Covid-19 na Europa: veja as medidas decretadas para conter a pandemia

(Atualizado em 30 de outubro de 2020). A Europa luta para controlar a sua segunda onda de coronavírus, que se agrava com a chegada do inverno. Os governos vêm adotando novas medidas, a fim de conter o vírus sem a necessidade de lockdowns, como feito no início do ano. Entenda o novo cenário da Covid-19 na Europa e os detalhes de cada país.

Segunda onda de Covid-19 na Europa

O número de óbitos da Covid-19 na Europa não acompanha a nova onda e espera-se que siga desta mesma forma.

O que se verifica na Europa, hoje, é o que vem sendo chamado de uma segunda onda menos mortal. Acompanhe os dois gráficos abaixo para confirmar. Eles foram obtidos junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), no dia 26 de outubro.

Número de casos confirmados na Europa

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Reprodução/OMS

Número de mortes na Europa

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Reprodução/OMS

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No gráfico de novos casos de Covid-19 na Europa, o que se vê é um pico semelhante ao do início da pandemia. Já no gráfico de óbitos por Covid-19 na Europa, não se confirma a mesma tendência.

No entanto, ainda assim, as autoridades reforçam que as novas medidas precisam ser tomadas antes que haja um colapso na saúde, como verificado em alguns países, como a Itália, no começo da pandemia.

O uso de máscara, a higienização das mãos e o distanciamento social seguem recomendados para todos, aliás, não só na Europa.

Covid-19 em Portugal

De 30 de outubro a 3 de novembro, ou seja, durante o feriado do Dia de Finados, a circulação entre cidades está proibida em Portugal. A ideia é conter o trânsito de pessoas e, consequentemente, do vírus.

O uso de máscara na rua passa a ser obrigatório no país em espaços públicos sempre que não seja possível manter a distância de segurança (2 metros).A medida ficará em vigor por 70 dias e quem descumprir poderá pagar multa de 100 a 500 euros.

Portugal também decretou estado de calamidade, com duração até 31 de outubro. As regras valem para todo o continente e podem ser consultadas no site do Serviço Nacional de Saúde.

Entre as determinações, está a proibição de venda de bebidas alcoólicas para consumo em espaços públicos e nos supermercados e hipermercados após as 20h. Também ficam proibidas festas e eventos de estudantes que não estejam dentro do calendário letivo.

Reuniões acima de cinco pessoas ficam proibidas, exceto para pessoas da mesma família. Casamentos, batizados e eventos familiares ficam restritos a 50 participantes, com cumprimento de distanciamento social e uso de máscaras. Há restrição para estabelecimentos comerciais só abrirem após 10h.

O uso de máscara é recomendado para todos nas vias públicas, assim como o uso do aplicativo StayAway Covid, que auxilia no rastreio de contatos, apontando com quem a pessoa teve contato nos últimos dias.

As multas para aqueles que não cumprirem as determinações podem ir de 100 a 500 euros para cidadãos e de mil a 10 mil euros para empresas.

Portugal tem 137.272 casos de Covid-19 confirmados desde o início da pandemia, sendo 2.468 fatais.

Portugal teve, nesta sexta-fera (30), um dia recorde de novos casos: 4.656 mil em um único dia. Mais de 1.927 pessoas estão internadas, sendo que 275 ocupam as UTIs por coronavírus.

Portugal exige dos brasileiros que viajam em casos essenciais a apresentação de exame negativo para Covid na chegada do país. O exame precisa ter sido feito até 72 horas antes do desembarque.

Covid-19 na Espanha

O Parlamento Espanhol aprovou o segundo estado de emergência na Espanha nesta quinta feira, 29 de outubro, que deverá ficar em vigor até o dia 9 de maio de 2021.

O país terá toque de recolher entre 23h e 6h, que só não será válido nas Ilhas Canárias, onde o número das novas infecções ainda não preocupa. As regiões também têm liberdade para aplicar outras regras, como, por exemplo, a proibição de reuniões com mais de seis pessoas e o fechamento do comércio.

Na quarta-feira (21), a Espanha ultrapassou a marca de um milhão de casos de Covid-19. No sábado (24), o país registrou 231 novas mortes, que representa o maior número desde 29 de abril, quando foram registrados 224 óbitos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O pico da primeira onda foi em 30 de março, quando 888 mortes foram contabilizadas.

No total desde o início da pandemia, a Espanha tem 1.160.083 casos de Covid, sendo 35.639 fatais, segundo o Ministério da Saúde do país.

Madri é a região que concentra o maior número de casos que precisaram de atendimento médico. Na sequência vem a Catalunha.

Na capital Madri e também em Fuenlabrada, Alcorcón, Parla, Getafe, Leganés, Móstoles, Alcobendas e Torrejón de Ardoz já havia sido declarado estado de alerta, com restrição à entrada e saída de pessoas, salvo em situações essenciais, como trabalho, estudo e tratamento médico. As reuniões sociais em todas as regiões citadas são limitadas a seis pessoas.

Já a região da Catalunha adotou o fechamento de bares e restaurantes por 15 dias, até 30 de outubro.

Na Espanha, é obrigatório o uso de máscaras faciais nas ruas e também nos ambientes fechados onde não é possível manter uma distância social de pelo menos 1,5 metros. Não é preciso apresentar atestados para chegar ao país. Mas brasileiros só podem ir para lá em casos essenciais.

Covid 19 na Itália

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, aprovou um pacote de medidas que passa a valer a partir desta segunda-feira (26). Ele vinha afirmando que evitaria até o fim novos bloqueios, mas já precisou fazer algumas mudanças.

Entre outras medidas, as novas regras incluem limite de horário de funcionamento de bares e restaurantes – que passam a atender apenas até as 18h, depois disso, só por delivery ou retirada no local.

Locais de entretenimento, jogos e academias serão fechados. Os italianos também serão incentivados a não viajar. As aulas do ensino médio voltaram a ser ministradas a distância. As medidas valem até 24 de novembro.

“Se respeitarmos as regras este mês, vamos manter a curva sob controle e enfrentar dezembro e a temporada de férias com mais serenidade”, disse Conte, que enfrenta manifestações violentas dos que não querem mais fechamentos por conta da pandemia.

Números atuais

Na Itália, as novas infecções aumentaram para um recorde de 57.908 nas últimas 24 horas e há mais 418 óbitos.

Segundo a Universidade Johns Hopkins, a Itália tem um total de 647.647 casos de coronavírus e 38.321 mortes.

Na Itália, é obrigatório usar máscaras em espaços fechados de todo o país, incluindo meios de transporte e em qualquer situação em que não seja possível garantir o distanciamento social de pelo menos 1 metro.

O uso de máscaras também é fortemente recomendado nos espaços públicos e mesmo dentro das casas, quando da interação com pessoas que não residem no mesmo local.

É aconselhado receber no máximo seis pessoas em casa. Comemorações como casamentos podem contar com, no máximo, 30 pessoas. O país exige atestado negativo para coronavírus de quem chega (ou tenha estado nos últimos 14 dias) da Bélgica, França, Países Baixos, Reino Unido, República Checa e Espanha.

Brasileiros só viajam para lá se tiverem cidadania europeia ou em casos essenciais – estudo, trabalho e tratamento médico, por exemplo.

Covid-19 na Irlanda

Irlanda foi o primeiro país da Europa a retomar o lockdown. O anúncio foi feito na última terça-feira (20).

O novo bloqueio fechou lojas não-essenciais. Restaurantes e bares só podem funcionar para retirada ou delivery. Os cidadãos ficam impossibilitados de se deslocar para endereços a mais de cinco quilômetros de casa. Reuniões sociais também estão proibidas. A recomendação é só sair em casos essenciais.

As escolas e creches, no entanto, permanecem abertas. A construção civil também prossegue. Os demais profissionais, dos serviços não-essenciais, estão sendo estimulados a voltar para o esquema de trabalho home-office.

A Irlanda tem 60.297 casos e 1.902 mortes por Covid, segundo a Johns Hopkins.

Covid-19 na França

O presidente da França, Emmanuel Macron, estabeleceu toque de recolher em nove das maiores cidades do país, Paris incluída, das 21h às 6h. A regra vale por quatro semanas e teve início dia 17.

As cidades com toque de recolher são Paris, Lille, Grenoble, Lyon, Aix-Marselha, Montpellier, Rouen, Toulouse e Saint-Etienne. Essas cidades correspondem às chamadas “zonas de alerta máximo”, com mais de 250 casos por 100 mil habitantes, mais de 100 casos por 100 mil habitantes de pessoas com mais de 65 anos e 30% de pacientes por coronavírus na UTI.

 “Temos que agir. Precisamos frear a propagação do vírus”, disse o presidente Macron.

As máscaras são de uso obrigatório em espaços fechados em todo o país. Além disso, são obrigatórias ao ar livre em Paris, Marselha e Lyon.

Os brasileiros precisam apresentar teste negativo de Covid-19 na chegada ao país, caso contrário são encaminhados a local para realizar a testagem. No entanto, só são liberadas as viagens de brasileiros que tenham cidadania europeia ou viajem em casos essenciais.

A França também superou 1 milhão de casos, tendo 1.282.769 desde o início da pandemia. As mortes são 36.020.

Covid-19 na Alemanha

Os estados da Alemanha podem decidir sua própria estratégia para conter casos crescentes, o que levou a variações das regras de estado para estado.

Caso as novas infecções ultrapassem 35 por 100 mil habitantes em um período de sete dias, a recomendação é que as reuniões privadas sejam restritas a 25 pessoas em espaços públicos e a 15 pessoas em espaços privados.

Os estados também ficam liberados para decidir sobre uso de máscaras e medidas adicionais como fechamento de bares e restaurantes.

Caso as novas infecções ultrapassem 50 por 100 mil habitantes em sete dias, a recomendação é limitar os encontros sociais a 10 pessoas e impor um fechamento obrigatório de restaurantes e bares às 23h.

A Alemanha tem 505.806 casos de Covid, com 10.476 mortes, segundo a Universidade Johns Hopkins.

Covid-19 na Inglaterra

Os londrinos seguem proibidos de se reunir com outras famílias em ambientes fechados.

Em Liverpool e nas áreas suburbanas designadas como de risco “muito alto”, as famílias não podem se misturar em ambientes fechados ou ao ar livre. Academias, centros de lazer, casas de apostas e cassinos estão fechados. Os pubs e bares também ficam fechados, a menos que sirvam comida.

Já se estuda expandir as medidas para outras partes do norte da Inglaterra, incluindo Manchester. Alguns especialistas consideram a ideia de um fechamento total por duas semanas para evitar o pior, mas ainda não se chegou a uma definição.

Apesar disto, o governo estuda reduzir de 14 para 10 ou sete dias o auto isolamento de quem chega de viagem ao país.

O Reino Unido tem 876.843 casos de coronavírus, com 44.986 mortes, segundo a Johns Hopkins.

Covid-19 na Europa viagem

Como os novos casos e Covid-19 na Europa surgiram?

O que se acredita é que o vírus ganhou nova propagação com o relaxamento dos bloqueios e a liberação das viagens durante o verão. Os encontros de jovens, em bares e festas também é apontado como propulsor da nova onda.

Isto porque estes mesmos jovens também se reúnem com suas famílias, o que aumenta a chance de contaminação.

Nas últimas 24 horas, 186.836 novos casos registrados no continente. As mortes foram 1.441 no último dia. O total de casos já confirmados ultrapassa 9 milhões, segundo a OMS, em seu último relatório, divulgado na terça (26).

A maior quantidade de casos foi registrada no Reino Unido, na França, na Rússia e na Espanha, que respondem por mais da metade destes novos positivados. Confira a situação em cada um dos principais países europeus.

Covid-19 na Europa: o “novo normal” falhou?

Existem críticos que apontam que os países da Europa fizeram uma reabertura cedo demais, procurando evitar mais prejuízos econômicos. A reabertura coincidiu com a chegada do verão, que estimula o turismo e o trânsito de pessoas – o que, por sua vez, favorece a proliferação do vírus.

Algumas hipóteses são levantadas sobre a característica dessa segunda onda, até aqui com muito contágio, mas com letalidade menor.

Em primeiro lugar, no início da pandemia não eram realizados tantos testes quanto agora, o que pode explicar a alta atual. Em segundo lugar, médicos e hospitais estão mais preparados para lidar com a doença, o que pode explicar o menor número de mortes.

Há uma aposta ainda de que, com a flexibilização, o que vem ocorrendo é a contaminação dos mais jovens, para os quais o vírus é menos letal.

Há ainda a hipótese de que, o vírus avança, agora, nas localidades anteriormente poupadas. No entanto, como dito, estas são apenas hipóteses.

Como tudo relacionado a coronavírus, o tema é polêmico e as conclusões ainda são superficiais, precisando de muito mais estudo para embasá-las. O que se sabe é que, novamente, os europeus são chamados a colaborar nos cuidados preventivos, para evitar o colapso do sistema de saúde por Covid-19 na Europa.

Cláudia Zucare Boscoli trabalha como jornalista há 20 anos, tendo se formado na Cásper Líbero, com extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), especialização em Marketing Digital pela FGV e pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP. Já trabalhou para IstoÉ Online, O Estado de S. Paulo, Diário de S. Paulo e Editora Abril, entre outros veículos. Adora viajar, conhecer novas culturas e contar o que descobriu.

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