes nascidos em outros países, incluindo refugiados reconhecidos, mas não inclui requerentes de asilo e não inclui as pessoas que estão irregulares.

No mesmo ano, 66.745 imigrantes adquiriram a cidadania francesa, segundo dados do Ministério do Interior da França. Este número representa um aumento em relação aos anos anteriores. Em 2023, por exemplo, 2,5 milhões de imigrantes, ou 36% do total, haviam obtido a cidadania desde sua chegada ao país. ​

Outra informação relevante é que, em 2024, foram assinados 114.443 Contratos de Integração Republicana (CIR) na França. Os cidadãos marroquinos lideraram entre os signatários, representando cerca de 10% do total. Em seguida, vieram os afegãos (9,1%), tunisianos (8,2%) e argelinos (5,9%).

Segundo o último levantamento do Ministério de Relações Exteriores, de 2022, a população de brasileiros na França corresponde a mais de 90 mil pessoas.

Segundo dados do Ministério do Interior, em 2023 (últimos dados disponíveis), foram emitidos 2,4 milhões de vistos para a França — um aumento de 40,4% em relação a 2022. Um dado curioso é que o agrupamento familiar deixou de ser o principal motivo para a solicitação de residência, sendo superado pelos pedidos de estudantes.

Imigrantes estão em diversos setores de trabalho

Isso é um dos resultados das medidas para facilitar a imigração de profissionais qualificados no país, como os detentores do Passaporte Talento. Mas é fato que os imigrantes ocupam os mais variados postos de trabalho na França, desde os considerados subempregos aos na própria área de estudo.

Para se ter uma ideia, na França, 1 emprego a cada 10 é ocupado por um imigrante. Na Île-de-France, a região parisiense, o número aumenta para 1 emprego a cada 5.

Mulheres conversando na rua de uma cidade da Europa
Cerca de 10% dos empregos na França são ocupados por imigrantes.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que realiza estudos sobre os efeitos da imigração nas finanças públicas, estimou que, na França, a contribuição líquida dos imigrantes corresponde a 0,25% do PIB — média registrada entre 2006 e 2018 (dados mais recentes).

A conclusão é que, especialmente nos três primeiros anos, os imigrantes contribuem de forma significativa para a receita tributária, em nível suficiente para cobrir os gastos públicos adicionais gerados por sua chegada.

Previsões para a economia da França em 2025

Em 2025, embora o crescimento da economia francesa seja modesto, as previsões apontam para uma recuperação, com a estabilização dos preços atuando como fator de equilíbrio no cenário macroeconômico.

As projeções do Banque de France indicam que o PIB deve crescer 0,7% ao longo do ano, abaixo dos 1,1% registrados em 2024. No primeiro trimestre de 2025, a expectativa é de um avanço de 0,2% no PIB, após a leve contração de 0,1% no último trimestre de 2024.

Crescimento modesto, mas ainda positivo

Em março de 2024, o chefe do Banque de France, François Villeroy de Galhau, em entrevista ao jornal francês Le Figaro, afirmou que a França escaparia de uma recessão. Na época, esperava-se um crescimento mais pronunciado nos anos seguintes, sendo 1,5% em 2025 e 1,7% em 2026.

Em resumo, a economia da segunda maior potência da União Europeia cresceu 1,1% em 2024, conforme dados do Insee. Porém em março de 2025, o Banque de France, anunciou que reduziu a previsão de crescimento do PIB para 0,7% ao longo de 2025, bem abaixo do projetado de 1,5%.

Com o atual cenário da economia da França, vale a pena investir no país?

Com a previsão de baixo crescimento do PIB para 2025, investir na França pode ser um cenário repleto de incertezas internas e externas, incluindo tensões comerciais globais e instabilidade política interna.

No entanto, apesar dos desafios, há setores que podem oferecer oportunidades de investimento. A OCDE destaca que medidas de consolidação fiscal, aumento da produtividade e investimentos em educação podem impulsionar o crescimento futuro da França. Nesse sentido, setores como tecnologia, energia renovável e infraestrutura podem se beneficiar dessas iniciativas.​

Já dados do governo mostram que, em 2023, a França registrou 1.815 projetos de investimentos, que devem gerar ou manter 59.254 postos de trabalho ao longo de três anos, ou seja, até 2026.

Homem em mulher em escritório na França
Antes de investir na França, é necessário conhecer o mercado e a situação do setor.

De fato, grandes multinacionais da tecnologia, como a Microsoft, se comprometeram a investir 4 bilhões de euros até 2027 em centros de dados e infraestrutura de IA na França, com o objetivo de transformar o país em um polo europeu de armazenamento de dados e desenvolvimento de Inteligência Artificial. ​

Além disso, a Amazon também anunciou um investimento de 1,3 bilhão de euros para expandir sua infraestrutura de nuvem (AWS), logística e iniciativas em IA, além de criar 3 mil empregos no país.

De acordo com o Relatório Anual de 2024 da Business France, a criação de novas empresas representou 48% das decisões de investimento estrangeiro na França, enquanto as expansões de sites existentes corresponderam a 41%. Na análise do governo, esses números refletem a satisfação dos investidores, a confiança deles no país.

A lei francesa favorece o investimento de estrangeiros no país e muitos brasileiros optam por empreender na França nos setores de comércio de alimentos, estética, entre outros.

Plano France 2030

Além disso, o país lançou o plano France 2030, que prevê um investimento de 54 bilhões de euros para transformar de forma sustentável setores-chave da economia (energia, automóvel, aeronáutica) através da inovação tecnológica.

Esse plano oferece aos investidores estrangeiros a oportunidade de contribuir para os novos objetivos industriais do país. Portanto, se cogita investir, abrir uma empresa na França pode ser uma possibilidade viável.

Quais os melhores setores para investimento?

A França é uma economia aberta, que atrai turistas, talentos e capital estrangeiro. Se você tem vontade de investir na França e não sabe por onde começar, listamos a seguir os setores que estão em alta:

  • Pesquisa e desenvolvimento: desde 2007 a França vem aumentando seus investimentos no setor, que incluem fabricação de automóveis, aeronaves e espaçonaves, produtos farmacêuticos, atividades científicas e serviços de TI e informação;
  • Energias renováveis: o país fez da transição ecológica um dos pilares de seu desenvolvimento e tem se comprometido a reduzir sua dependência de combustíveis fósseis, com grande potencial em energia eólica e solar;
  • Tecnologia: a França possui um ecossistema de startups em constante crescimento e uma forte presença no setor de tecnologia, com empresas como a Ubisoft e a OVHcloud;
  • Agroalimentar: um grande produtor agrícola e, seguindo as tendências atuais, a França tem se destacado na produção de alimentos orgânicos e sustentáveis. Os produtos BIO são muito apreciados pelo público francês.

Além disso, o país também é um importante destino para investimentos em imóveis e turismo, que como detalhado, é um dos grandes responsáveis pelo PIB da França.

É importante destacar que cada investidor possui um perfil e objetivos. Por esse motivo é importante fazer uma análise cuidadosa do setor em que deseja investir, assim como acompanhar os principais indicadores citados neste artigo.

Histórico da economia da França

Nos últimos anos, a economia da França passou por diferentes desafios que afetaram significativamente o país, levando a uma desaceleração do crescimento econômico com a inflação no bolso do consumidor.

Para entender melhor o cenário atual, fizemos um recorte de quatro momentos históricos das duas últimas décadas para a economia francesa: a crise de 2008, a pandemia da Covid-19, a guerra na Ucrânia e a guerra em Israel.

Crise de 2008 na França

A crise de 2008, também conhecida como “Crise Subprime” ou “Grande Recessão”, deixou sua marca na economia global devido a sua rápida propagação.

Ela ocorreu em 3 etapas:

  • Crise do crédito imobiliário nos Estados Unidos;
  • Crise financeira;
  • Crise mundial.

Para entender melhor como tudo começou: os bancos americanos concederam empréstimos a juros muito baixos para famílias de baixa renda. Eles eram chamados de subprime, porque eram uma ação de alto risco.

No entanto, o Banco Central dos Estados Unidos (FED) decidiu aumentar a taxa de juros desses empréstimos de 1% a 5% entre 2004 e 2006, por conta da inflação. Com isso, muitas famílias não conseguiram pagar suas dívidas e perderam seus imóveis para os credores.

A venda dos imóveis pelos bancos acabou contribuindo para uma queda nos preços do setor imobiliário, devido à oferta maior que a demanda. Ou seja, houve uma desvalorização e prejuízo financeiro, que consequentemente culminou na falência de algumas instituições bancárias.

Assim, a crise financeira de 2008 se transformou em uma crise econômica marcada por uma recessão global já que, através da securitização, os subprimes eram comercializados nos mercados internacionais na forma de títulos.

Cerca de 2 milhões de desempregados na França

Na França, a crise ficou marcada pela queda da produção industrial e aumento acentuado do desemprego. Entre o final de 2007 e julho de 2009, a taxa de desemprego aumentou dois pontos e atingiu 9,8%, com mais de 2 milhões de pessoas sem trabalho.

O banco BNP Paribas congelou 1,6 bilhão de euros em fundos e outras instituições decidiram fazer o mesmo para reduzir seus riscos, prejudicando o mercado financeiro com um choque de liquidez.

O crescimento anual da França atingiu apenas 0,4%, após um aumento de 2,3% em 2007, com todos os efeitos da crise e a desaceleração do comércio mundial.

Em dezembro de 2008, o então presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou a implementação de um plano de recuperação da economia, com financiamento pelo governo em grandes obras e a concessão de auxílios sociais para estimular o consumo e o investimento.

Essas medidas ajudaram a estabilizar a economia francesa, mas os efeitos da crise foram sentidos por muitos anos.

Crise da Covid-19 na França

A crise da Covid-19 afetou significativamente a economia da França. O país foi um dos mais afetados na Europa, com mais de 38 milhões de casos confirmados e 162 mil mortes, dados de abril de 2023.

As medidas de restrição para conter a propagação do vírus impactaram fortemente vários setores da economia, especialmente o turismo, a cultura e os serviços de alimentação, com uma queda de mais de 50% em 2020, num cenário sem pandemia.

No segundo trimestre de 2020, a França registrou uma queda do PIB de 13,8%, o pior resultado desde 1949.

As vacinações contra a Covid-19 na França começaram em dezembro de 2020, após o país enfrentar três confinamentos e fechar suas fronteiras para a entrada de estrangeiros, inclusive brasileiros.

A flexibilização das restrições e a reabertura gradual da economia, incluindo a liberação das viagens, teve início em maio de 2021, acompanhando o avanço da cobertura vacinal entre a população.

Medidas para aliviar os prejuízos na economia

Durante a pandemia, o governo lançou as seguintes medidas para retomada econômica da França:

  • Plano “France Relance”, com um investimento de 100 bilhões de euros, com o apoio financeiro da União Europeia, em diferentes setores para acelerar as transformações ecológicas, industriais e sociais do país;
  • Fundo de Solidariedade, para auxiliar financeiramente com 6 bilhões de euros aqueles que tiveram suas atividades afetadas pela pandemia;
  • Linhas de crédito garantidas pelo Estado;
  • Suspensão de aluguéis comerciais para empresas com menos de 250 trabalhadores;
  • Pagamento de salários para pequenas empresas que mantivessem seus funcionários empregados durante a crise;
  • Facilitação do acesso ao seguro-desemprego.

Mesmo com as medidas adotadas, a França finalizou o ano de 2020 com uma queda do PIB de 7,9%. Porém, em 2021, o PIB aumentou 6,8% em volume, registrando uma clara recuperação da economia, assim como a melhoria da situação da saúde.

Guerra da Ucrânia e o impacto na França

A economia francesa começava a se recuperar da pandemia da Covid-19 e passou a sofrer as consequências da Guerra da Rússia contra a Ucrânia, que eclodiu em fevereiro de 2022.

Para começar, a Rússia é o principal exportador de gás, petróleo e carvão para os países da União Europeia, o que desencadeou uma crise energética com as sanções contra o país.

Com o aumento do preço do gás e do petróleo, aumenta o custo de produção das empresas e reduz o poder de compra da população, contribuindo diretamente para a inflação no custo de vida na França.

Após um ano, o preço do gás teve um aumento de mais de 600%. Segundo o Insee, na França, o preço da energia subiu 30% entre março de 2021 e março de 2022. Subindo mais 14,1% em março de 2023.

Medidas para conter a inflação

O governo reagiu com medidas para conter o aumento dos preços, que afetou principalmente o setor de alimentos, como grãos e óleo de girassol, que subiu 15,8% em um ano.

  • Cheque energia: auxílio de 100€ para mais de 5,8 milhões de famílias durante o inverno na França;
  • Subsídio para despesa com gás e eletricidade em grandes empresas;
  • Desconto de combustível: subsídio de 15 centavos de euro por litro aos distribuidores de combustíveis para ser repassado ao consumidor final;
  • Apoio aos setores mais expostos e empresas exportadoras para garantir a disponibilidade de cobertura de seguro de crédito para o comércio;
  • Aumento de 4% nos benefícios sociais;
  • Refeição completa nos restaurantes universitários por 1€ para estudantes de baixa renda.

Além disso, devido à guerra, a França, através da Lei de Programação Militar, prevê um investimento de 413 bilhões de euros, no período 2024–2030, para repor os estoques e modernizar os exércitos com o apoio da indústria.

Outra ação do governo francês foi acolher os refugiados da Ucrânia. Em 2022, 65.833 ucranianos foram beneficiados com uma Autorização de Residência Temporária (APS) para receber proteção temporária no país (dado mais recente).

Guerra de Israel impacta a economia da França?

Não têm sido muito frequentes análises de especialistas sobre implicações econômicas do conflito em Gaza para o continente europeu e, mais especificamente, para a economia francesa.

As principais avaliações foram realizadas entre outubro e novembro de 2023, logo após o início do conflito (com os atentados do Hamas em 7 de outubro de 2023), projetando impactos significativos caso o conflito ganhasse novas proporções.

Esta foi a linha de análise do grupo Goldman Sachs, projetando que a Europa poderia ser atingida economicamente caso o conflito provocasse uma alta no preço da energia, o que afetaria também os fluxos de comércio, condições de financiamento e a confiança do consumidor.

E de fato, em 2024, os preços da energia, especialmente do petróleo e do gás natural, sofreram aumentos e maior volatilidade durante parte do ano. 

Mãos seguram notas de euro
Com a alta de 1,7% nos alimentos, 15€ compram menos itens do que antes.

Já o Rabobank, em análise similar, indicou que uma escalada do conflito poderia também afetar os preços dos alimentos e as taxas de juros.

Por outro lado, o grupo Allianz Trade previu, também em 2023, que o conflito tinha 75% de chances de produzir apenas impactos limitados à economia europeia. Segundo a análise, o conflito pouco afetaria os preços dos alimentos, e por isso não interferiria na inflação.

Embora os efeitos não possam ser atribuídos exclusivamente à escalada do conflito em Gaza – já que elementos como a volatilidade dos preços de energia, desafios nas cadeias logísticas globais e condições climáticas adversas também exerceram forte influência – os indicadores apontam que os preços dos alimentos subiram 1,7% entre março de 2023 e o março de 2024, na França.

Já as taxas de juros se consolidaram em patamares mais altos, em dezembro de 2024, as taxas de juros de longo prazo estavam em torno de 3,15% ao ano.

Outro fato observado na análise do grupo Allianz Trade, foi o de que, embora tenha se elevado rapidamente após o início das hostilidades, em novembro o preço do petróleo já havia voltado a níveis anteriores enquanto o conflito ainda se desenrolava.

Quais as principais atividades econômicas da França?

A atividade econômica de um país é classificada em três setores: primário (exploração dos recursos naturais), secundário (atividades industriais) e terciário (serviços).

Na França, considerado um país com uma das economias mais desenvolvidas e diversificadas do mundo, há uma forte presença nos setores de serviços, indústria e agricultura.

A agricultura da França é a maior da União Europeia, representando aproximadamente 18% da produção agrícola total do bloco europeu. Com destaque para o trigo, milho, uvas para a produção de vinhos franceses e pecuária. Porém, esse setor corresponde a 1,74% do PIB do país, segundo os dados do Banco Mundial, em 2023.

Segundo o Insee, a indústria manufatureira apresentou uma leve queda em 2024 (-0,7% ao longo do ano), mas continua sendo o segundo maior setor econômico, com destaque para áreas como telecomunicações, eletrônicos, automobilístico, aeroespacial e armamentístico.

Na indústria manufatureira, vale destacar os setores de:

  • Telecomunicações;
  • Eletrônicos;
  • Automobilístico;
  • Aeroespacial;
  • Armamentístico.

O setor terciário, que representa os serviços, é o que mais emprega e movimenta a economia, com 71,2% do PIB francês, dado mais recente. Não é para menos, já que a França é o maior destino turístico do mundo.

Em 2024, recebeu mais de 100 milhões de turistas, consolidando sua posição como o país mais visitado do mundo. Eventos como os Jogos Olímpicos de Paris e a reabertura da Catedral de Notre Dame contribuíram para este recorde.

Produção e exportação francesa

A França ainda é o 5º maior exportador mundial de bens e serviços do mundo, com 146.200 empresas exportadoras, conforme registrado no 3º trimestre de 2023.

Em 2023, as exportações subiram para 607,3 bilhões de euros, um aumento de 1,5% cento em relação ao ano anterior. A maioria das exportações tem como destino União Europeia, sendo os principais clientes: Alemanha, Itália e Bélgica.

Em dezembro de 2024, as exportações da França também aumentaram 4% em relação ao mês anterior, totalizando 52,3 bilhões de euros, impulsionadas por vendas de equipamentos de transporte, produtos petrolíferos refinados e equipamentos mecânicos, elétricos, eletrônicos e de informática.

Segundo o último relatório anual do comércio exterior, produzido pelo Ministério da Economia, as principais exportações francesas são:

  • Aeronáutica e espaço;
  • Automóveis;
  • Perfumes, cosméticos;
  • Produtos agrícolas e agroalimentar;
  • Farmacêuticos.

No vídeo, Renato Oliveira, do canal INNOVA TECH, conta por que a economia da França está indo melhor do que parece. Confira:

Vale a pena morar na França na atual situação econômica?

Depende. Para responder a essa pergunta, é preciso analisar seus objetivos no país, além de sua condição financeira, de trabalho, possibilidade de investimento e o que pretende fazer no país.

O governo francês está realizando diversas medidas para a população manter seu poder de compra e reajusta o salário mínimo francês anualmente, às vezes até mais de uma vez, para acompanhar a inflação. 

No final de 2024, o salário mínimo teve um reajuste de 2%, o que fará com que o valor do SMIC por hora aumente de 11,65€ para 11,88€, e o SMIC mensal líquido suba de 1.398,7€ para 1.426,67€, considerando uma carga de 35h semanais.

Esse aumento é superior à média de 1,11% registrada nos últimos dez anos. A partir de 1º de novembro de 2024, o valor bruto mensal do salário mínimo será de 1.802,25€.

Eu (Nathane) morei na França, especificamente em Bordeaux em 2022 e fiquei muito satisfeita com tudo o que o país tem a oferecer, desde o transporte público de qualidade, segurança, oportunidades de cursos profissionalizantes para entrar no mercado de trabalho e um sistema de saúde que funciona.

Mas vale a pena ressaltar que, em cidades como Paris, o custo de vida é bem elevado.

Se você está se planejando para investir na França e migrar para a Europa em busca de mais qualidade de vida, recomendo o ebook O sonho de viver na Europa, que retrata a jornada de diversas pessoas que saíram do Brasil com todos os passos para você fazer o mesmo.