Por que eu saí do Brasil e como vim morar em Portugal

Europa  / 

Pelo fato de ter criado a Euro Dicas, eu converso diariamente com pessoas que querem morar fora do Brasil e uma das perguntas mais recorrentes é por que eu saí do Brasil e como.

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Apesar dos diversos motivos óbvios que temos para morar fora, todo mundo teve um “momento clique”, que te faz pensar “tenho mesmo que ir embora”.

Por que eu saí do Brasil

Eu nasci e cresci em São Paulo, e vi de perto a violência aumentar. Sou da zona norte de SP, uma região ~razoável~, mas é chocante hoje pensar que era “normal” ver todas as semanas alguém morto no bairro onde vivia. Desde que mudamos para Europa, mal vemos armas (inclusive da polícia). Imagina para uma criança que cresce achando que é normal as pessoas serem mortas na rua? Que é normal ser assaltado?

Era gerente de e-Commerce de uma grande editora do Brasil, tinha horário flexível, carro, e nem gastava tanto tempo assim para ir trabalhar (pela média de SP), só médico particular, comia onde e quando queria. O dinheiro não costumava ser uma preocupação (não era – e nem sou – rico, mas vivia de maneira confortável). Tinha tudo para ser feliz, certo? Talvez. Mas não era bem assim.

Ou saia de casa as 7 horas da manhã, ou então era melhor sair depois das 11h. Trânsito. Sair depois das 22h requeria estar MUITO mais alerta, cuidado no farol, nunca ficar dentro do carro estacionado e tudo mais que você já está cansado de saber. Minha vida tinha que ser pautada para evitar situações que podiam me colocar em risco. Em casa, portão automático, no carro, vidros completamente pretos. Nada evitou uma tentativa de sequestro relâmpago.

Um dia fui ao banco, e no estacionamento vi um casal com uma arma apontada para a cabeça. Ficaram entre a vida e a morte por ter sacado dinheiro. Minutos antes e poderia ser comigo. Nesse momento eu decidi que não dava mais para viver no Brasil. Cada vez a violência estava mais perto, não era mais “o conhecido do conhecido”, era na minha frente, era comigo também.

Planejamento para morar fora

Não vou entrar muito em detalhe de como me planejei para morar fora, porque já escrevi um texto onde conto como se planejar para morar fora do Brasil, desde a decisão até chegar no novo país.

Mas é importante saber que, desde o momento que decidi que queria morar fora até embarcar em Guarulhos, demorou 9 meses. Foi uma “gestação”.

Desde o dia que decidi que iria morar fora, fiz uma planilha de Excel e fui juntando todo o dinheiro que podia. Cortei os jantares fora, as festas, tudo. Fiz um planejamento para juntar dinheiro suficiente para que pudesse ficar seis meses sem trabalhar (caso fosse preciso). Vendi o carro, guitarra e tudo mais que pudesse fazer algum dinheiro (e o que não pudesse levar comigo).

O mais importante: coloquei uma data para isso acontecer e comprei as passagens. 22/FEV. Não tinha mais volta, nós iríamos morar fora.

Por que eu saí do Brasil: Cidadania portuguesa

Quando pensei em morar na Europa é que passei a realmente dar valor para a origem da minha família. Meu avô nasceu e cresceu em Portugal, e foi ainda adolescente para o Brasil.

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A primeira coisa que fiz foi procurar tudo sobre a cidadania portuguesa e dei entrada na minha, um processo simples (até então), com ajuda de uma assessoria porque não queria gastar muito tempo.

Me informaram que levaria até 8 meses para a minha cidadania ser reconhecida. Então já sabia que não conseguiria sair do Brasil antes. Mas era também um tempo razoável para organizar a minha vida.

Estava literalmente “em cima” do prazo quando a minha cidadania foi reconhecida, corri para tirar o meu cartão de cidadão (equivalente ao nosso RG) e depois o passaporte, que chegou 3 (TRÊS) dias antes da viagem! Era pra ser. Então esse é um dos motivos por que eu saí do Brasil.

Escolhendo o país para morar

Eu não vim direto morar em Portugal, o primeiro país que fui morar foi a Irlanda. Isso por que eu já namorava (com a mulher que viria ser minha esposa) e ela não tinha nenhuma possibilidade de conseguir alguma cidadania. Então fui a procura de um lugar onde ela conseguisse obter algum visto e que pudesse também trabalhar.

A Irlanda é um dos poucos países do mundo que permite trabalhar com o visto de estudo (agora, 4 anos depois, algumas coisas já mudaram). Na época, vimos que um curso de inglês dava direito a estudar 6 meses (meio período de estudo, e meio período livre para trabalhar) e depois tinha mais 6 meses para trabalhar o dia todo, legalmente no país. Compramos o curso de inglês para ela.

Era a saída perfeita. Ela teria visto e poderia trabalhar e eu podia viver e trabalhar na Irlanda. Quase tudo perfeito, já explico.

Morar na Irlanda

Depois do país escolhido, ainda tínhamos que escolher onde morar. O dinheiro não era muito, Dublin era caro demais para a gente. Além disso, pelos grupos já sabia que dava para viver em Dublin sem falar inglês, com o tanto de brasileiros que já viviam lá.

Nós precisávamos melhorar o inglês, já falávamos português em casa, não dava para ficar só falando com brasileiros. Então optamos por Limerick, uma cidade que fica a 250km de distância de Dublin, e tinha pouco mais de 90 mil habitantes.

Embarcamos, com 2 malas de 32kg, muita coragem e vontade de uma vida mais tranquila. Tranquila é a palavra certa para Limerick. Tranquila até demais. Chegar em Limerick, de ônibus saindo de Dublin, foi uma aventura e chegamos de noite no meio do mato.

Nem tudo são flores na Europa, claro

Centro de Limerick, na Irlanda
Fomos de um extremo para o outro. Sabe aquele cidade que todo mundo se conhece? Que abre 5 vagas de emprego por mês? Então. Estávamos nessa cidade.

Apesar de tudo, alugamos um apartamento legal, no centro da cidade. Ela foi fazer o curso de inglês (que odiou, pelo sotaque, pelo método, por tudo). Eu, que sempre trabalhei com TI, tinha alguns trabalhos freelancers mas que não sustentavam a casa e tive que sair a procura de emprego, para fazer qualquer coisa.

Imprimi currículos e acho que entreguei em todos os lugares possíveis perto da minha casa, nenhuma resposta. Nenhuma entrevista. Nem para lavar louça (sim, me candidatei). Nesse momento comecei a pensar que tinha feito uma péssima escolha. Do outro lado do mundo não acreditavam em mim nem para lavar louça, para limpar o chão. Talvez pelo inglês “mais ou menos“, talvez pelas raras oportunidades existentes na cidade, não sei.

Ela já não gostou da cidade e de tudo logo de cara, e veio o inverno forte. Winter is coming. Sim, o sol mexe mais com a gente do que podemos imaginar. Chovia muito, não conseguimos trabalhar, não fizemos nenhuma grande amizade, não estávamos envolvidos na comunidade. Não fazia sentido continuar na Irlanda. Então conversamos e decidimos que iríamos mudar quando ela acabasse o curso.

Só para ficar muito claro, não tem nada de errado com a Irlanda, só não era para a gente. Conheço pessoas que amam e não trocam a Irlanda por nada.

Escolher um novo país para morar

Estávamos de novo na estaca zero, mas dessa vez sem tempo para planejar e não existia um plano B, talvez por ter confiado demais que tudo daria muito certo. Não tínhamos nove meses para juntar dinheiro, até por que, estávamos gastando mais do que ganhávamos.

Era preciso escolher rápido, e dessa vez não poderíamos errar. Como não queríamos arriscar, optei em começar a enviar currículo (na minha área) antes de mudar. Lembro de ter enviado currículo para pelo menos 5 países diferentes, inclusive para cargos bem abaixo do meu antigo trabalho. Era preciso ser humilde e assumir que teria que recomeçar.

Por que eu saí do Brasil? Porto, Portugal nos chamou

Nós no Porto, Portugal
Mais uma vez, poucas repostas em centenas de currículos enviados. Mas eu não precisava de muito, bastava uma oportunidade. Recebi duas respostas, as duas no Porto, em Portugal.

Uma delas não avançou, o salário era muito baixo, as exigências eram grandes e a empresa pequena. A outra avançou e fiz uma primeira entrevista por Skype, e ficou agendado uma entrevista presencial em 15 dias. Era tudo ou nada. Não tinha dinheiro sobrando para ir fazer a entrevista e voltar para a Irlanda (um abraço, planejamento). Decidimos que iríamos para Portugal de qualquer maneira.

Fizemos mais uma vez as malas, cancelamos contas, entregamos o apartamento, etc etc etc… e finalmente chegamos em casa. Sim, quando pisei no Porto me senti em casa. Chegamos numa quarta-feira, fiz a entrevista pessoalmente na sexta, comecei a trabalhar na segunda. FINALMENTE as coisas começaram a andar. Depois disso, ainda demoramos para nos recompor financeiramente. Demorou dois anos para ter a vida “estável” de volta.

No Porto, casamos, tivemos nossa filha e arrumamos um lugar para chamar de nosso. Obviamente, ainda nos faltam muitas conquistas, mas aos poucos chegaremos lá.

Por que eu saí do Brasil: voltar para o Brasil?

Antes de sair do Brasil, achei que em um ano conseguiria voltar e visitar a família, mas demorou três anos. Quando voltei pro Brasil, foi com uma sensação muito boa, de que não foi fácil, mas que tinha “vencido” apesar de tudo. Vencido o meu próprio desafio.

Voltei como turista, com mais dinheiro do que quando sai, com uma vida construída do outro lado do mundo e com a minha filha no colo. E claro, com uma cabeça completamente diferente.

Muita gente me pergunta se não gostaria de voltar a viver no Brasil, nesse momento, não. Estamos bem por aqui, e com uma filha me faz pensar muito mais. Mas jamais vou negar as minhas origens. Se for preciso voltar pro Brasil, eu volto, e não vai ser da cabeça baixa.

Foi assim que vim morar em Portugal, e continuo aqui desse lado, tentando ajudar pessoas que querem fazer o mesmo. Acho que essa é a minha contribuição para os brasileiros. Esse texto não é pra dizer “que consegui“, é pra mostrar pra quem ainda está pensando/planejando, que não é fácil, mas que não é só você que tem dificuldades também. Morar fora é difícil pra todo mundo, mas se houver um objetivo e planejamento, conseguimos.

Morar fora é difícil, mas deixar os sonhos para trás é muito mais. Por que eu saí do Brasil? Para ter mais qualidade de vida!

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Autor

Erick é luso-brasileiro, aos 21 anos mudou para a Europa e dedica parte do seu tempo para ajudar outros brasileiros realizarem o sonho de viver na Europa. Mora atualmente em Portugal, trabalha com tecnologia e é fundador da Euro Dicas.