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Bruna Paroni

Bruna A. Paroni

Colunista

Bruna é bacharela em Letras pela USP e mestre em Comunicação política pela Università di Perugia (Itália). Está constantemente em contato com as palavras, seja escrevendo, traduzindo, lendo, revisando ou ensinando. Após dois intercâmbios e alguns anos entre Brasil e Itália, se mudou para o país da bota em 2017, onde também se sente em casa.

Localizações

Onde Nasceu?

São Paulo, Brasil

Onde mora?

Urbino, Itália

Onde já morou?

Perúgia, Itália

Parceiro Euro Dicas

Desde quando colabora com o Euro Dicas?

Formação

Universidade de São Paulo (USP)

Letras

Università degli studi di Perugia

Media Studies

Università degli studi di Urbino

Communication Science and Digital Culture

Sou pesquisadora de comunicação política. Trabalho com as palavras: escrevo, traduzo, reviso, leio.

Curiosidades

Tem filhos?

0

Tem pet?

1

Tem Cidadania Europeia?

Sim

Clima preferido

Primavera (apesar da rinite alérgica)

Mão dominante

Destro

Amo aprender novas línguas
Conteúdos recentes
Computador no site do Projeto Italea
Itália Notícias

Projeto Italea – iniciativa promove turismo sustentável e cultural no Ano das Raízes Italianas

Turismo sustentável, atividades culturais únicas e roteiros de viagem personalizados. Esse é o tripé do Projeto Italea, uma iniciativa do Governo italiano após declarar 2024 como o Ano das Raízes Italianas no Mundo. Promoção do turismo no interior A proposta do Projeto Italea visa promover o turismo “lento” e sustentável pelos vilarejos e cidades pequenas italianas, tendo como público-alvo estrangeiros interessados em (re)descobrir suas origens na região dos antepassados italianos. Segundo Daniela Santanché, Ministra do Turismo da Itália: "[...] o turismo das raízes representa uma grande oportunidade para destacar lugares que ainda são pouco conhecidos, longe do mainstream - como pequenos vilarejos e áreas rurais - e fortalecer as relações com as comunidades italianas no exterior, que constituem uma importante base de referência para o projeto". O turismo é um setor econômico muito importante para o país. Para se ter uma ideia, 2023 foi o ano recorde com mais de 451 milhões de turistas, um aumento de mais de trinta e nove milhões (+9,5%) em comparação com 2022. Os dados são da Confederação Geral Italiana de Empresas, Atividades Profissionais e Trabalho Autônomo (ConfCommercio). Conhecer a Itália dos antepassados O Italea oferece uma série de opções de turismo para quem deseja mergulhar nos encantos dos territórios e das tradições da nonna ou do bisnonno italianos. Através de experiências, que envolvem Atividades e Eventos, e Roteiros, será possível conhecer a terra de próprios antepassados, aprendendo e vivenciando momentos únicos. Variedade de eventos e roteiros Para o ano corrente, o Projeto Italea organizou inúmeras atividades nas vinte regiões italianas, que vão desde roteiros ligados aos Museus da Imigração espalhados pelo país, aulas de culinária, visitas a vinícolas, residências artísticas, até participação em procissões medievais, degustação de produtos típicos e oficinas de artesanato. Italea regional A Italea Puglia, por exemplo, organizou aulas de culinária para aprender a preparar o famoso pasticciotto leccese (doce típico de Lecce), eventos com a famosa dança da pizzica e roteiros de três dias por Bari, Polignano a Mare, Trani e o Vale d'Itria, onde se encontram os pitorescos trulli. Até mesmo a Toscana, uma das regiões mais turísticas e famosas do mundo, organizou eventos para levar os viajantes a imergir no território, dando ênfase às cidades pequenas de onde partiram muitos imigrantes. São previstas trilhas pelo Casentino (vale no leste da região) e até mesmo pela Garfagnana (na província de Lucca), símbolos do turismo sustentável. Ou ainda, um mergulho pela Calábria, terra de origem de tantos brasileiros e ítalo-brasileiros, durante um festival gastronômico cujo protagonista é a 'nduja (iguaria típica de Spilinga, mas famosa em todo o país). [caption id="attachment_172861" align="alignnone" width="750"] O Projeto Italea visa incentivar o aumento do turismo em regiões menos visitadas do país.[/caption] Há também um passeio pela Sila, montanha da região onde é possível até esquiar, e de onde vêm as famosas batatas da Sila, e claro, pelas praias encantadoras da Costa degli aranci. Isso sem mencionar as visitas guiadas pelas fazendas que produzem azeite extravirgem de oliva na Úmbria, que combinam degustação de vinho Sagrantino de Montefalco DOCG e tartufo (trufa), produtos que moldam a identidade da região, e eventos como o Umbria Jazz. No Vêneto, é possível visitar e conhecer o processo de produção da grappa, destilado do bagaço da uva, em meio a paisagens das colinas na região. As iniciativas não param por aí São vários os programas pensados para quem pretende visitar o país da bota durante o período invernal. Por exemplo, Italea Basiliacata organizou um tour nas montanhas, em meio a neve e pastores locais. Em Salerno, Italea Campagnia leva os turistas pelo Museu dos sobrenomes, e por aulas de culinária da pizza napolitana. Aulas de italiano e dialetos Outro eixo da iniciativa Italea é dedicado ao aprendizado da língua italiana e dos dialetos locais, a língua que nossos antepassados falavam, e são faladas até hoje nesses territórios marcados por um grande fluxo migratório. Italea Sardegna preparou um laboratório linguístico exclusivamente em língua sarda, por exemplo. Já Italea Molise organiza uma oficina em dialeto molisano para exploradores do passado. Aulas de napolitano também estão disponíveis pelo Italea Campania. Se o turista for também aspirante a escritor, Italea Valle d'Aosta organiza oficinas de escrita criativa para contar as histórias dos próprios antepassados. Descubra sua árvore genealógica Além das atividades ligadas ao turismo, o Italea oferece também serviços de reconstrução da árvore genealógica da própria família, muito útil para quem está interessado em entender melhor suas próprias origens ou àqueles que pretendem entrar com o processo de reconhecimento da cidadania italiana. Os genealogistas são especializados em histórias de imigração, ajudando assim o turista das raízes a reaver os dados dos parentes de quem tanto ouviu falar, por meio de relatos orais em família ou fotografias. Benefícios com o Italea Card O Italea Card é um cartão-fidelidade do projeto Italea que oferece vantagens, descontos e outros benefícios para quem deseja embarcar na viagem das próprias raízes. Segundo o Consulado Italiano de São Paulo, a ideia do Italea Card é criar uma ponte entre os viajantes das raízes e as empresas que aderiram à iniciativa, como hotéis, restaurantes, adegas, locadoras de automóveis, entre outras. [caption id="attachment_172884" align="alignnone" width="750"] O Italea Card dá ao turista o acesso a vários benefícios do projeto.[/caption] Para se cadastrar, é simples: basta acessar o site – já em português! – e preencher o formulário. Mais informações sobre os parceiros e benefícios do Italea Card podem ser obtidas no site oficial do projeto ou no site Italea de cada região. Parceria multissetorial A iniciativa, promovida pelo Ministério do Turismo da Itália em parceria com a ENIT - Agência Nacional do Turismo e o Ministério das Relações Exteriores da Itália, visa levar as pessoas a descobrirem os vilarejos com fuga de habitantes. É uma forma de repovoar cidades que possuem grande tradição cultural, mas que, por motivos sociais ou econômicos, foram perdendo a centralidade na região. De fato, um relatório do Ministério do Turismo relatou que a revitalização desses vilarejos pode trazer um aumento significativo na economia local e na preservação do patrimônio cultural. O nome deste projeto vem de "talea" (corte), prática pela qual, ao cortar parte de uma planta e replantando-a em outro solo, ela pode criar novas raízes. Exatamente o que acontece com as histórias de migrações.

Homem trabalhando na Itália
Itália

Como trabalhar na Itália: salários, visto e como conseguir vaga

Como trabalhar na Itália é, sem dúvidas, uma das nossas primeiras preocupações quando pensamos em mudar para o país. Afinal, “recomeçar” pressupõe “reinventar-se”, não é mesmo? Pensando nisso, preparamos um conteúdo completo para ajudar você com todas as informações sobre como realizar o seu sonho com calma e de forma segura. Pergunta Resposta Precisa de visto para trabalhar na Itália? Sim. É necessário pedir um visto de trabalho ainda no Brasil, ou então ter cidadania europeia. Quanto ganha um brasileiro na Itália? Depende da formação e da área de atuação. Você pode conferir os valores médios a seguir. Tem emprego na Itália para quem fala português? Tem, mas as vagas são limitadas. Quanto mais você dominar o italiano, maiores serão as suas chances de conseguir uma vaga de emprego. Como trabalhar na Itália? Trabalhar na Itália legalmente é um importante passo para realizar o seu sonho de morar no país da bota. Para isso, aconselhamos se informar bastante sobre a situação econômica, política e social do país. É inegável que a Itália sofreu bastante com a crise financeira de 2008 e, desde o início da pandemia em 2020, a economia da Itália vem lidando com as consequências que a Covid-19 provocou. A dívida pública italiana ultrapassa os 140% do PIB, e o mercado de trabalho ainda sofre tentando recuperar o fôlego de antes da pandemia. A economia, que depende fortemente dos setores de hotelaria, gastronomia e serviços, foi bastante afetada durante os dois anos de pandemia e, em 2023, sofreu um novo baque com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Agora, em 2024, a Itália continua lutando para tentar recuperar todos os prejuízos. Apesar disso, a Itália é o 8º país mais rico e influente do mundo, faz parte do G8 e, gradualmente, está recuperando os danos sofridos durante esses anos. O mercado de trabalho está constantemente em busca de novos talentos e perfis de funcionários preparados e cada vez mais qualificados. Para poder trabalhar, é indispensável poder morar na Itália legalmente, através de cidadania europeia, italiana ou de visto de trabalho.  Caso você seja um estudante e possua o visto e o Permesso di soggiorno per motivi di studio, saiba que você pode trabalhar de forma legal e segura, precisando ficar atento à carga horária de no máximo 25 horas semanais. Mercado de trabalho para brasileiros na Itália O mercado de trabalho na Itália para brasileiros não é dos melhores. O país foi um dos mais afetados pelo coronavírus, assistindo ao fechamento de restaurantes, bares, cafés e comércio no geral. Mesmo com o fim da pandemia, a Itália ainda foi afetada pela guerra entre Rússia e Ucrânia e a crise econômica continua assolando o país. Com a crise atual, o mercado de trabalho para brasileiros é, no ano de 2024, muito menos receptivo como já havia sido em outros anos. Conseguir uma oportunidade hoje, em um cenário de crise, é mais difícil do que já foi um dia. Outro grande problema que faz com que o mercado seja muito hostil é que a Itália possui uma quantidade grande de trabalhadores qualificados, mas não oferece oportunidades para todos eles. Com isso, muitos profissionais acabam optando por trabalhar em áreas totalmente diferentes daquela de estudo e aceitam vagas muito mais humildes. [caption id="attachment_141157" align="alignnone" width="750"] A área da construção civil está sempre em busca de novos profissionais para trabalhar no país. Foto: Giovanna Mauro.[/caption] Em dezembro de 2022, por exemplo, ficou notório o caso de uma arqueóloga que aceitou o cargo de gari em Nápoles por falta de alternativas. Esse tipo de situação é ainda mais frequente com estrangeiros. Podemos dizer que a maior parte da oferta de empregos que busca mão de obra estrangeira, incluindo a brasileira, está relacionada com profissões que não precisam de nenhum tipo de qualificação: setores de hotelaria, construção civil e gastronomia são alguns exemplos. De acordo com a minha experiência pessoal no país, é difícil dizer que o mercado de trabalho para brasileiros aqui na Itália atualmente seja muito melhor do que o próprio mercado do Brasil. Como encontrar oportunidades para trabalhar na Itália? Uma das partes mais complicadas de se mudar para um país novo é aprender como procurar um emprego. É interessante buscar grupos no Facebook que anunciam vagas de trabalho. Normalmente, os anúncios são ligados ao setor do comércio e do turismo, como bartender, barista, garçom, etc. Aliás, uma das áreas que sempre recebeu muitos estrangeiros é o setor de limpeza e manutenção, e é possível encontrar vagas com frequência já que geralmente não exigem um nível alto de italiano. Melhores sites de emprego Os sites de emprego na Itália são uma das formas mais comuns de encontrar empregos nas mais diversas áreas de atuação. Alguns exemplos: Indeed; Monster; Info Jobs; Para quem procura posições mais qualificadas, o LinkedIn costuma oferecer vagas em multinacionais, que pedem fluência em inglês, espanhol, francês e até mesmo português. Infelizmente, a maior parte dessas vagas se concentram na região de Milão e Roma. Agências de emprego Outra maneira de se encontrar emprego na Itália é através de agências de emprego. Apesar de não serem muito comuns no Brasil, elas funcionam como um RH especializado, selecionando profissionais de acordo com o perfil exigido pela empresa para preencher as vagas. As mais conhecidas são: Adecco; Gigroup. Manpower; Randstad. A vantagem das agências é que, geralmente, basta cadastrar seu currículo apenas uma vez e os recrutadores entrarão em contato quando vagas que se assemelham ao seu perfil surgirem. Além disso, a presença de filiais dessas agências em todo o país é bem pulverizada e a maioria dos empregadores locais recorre a elas para anunciar e contratar mão de obra. Indicação também funciona Os italianos são muito adeptos a contratação através de indicação de profissionais, principalmente por pessoas de confiança como funcionários, colegas de trabalho e familiares. Por isso, contar com uma boa rede de contatos e um bom relacionamento com os locais pode ser um grande diferencial para quem busca emprego, seja ele qualificado ou não. O que precisa para trabalhar na Itália? Para além de qualificações, para trabalhar na Itália é necessário visto de trabalho. Se você já se encontra no país e possui um visto de estudo, por exemplo, saiba que é possível converter o seu Permesso di soggiorno per motivi di studio. No caso do visto de trabalho, existem três possibilidades: Subordinato, concedido por vínculo empregatício; Autonomo, destinado a sócios de empresas, profissionais autônomos ou liberais; Stagionale, específico para trabalho sazonal. Como conseguir visto para trabalhar na Itália? Para tirar o visto de trabalho na Itália, é necessário ter uma oferta de trabalho oficializada através de um contrato ou pré-contrato assinado e legalizado no país da bota. Infelizmente, o governo italiano não concede visto de trabalho para quem está pensando em se mudar para o país e está em busca de novas oportunidades. Como solicitar o visto de trabalho? Para solicitar seu visto de trabalho, você deverá primeiro se encaminhar ao consulado italiano mais próximo e apresentar o contrato de trabalho com a empresa na Itália. Será necessário reunir a documentação requisitada e pagar uma taxa para que o visto seja devidamente emitido e você possa, enfim, iniciar sua jornada profissional no país da bota. Documentos necessários Para solicitar o visto de trabalho na Itália, você deverá apresentar: Formulário de solicitação de visto; Passaporte com validade superior a três meses da estadia pretendida; Duas fotos 3,5×4,5cm (padrão oficial italiano); Autorização (nulla osta) concedida pelo Sportello Unico per l’Immigrazione, através do pedido feito pelo Consulado ou Embaixada. Vale lembrar que, como explicado acima, antes de sair do Brasil é obrigatório ter um contrato ou pré-contrato para trabalhar na Itália. Quanto custa o visto para trabalhar na Itália? O visto de trabalho custa 116€ (cerca de R$ 667,00 na cotação do dia 11 de junho de 2024) e deverá ser pago diretamente no Consulado onde você o solicitou. Como trabalhar na Itália com cidadania europeia? Trabalhar na Itália com cidadania italiana é bem mais fácil. Do ponto de vista burocrático, você não terá nenhum problema, dado que você é considerado equivalente a qualquer cidadão italiano. O mesmo vale para quem tem qualquer outra cidadania europeia: basta ter carteira de identidade ou passaporte válido, sem a necessidade de um visto ou permissão de trabalho. Portanto, contratar um estrangeiro com dupla cidadania italiana não é um obstáculo, nem para o empregador, nem para o empregado. Inclusive, os cidadãos que detêm a cidadania italiana, se tiverem um contrato regular, têm direito ao seguro-desemprego e à aposentadoria. Precisa falar italiano? Para quem quer trabalhar na Itália, falar italiano é essencial. Sendo a única língua oficial do país, a maior parte da sua comunicação no dia a dia, seja com colegas de trabalho ou clientes, será feita toda em italiano. Além disso, a Itália recebe anualmente centenas de novos imigrantes. Obviamente, aqueles que terão preferência na contratação serão os que têm algum domínio da língua, mesmo que em nível iniciante. Aliás, os italianos apreciam muito o esforço que fazemos para nos expressar em sua língua materna e simpatizam bastante com estrangeiros que se aprofundam na cultura local. Apenas em casos muito específicos, como contratações para cargos mais altos em empresas multinacionais, é possível que ter um nível básico de italiano não seja realmente importante e, nesse caso, será exigido pelo menos um bom nível de inglês. Como preparar o currículo para a Itália? Se você quer trabalhar na Itália, o ideal é que o seu currículo responda à oferta de cada vaga, portanto é interessante ler atentamente o anúncio e os requisitos de cada vaga com atenção. Não deixe de colocar no seu currículo as suas soft skills e experiências pertinentes. Ressalte também o domínio de mais de um idioma, caso você possua essa habilidade. O mercado de trabalho italiano vê o conhecimento em outras línguas (como inglês, alemão, francês e espanhol) como um grande diferencial. Adapte o currículo Algumas empresas solicitam o envio de currículos no modelo Europass, uma espécie de modelo europeu que ajuda a deixar as informações pessoais, acadêmicas e profissionais mais fáceis de serem compartilhadas em toda a União Europeia. Mas, se você está em busca de um emprego no mundo artístico ou criativo, o nosso conselho é utilizar um modelo mais pessoal, acompanhado do portfólio, de preferência em italiano ou em inglês. Como são as entrevistas de emprego? As entrevistas de emprego na Itália são bem semelhantes às do Brasil. Para vagas que não exigem qualificação, geralmente, o recrutador explicará detalhes da vaga e questionará sobre sua disponibilidade de horários e a possibilidade de trabalhos em turno (se for o caso). Nesse caso, a sua experiência anterior em outros trabalhos não terá tanta relevância. Elas também serão mais rápidas e a avaliação das suas habilidades na língua serão pouco consideradas durante a entrevista. Já para vagas qualificadas, as entrevistas serão mais longas. O recrutador pedirá que você fale mais da sua experiência prévia na área, os tipos de tarefas que você exercia na sua função anterior, habilidades desenvolvidas e até sobre preferências pessoais, como hobbies. Aqui, suas habilidades no idioma serão vistas com um olhar mais crítico. Além disso, de forma geral, as entrevistas de emprego são mais claras em relação a salários. Perguntar o valor da remuneração ao recrutador não é considerado rude ou grosseiro; pelo contrário, eles normalmente fazem questão de deixar claro o valor (ou faixa salarial média) da vaga e podem perguntar a pretensão salarial do candidato para alinhar expectativas já nas primeiras entrevistas. Tipos de contrato na Itália A contratação de trabalhadores na Itália é regida por contratos de trabalho e existem várias tipologias. As principais delas são: Esses contratos podem ser desenvolvidos em tempo integral ou em tempo parcial. Áreas com mais vagas na Itália De acordo com uma projeção para o ano de 2024, algumas das profissões com mais vagas na Itália, especialmente para jovens profissionais, serão as seguintes: Técnico eletromecânico e mecatrônico; Projetista de sistema elétrico; Gerente de controle de qualidade; Topógrafos para canteiros de obras; Agentes comerciais e imobiliários; Especialistas em E-commerce; Assistência a clientes; Profissionais de call center e recepcionistas; Contadores; Profissional de licitações. É claro que podemos pensar também que existem algumas profissões que sempre precisam de novas pessoas sempre, independentemente da projeção que acabamos de ver. Como a Itália é um dos países mais turísticos do mundo, novas vagas para garçons e baristas, por exemplo, são divulgadas praticamente todos os dias. [caption id="attachment_163222" align="alignnone" width="750"] Um dos trabalhos com mais vagas na Itália é o de contador, profissão que exige maior qualificação dos estrangeiros.[/caption] Além disso, com a popularização do uso de Inteligência Artificial e a necessidade de se atualizar, a Itália começa a adotar mais ferramentas que levam a uma lenta, mas perceptível transformação digital. Como trabalhar na Itália como autônomo? Trabalhar na Itália como autônomo é possível para quem quer começar seu próprio negócio vendendo produtos e serviços. Para isso, é preciso fazer a abertura da sua própria partita IVA, o equivalente ao CNPJ brasileiro, com base no tipo de atividade que será desenvolvida. Além disso, é preciso muita atenção com a situação fiscal da empresa e aos valores de entrada e saída de caixa para pagar os impostos devidos ao Estado a cada ano. Na Itália, existe uma maior exigência para as empresas estarem em dia com o pagamento de taxas e, muitas vezes, esses valores podem ser altos. Salário mínimo e médio na Itália Não existe um salário mínimo na Itália. O equivalente é um valor pago por hora, estipulado pelos sindicatos, que atinge uma média de 11,70€ (em 2024). Além disso, algumas empresas preferem negociar diretamente com os subordinados, estipulando contratos específicos com pagamentos variados. O salário médio bruto na Itália em 2024 é de cerca 2.100€. Esse valor pode variar de região a região, são eles: Região geográfica Valor Norte 2.900€ Centro 2.300€ Sul 1.500€ De uma forma geral, os salários são mais altos nas regiões da Itália que são mais ricas. É o caso, por exemplo, dos principais estados do norte do país. Confira os valores das maiores médias anuais de salário da Itália para o início de 2024, relativo ao ano de 2023: Região Maiores salários médios (anual) Lombardia 33.452€ Lazio 32.360€ Liguria 31.448€ Trentino-Alto Adige 31.706€ Piemonte 31.448€ Emília-Romanha 31.441€ Lembre-se, porém, de que todos os valores que apresentamos são brutos e, dessa forma, estão sujeitos às altas deduções de impostos do Estado, que na Itália podem alcançar até 40%. Profissões mais bem pagas na Itália Segundo uma pesquisa publicada pelo SkyTG24, algumas áreas específicas, tanto as "tradicionais" como aquelas que surgiram nas últimas décadas, costumam ter os melhores salários, podendo ganhar cerca de 3.500€ bruto mensal. Claro, tudo vai depender do seu histórico universitário e competências. As profissões mais bem pagas na Itália são: Engenheiro; Tabelião; Dentista; Médico; Informático; Setor farmacêutico. Profissões com os piores salários Segundo pesquisas de mercado do site ContoCorrente Online, a agricultura está entre os setores com os piores salários, junto a: Garçom; Empregada doméstica; Recepcionista; Barista; Cuidador de idosos. Além dos salários, que costumam ser mais baixos, os contratos para trabalhar na Itália nestas áreas também tendem a ser precários e irregulares. [caption id="attachment_163223" align="alignnone" width="750"] Um dos trabalhos mais comuns entre os estrangeiros na Itália que não tem qualificação é na área de limpeza.[/caption] Nessas áreas que não exigem qualificação, também nota-se que os horários de trabalho são frequentemente abusivos. Salário na Itália e custo de vida Como vimos, a economia da Itália foi impactada pela crise da Covid-19 e pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Devido às mudanças no mercado, o governo instaurou uma série de medidas protecionistas, para garantir o sustento das famílias e desenvolvimento econômico da nação. A relação salário e custo de vida na Itália costumava ser bastante proporcional e a inflação afetava muito pouco o bolso dos italianos. Porém, podemos dizer que nos últimos meses, como consequência da crise econômica, os preços aumentaram muito. Você pode notar isso quando vai ao mercado, quando decide jantar fora ou quando busca os valores de casas para alugar. Não é mais tão simples viver com uma quantia limitada por mês e um salário baixo na Itália. Podemos dizer que 1.000€ é o mínimo que você precisaria ganhar para poder se manter em uma cidade pequena, dividindo aluguel ou morando em alojamentos universitários. É possível trabalhar na Itália e juntar dinheiro? Depende, mas na maioria das vezes será muito difícil trabalhar e guardar dinheiro. Como já dissemos, o custo de vida no país da bota continua a aumentar enquanto os salários não acompanham a mudança. Não é impossível juntar dinheiro, mas isso exigirá disciplina, controle sobre as despesas e optar por um estilo de vida com gastos mais reduzidos. Ter um trabalho qualificado (que costuma pagar salários mais altos) e morar em cidades mais econômicas são alguns dos fatores que podem colaborar para ter um valor a mais para poupar no final do mês. Melhores cidades para trabalhar na Itália As melhores cidades para trabalhar e encontrar oportunidades de emprego na Itália, segundo o site Idealista, são: Milão: a cidade mais cosmopolita de toda a Itália também é rica em quantidade de vagas e oportunidades de trabalho, tanto para quem já tem experiência quanto para quem quer iniciar um novo percurso profissional; Roma: a capital do país da bota pode ser o local perfeito para encontrar trabalho, principalmente se você é da área do turismo, arte e indústria cinematográfica; Turim: é uma capital ainda pouco explorada pelos brasileiros que vêm viver na Itália, mas a cidade é rica em desenvolvimento industrial e oferece muitas vagas na área. Além disso, é uma cidade que recebe muitos jovens e hospeda startups em franco crescimento; Bréscia: uma das cidades que mais tem crescido em desenvolvimento industrial e que também abre mais oportunidades na área de TI; Bologna: a cidade é uma capital universitária, oferecendo muitas oportunidades na indústria alimentar e também no setor automobilístico. Bérgamo: existem muitas oportunidades na cidade para quem procura trabalho em fábricas, manutenção e logística. Também está cheia de oportunidades para quem trabalha com Pesquisa e Desenvolvimento; Antes de escolher qualquer uma dessas cidades, lembre-se também que você deve avaliar o custo de vida nelas. Para cidades grandes, geralmente vale a pena optar por morar em cidades vizinhas menores para economizar com o aluguel e outras contas. Como é o ambiente de trabalho na Itália? Partindo de uma perspectiva pessoal e trazendo também a experiência de pessoas próximas, o ambiente de trabalho nos empregos não qualificados é relativamente tranquilo. Os italianos, como já dissemos antes, são muito receptivos com brasileiros, especialmente se estamos nos esforçando para nos comunicar no idioma. Além disso, os italianos são muito inclinados a um estilo de vida equilibrado entre trabalho e descanso. Por isso, o nível de cobranças geralmente é menor, fazendo o ambiente de trabalho ser mais leve. Isso não significa que os trabalhos não podem ser cansativos: quem já trabalhou um final de semana inteiro como garçom ou garçonete em um restaurante movimentado sabe que aqui também tem correria. Outro ponto interessante dos ambientes de trabalho é a diversidade cultural. A Itália recebe muitos imigrantes do Leste Europeu, então vai ser muito comum conhecer albaneses, romenos e ucranianos, por exemplo. Além disso, a quantidade de brasileiros no país só aumenta e é possível que você encontre vários deles em trabalhos, dos mais qualificados aos mais simples. Já tenho emprego e visto. E agora? Se você já possui um contrato de trabalho e está com o visto em mãos, você está pronto para partir para o seu novo destino: a Itália! Lembre-se que, assim que chegar no país, você deverá solicitar o Permesso di soggiorno. O permesso é o documento que dá direito à estadia legal no país, enquanto o visto garante o ingresso na Itália. Para solicitar o documento, é necessário ir até os Correios italianos (Poste italiane) e retirar o kit giallo (kit amarelo). A documentação exigida consiste em: Passaporte válido; Fotocópia do passaporte e da página que contém o carimbo de entrada no país e do visto; Recibo de pagamento de requerimento (80,46€); Fotocópia do comprovante de matrícula no curso desejado (em caso de visto de estudante); 4 fotos; Comprovante de endereço. O Permesso di soggiorno per motivi di lavoro (subordinato e indeterminato) tem duração variável, de 12 a 24 meses, e a sua emissão custa 80,46€. Os documentos deverão ser entregues na Posta. Depois, você receberá um documento com a data de entrevista na Questura da Polizia di Stato - espécie de Delegacia da Polícia civil estatal, que também é responsável pelo Ufficio immigrazione. Na Questura, o Oficial responsável registará a sua impressão digital e completará o processo de requerimento e devolverá o passaporte. Depois disso, você receberá o documento em casa. Perguntas frequentes sobre trabalhar na Itália Listamos s perguntas mais frequentes que recebemos dos nossos leitores. Vejas quais são e se também respondem as suas dúvidas. Dicas finais de como trabalhar na Itália Primeiramente, tenha paciência. O mercado de trabalho italiano, principalmente nas cidades menores, é baseado no networking. Caso você tenha se mudado há pouco para o país, procure fazer o máximo de experiência que puder, mesmo como trabalho voluntário. Muitas empresas possuem valores mais "tradicionais", e dão mais valor a experiências na Itália e mercado europeu em relação ao trabalho no Brasil. Procure melhorar a língua italiana: esse será um grande diferencial. Se puder, atualize-se, estude. Aproveite o tempo em casa para dar uma turbinada no seu currículo. Lembre-se de que a maior parte das oportunidades de emprego irá pedir o domínio da língua italiana como requisito. Existem vários vídeos no YouTube com relatos de brasileiros que vivem na Itália, que contam suas experiências e truques especiais na hora de encontrar um emprego. Curioso? Confira o vídeo do Vini Portieri das áreas com falta de profissionais qualificados na Itália e as principais oportunidades para o imigrante: Para inspirar você nesse processo, reunimos histórias de brasileiros que se mudaram para diferentes destinos europeus e recomeçaram. No ebook O Sonho de Viver na Europa você vai conhecer histórias, dicas do que deu certo e informações que podem ajudar você a tirar o sonho do papel.

Paisagem de Urbino no fim da tarde
Brasileiros na Europa Itália

A primeira mudança na Itália a gente nunca esquece!

Mudei… de novo! 2024 está sendo um ano repleto de mudanças e novas experiências. No começo do ano, como contei na coluna de março, voltei ao Brasil após 7 anos morando na Itália (e sem nunca ter voltado para o país). Para completar, fiz minha primeira mudança na Itália. Encerrei meu ciclo em Perúgia, cidade onde passei todos esses sete anos em que moro no país. Deixei para trás queridas amigas e amigos, um centro histórico que conheço como a palma da minha mão, memórias e ensinamentos que me transformaram na “adulta” que sou hoje. A primeira mudança dentro da Itália O motivo da mudança? Passei no doutorado na Universidade de Urbino, na homônima cidade. Urbino é uma cidade cuja arquitetura é racional, geométrica, típica do Renascimento. Inclusive, é considerada um dos berços do Renascimento não só italiano como europeu. [caption id="attachment_169948" align="alignnone" width="750"] Palácio Ducal de Urbino, quando me recebeu, em março de 2024. Foto: Bruna Paroni.[/caption] É nessa moldura idílica em que me encontro desde o começo de março. Sua praça principal, com o Palácio Ducal, é Patrimônio da Humanidade da UNESCO desde os anos 1990. Enfim, tem muita história aqui também! Mudança é sempre um perrengue Principalmente se você não dirige e quer economizar! Pois é, eu não dirijo na Itália - não posso pedir a conversão da carteira de motorista, já que sou residente no país há mais de quatro anos, como previsto pelo acordo bilateral já vencido -, além de ter acumulado coisas ao longo desses anos todos (livros, roupas, acessórios para casa, pequenos eletrodomésticos). Ao todo, quase 30 caixas "não muito grandes" cheias de coisas. Isso porque consegui vender o guarda-roupa e a cômoda, e dei a minha escrivaninha para uma amiga. Tive que organizar toda a mudança para poder viajar para o Brasil já sem casa e com a mudança na Itália resolvida. A minha vida em caixas Enquanto eu estive no Brasil, deixei a minha mudança na casa de uma amiga, a Monique, também brasileira. Nesse processo de encaixotar e transportar, pude contar com o apoio de várias pessoas mega especiais que toparam me ajudar nessa empreitada. Maristella, quem me ajudou com a logística de todas as caixas, da minha casa para a casa da Monique. Monique, a guardiã dos meus pertences. Lílian, Matteo, Riccardo pela primeira parte da mudança. Emilie, pela parte final dela. Idas e vindas de Perúgia até que, a tão planejada mudança na Itália estava completa. Finalmente, com as caixas na minha casinha nova, pude perceber o que tinha e o que não é mais necessário, mas principalmente: pude preencher as prateleiras com meus livros. Agora, sim, minha casa se parece comigo. E principalmente, está cheia de cores e histórias, velhas e novas a serem feitas nessa nova cidade. Adaptação à nova cidade Urbino é uma cidade muito, mas muito pequena mesmo. Seus habitantes são poucos, somando cerca de 15 mil. O que dá vida à cidade é justamente a oferta de universidades que a cidade tem. Além da Università degli Studi di Urbino, há a Accademia di Belle Arti e o Istituto Superiore per le Industrie Artistiche. Como deve ter dado para reparar, a cidade é muito “artística”. Não é para menos. Ela foi o berço de ninguém menos do que o Rafael. Sim, aquele Rafael, o famoso pintor da Escola de Atenas, lá no Vaticano. Inclusive, moro a exato 1 minuto de sua casa natal. [caption id="attachment_170833" align="alignnone" width="750"] Na Escola de Atenas aparecem Platão, Aristóteles e Sócrates, entre outros. Foto: domínio público[/caption] Dando vida à casinha nova! Pela primeira vez, estou morando sozinha! Estava precisando morar um tempo num apartamento, sem dividir os espaços com ninguém, e principalmente, ter mais liberdade para ter uma rotina estranha (acordar muito cedo, ficar estudando de madrugada, entre outras coisas). Ainda preciso pendurar alguns quadros e pôsteres, mas aos poucos está ficando com a minha cara. Estou gostando bastante, acho que foi uma ótima escolha para essa mudança na Itália - apesar da grana! [caption id="attachment_170836" align="alignnone" width="750"] Tarsila me julgando e relaxando ao mesmo tempo. Foto: Bruna Paroni.[/caption] A Tarsila, minha gatinha, também está se adaptando bem! Claro, é sempre um processo muito estressante para um gato. Mas devo dizer que, no geral, ela está a cada dia mais tranquila. E nova região também! A cidade é também capital da província de Pesaro-Urbino, que agrupa duas cidades, respectivamente. Enquanto Urbino ficar entre as montanhas, com suas paisagens bucólicas que inspiraram maestros do Renascimento, Pesaro fica na costa, no mar Adriático. A região é Marche - ou Marcas - cuja capital é Ancona. Não é uma região muito turística, o que é ótimo! Aqui, encontra-se de tudo: montanha, mar, campo. Mais próximo a Ancona tem o Parco del Monte Conero, com suas praias de um azul-prateado. Lindo demais. Urbino é um campus universitário O que se respira em Urbino, então, é arte, estudo e vida universitária. Principalmente para os mais jovens, da graduação ("laurea triennale"). Costumo dizer que a cidade é um campus: você tem tudo aqui nesses poucos quilômetros quadrados. Para o meu gosto, é muito pequena. Mas muito mesmo. Vendo pelo lado bom, porém, reparei que o meu nível de produtividade é muito alto. Estudo muito e “bem” - no sentido de que consigo ter uma rotina de estudos bem rígida -, que é o que eu queria vivenciar esses três anos de doutorado. Novos amigos Morar numa cidade universitária faz com que você faça amizade fácil. Conheci os colegas de doutorado dos anos anteriores, e através deles, fui conhecendo novas pessoas. E as pessoas estão mais ou menos na mesma situação que você (mudaram de cidade, são novos na cidade), etc., o que faz com que o acolhimento seja ótimo! Além disso, como é pequena, é comum sair de casa sem planos. Porque você acaba encontrando alguém na rua, num barzinho, e daí fazem-se os planos, encontram-se pessoas. Confesso que é gostoso. [caption id="attachment_170837" align="alignnone" width="750"] Eu, Arturo e Emilie no primeiro dia de primavera em Urbino. Foto: Bruna Paroni.[/caption] Contra qualquer expectativa, eu conheci dois brasileiros incríveis aqui na cidade, o Arturo e a Emilie. Sabendo que eles estão aqui, não me sinto sozinha. Ele, me deixa atualizada sobre o Palmeiras. Ela, minha mentora, além de ser companheira de aventuras (na universidade e fora dela). Lado ruim da mudança na Itália: deixar amigas para trás As minhas amigas são as "coisas" de quem mais sinto falta! Isso é óbvio. Sair para fazer um aperitivo ou dar uma voltinha, nos nossos lugares preferidos. Está sendo um desafio, confesso. A minha sorte é que Perúgia não fica tão longe assim de Urbino - inclusive, em três meses, já fui para lá quatro vezes. Deu para matar a saudade! Nova fase: doutorado! Ano passado, decidi dar esse passo. Afinal, já estava dando aulas de português na Universidade de Perúgia, e percebi que é justamente o ambiente universitário onde gosto de atuar. Talvez pelos estímulos? Não sei. Só sei que, desde que entrei na graduação, não fiquei um ano longe desses espaços acadêmicos, seja como estudante, seja como professora. Seleção de doutorado Grosso modo, os editais de doutorado na Itália seguem mais ou menos o mesmo estilo: você precisa se inscrever apresentando um projeto de pesquisa, currículo e outros documentos pessoais. Há uma pré-seleção, e então provas escritas e/ou orais (tipo entrevista). Não há uma bibliografia, então você precisa saber como defender bem seu projeto. Assim falando, parece tranquilo. Mas confesso que foi uma das coisas mais estressantes que já vivi na minha vida. Pior do que passar na FUVEST! Doutorado com bolsa Na Itália, não é muito comum fazer doutorado sem bolsa. A bolsa de estudo do doutorado consegue cobrir os custos mensais, como moradia, alimentação e vida no geral, mas não sobra nada no fim do mês. Morar em uma cidade como Urbino também ajuda a dar uma contida nos gastos mensais. Tirando o custo do aluguel. Por ter um número de estudantes matriculados praticamente igual ao número de residentes, há poucas casas disponíveis, deixando o centro histórico sem muitas ofertas, elevando assim os preços dos aluguéis. Inclusive, aqui, há muitas ofertas de quartos duplos (dois estudantes que compartilham o mesmo quarto). E não são tão baratos assim. A bolsa de doutorado e a bolsa de pós-doutorado não são corrigidas pela inflação - aliás, nada na Itália é. O cenário econômico sofreu e após a pandemia e a guerra na Ucrânia. E o país, que não via inflação desde 1988, passou a ter níveis muito altos. Para se ter uma ideia, em 2022, a inflação bateu níveis recordes, chegando a mais de 8%. Porém, os doutorandos contribuem ao INPS (o INSS italiano), o que faz com que a bolsa seja vista como um trabalho. Precário, é verdade. Mas trabalho. Estudar, estudar, estudar Sempre gostei de estudar, mas como ando falando para os meus amigos: nunca estudei tanto na vida como no doutorado. Cada pessoa encara esse primeiro ano de uma forma diferente, dependendo também da disciplina, do orientador, do programa de pós-graduação, etc. [caption id="attachment_169949" align="alignnone" width="750"] Música de câmara no Palácio Ducal, sede da Galleria Nazionale delle Marche. Foto: Bruna Paroni.[/caption] Um mundo conhecido, mas, de certa forma, novo para mim, foi o mundo dos métodos quantitativos. Durante o mestrado na Itália, eu fiz uma matéria de estatística e na dissertação, trabalhei com os chamados métodos mistos (qualitativo e quantitativo). Mas agora a coisa ficou mais séria. E principalmente: mais precisa. Estou aprendendo bastante, e inclusive gostando de aprender sobre análise de dados. Para minha pesquisa, é essencial! Balanço dos primeiros meses após a mudança na Itália A minha ideia não é passar os três anos de doutorado aqui. Por enquanto, posso dizer que estou gostando bastante de ter mudado de cidade e, principalmente, de ter uma rotina nova de estudo e trabalho. Gosto de ir para a biblioteca estudar, ou de ficar no Departamento com meu orientador e sua assistente. Consigo focar nas coisas importantes. Estou aprendendo a gostar de Urbino também, e a ver o lado positivo, como a curta distância da praia e, relativamente, de Bolonha, uma cidade rica de atrações culturais, história e inovações sociais. Vamos ver o que essa cidade vai reservar para mim nos próximos meses!

Morar na Itália aposentado sendo brasileiro
Itália

Morar na Itália aposentado: guia completo para brasileiros

Muitos brasileiros pensam em aproveitar a aposentadoria em um país com ótima qualidade de vida no exterior. Mas, morar na Itália aposentado é um processo burocrático e que envolve uma série de etapas e requisitos. Para te ajudar a realizar esse sonho, separamos um guia completo sobre o processo de mudança para o país na condição de aposentado. Descubra qual o visto necessário, quanto custa, quais os documentos obrigatórios e muito mais! Pergunta Resposta Aposentado brasileiro pode morar na Itália? Sim, qualquer aposentado no Brasil pode viver na Itália. Aposentado precisa de visto para morar na Itália? Sim, é necessário solicitar o visto de tipo D, chamado de Residenza elettiva. Como receber minha aposentadoria na Itália? A maneira mais fácil é transferindo o dinheiro do Brasil com a Remessa Online ou a Wise. Morar na Itália aposentado: o interesse de brasileiros pela Itália A Itália é uma das metas de viagem mais almejadas pelos brasileiros e, inclusive, é um dos países mais visitados no mundo. E claro, muitos turistas se apaixonam tanto pelo país que decidem se mudar para lá. Outro fator que pesa bastante na hora de escolher o país é, sem dúvidas, a segurança da Itália. Considerado um dos países mais seguros da Europa, a Itália registrou apenas 330 homicídios em 2023, uma das menores taxas entre os países europeus. Desta forma, a Itália fica em antepenúltimo lugar por casos de homicídios na Europa. Além disso, a Itália é um dos países europeus onde a qualidade de vida é muito alta: gastronomia, infraestrutura, escolas e outros fatores fazem da Itália um ótimo para se viver. De fato, a Itália está no ranking dos melhores países para aposentados em 2024, ocupando o 11º lugar. A seleção feita pela International Living considerou diversos fatores, como habitação, benefícios e descontos, vistos e residência, adaptação e entretenimento, saúde, clima, etc. Posso morar na Itália aposentado? A resposta é: sim! Desde a aprovação da Lei do Orçamento de 2019, que começou a valer em 2020, o governo italiano propôs uma taxação diferenciada aos estrangeiros que decidirem se mudar para o país, de somente 7% sobre todas as rendas, incluindo a aposentadoria, produzidas no exterior por dez anos. A ideia é diminuir os impostos para tentar concorrer com países como Portugal e Espanha, com o intuito de atrair os aposentados, sobretudo nas regiões do sul da Itália. A lei prevê que os aposentados priorizem regiões como Sicília, Calábria, Sardenha, Campânia, Basilicata, Abruzos, Molise e Apúlia e que escolham cidades com menos de 20 mil habitantes. Como faço para morar na Itália aposentado? Tudo pronto para a aposentadoria, mas como morar na Itália legalmente? A Itália não oferece nenhuma modalidade de visto exclusiva para aposentados estrangeiros. Porém, existe um visto ideal para quem não tem a cidadania italiana (ou europeia) e quer morar no país com a própria aposentadoria: o "Visto per residenza elettiva". Visto D: Residenza elettiva Para morar na Itália como aposentado, é preciso solicitar o visto de tipo D, chamado de Residenza elettiva. A tradução, "residência escolhida", alude ao fato de ser uma escolha "espontânea" de residência por parte do requerente estrangeiro. Esse visto é voltado para os cidadãos estrangeiros que optaram por estabelecer residência fixa no país, mas que não pretendem trabalhar na Itália e se manterão financeiramente por meio de rendas no exterior. [caption id="attachment_168096" align="alignnone" width="750"] O visto de aposentado deverá ser solicitado após a chegada na Itália. Foto: Giovanna Mauro[/caption] Por isso, uma das exigências, por parte do governo italiano, é apresentar um comprovante de renda detalhado e demonstrar, através do imposto de renda brasileiro, a capacidade de se manter no país. O visto é válido por um ano e pode ser renovado. Documentos necessários para o visto Residenza Elettiva Para morar na Itália como aposentado e com o visto de Residenza elletiva, você deverá reunir os seguintes documentos: Formulário de pedido de visto (formulário para o visto D); Foto (no formato italiano: 3,5x4,5cm); Passaporte brasileiro válido com validade superior a três meses da estadia pretendida; Comprovante de renda; Comprovante de aposentadoria; Documento comprovando moradia na Itália (possível moradia, como contrato promessa de aluguel, compra de imóvel, etc); Seguro viagem para a Itália ou IB2; Documento comprovando a parentalidade (em caso de pedido para a família inteira). Todos os documentos deverão ser apostilados e traduzidos para o italiano por meio de um tradutor juramentado. A Apostila de Haia deverá ser feita também nas traduções. A Yellowling é nossa recomendação para fazer a tradução de documentos para vistos. A empresa trabalha com profissionais altamente qualificados, e os serviços são de qualidade e tratados diretamente pelo site. É rápido, seguro e com ótimo custo-benefício. Custo do visto O custo do visto Residenza elettiva, obrigatório para morar na Itália como aposentado, é de 116€. Lembre-se que além do visto, o governo italiano exige ao estrangeiro que permanecer mais de 90 dias no país o Permesso di soggiorno. Neste caso, o Permesso di soggiorno necessário para se fixar no país é o Permesso di soggiorno per residenza elettiva, através do qual será garantida a estadia permanente no país sem a necessidade de trabalhar. A taxa total para o pedido deste documento em 2024 é 30,46€, o que equivale cerca de R$167,09 (conversão feita em abril de 2024). Renda necessária para solicitar o visto Para fazer a solicitação do visto e passar a aposentadoria na Itália, é necessário ter renda de, pelo menos, 31 mil euros anuais. Fizemos a conversão da moeda em abril de 2024 e o valor aproximado em reais é de R$170 mil. Porém, caso você pretenda morar na Itália como aposentado com outros membros da sua família, o valor a ser comprovado será maior. Se for requerer o visto também para o cônjuge, esse valor deverá ser 20% maior. E para cada filho deverá aumentar 5%. Onde requerer o visto Você pode solicitar o visto para aposentados na Itália no Consulado italiano da sua região. Veja os locais disponíveis: Para quem possui cidadania italiana é mais fácil Antes de mais nada, se você é cidadão italiano e mora no Brasil, você está inscrito no Anagrafe Italiani Residenti all'Estero, o AIRE, na Embaixada da Itália em Brasília ou no Consulado responsável pela sua jurisdição. O AIRE nada mais é do que o registro civil dos italianos residentes no exterior. Como cidadão italiano, o brasileiro que decidir morar na Itália como aposentado poderá, assim que chegar, procurar imóvel para morar sem nenhuma restrição legal. Algumas imobiliárias pedem um comprovante de renda, mas sendo aposentado, tudo fica mais fácil e seguro. Inscrição na Anagrafe Nazionale della Popolazione Residente Deverá também se inscrever na Anagrafe Nazionale della Popolazione Residente, em outras palavras, o Registro Civil da população residente no país, para poder obter a residência fixa no país e, desde modo, estar apto a utilizar os serviços como postos de saúde e hospitais. Para não prejudicar os cidadãos de ambos os países, os governos brasileiro e italiano estipularam um acordo de cooperação fiscal que a dupla tributação, seja aos italianos residentes no Brasil, seja aos brasileiros residentes na Itália. [caption id="attachment_168102" align="alignnone" width="750"] Os aposentados brasileiros na Itália podem aproveitar incentivos fiscais e benefícios especiais[/caption] O acordo de cooperação de aposentadoria entre os dois países funciona de forma idêntica. Assim, se um cidadão contribuiu com a previdência pública em um dos países, o mesmo consegue receber a aposentadoria no país de residência sem pagar um valor adicional ou ver descontados duplamente os impostos. Na fila para a cidadania Em contrapartida, se você não tem a cidadania italiana, porém tem direito e está pensando em tirá-la, saiba que, infelizmente, ainda não existe um caminho menos burocrático para morar definitivamente na Itália. As soluções para quem se encontra nesse caso podem ser duas: A primeira é se mudar como brasileiro, pedindo o Visto e Permesso di soggiorno per Residenza elettiva e, em um segundo momento, entrar com o processo de cidadania; A segunda é entrar com o pedido de cidadania durante os 90 dias disponíveis aos cidadãos brasileiros que visitam o Espaço Schengen e aguardar a documentação. Mas, não é possível pedir nenhum tipo de visto estando na Itália. Assim, caso você decida optar por essa opção, o conselho é sair do Brasil como tudo planejado nos mínimos detalhes. Brasileiros com cidadania europeia Por fim, caso você seja cidadão de outros país membro do Espaço Econômico Europeu – além dos países da União Europeia, a Suíça, Noruega, Islândia, Liechtenstein e República de San Marino –  saiba que você também pode morar na Itália aposentado. Você deverá se inscrever, como cidadão comunitário, na Anagrafe Nazionale della Popolazione Residente, indicando um endereço fixo de residência, sem a obrigação de solicitar o Permesso di soggiorno. Após 5 anos de residência consecutiva, o cidadão europeu tem direito à permanência permanente. Há benefícios fiscais para aposentados estrangeiros viverem na Itália? Na verdade, além do benefício fiscal previsto na Lei do Orçamento de 2019, não há nenhum outro tipo de incentivo promovido pelo governo italiano aos estrangeiros aposentados que queiram se mudar para a Itália. O que a Itália tem de positivo e atraente é, sem dúvidas, a qualidade de vida – e é exatamente isso que pesa na escolha de muitos aposentados. Declaração de saída definitiva do Brasil O cidadão brasileiro que reside no exterior de forma definitiva – ou seja, há mais de 12 meses consecutivos – deverá fazer a Declaração de saída definitiva do país, disponível no site da Receita Federal. Segundo o site do INSS, existe a possibilidade de solicitar a tributação diferenciada do Imposto de Renda Retido na Fonte do aposentado, caso resida no exterior, e seja titular de aposentadoria. Custo de vida na Itália Com o câmbio desfavorável e a inflação de 1,2% em abril de 2024, o custo de vida na Itália pode parecer relativamente alto para os brasileiros. Mas a verdade é que o país está repleto de cidades pequenas e médias com custo de vida reduzido! Para exemplificar o custo médio de vida dos aposentados no país, escolhemos uma cidade em cada região da Itália, que compartilham um estilo de vida parecido e têm quase o mesmo número de habitantes. São elas: Domodossola (Piemonte, norte), Rieti (Lácio, centro) e Trapani (Sicília, sul). Custos médios para duas pessoas O valor médio da aposentadoria na Itália é de 1.285€, mas pode variar de acordo com a região. Para que você tenha uma estimativa de quais serão os seus gastos, veja os custos médios que separamos a seguir. A nossa simulação foi feita no site Numbeo em abril de 2024 e pensada para duas pessoas que decidirem morar em um apartamento de 85m², localizado no centro destas três cidades. Na seção "contas" estão incluídos os boletos de gás, luz, internet, água e taxa do lixo. Cidade (e região) Aluguel Mercado Contas Domodossola (Piemonte, norte) 550€ 260€ 220€ Rieti (Lácio, centro) 500€ 220€ 206€ Trapani (Sicília, sul) 350€ 150€ 170€ Com a aprovação da Lei Orçamentária de 2024, os estrangeiros residentes na Itália com o visto per residenza elettiva não possuem mais o direito à inscrição gratuita no sistema de saúde italiano (SSN). Dessa maneira, os aposentados estrangeiros na Itália precisarão contratar um seguro-saúde privado ou pagar o valor atualizado para se inscrever no SSN: 2.000€/ano. Recomendo a inscrição no SSN, uma vez que ela garante vários benefícios, como a cobertura de diversos medicamentos. Melhores cidades para aposentados na Itália A seguir, vamos conhecer mais de perto as três cidades que mencionamos! Domodossola (Piemonte, norte) Sendo o centro econômico e industrial do país, o norte é uma das regiões mais caras da Itália. Nas grandes cidades, como Milão, Bolonha e Turim, o preço médio de aluguel de um apartamento de um quarto pode chegar a 900€ (em zonas periféricas). Porém, mesmo no norte, os preços são muito mais baixos em cidades menores, como é o caso de Domodossola, uma cidade calma e tranquila de pouco mais de 18 mil habitantes, cercada pela natureza. Se você quer morar na Itália aposentado e gosta do inverno, essa é a melhor opção para você. Afinal, Domodossola situa-se aos pés dos Alpes, conhecidos pela incrível paisagem invernal. Em Domodossola, o acesso aos serviços públicos é rápido e prático. Há hospitais, grande oferta de serviços (farmácias, supermercados, padarias, restaurantes, trens). Bônus geográfico: está a 1h10 do Lago Maggiore e de Locarno, cidade suíça protagonista do importante Festival de Cinema de Locarno! Rieti (Lácio, centro) O centro da Itália, igualmente grande e importante, engloba regiões como a Toscana, o Lácio, a Úmbria e as Marcas. Dessas, podemos dizer que o Lácio é o coração econômico e político do centro do país. As cidades ao redor da capital italiana são sedes de importantes empresas e indústrias, além de possuírem programas de incentivo financeiro para atrair novos habitantes. Uma dessas cidades é Rieti que, com quase 50 mil habitantes, possui um programa de auxílio financeiro para aqueles que alugarem um apartamento no local por ao menos três meses. [caption id="attachment_171196" align="alignnone" width="750"] Morando em Rieti, você pode chegar a Roma em apenas uma hora e meia de carro.[/caption] Mas, além do incentivo, morar em Rieti possui uma série de outras vantagens. A cidade oferece uma ótima qualidade de vida, boas escolas e segurança por um custo de vida relativamente baixo, principalmente para os padrões do centro da Itália. Rieti não está londe de Roma. Dessa forma, você poderá acessar todos os serviços e oportunidades da capital italiana enquanto vive em um lugar tranquilo e barato. Trapani (Sicília, sul) O sul do país e as ilhas (Sardenha e Sicília) são, de longe, as regiões mais baratas para se viver! Os preços no sul chegam a ser quase a metade dos preços do norte e a qualidade de vida também é alta por lá. Além disto, se você prefere temperaturas mais amenas, a região sul é a ideal para você. Além de ser uma das regiões mais bonitas da Itália, a Sicília recebeu inúmeros investimentos do governo italiano nos últimos anos. Assim, a região pôde se desenvolver economicamente e, hoje, é uma das metas dos italianos e estrangeiros que querem viver no país. Com quase 70 mil habitantes, a cidade de Trapani pode ser ideal para os aposentados que querem levar um estilo de vida tranquilo e aproveitar o melhor da dolce vita italiana. Se você pensa em comprar um imóvel na Sicília, Trapani é uma boa opção: existem diferentes tipos de propriedades à venda por um valor abaixo da média nacional. Além disso, a beleza natural da cidade é indescritível: o local é ensolarado o ano todo e concentra um grande número de praias paradisíacas para você aproveitar o melhor do Mar Mediterrâneo. Cidades mais baratas para viver a aposentadoria na Itália Uma boa opção para quem quer morar na Itália como aposentado é escolher uma das cidades mais baratas do país para viver. Essas pequenas cidades oferecem uma boa qualidade de vida e, ao mesmo tempo, baixos custos. Confira o nosso ranking de cidades mais baratas da Itália: Alessandria; Belluno; Ancona; Pescara; Cuneo; Ostia Antica; L'Aquila; Tivoli; Enna. Cidades pequenas para morar na Itália As cidades pequenas na Itália podem ser uma boa escolha para quem quer ter uma aposentadoria calma, tranquila e sem gastar muito. Veja a lista com algumas das opções para os aposentados: Aosta; Belluno; Campobasso; Orvieto; Rieti; Urbino; Vercelli; Cremona. Um elemento que deve ser considerado é que se a cidade for pequena demais (com mil habitantes, por exemplo) é provável que a sua estrutura (hospitais, farmácias, etc) não seja tão boa, o que pode não ser interessante para quem quer morar na Itália como aposentado. Assim, é importante escolher uma cidade com atenção. Como receber a sua aposentadoria na Itália Tendo decidido viver na Itália após se aposentar, é importante saber como você irá receber a sua aposentadoria na Itália. É possível receber o seu dinheiro diretamente em um banco da Itália, através de transferência bancária. Para tratar desse assunto, basta receber a sua aposentadoria no Banco do Brasil e pedir uma transferência programada para um banco na Itália. Outra alternativa, é fazer o envio do dinheiro do Brasil para a Itália. É possível receber a sua aposentadoria numa conta bancária no Brasil e transferi-la, mensalmente, para uma conta bancária na Itália. Para isso, existem inúmeros métodos como: Wise, Remessa Online, Paypal, MoneyGram, Western Union, etc. A dica aqui é sempre acompanhar a cotação do euro para garantir valores melhores. Contribuí com a previdência social italiana, tenho direito a aposentadoria na Itália? Sim, mas é preciso cumprir alguns requisitos. A aposentadoria na Itália é conhecida como Pensione di Vecchiaia, ou seja, pensão por velhice. Para se aposentar no País da Bota, o trabalhador deve cumprir os seguintes requisitos: Possuir 67 anos (homens ou mulheres) do setor público ou 62 anos para setor privado (mulheres); Ser residente na Itália; Possuir, no mínimo, 20 anos de contribuição (que podem ser somados aos anos trabalhados no Brasil, como explicaremos mais abaixo); Não ter um vínculo empregatício válido (não se aplica para trabalhadores autônomos). O órgão italiano responsável pela previdência social é o INPS. Acordo Bilateral de Previdência Social Brasil Itália A Itália é um dos países que possuem acordo bilateral de previdência social com o Brasil, ou seja, um brasileiro pode se aposentar na Itália somando o tempo de contribuição de ambos os países, e vice-versa. Então se você se mudar para a Itália e chegar na idade de se aposentar, poderá usar o tempo de contribuição para a previdência social no Brasil, para completar o tempo de contribuição na Itália. Para saber mais sobre o acordo bilateral de previdência social, consulte os sites do INSS e do INPS. Aposentadoria para brasileiros que contribuíram na Itália e retornaram para o Brasil Se você é brasileiro, contribuiu para a previdência italiana e decidiu retornar para o Brasil ao se aposentar, saiba que é possível receber a sua aposentadoria no Brasil. Para ter direito ao pagamento do benefício no país de origem, o indivíduo não pode ser italiano e é necessário ter 20 anos de contribuição para aqueles que começaram a contribuir antes de 1996. Para quem pagou a sua primeira contribuição após 1996, não há um tempo mínimo de contribuição, bastando cumprir os demais requisitos. Apesar de ser uma regra bastante controversa, justifica-se como um incentivo para que os estrangeiros que não são mais produtivos retornem aos seus países de origem e assim não sobrecarreguem os serviços públicos, como a saúde. O que é a Pensão Social (Assegno Sociale) A Pensão Social, ou Assegno Sociale, é uma proteção do governo italiano para amparar aquele indivíduo, sem outras fontes de renda que, ao completar a idade para se aposentar, não possui tempo de contribuição para a aposentadoria normal. É um dispositivo criado para o governo amparar o trabalhador na velhice e retribuir pelos anos trabalhados na Itália. O valor do Assegno Sociale, em 2024, é de 534,41€ ao mês, com direito à 13ª parcela. Requisitos para solicitar a pensão social Para solicitar a pensão social é necessário cumprir os seguintes requisitos: Possuir, no mínimo, 67 anos; Ser cidadão italiano ou europeu. Em caso de cidadão de estado terceiro, possuir uma Carta ou Permesso di Soggiorno de Longa Duração; Residir na Itália, legalmente e ininterruptamente, por pelo menos 10 anos; Não possuir outras rendas superiores ao valor do auxílio. Como solicitar a pensão italiana Para solicitar a aposentadoria na Itália ou mesmo a pensão social (assegno sociale) é preciso procurar o INPS da cidade onde você é residente na Itália. Para ajudar com o processo, que pode ser bastante burocrático, procure também o CAF ou um Patronato. Qualidade de vida dos aposentados na Itália A qualidade de vida dos aposentados é muito alta na Itália e isso se reflete no grande número de idosos que superaram os 100 anos: são mais de 17 mil os idosos que superaram o século de vida, segundo os últimos dados divulgados pelo Istat - Instituto Nacional de Estatística. [caption id="attachment_168101" align="alignnone" width="750"] Os aposentados na Itália podem usufruir de uma ótima qualidade de vida, atraindo inúmeros brasileiros para o país.[/caption] Em 2024, a expectativa de vida no país é de 83 anos e a idade média dos italianos é de 48,4 anos. Portanto, a Itália é um país preparado para receber e cuidar dos idosos, o que pode ser percebido especialmente no sistema de saúde italiano. Grande parte das políticas públicas de saúde são voltadas aos idosos, como o desconto no Imposto de Renda da Itália para quem contratar uma cuidadora. Vale notar que a região Norte concentra o maior número de centenários, mas o centro e o sul não ficam para trás. Portanto, a qualidade de vida para idosos é notável em todo o território italiano! Como encontrar imóveis para morar na Itália aposentado? Uma vez resolvida a parte burocrática, chegou a hora de encontrar um imóvel para viver país. Mas, por onde começar a procurar? Existem centenas de ofertas de imóveis em grupos de Facebook, sites de empresas para aluguéis de médio e longo período (Housing Anywhere, por exemplo), portais de imobiliárias, etc. Se você quer fazer a procura sozinho, é preciso ter cuidado para evitar golpes. Assim, o melhor jeito é procurar imóveis pessoalmente, com a ajuda de imobiliárias. Se você não falar a língua, consulte um tradutor antes de assinar o contrato de aluguel (o ideal seria visitar os imóveis com um intérprete!). Além disso, é importante que você também tenha alguém para te ajudar a entender como os contratos de aluguel e venda de imóveis funcionam na Itália, uma vez que eles possuem uma estrutura bem diferente daquela do Brasil. Documentos para quem tem cidadania europeia Para alugar um apartamento na Itália, você deverá apresentar algumas documentações obrigatórias, como: codice fiscale (equivalente ao CPF) e um documento italiano (passaporte italiano ou carta de identidade italiano). O mesmo vale para qualquer outra cidadania europeia. Documentos para cidadãos brasileiros Caso não você tenha cidadania italiana, e decidiu morar na Itália aposentado, optando pela Residenza elettiva, os documentos necessários são: passaporte brasileiro com o Visto di Residenza elettiva e Permesso di soggiorno per residenza elettiva. Viver a aposentadoria na Itália: sim ou não? Depende. Se tem todos os requisitos necessários para pedir o seu visto para morar na Itália, você deverá então considerar os pontos positivos e negativos. Faça uma pesquisa sobre o país, a cultura, a culinária italiana, a qualidade de vida. Só assim conseguirá ver se realmente quer morar lá. Além disso, se você tiver oportunidade, visite o país antes de tomar uma decisão. Afinal, uma mudança não é simples e deve ser bem pensada. Não se esqueça que não vale a pena se mudar para nenhum país sem estar com toda a documentação legalizada. Se quiser saber mais sobre o processo de mudança para a Europa, com relatos e experiências de quem fez esse caminho, confira o nosso livro digital "O Sonho de Viver na Europa". Não importa a cidade escolhida. A Itália é um país incrível e nada mais justo querer envelhecer no país do macarrão, do vinho e do azeite. Então, é hora de separar os documentos e fazer as malas. Buona fortuna!

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