O ano-novo na Itália é um pouco diferente do brasileiro. Como eu digo sempre: o Natal no hemisfério norte até que faz sentido, já o ano-novo, não!

Pessoalmente, desde que passei a morar na Itália, o ano-novo deixou de representar uma festa interessante. Perdi a vontade de comemorar? De jeito nenhum! É que receber o ano-novo de casaco, luva e cachecol é realmente difícil.

O primeiro ano-novo na Itália é mágico

Mais do que o Natal e o carnaval, o ano-novo sempre foi o meu feriado preferido. A passagem de ano traz aquela sensação de recomeço, de esperança e novidade. Além, claro, de comemorar tudo no verão, na beira da praia ou piscina, com muita, muita comida.

Brincadeiras à parte, eu não via a hora de comemorar o ano-novo no hemisfério norte. Ainda mais morando na Itália! Lembro que o meu primeiro ano-novo aqui foi muito mágico, porque representava, de certa forma, uma vitória pessoal. Afinal, era o meu primeiro ano morando sozinha, além de ter conseguido enfrentar o primeiro ano do mestrado na Itália.

Fizemos uma festa na casa de um amigo napolitano, o Marcello. Acho que havia umas 40 pessoas, várias nacionalidades, comida e bebida para dar e vender. A poucos minutos da meia-noite, fomos até o nosso “bar di fiducia”, o Dempsey’s Perugia.

O segundo também foi bom

Foi muito legal porque passei com meus irmãos. Fazia dois anos que não nos víamos, os três juntos, foi emocionante. Estávamos com nossos pais na capital italiana, mais precisamente em Trastevere, uma delícia de bairro de Roma, onde comemoramos a virada juntos.

Ano-novo e pandemia

Foi difícil. A Itália estava com muitas restrições, não podíamos sair da prefeitura (“comune“) de residência, nem nos reunir com mais de 5 pessoas. O medo era constante, já que você poderia tomar multa somente pelo fato de estar na rua depois da meia-noite. Quase aconteceu comigo, mas na noite de Natal.

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Um modo diferente de comemorar

Como faz frio lá fora, os italianos tendem a preferir organizar festas com os amigos dentro de casa, longe do frio. Alguns preferem ir para as montanhas, outros preferem jantar em casa e passar a virada do ano no centro da cidade, já que as prefeituras sempre organizam shows e eventos para o ano-novo na Itália.

Não espere grandes festas!

Tirando comemorações em discotecas ou com amigos, o réveillon italiano não é lá muito movimentado, não!
O que sinto de dificultoso é organizar algo que agrade gregos e troianos. Principalmente com relação à comida. Não sei se é uma característica dos meus amigos ou dos italianos no geral, mas é sempre um drama escolher o que fazer no ano-novo, o que comer, aonde ir.

Tenho amigos que dormem antes da meia-noite, ou simplesmente não fazem nada. O motivo? Frio, preguiça. Não é a festa mais popular.

Virar a noite na rua é difícil

Em algumas cidades da Itália, a venda e o consumo de álcool nas ruas é feito até à 1:30 da madrugada (em algumas cidades, como em Perúgia, as pessoas só podem beber em copos de vidro ou em garrafas, na rua, até às 20h).

No ano-novo, a faixa horária aumenta e o consumo passa a ser permitido até às 3:00 da manhã. Se você for pego bebendo, você pode levar uma multa – bem salgada, inclusive! Junta isso com o frio, é difícil ficar a madrugada inteira na rua, curtindo o novo ano.

Roupas pesadas!

Sair na rua é complicado, porque faz frio. Agora que não sou mais jovem, não posso sair com um casaco “leve”, tenho que me cobrir. Mas nada é impossível, é só saber como se vestir.

Nada de branco no réveillon italiano!

E claro, nada de roupas brancas ou roupa íntima colorida (apesar de ouvir falar que algumas pessoas, mulheres principalmente, usam lingerie vermelha). Roupas vermelhas, pretas, douradas e prateadas são as mais escolhidas para receber o ano que está para chegar.

Difícil ficar acordado

Confesso que meu corpo fica mais preguiçoso na metade de outubro, com os primeiros dias frios da estação. Então, chegar à meia-noite do dia primeiro de janeiro é difícil! Imaginem só: comer bastante, um “vinhozinho”, frio e preguiça. É a combinação perfeita para comemorar o ano-novo na Itália dormindo.

Lado positivo: comida!

E a comida? O bom e velho churrasco não é a principal opção dos italianos (dá para entender o motivo). Mas algumas pessoas utilizam a lareira como churrasqueira: comidinha e casa quente.

Comidas típicas

Esqueça a nossa amada farofa! Durante esses seis anos na Itália (quase sete), aprendi a comer outros pratos no fim do ano. É comum, por exemplo, comer cappelletti in brodo ou lasanha, muitos frios, e muita carne. Aqui na região onde moro, é normal comer patê de fígado (acredito que na Toscana também).

Lentilha na ceia de ano-novo na Itália

Como é bom se sentir em casa quando se é estrangeiro. E a lentilha no último dia do ano tem esse poder. Exatamente, os italianos também comem lentilha no dia 31 de dezembro, como acompanhamento do cotechino, um tipo de linguiça típica do norte do país. Mais ou menos como no Brasil, lentilha e linguiça!

 prato de lentilha e cotechino
O hábito de comer lentilha na virada do ano é uma das semelhanças entre as comemorações nos dois países.

Bacalhau, sim, senhor!

O bacalhau também é um queridinho dos italianos durante as festas de fim de ano. E como não amar! Claro, não existe o bolinho de bacalhau “luso-brasileiro”, mas é comum comê-lo frito também!

Doces

Doces italianos de ano-novo são basicamente os doces de Natal. Desde o mais famoso, o queridinho também de nós brasileiros, panetone, até o pandoro. O primeiro é típico de Milão, já o último de Verona.

É comum também, em outras regiões, comer outros doces. Morando na Úmbria, posso dizer que sou particularmente fã do Panpepato di Terni, um doce feito frutas secas, como nozes e avelã, mel e chocolate amargo, com um toque de pimenta-do-reino (em italiano, “pepe”, ou seja, “pão com pimenta-do-reino”).

O vinho ajuda!

O vinho é um grande protagonista, já que também ajuda a esquentar, principalmente o tinto! Sem falar no espumante, imprescindível para fazer brindes, como acontece também no Brasil, em algumas famílias. Mas o espumante também serve para acompanhar os doces e sobremesas em geral.

Isso sem falar nas outras bebidas que te oferecem para digerir melhor a ceia, como a grappa, limoncello, e aqui na Úmbria, o passito (vinho doce).

Ano-novo no frio é interessante, mas…

No calor é muito mais animado! Acredito que não tenha a ver com a companhia, é uma questão mental (pelo menos, para mim): se faz frio, vou querer ficar em casa. Lógico, não?

Porém, uma coisa é certa: aprender a conviver com as diferenças culturais também nesses contextos, por mais que causem estranhamento, é importante. Não é preciso idealizar tudo, mas viver as diferenças enquanto estrangeiro, tendo consciência de que fazem parte de outra cultura, me ajuda muito no meu dia a dia.

Em janeiro, deixo Perúgia. Mas antes disso, comemorei esses anos morando aqui, onde tudo começou, em mais um réveillon italiano. Auguri di buon anno!