Como está sendo viajar dentro da Europa durante a pandemia?

Desde o início de 2020, o mundo vem enfrentando a pandemia do coronavírus. Diante disso, diversos países restringiram a passagem pelas suas fronteiras e os aeroportos passaram a tomar mais medidas de proteção. Assim, muitas pessoas ficam com dúvidas sobre como está sendo viajar dentro da Europa durante a pandemia.

Para te ajudar, conversamos com alguns brasileiros que viajaram pela Europa nesse período. Acompanhe o artigo abaixo para ver as medidas que estão sendo tomadas durante essas viagens e como foi a experiência de cada um em diferentes países.

Como está sendo viajar dentro da Europa durante a pandemia?

A pandemia causada pelo coronavírus mudou o mundo completamente nos últimos meses.  Voos foram cancelados. Viagens postergadas. Mas, além do dinheiro, que muitas vezes não pôde ser reembolsado, a preocupação diante das incertezas tem causado muita dor de cabeça.

Alguns países fecharam as fronteiras na época da crise da epidemia, mas voltaram a reabrir assim que os casos diminuíram. Em meados de outubro, contudo, a Europa como um todo voltou a registrar um exponencial aumento nos casos de Covid-19, deixando o turismo ainda mais incerto. Por isso, todo cuidado é pouco na hora de viajar.

Experiência de quem voou dentro da Europa durante a pandemia

Para entender, na prática, como está sendo viajar dentro da Europa durante a pandemia, conversamos com alguns brasileiros que vivem no continente para contar a experiência.

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Itália e Alemanha

Juliane Camozzato mora na Irlanda e viajou, com mais duas pessoas, para a Itália e Alemanha durante a pandemia. Ela conta que as informações são muito incertas e que acabou tendo certeza do que deveria ser feito apenas chegando no país de destino.

“Eu fui para a Itália, Sardenha, no começo de setembro e tinha acabado de sair a Green List (países que poderíamos viajar sem ter que ficar de quarentena). Preenchemos os formulários daqui e da Sardenha e embarcamos. Foi tudo bem tranquilo, somente o uso de máscaras nos aeroportos e nos lugares fechados”.

No final de setembro, após sair mais uma Green List que era sempre atualizada, ela comprou passagens para ir para a Alemanha. Um dia depois, Dublin entrou em nível 3 (lockdown) e ela não poderia sair do condado.

Porém, as informações eram incertas, pois as viagens estavam liberadas para os países da Green List e que estavam no semáforo da UE. Após passar a semana lendo notícias e procurando informações, ao ligar no aeroporto de Dublin ela descobriu que poderia embarcar normalmente e decidiu ir para a Alemanha.

“Durante o voo para a Alemanha avisaram que todo mundo teria que fazer o teste de Covid-19 assim que chegasse no país Apesar de ter dado tudo certo, não foi uma viagem tranquila por causa de todas as incertezas. Chegando lá, só precisamos usar máscaras em ambientes fechados. No entanto, ao voltar para a Irlanda, fomos avisados que dois de nós teríamos que fazer quarentena (estávamos em três). O teste que fiz na Alemanha nunca recebi o resultado.

Também decidi que, por hora, não vou mais viajar. Porque ao invés de curtir, a gente acaba ficando muito nervoso diante das incertezas e falta de informações concretas”.

Brasil, Inglaterra, Itália e Grécia

Jaqueline Barros mora em Londres e fez várias viagens desde o início da pandemia. Em fevereiro, quando tudo ainda estava concentrado na China, ela fez uma viagem para os Estados Unidos e de lá, em março, para o Brasil. Ela e seu namorado eram os únicos de máscaras e luvas no aeroporto até então, que foram até mesmo motivos de piada.

Em julho, ela voltou para Londres e precisou cumprir a quarentena de 14 dias, mas sem grandes restrições durante o voo, nem mesmo medição de temperatura, apenas o preenchimento de um formulário e uso obrigatório de máscara.

Depois de um tempo ela viajou para Itália e voltou para Inglaterra novamente. Durante essas viagens nem mesmo houve medição de temperatura, tudo ocorreu normalmente, apenas com o uso obrigatório de máscaras.

“Em setembro fui para a Grécia, mas também não houve nada de burocrático durante o embarque. Depois fui direto para Milão, na Itália, lá havia a opção para quem desejasse fazer o exame do Covid-19. Nós fizemos e o resultado negativo chegou dois dias depois. Essa foi a única vez que vi testes e ainda assim era opcional.”

Jaqueline garante que se sentiu segura:

“Me senti segura dentro dos voos, tomei os cuidados necessários. Acredito que uma boa dica é se alimentar e beber antes do vôo para que não seja necessário tirar a máscara no meio de pessoas. Além disso, em alguns lugares e companhias aéreas exigem que a máscara para a viagem seja azul e descartável e não aceitam máscara de tecido.”

Portugal – Ilha da Madeira

Edgar Gadu mora em Londres e viajou para a Ilha da Madeira em Portugal. Ele se sentiu seguro durante a viagem e o uso de máscaras foi obrigatório nos dois aeroportos. Além disso, a entrada no avião foi por ordem numérica e saída da aeronave por fileira.

“Na Ilha da Madeira fizemos o teste do Covid-19 na chegada e recebemos o resultado por e-mail com 8 horas. Depois, vindo de lá para Londres não precisou nada de teste. Apenas foi necessário preencher um formulário do governo que a companhia aérea envia”

Holanda, Malta e Grécia

Allison Machado mora na Alemanha e durante a pandemia viajou para Holanda, Malta e Grécia. Ele contou como está sendo viajar dentro da Europa durante a pandemia.

“Para Malta e Holanda está sendo bem tranquilo, mas para a Grécia eu tive que fazer um teste de Covid-19 para mostrar que estava negativo e gerar um QR no site do governo da Grécia me permitindo entrar no país.”

Durante o voo ele percebeu que algumas pessoas usam a máscara de forma errada, ficando com o nariz descoberto, mas que no geral as pessoas respeitam as regras e obrigatoriedades. Além disso, ele afirma que a única grande mudança nos voos em relação a antes da pandemia foi o uso de máscara.

Plataforma Re-open EU

Durante a pandemia, em julho de 2020, a Comissão Europeia lançou o Re-open EU. A plataforma online contém informações básicas sobre o reinício seguro da livre circulação e do turismo na Europa e ainda fornece informações relevantes sobre:

  • Como estão as fronteiras desse país para o local onde você mora;
  • Transportes disponíveis, mas que podem ter limitações;
  • Restrições para viagens;
  • Medidas de saúde pública e segurança como distanciamento social ou uso de máscara;
  • Medidas de segurança;
  • Serviços em funcionamento, embora possam haver eventuais restrições;
  • Outras informações úteis para viajantes.

Além disso, o Re-open EU também reúne as informações mais recentes da Comissão e dos Estados-Membros. Ele permite que as pessoas pesquisem informações sobre um país específico por meio de um mapa interativo. Também fornece as informações mais recentes sobre as medidas nacionais aplicáveis ​​e fornece conselhos práticos para os turistas. O site está disponível nos 24 idiomas oficiais da UE, inclusive em português, e pode ser acessado via celular, tablet ou computador.

Restrições de viagem

Encontrar informações no portal é muito simples. Primeiro, você deve selecionar um país europeu que deseja saber os dados no menu “Selecionar destino”. Em seguida, basta navegar nos menus e ícones para acessar os dados relacionados a sua viagem.

Restrições de viagem

A Comissão Europeia adotou uma proposta de recomendação do Conselho para estabelecer algumas restrições de viagens aos países acordados pelos Estados-Membros. Isso é feito de acordo com uma série de princípios e padrões objetivos, incluindo:

  • A situação de saúde;
  • Capacidade de tomar medidas de contenção durante a viagem;
  • Consideração de reciprocidade;
  • Os dados vêm de fontes relevantes, como o Centro Europeu para Controle e Prevenção de Doenças e a Organização Mundial de Saúde.

Além disso, existem quatro áreas principais onde os Estados-Membros coordenarão os seus esforços:

  • Sistema de mapeamento universal baseado em códigos de cores (verde, laranja, vermelho, cinza);
  • Padrões comuns para os Estados-Membros ao decidirem impor restrições de viagens;
  • Medidas mais claras (teste e autocuidado) aplicáveis ​​a viajantes em áreas de alto risco;
  • Fornecimento de informações claras e oportunas ao público.

As restrições de viagem nos países listados só podem ser retiradas com total transparência. Além disso, cada país acaba tendo liberdade para criar suas próprias regras sobre a entrada de viajantes ou não em seu território.

Dessa forma, essa lista de restrições deve ser revista regularmente e pode ser atualizada pelo Conselho, conforme o caso, após consultas estreitas com a Comissão e as agências e serviços da UE relevantes, na sequência de uma avaliação global com base nos critérios acima. As restrições podem ser parciais ou integrais, assim como um país pode ser reintroduzido na lista caso os números da doença voltem a aumentar.

Eliminação das restrições de viagem

O Conselho da União Europeia atualiza a lista de países com restrições temporárias às viagens não essenciais para a UE regularmente. Conforme estipulado na recomendação do Conselho, esta lista continuará a ser revisada regularmente e atualizada.

Com base nos critérios e condições definidos na recomendação, a partir de agosto de 2020, os Estados-Membros começaram suspender gradualmente as restrições de viagem nas fronteiras externas para residentes dos seguintes países:

  • Austrália;
  • Canadá;
  • China;
  • Georgia;
  • Japão;
  • Nova Zelândia;
  • Ruanda;
  • Coreia do Sul;
  • Tailândia;
  • Tunísia;
  • Uruguai.

Além disso, os moradores de Andorra, Mônaco, San Marino e do Vaticano devem ser considerados residentes da União Europeia.

Critérios para exclusão

Para que um país seja retirado da lista de restrições, ele deve possuir alguns critérios, como sua situação epidemiológica e as medidas de contenção do vírus em seu território, incluindo distanciamento social e considerações econômicas e sociais.

Em relação à situação epidemiológica, o país listado deve atender às seguintes condições, especialmente:

  • Número de novos casos COVID-19 nos últimos 14 dias e por 100 mil habitantes – deve ser próximo ou abaixo da média da UE;
  • Em comparação com os 14 dias anteriores, os novos casos durante este período são estáveis ​​ou em declínio;
  • Levando em consideração as informações disponíveis, a resposta geral ao COVID-19, incluindo testes, vigilância, rastreamento de contato, contenção, tratamento e notificação, etc, bem como a confiabilidade das informações e (se necessário) a média geral do Regulamento Sanitário Internacional Minutos (RSI). As informações prestadas pela delegação da UE nestas áreas também devem ser tidas em consideração.

Restrições de acordo com o país

Cada país tem a liberdade para decidir quais as medidas irá tomar para limitar a entrada de pessoas que vêm de zonas consideradas de risco. Ou seja, certos Estados-Membros não irão impor quaisquer restrições às viagens dentro de seu território, enquanto outros países podem decidir tomar certas medidas para viajantes de regiões “laranja”, “vermelhas” ou “cinzas”.

As informações sobre as restrições que cada país está impondo podem ser encontradas na plataforma Re-open EU. Entre as restriçõe, podem estar a obrigação da quarentena ou testes de Covid-19. Além disso, os países também podem exigir que as pessoas que entram no seu território preencham formulários de acordo com os requisitos de proteção de dados para localizar passageiros.

É importante ressaltar que apesar dessa liberdade, essas restrições devem ser feitas com critérios transparentes e não podem, de forma alguma, incentivar a xenofobia e o preconceito com cidadãos de qualquer país.

Pandemia não afetou o ETIAS

A pandemia de coronavírus não afetará o planejamento para o lançamento do ETIAS (Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem) que deverá estar totalmente operacional até o final de 2022.

Se a pandemia não for controlada até ao final de 2022, as autoridades da União Europeia podem até mesmo utilizar o ETIAS para controlar as viagens, porque será possível saber quem entrará no seu território antes que os viajantes cheguem à fronteira.

Para quem ainda não sabe, o ETIAS é uma autorização de viagem obrigatória para titulares de passaportes de 62 países, incluindo o Brasil, que atualmente não precisam de visto para entrar no Espaço Schengen. No entanto, eles precisarão do ETIAS para viagens de turismo, trânsito ou negócios, de até 90 dias.

Incertezas e a pandemia

A pandemia ainda gera muitas incertezas em relação às viagens. Apesar de existirem uma série de regras para viajar dentro da Europa durante a pandemia, o que acontece de fato são informações desencontradas e incertezas.

Se você pretende viajar pela Europa, fique atento às restrições de cada país, assim como as medidas de prevenção contra o coronavírus.

Andrea é jornalista e também tem formação em Linguística. Apesar de nascida em Curitiba, não demorou muito tempo para seu coração ganhar o mundo. Começou a trabalhar com agronegócio, área que a fez ganhar gosto para trabalhar fora do escritório, com pessoas de culturas e lugares diferentes. Com uma câmera na mão, desbravou inúmeras cidades e nunca mais parou. Decidiu unir a paixão pela profissão e pelas viagens e fez disso sua vida. Viajou por todos os cantos do Brasil e também se aventurou pelos Estados Unidos, sete países da África e Ásia. Ao lado do filho já morou no Sri Lanka e no Vietnã. Desde 2018 vive na Inglaterra e divide seu tempo entre a maternidade, produção de conteúdo e viagens pelo Reino Unido e Europa.

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