Quando decidimos mudar de país, encontrar emprego está no centro das preocupações. Afinal, como diz o ditado francês, "on ne peut pas vivre d’amour et d’eau fraîche” (ninguém vive só de amor e água fresca). Então, como trabalhar na França e ir dormir em paz com as contas do mês?
Neste artigo, apresentamos que poderão te ajudar a encontrar uma oportunidade de trilhar o seu caminho profissional à moda francesa. Vamos lá!
Se você já está com seus planos definidos e precisa de apoio no processo, a Campara oferece assessoria especializada para evitar erros e retrabalho. É da nossa confiança.
INICIAR ATENDIMENTO →Como trabalhar na França?
Antes de mais nada, vale analisar os seus objetivos, o que está disposto a fazer e com o que você deseja trabalhar. Se tem uma formação acadêmica no Brasil e deseja continuar no seu ramo de atuação em outro país, isso nem sempre acontece de forma rápida.
Existem, por outro lado, trabalhos que podem não ter necessariamente a ver com o seu ramo de atuação original, mas viáveis por um determinado período, como au pair, oportunidades em restaurantes, lojas de departamento, supermercados, etc.
Posições como estas muitas vezes aparecem aos montes e nem sempre demandam experiência prévia. Portanto, se a situação apertar, saiba que as chances de encontrar uma vaga nestas áreas são grandes.
No canal Cinthia na França tem um vídeo bem completo contando a experiência dela trabalhando no país:
Como o vídeo mostra, ainda que seja um caminho cheio de desafios e com muitos aspectos culturais diferentes daqueles do Brasil, os vários pontos positivos fazem a aventura valer a pena!
Passo a passo para trabalhar na França
De maneira geral, o passo a passo para trabalhar na França consiste no seguinte:
- Prepare o currículo em francês e sem erros. Se possível, peça para que alguém com bom conhecimento no idioma revise seu documento;
- Pesquise por vagas nos sites de emprego na França e ative as notificações de novas oportunidades;
- Utilize o LinkedIn para buscar vagas e fazer contatos com empresas e profissionais da sua área;
- Entre nos grupos de emprego na França do Facebook, pois estão sempre publicando vagas por lá (mas não se deixe levar pelo canto da sereia! Se algo parecer bom demais para ser verdade, pule fora);
- Participe de feiras de emprego.
Empreender pode ser o caminho até chegar lá
Se trabalhar em outra área não é uma opção, por que não virar auto-entrepreneur (microempreendedor) e oferecer os seus serviços?
O processo de abertura de empresa na França é simples e pode ser iniciado online sem tantas burocracias pelo site Auto Entrepreneur (quem diria que algo na França não seria exageradamente burocrático!).
Para montar uma empresa, é importante ter uma boa estratégia de comunicação, conhecer o público para o qual irá prestar seus serviços e saber como prospectá-los de maneira eficiente.
Evidentemente, com a abertura de uma empresa você também terá de pagar impostos e declarar os seus ganhos a cada mês ou trimestre. Contudo, o regime de micro-entreprise (microempresa) funciona de forma mais prática por ser baseado em apenas uma pessoa, que trabalha de modo liberal e independente.
Para saber mais, é possível consultar o site do governo francês sobre o assunto, que explica o passo a passo que você precisa seguir.
Terreno fértil para a tecnologia e o digital
Se você já atua na área de TI, BI, informática ou programação, o terreno é fértil e você pode conseguir clientes facilmente. Isso porque, a área da tecnologia da informação e da inteligência artificial cresce muito na França e busca assiduamente por talentos.
Outro detalhe que salta aos olhos é o imenso número de startups instaladas no país. Uma publicação do governo francês afirma que o número ficou em torno de 23 mil, e que elas empregavam quase 200 mil assalariados. Os dados são de 2021, e não há outro estudo mais recente sobre o tema. De qualquer forma, especialistas estimam que o número cresceu desde então.
Dito isso, vale fazer um apanhado daquelas startups que recrutam na área que você tem interesse, para então enviar o CV diretamente pelo site oficial da empresa ou então propor seus serviços.
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Abrir Conta Multimoeda →É preciso falar francês para trabalhar na França?
Preferencialmente, sim.
Antes de passar horas pensando em como montar o seu currículo e quais experiências colocar em evidência, tenha em mente que, dependendo da sua área de atuação, dominar o idioma é fundamental para trabalhar na França.
Alcançar um nível de conhecimento intermediário ou avançado da língua francesa fará com que você se sinta à vontade nas entrevistas de emprego e seja um diferencial em vagas que exigem somente o inglês.
Experiência de brasileira buscando trabalho na França
Entrevistamos Sabrina Paganelli, de 29 anos, que atua como agente de recepção, para entender melhor os desafios e processos de trabalhar na França. Ela, que tem formação em administração, teve que ter flexibilidade na hora de se inserir no mercado.

A brasileira conta que, em Bordeaux, região em que ela mora, é imprescindível saber falar francês para conseguir trabalho, e essa acabou sendo a maior dificuldade para encontrar uma oportunidade na França. Afinal, no país, quando você aplica para uma vaga de emprego, geralmente a primeira triagem acontece por telefone, com o(a) responsável pelo departamento de RH.
Sabrina nos relata que:
“Cheguei a aplicar até para rede de fast food quando eu consegui todos os meus papéis, mas não consegui trabalho por não falar nada de francês”.
Por isso, é importantíssimo colocar como prioridade aprender francês. Sem isso, conseguir emprego, mesmo em serviços fora do seu ramo, pode ser ainda mais complicado. Ter um bom nível de inglês ajuda, claro, mas o francês, aqui, passa na frente.
Como conseguir emprego na França?
Se você está aí se perguntando como trabalhar na França, saiba que há vários caminhos.
Conversamos com a engenheira de produção mecânica Marcela Sanabria, que decidiu fazer mestrado no país em 2021. Antes disso, ela já tinha realizado um intercâmbio na França pelo programa BRAFITEC, além de ter trabalhado três anos no setor automotivo no Brasil.

Ela conta que ter um diploma francês foi essencial para conseguir emprego. Se não fosse por isso, ela talvez não tivesse conseguido realizar o sonho de 10 entre 10 graduandos: encerrar o ensino superior e começar a trabalhar no mesmo mês:
“Fiz um ano de mestrado na Universidade de Grenoble e consegui o diploma francês, o que facilitou a burocracia para conseguir um emprego como compradora. Assinei meu contrato de trabalho CDI antes mesmo de concluir os estudos”.
Uma outra dica interessante para procurar emprego é explorar as redes sociais, como o LinkedIn, e os sites específicos para buscar emprego. Quando encontrar uma oportunidade que faça brilhar os olhos, não seja tímido. Use os filtros do LinkedIn para encontrar o responsável de RH da empresa e mostre o seu interesse ao enviar uma mensagem privada.
Contudo, atenção. A forma como você fará essa abordagem pode ser considerada invasiva para os padrões franceses. Só dê esse passo se você realmente tiver certeza da posição, e busque não parecer um desesperado para não pegar mal.
Sites de emprego
Entre os sites de busca de emprego que funcionam bem na França nós destacamos Indeed, Welcome to the Jungle e Mister Bilingue. Neste último, o objetivo é encontrar vagas em que a sua língua materna é exigida. Muitas oportunidades de serviço ao cliente pedem o domínio do português, o que pode te fazer ganhar pontos e conseguir trabalhar na França.
Feiras de emprego
Ouvir recomendações e saber como você é percebido pelos nativos é importante. Feiras de emprego são boas oportunidades para saber como seu currículo está em relação à concorrência, descobrir novas empresas e vagas em potencial que estavam fora do seu radar.
Sites de empresas
Buscar por vagas diretamente nos sites das empresas também é uma possibilidade. Geralmente, no menu superior ou rodapé dos sites, você vai encontrar um campo de “Carreiras” ou “Trabalhe conosco” para cadastrar o seu currículo.
Auxílio via France Travail
Outra possibilidade é se inscrever no France Travail, um serviço público antigamente conhecido como Pôle Emploi, que oferece ajuda para quem busca emprego. Para realizar a inscrição, é preciso estar com os documentos e visto em dia e ter residência comprovada na França.
Com essa inscrição, você é acompanhado na sua busca por emprego e pode contar com ateliês de ensaio para entrevistas, formações gratuitas dependendo do seu caso, e um conselheiro para a busca de emprego.
Você terá reuniões com o seu conselheiro todos os meses para te ajudar a realizar a sua vontade de trabalhar na França. A Sabrina nos conta um pouco de sua experiência com o serviço:
“A França é um país muito associativo, então, consegui um curso de francês pago via France Travail, participei de vários workshops gratuitos para entrar no mercado de trabalho e até ganhei roupa para fazer entrevistas”, comentou Sabrina.
Além disso, com o status de demandeur d’emploi (à procura de emprego), você tem entrada gratuita na maior parte dos museus aqui da França. Sim! Louvre, Château de Versailles, Centre Pompidou e Musée Picasso, tudo de graça.
Vejo com muito bons olhos essa possibilidade de adquirir cultura enquanto se busca vagas de emprego na França, sem gastar nenhum centavo.
Consultoria
Foi com Marcela que descobrimos a vantagem das empresas de consultoria. Apesar do nome, muitas trabalham com a oferta de serviços, conectando você com os grupos corporativos e terceirizando sua mão de obra.
Essas empresas estão constantemente recrutando profissionais para o seu banco de talentos, sendo responsáveis pela contratação do prestador de serviço e o enviando para missões de trabalho.
“Eu consegui meu primeiro emprego na França por meio de consultoria. Como eu queria trabalhar em uma multinacional, foi a melhor forma que encontrei para entrar no mercado, porque eles têm vínculo com grandes grupos e trazem muitas oportunidades”, explica, que após ganhar experiência, conseguiu outro trabalho por conta própria.
Se você se interessou pelo serviço de consultoria, Marcela nos recomendou estas empresas que anunciam vagas no LinkedIn: ALTEN Group, Capgemini, PIMAN Group e agap2.
Como preparar o currículo para trabalhar na França?
Na França o modelo de currículo ideal é muito mais conciso e objetivo do que aquele que conhecemos no Brasil. Para elaborar o seu, use bullet points (marcadores em lista), negritos, e evite as frases longas. O ideal aqui é ir direto ao ponto e explorar o modelo de CV minimalista.
Por isso, para cada vaga que enviar o seu CV, customize-o. O trabalho pede conhecimento em um software específico? Se você possui essa experiência, valorize e destaque esse dado no seu currículo. Leia bem o descritivo da vaga para colocar em evidência aquilo que os recrutadores estão pedindo.

Para o design, plataformas gratuitas como o Canva são uma mão na roda. Neles, você consegue montar um currículo bonitão sem dificuldade e com isso aumentar as suas chances de trabalhar na França.
Você também pode seguir o padrão de currículo europeu, preenchendo seus dados no site Europass, para vagas de trabalho mais tradicionais e que não exijam um design criativo. E lembre-se: envie o currículo em francês.
A tal da lettre de motivation
Na França é muito comum pedirem, além do CV, uma lettre de motivation (carta de motivação). Essa carta nada mais é do que um texto bem escrito em que você explica o que te levou a se candidatar para a vaga, como você se encaixa na oportunidade oferecida e as qualidades que tem a oferecer.
Ela funciona como uma apresentação, em formato de carta mesmo, mostrando todo o seu interesse pelo cargo e explicando o porquê. Não precisa ser longa, geralmente três parágrafos dão conta do recado.
Como são as entrevistas de emprego?
As entrevistas de emprego não são muito diferentes das que temos no Brasil e, dependendo da vaga que você está se candidatando, pode levar mais de uma etapa e exigir teste de conhecimento para desempenhar o trabalho na França.
Geralmente, a entrevista é agendada por e-mail ou telefone. No dia, serão feitas perguntas comportamentais, técnicas e é o momento de você vender seu peixe.
“Estudei a vaga, a empresa e fiz perguntas pertinentes sobre o equilíbrio de trabalho, algo que conta muito para mim. Além de apresentar meu percurso profissional de uma forma que me valorizasse”, relembra Marcela.
Já Sabrina passou por três etapas de processo seletivo até ser efetivada no emprego atual. Na primeira etapa, por telefone, foi preciso comprovar que tinha proficiência em francês e inglês.
Ela disse que a empresa tem preferência de contratar pessoas com formação e experiência na área de turismo, mas para ela foi suficiente o conhecimento em inglês. Nesse sentido, ser sincera e ter bom senso com o entrevistador também foi um ponto importante.
“Durante a entrevista fui honesta, sou formada em administração e trabalhei sempre nessa área, e durante a pandemia dei aulas de inglês. Usei isso e o fato de ter mudado de país e aprendido uma terceira língua para mostrar flexibilidade e que eu posso dar conta do trabalho”, completou.
Se você estiver se candidatando para uma grande empresa, pode utilizar o site Glassdoor a seu favor. Lá os usuários compartilham quais perguntas foram feitas durante a entrevista de emprego e podem te ajudar a se preparar melhor.
Tipos de contrato de trabalho na França
Quando você está buscando trabalho na França, muitas vezes irá se deparar com as siglas CDD e CDI para especificar o tipo de contrato. Se você ainda não sabe o que elas significam, a gente te explica:
término definida, podendo ser feito para cobrir necessidades temporárias da empresa ou fazer um teste de experiência do profissional. Normalmente, são ofertados 3 meses de CDD com a promessa de um CDI após a fase de experiência na empresa.
Comecei a trabalhar em junho de 2023, como CDD durante o verão europeu e em novembro fui efetivada”, disse Sabrina.
Este contrato não pode ser feito para preenchimento de vagas permanentes na empresa, apenas para substituição de trabalhadores por motivo de férias ou atestado médico, por exemplo.
O CDI é o contrato mais comum e o sonho de todo imigrante, porque oferece estabilidade na empresa e todos os direitos trabalhistas, incluindo férias. Em uma comparação para nossa realidade, é o equivalente a uma Carteira de Trabalho no Brasil. Por não ter data de término, ele só pode ser rescindido por você ou pelo empregador, em mútuo acordo ou não.
É um contrato de trabalho por tempo limitado que permite ao profissional cumprir uma missão específica e pontual numa empresa. Os trabalhadores, normalmente, atuam como terceirizados, sendo remunerados de acordo com as horas trabalhadas.
Popular entre quem faz mestrado na França em alternance, este contrato permite realizar uma formação para obter certificação profissional e trabalhar ao mesmo tempo, com remuneração garantida pela empresa contratante.
Este contrato é utilizado para empregos sazonais por natureza, como trabalho agrícola, turismo ou varejo durante períodos específicos do ano.
Na França, o verão é a estação do ano em que mais são contratados trabalhadores no setor de serviços, hotelaria e restauração, por conta da alta temporada turística no país.
Existem outros tipos de contrato, mas estes são os principais e o melhor depende de quais são seus objetivos de carreira. Recomendamos sempre ler as regras de cada um, as condições e os benefícios da vaga que você vai se candidatar.
Como trabalhar na França como autônomo?
Se você ainda não teve sorte na busca de emprego e quer começar a trabalhar por conta própria, você pode ser auto-entrepreneur ou abrir uma pequena empresa na França.
Como falamos, o processo é feito online e sem muita burocracia. Porém, dependendo da sua área de trabalho, podem ser exigidos cursos de formação ou validação do seu diploma na França.

Por exemplo, se você trabalhava com confeitaria no Brasil e gostaria de vender bolos por encomenda, é preciso fazer uma formação em pâtisserie. Além de verificar se o contrato de aluguel de sua residência permite trabalho comercial.
O mesmo serve para psicólogos que desejam atender remotamente em casa e que precisam de autorização para exercer o trabalho na França. Ainda, é necessário declarar todo e qualquer serviço realizado de forma autônoma.
São detalhes como esses que podem desanimar um pouco a sua jornada no país, mas que podem impulsionar sua carreira. Em caso de dúvidas, você pode agendar uma consultoria gratuita no France Travail da sua região.
Custo de vida e salário mínimo e médio na França
Se você mora em Paris e arredores, ou mesmo em outras grandes cidades como Lyon e Bordeaux, a vida costuma ser bem mais cara, principalmente para quem recebe apenas um salário mínimo, que em 2026 é de 1.823,03€ brutos por mês.
Nesse sentido, o aluguel é uma das partes mais pesadas. Segundo cálculos do portal Seloger em 2026, o valor médio do metro quadrado na capital francesa varia entre 25€ e 42€, enquanto o valor médio do país é de 14€ por metro quadrado.
Assim, o valor de um apartamento de 30 metros em Paris pode chegar a até 1.260€ mensais. E pode até passar disso, dependendo das condições do apartamento, localização, se já é mobiliado ou recém-reformado.
Portanto, o custo de vida na França depende muito da cidade em que você mora. O que faz muitos insistirem nas grandes cidades é a maior oferta de emprego e as facilidades associadas ao deslocamento, cultura e até mesmo infraestrutura de saúde.
Sobre o salário: o que é importante saber
O salário mínimo na França é chamado de SMIC (Salaire Minimum de Croissance). O montante bruto calculado é de 12,02€ por hora em 2026.
Dessa forma, qualquer trabalhador deve receber, no mínimo, este valor por hora. O SMIC é reajustado anualmente para acompanhar as flutuações da economia e do poder de compra.
A tabela abaixo, disponível no site da administração francesa, mostra o mínimo praticado, bruto (brut) e líquido (net), que um empregado maior de idade deve ganhar por mês.
Vale lembrar que esse valor é calculado com base de 35 horas semanais, e o valor líquido pode variar conforme a convenção coletiva a qual a empresa faz parte.
| SMIC | Montante Bruto | Montante Líquido |
| SMIC Hora | 12,02€ | 9,52€ |
| SMIC Mensal | 1.823,03€ | 1.443,11€ |
| SMIC Anual | 21.876,40€ | 17.317,39€ |
Assim, seguindo a base do SMIC, um trabalhador deve ganhar, mensalmente, a partir de 1.443,11€ líquidos, ou seja, já descontados todos os impostos e contribuições sociais.
Porém, estes valores alcançam outros patamares a depender do setor, da experiência e dos estudos acumulados. Você também pode negociar a sua remuneração, principalmente se estiver saindo de outro trabalho na França: foi o que nossa entrevistada Marcela fez.
Segundo o site Numbeo, a média salarial líquida de um funcionário em tempo integral na França é de 2.462,76€ em 2026. Esse é o dado mais recente encontrado sobre o assunto.
Profissões com melhores salários
Entre as profissões mais bem pagas na França atualmente, segundo o último ranking disponível, estão os advogados, analistas financeiros e médicos.
A boa notícia é que a média salarial da França é uma das melhores. Isso é perceptível quando você o compara com o salário mínimo dos países europeus. Em Portugal, por exemplo, o valor em 2026 é de 920€ brutos por mês.
Da mesma forma que no Brasil, as empresas são ligadas a convenções coletivas específicas e a remuneração muda conforme a categoria, com sindicatos negociando aumentos por você.
Quais as profissões mais procuradas na França?
Se você planeja seguir uma nova carreira de trabalho na França ou saber se há boas chances de contratação na sua área de formação,veja o ranking a seguir. Ele foi feito pela Digischool e elenca as profissões que mais recrutam no país. A lista foi publicada em 2025 e é a mais recente, até agora. Confira:
- Garçom de cafés e restaurantes;
- Auxiliar de cozinha e funcionário polivalente de restauração;
- Agricultor;
- Viticultor e arboricultor;
- Agente de limpeza de locais;
- Animador sociocultural;
- Ajudante de domicílio e auxiliar de vida;
- Auxiliar de enfermagem;
- Cozinheiro;
- Repositor de mercadorias.
É possível trabalhar na França e juntar dinheiro?
Sim, dependendo do seu estilo de vida e cidade em que mora.
O poder de compra na França é ótimo em relação ao Brasil, de modo que é possível viver confortavelmente até mesmo com um salário mínimo em cidades pequenas. Quando se imigra em casal, juntar dinheiro fica ainda mais fácil quando se soma a renda dos dois. Sobre o assunto, Marcela nos conta que:
“Em Grenoble, você paga um aluguel baixo, paga menos na feira e no transporte. Com isso, simplesmente juntava um pouco mais de dinheiro. Além de também ter uma vida mais tranquila do que se morasse numa cidade grande”.
Para Sabrina, ela conta que não é fácil. Por morar em Bordeaux, o custo de vida é mais alto, principalmente o aluguel na região.
“Todos os meus colegas (e eu inclusa) moramos com o parceiro ou estão em colocação”, completa.
Como é a legislação trabalhista na França?
A legislação trabalhista na França é levada bastante a sério e o seu descumprimento pode acarretar multa para as empresas. Por isso, a maioria trabalha seguindo todas as regras e contratos à risca.
Conheça alguns pontos e benefícios para o trabalhador:
Carga de trabalho
O limite estipulado por lei é de 35 horas semanais, mas esse limite legal pode ser ultrapassado a depender da convenção coletiva e tipo de trabalho. O tempo de trabalho não pode, contudo, ultrapassar 44 horas semanais.
As horas extras devem ser compensadas com pagamento adicional ou tempo de folga.
Prestação social e descontos
Quando você conseguir o seu primeiro trabalho na França e for olhar a sua fiche de paie (folha de pagamento), vai ver uma boa diferença entre os valores bruto e líquido.
Isso acontece porque existem muitos tipos de cotizações levadas em conta e descontadas do salário do trabalhador. Entre elas está a sécurité sociale (pense numa equivalência com o INSS), que viabiliza um sistema de saúde muito completo para quem reside em solo francês.
Com o seu número de sécurité sociale, você é reembolsado de serviços e consultas médicas, por exemplo.

Além disso, com a securité sociale você recebe cobertura relativa a doenças, maternidade, família, invalidez, aposentadoria e acidentes de trabalho. Todo trabalhador (e mesmo profissionais independentes) tem direito a essa cobertura social completa.
Vale frisar que quando você é contratado, geralmente ,também vai poder contar com um seguro de saúde oferecido pelo seu empregador, assim como no Brasil.
A chamada mutuelle, parte essencial do sistema de saúde na França, serve para oferecer uma maior base de reembolso em diferentes serviços, complementando o sistema social de proteção francês.
Férias e licenças
Quem trabalha merece descanso: afinal, nada como pegar o trem para dar um pulinho no sul da França ou perambular pelos países vizinhos.
Na França, o trabalhador tem direito a no mínimo 30 dias úteis de férias por ano, totalizando 5 semanas de férias. A Marcela nos conta que:
“Eu tenho 40 dias úteis de férias, que eu posso alocar como quiser. Por exemplo, eu posso colocar numa sexta-feira e numa segunda e fazer um final semana mais prolongado”.
Esse ponto é bem diferente do Brasil, onde temos 30 dias corridos, contando sábado, domingo e feriados.
Tipos de licenças
Há vários tipos de licenças. Para licença maternidade, por exemplo, a duração pode chegar a até 46 semanas, dependendo se é o primeiro, segundo ou terceiro filho, ou gestação múltipla. Já a licença paternidade conta com até 32 dias, contando finais de semana e feriados.
Existe também a licença por motivos de saúde e familiares, entre eles o casamento, nascimento, doença ou falecimento de um ente próximo. Os tipos são os mesmos que aqueles praticados no Brasil.
Aposentadoria
Hoje, a idade legal para dar início à aposentadoria é 64 anos. Após polêmica, a aprovação da reforma das pensões e aposentadorias pelo governo francês, a idade mínima para se aposentar na França subiu de 62 para 64 anos para todos os trabalhadores, inclusive autônomos.
Existem 42 tipos de regimes de aposentadoria, por isso é difícil delimitar todos eles neste artigo. Estes regimes dependem de cálculos e cotizações diferentes entre si, bem como valores de pensão distintos.
Para se informar, vale visitar o site do Ministério do Trabalho, que é bem completo.
Precisa de visto para trabalhar na França?
Sim. Você precisa de um visto de trabalho, estudante (que pode trabalhar até 20 horas por semana) ou um visto de férias-trabalho.
Só não será preciso solicitar um visto se você tiver cidadania europeia
Como conseguir um visto de trabalho na França?
Existe uma grande variedade de tipos de vistos para a França para quem pensa em trabalhar no país. O site do governo, France-visas, dedicado aos tipos de visto, traz todos eles. Aqui vão os principais e mais conhecidos:
Tipo de trabalho de longa duração
Um deles é o visto de trabalho de longa duração, com validade de mais de 1 ano. Neste caso, o brasileiro, residente ainda no Brasil, consegue uma proposta de emprego na França e com isso uma carta-convite para trabalhar em território francês.
Tipo férias-trabalho
Outra possibilidade é o visto férias-trabalho na França, temporário e não renovável. Ele permite que jovens entre 18 e 30 anos possam vir para a França e trabalhar durante o período de 1 ano.
Para aplicar, é preciso comprovar certa quantidade de dinheiro para se manter no país até encontrar uma oportunidade. Para este tipo de visto, geralmente pintam oportunidades em restaurantes e trabalhos saisoniers (temporários).
Vale lembrar: se você tem a cidadania europeia, está livre para trabalhar na Europa e, por consequência, na França. Ou seja, você não precisa de visto.
Tipo vida privada e familiar
Existem vistos do tipo vida privada e família, que permitem trabalhar na França. Se o seu marido ou esposa for francês, é seu direito poder vir se instalar no país e trabalhar na França.
No meu caso, Nathane, meu marido foi contratado para trabalhar como pesquisador em Bordeaux. Portanto, ele recebeu um Visto Talento e o meu, por ser atrelado ao dele, também me permite trabalhar no país até a data de validade expirar.
O visto deve ser solicitado fora da França
O processo de visto é feito fora da França, por meio do Consulado francês no Brasil. Existem três, um no Estado de São Paulo, outro no Rio de Janeiro e também em Pernambuco. Além da embaixada no Distrito Federal.
Quando conseguir seu visto e já estiver em solo francês, fique bastante atento aos processos de renovação do seu documento. A administração francesa costuma ser bem “cri-cri”, no bom e velho português.

Guarde em segurança todos os documentos e papéis, e esteja sempre em comunicação com a prefeitura responsável pelos procedimentos relativos ao seu tipo de visto.
Como é o ambiente de trabalho na França?
O ambiente de trabalho depende muito da empresa em que você trabalha. E é importante frisar que, no começo, alguns choques culturais pelo modo como os franceses trabalham são normais.
Marcela já teve dois tipos de experiência na França e, atualmente, está numa empresa que considera o clima de trabalho incrível.
“As pessoas têm uma vida fora do trabalho e isso é respeitado. Trabalham só as 35 horas da semana, sem fazer mais horas extras e, quando saem de férias, estão realmente de férias e não abrem o computador para nada”, revelou com admiração.
Sabrina está tendo a mesma experiência positiva na empresa do setor turístico, onde o trabalho de equipe é essencial para tudo funcionar bem. Além disso, o fato de ter outros estrangeiros no time, como italianos, coreanos e americanos, facilita o relacionamento.
“Só precisamos lembrar que na França o pessoal é mais direto. Não que sejam grossos, mas não ficam enrolando para te falar algo bom ou ruim”, conta.
A brasileira ainda reforça que dizer “bonjour” e “merci” é lei no ambiente de trabalho!
Melhores cidades para trabalhar na França
Como falamos, viver em grandes metrópoles pode significar ter um custo de vida elevado, mas também pode trazer mais oportunidades de trabalho e crescimento de carreira. Vários sites fazem rankings para eleger as cidades mais atraentes da França, para quem quer trabalhar no país.
As 5 cidades com melhores oportunidades no mercado de trabalho na França, segundo os dados mais recentes publicados no site Foncia, são:
- Paris e Île-de-France;
- Toulouse;
- Lyon;
- Rennes;
- Montpellier.
Nos últimos anos, também se destacaram as regiões de Alsácia e Bretanha, assim como as cidades de Lille, Nantes e Bordeaux. Por outro lado, dados de 2024 indicam que Nice e Tour são consideradas as cidades grandes menos atrativas em termos de emprego e mercado de trabalho. Esses são os dados mais atuais encontrados sobre o assunto.
Já consegui emprego e tenho visto. E agora?
Todas as pessoas que residem na França devem cumprir com obrigações legais, como o pagamento de impostos sobre o salário. Nada de novo para você, afinal, isso é algo que também é feito no Brasil.
Outra questão é preparar o terreno no Brasil para que a sua mudança aconteça sem problemas indesejados. Vale fazer uma procuração de plenos poderes e indicar um familiar próximo para resolver possíveis questões durante a sua ausência, se aplicável.
Com um trabalho dans la poche (no bolso), tudo fica mais fácil. Você vai poder usufruir com mais liberdade da vida francesa, pagar as suas contas sem perrengues e criar, aos poucos, uma rede de relacionamentos profissional. Não tenha medo de mostrar a cara e a vontade!
Vale a pena morar e trabalhar na França?
Sim. E uma coisa que falamos muito, mas que é verdade, é que na França a gente trabalha para viver e não vive para trabalhar. O ritmo de vida é outro, o tempo em família é mais valorizado e os dias bonitos também.
“Morar e trabalhar na França foi a maior escolha que fiz na minha vida e o que me faz ficar aqui é o equilíbrio do trabalho”, disse Marcela, que pensou bem antes de pedir demissão do emprego no Brasil.
A qualidade de vida é um fator decisivo e, acredito, que na França a gente realmente seja mais fácil de encontrar esse equilíbrio com o trabalho.
Para Sabrina, a resposta é a mesma. Em sua experiência, mesmo com as dificuldades com o idioma e o alto custo de vida em Bordeaux, vale a pena trabalhar na França.
Perguntas frequentes
Selecionamos quatro perguntas frequentes dos nossos leitores sobre como trabalhar na França para respondê-las de forma objetiva e esclarecer tudo com o devido cuidado.
Não é possível. Na França, a lei não permite que pessoas com status de turista trabalhem legalmente no país.
Com certeza você já ouviu histórias de pessoas que vieram como turistas e conseguiram trabalhar, e na própria internet é possível encontrar relatos. Porém, se o governo descobre você, eles cancelarão seu visto e você terá dificuldades para entrar no país novamente. Definitivamente, não vale o risco.
Para trabalhar nas famosas vinícolas francesas, é preciso se candidatar antes do verão europeu. Não é preciso experiência na área, mas é um trabalho que exige bastante do corpo fisicamente.
Os contratos duram em média 3 semanas e você vai poder conviver com pessoas de diferentes países e culturas. A remuneração é de um SMIC, ou seja, 12,02€ por hora. Você pode procurar vagas pelos sites Vitijob ou ANEFA.
Segundo a lei francesa, a idade mínima legal para trabalhar é de 16 anos. O adolescente precisa da autorização dos pais. É permitido qualquer tipo de contrato, porém existem exceções.
Menores de 18 anos não podem exercer profissões que podem gerar risco para a sua saúde ou segurança, como, por exemplo, construção civil com obras altas.
Como qualquer outra profissão, para começar é preciso ter um visto de trabalho ou cidadania europeia. Na maioria das empresas é necessário já ter experiência em conduzir veículos pesados e a carteira de motorista para a categoria.
Falar francês fluentemente é essencial para a comunicação do motorista e principalmente conhecer as leis de trânsito do país.
A exigência das autoridades é possuir um diploma de ensino médio. Geralmente, esse tipo de profissional possui 35 horas por semana de trabalho.
Se você fez parte do seu ensino na França, você pode permanecer na França após a obtenção do diploma atendendo a algumas condições.
Segundo informações da Campus France, para permanecer na França após a graduação, estudantes não europeus devem ter a chamada “promessa de emprego” ou um contrato de trabalho com remuneração igual ou superior a um salário mínimo e meio (2 734,54€ brutos por mês em 2026).
Já estudantes estrangeiros que sejam europeus (ou seja, que nasceram em país europeu ou que obtiveram cidadania de qualquer estado-membro da Europa) podem permanecer na França por tempo indeterminado para procurar emprego após os estudos.
O sistema France Alumni é uma rede de ex-alunos do ensino superior francês. Por intermédio desse serviço, você pode manter contato com colegas de classe e aumentar as oportunidades profissionais. É como se fosse uma rede social apenas da sua turma (ou geração de turmas).
Eventualmente, colegas podem publicar oportunidades de trabalho adequadas à sua área de atuação, e você pode se candidatar e ampliar suas chances de conseguir aquela sonhada oportunidade.
Há grupos temáticos que você pode participar, mural de notícias, diretórios de contatos e muitas ferramentas para que você explore possibilidades de recolocação no país. Vale a pena!
Dicas finais de como trabalhar na França
Seja paciente e conte com apoio de pessoas. E, mais importante: se possível, não largue tudo no Brasil e vá com a cara e a coragem.
Se você estiver com um emprego certo, contrato assinado, tudo bem. Mas se seu plano consistir em se mudar para a França para recomeçar a vida, tome essa decisão com bastante cuidado e pense muito bem o seu plano de morar na França.
“Eu vim para a França sem financiamento do mestrado, então me planejei muito para poder sobreviver por um ano com meu próprio dinheiro”, disse Marcela.
Prepare uma reserva financeira adequada, faça cálculos de aluguel, de despesas básicas para se manter no país, certifique-se de ter todos os documentos necessários (os vistos e o passaporte, seja brasileiro ou europeu, com uma validade razoável), além de um seguro viagem para a França.
Dado que o país faz parte do Espaço Schengen, é preciso que seu seguro tenha uma cobertura mínima de 30 mil euros. Então, nossa dica é que você confira os valores de seguro no Seguros Promo e escolha as melhores opções de acordo com a sua necessidade.
De maneira geral, você pode arrumar um emprego facilmente no país, em especial se seu gabarito não for muito alto (isto é, se você topar trabalhar em coisas que não são da sua área de formação).
No entanto, observe que, às vezes, pode demorar um pouco até você conseguir uma posição, e será um alívio tremendo poder olhar para a sua conta bancária e pensar “ok, eu consigo esperar, está tudo bem”.
Paciência é a chave
Não desista no primeiro não que você levar. Nem no segundo. E nem no décimo! Você não está fora do jogo, confie.
Saia do óbvio e busque oportunidades em grupos no Facebook (digite “Brasileiros na França”, “Brasileiras de Paris”, ou substitua o “Paris” pela cidade em que for morar). Tente, aos poucos, criar laços e uma rede profissional robusta.
Vai rolar estresse e entrevista em francês pelo telefone, tremedeira e suor. Faz parte, mas quanto mais fizer, mais vai pegar o jeito. E quanto mais tentar, maiores as chances de ouvir o seu desejado oui.
Se deseja buscar inspiração, recomendo a leitura do ebook “O sonho de viver na Europa”, onde vários brasileiros compartilham as suas histórias, dificuldades e oportunidades encontradas no caminho. Vale a pena para refletir e se inspirar! Bonne chance (boa sorte)!
Erik Nardini +3 autores