Sabe aquela rotina que você ama e que não troca por nada? Aquela de trabalho, escola, casa, praia, viagens e aquele passeio no final de semana com os amigos? Pois é, se você for igual a muita gente, já deve ter pensado na possibilidade de viver fora do Brasil. Mas, e se eu te disser que mudança de país e rotina estão ligados?
E que mudar de país não é só uma questão de querer? Tem um monte de coisas a considerar antes de simplesmente se jogar nessa decisão. Na coluna de hoje, é sobre isso que eu reflito!
As regras ficaram mais rígidas e o improviso acabou. Quem quer morar legalmente em Portugal hoje precisa de planejamento, informação correta e decisões bem feitas desde o Brasil.
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Outro dia, tive uma conversa com um amigo carioca sobre a possibilidade dele e a família se mudarem para Portugal. Fiquei curioso para saber se ele se via abrindo mão de toda a rotina que ele e a família têm hoje no Brasil, aquele esquema que dá segurança e conforto. Ele, claro, não hesitou:
“Não, não me vejo abrindo mão de tudo isso”, foi o que ele me disse.
Eu aproveitei a oportunidade para falar que todo imigrante acaba mudando bastante a sua vida quando decide sair do país. E, sim, eu sei que Portugal pode até parecer mais familiar, já que a língua é a mesma, os hábitos são parecidos e a distância do Brasil não é tão grande.
Mesmo assim, eu insisti: disse que a mudança de país exige bem mais do que uma troca de endereço, que eles precisariam se reinventar e rever hábitos de rotina.
Ele pensou um pouco e respondeu: “Também não é assim, né? Aí fala a mesma língua, tem os mesmos hábitos. Dá para manter a nossa rotina, com certeza. Pelo menos, é o que me falaram.” Entendo a lógica dele, realmente. Quem sou eu para contestar? Mas, na hora, eu apenas ponderei:
“Olha, a esmagadora maioria dos imigrantes precisa se reinventar. Pode até ser mais fácil se acostumar com os hábitos locais, mas em algum momento você vai perceber que vai precisar fazer ajustes para conseguir se encaixar na nova realidade.”
Mudança de país é reconfigurar sua vida toda
Eu falei tudo isso com a intenção de abrir os olhos dele para o que pode vir pela frente. Mudar de país é um movimento muito grande. Não é só uma questão de fazer as malas, correr para o aeroporto internacional do Rio de Janeiro e depois adaptar a vida de um lugar para o outro. É realmente reconfigurar a maneira como você vive.
A conversa foi boa, mas o que percebi é que, no fundo, ele ainda está com aquele pensamento de que a rotina dele vai se manter intacta, só que em outro lugar.
E eu sei que é natural ter esse medo do novo. Mas, sinceramente, achar que você vai conseguir transplantar sua realidade do Brasil para Portugal ou para qualquer outro país pode ser um grande erro. Isso pode gerar muita frustração.
Se você não estiver pronto para as mudanças que virão, pode se deparar com um choque muito maior do que imagina. Eu não queria ser pessimista, mas é bom pensar em todos os aspectos dessa mudança.
Às vezes, a adaptação não é apenas sobre aprender a viver em um novo lugar, mas é também sobre se abrir para o novo, aceitar que, sim, sua rotina vai mudar e que você vai precisar aprender a viver de uma maneira um pouco diferente.
Dou um simples exemplo: uma das primeiras coisas que a gente sente na pele, literalmente, é o clima em Portugal. Se você vem de um lugar quente e vai para um destino mais frio e chuvoso, como toda a Europa no inverno, pode estranhar no começo. Aquele solzão que fazia parte da sua rotina pode dar lugar a longos dias cinzentos e guarda-chuva sempre à mão.
A verdade é que, por mais que a ideia de viver fora pareça atraente, nem todo mundo está pronto para essa mudança tão radical. E isso é completamente normal.
Mudança de país e rotina nova é bastante desafiador
Se você tem aquele apego imenso à sua rotina, talvez mudar de país vá mexer com você mais do que imagina. Eu mesmo vivi essa transição.
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ENTRAR EM CONTATO →A primeira coisa que você sente quando está em um lugar novo é a sensação de vazio, de algo que falta. Sabe aquela sensação de que tudo está diferente? Isso não acontece só na primeira semana.
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À medida que o tempo vai passando, você percebe que até os pequenos detalhes da sua rotina mudam. E não é só o fato de não estar em casa. É que, para reconstruir uma rotina, você precisa de tempo. E isso, meu amigo, não acontece do dia para a noite.
A adaptação ao mudar de país exige tempo e paciência
Quando você chega em outro país, parece que as coisas estão em câmera lenta. O trabalho, os amigos, até o supermercado. Tudo é diferente.
Se antes, no Brasil, você já sabia onde encontrar tudo que precisava, quando chega em um novo lugar, tudo é um grande mistério. Isso vai desde como você lida com as compras do mês até como se organiza para o trabalho ou para o lazer.
A transição não é simples e, na maioria das vezes, não existe uma fórmula mágica. Você vai ter que aprender do zero como fazer as coisas e vai demorar até encontrar um ritmo parecido com o que você tinha antes.
Redefinindo a rede de apoio
Eu sei que, no Brasil, você tem toda uma rede de apoio. Pode contar com a família e amigos para deixar os filhos ou o cachorro por um fim de semana, tem aquele camarada que te ajuda a resolver problemas e sempre tem alguém que conhece alguém que pode te dar uma mãozinha quando necessário.
Agora, imagina viver em um lugar onde você não conhece ninguém. Como vai ser quando precisar de ajuda com algo simples, como uma visita ao médico em Portugal ou até quando tiver que sair para um evento e não souber a quem deixar os filhos ou o pet?
Essa rede de apoio, que a gente sempre dá por garantida no Brasil, não existe quando você chega a um novo país. E isso pode ser bem mais desafiador do que parece.
Mudar de país não é só entender a burocracia
Muita gente pensa que viver fora é apenas sobre aprender sobre as burocracias como visto, documentos e questões legais. E sim, isso faz parte.
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INSCREVER GRÁTIS→Mas o processo de imigrar vai muito além disso. Quando você se muda para um novo país, a maior parte da adaptação envolve se abrir para novas formas de viver e se relacionar. A adaptação à cultura, a convivência, o jeito de ser das pessoas. Absolutamente tudo muda. E nem sempre é fácil abraçar essas mudanças.
No Instagram do Euro Dicas, Verinha Simões compartilhou um reel sincero sobre os sentimentos que acompanham a decisão de viver fora: coragem, ansiedade, dúvidas e muita saudade. Assista o vídeo!
Imigrar me ensinou sobre adaptabilidade
Eu sou um exemplo de que imigrar realmente ensina muita coisa sobre adaptabilidade. Quando cheguei aqui, tive que abrir mão de certos hábitos que eram muito importantes para mim.
Perdi alguns rituais que fazia todos os dias no Brasil, mas ganhei novos hábitos também.
E, com o tempo, aprendi a me adaptar. Não foi fácil, não foi rápido, mas no final, você começa a ver que as coisas vão se encaixando. O segredo não é resistir à mudança, mas aprender a lidar com ela.
A revolução interna que acontece quando você imigra
Imigrar não é só sobre dar o passo físico de mudar de país. É uma verdadeira revolução interna. Você vai precisar se reconstruir, e isso pode ser desconfortável.
Eu, pessoalmente, ainda sinto falta de algumas coisas do Brasil até de alguns confortos. Mas a verdade é que mudar de país é um processo de aceitação e aprendizado.
Não é só um desejo de melhorar a vida. É um movimento interno de adaptação e às vezes esse processo é bem mais complicado do que parece.
Estranheza é normal, mas encare com curiosidade
Se você, como eu, se mudar para outro país e começar a sentir uma sensação de estranheza, saiba que isso é completamente normal. Essa sensação de “não pertenço” é parte do processo.
O truque está em olhar para isso com curiosidade e não com resistência. Em vez de reclamar que as coisas são diferentes, busque aprender com cada novo hábito ou situação.

Transforme essa estranheza em algo positivo, porque é ela que vai te ensinar a ser mais flexível, a ser mais adaptável e a crescer com a experiência. Ao invés de julgar o que é diferente, tente entender e aproveitar o que essas mudanças podem te ensinar.
Cada cultura tem suas peculiaridades e cada hábito ou até mesmo festa tem seu jeito de celebrar a vida. Quanto mais aberto você estiver para essas novidades, mais rica será sua experiência.
Pense bem antes de decidir mudar de país
Por fim, se você é alguém que tem dificuldade em lidar com mudanças, se adaptações e novos hábitos não são o seu forte, é importante pensar muito bem antes de tomar a decisão de mudar de país.
A vida no exterior exige uma flexibilidade enorme, e, se você não está disposto a abraçar as mudanças e os desafios que surgem, talvez essa não seja a melhor escolha para você.
Mudar de país não é uma decisão fácil. É uma escolha que exige preparo emocional, disposição para aprender e uma boa dose de paciência. A adaptabilidade vai ser sua maior aliada nesse processo.
Se você não estiver disposto a deixar a velha rotina para trás e se abrir para novas experiências, o caminho pode ser bem mais difícil do que você imagina. Se você ama sua rotina e tem dificuldade em abrir mão dela, pode ser que mudar de país não seja a decisão certa agora.
*As opiniões dos colunistas não refletem necessariamente a opinião do Euro Dicas.