O verão europeu é uma época muito esperada por quem gosta de viajar e comigo não é diferente. Veja como foi a minha preparação e o relato da viagem de um aposentado brasileiro pela Europa no meu primeiro destino: Alicante, na Espanha.

A viagem de 2022 do aposentado: a preparação

Todas as viagens exigem preparação, e esta, por ser longa e revestir-se de circunstâncias especiais, mais ainda.

A um mês da partida eu já estava agindo, principalmente porque teria que entregar o apartamento alugado de Vila Nova de Gaia. Mesmo sendo adepto do minimalismo, ainda carrego coisas das quais, espero, me livrarei aos poucos, mas ainda não.

Escolha do armazenamento de bens pessoais

Procurei um local para guardar as quatro malas onde estoco tudo o que tenho. Parece fácil, mas não é, decidir o que jogar fora, o que levar na viagem, e o que deixar no guarda-malas. Poderia pedir a um amigo para guardar minhas coisas, mas seria um abuso entulhar com quatro malas grandes a casa de alguém.

Falei pelo telefone com duas empresas guarda-móveis. Decidi-me pela Moovax por causa do preço: 21€ por mês. Fui antes lá fazer uma visita. Fechei o contrato com vinte dias de antecedência, a começar a primeiro de junho.

A partida estava marcada para 8 de junho, de forma que tinha bastante tempo para entregar as malas e encontrar um meio de fazê-lo. Preocupava-me também em como distribuir o peso nas quatro malas porque teria eu mesmo que descê-las pelas escadas.

Poucos dias antes do embarque, o senhor Guilherme e a senhora Lina gentilmente levaram comigo as malas para a Moovax em sua van.

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A in(certeza) da decisão

Às vezes eu acordava no meio da noite com a sensação de que esta viagem seria uma loucura, que eu deveria ficar quietinho em Gaia e assistir à famosa festa de São João, mas o meu espírito aventureiro dominou e eu procurei pensar como seria bom mudar de ares por quase dois meses e depois voltar para Gaia com outras perspectivas.

Mas a premonição de que coisas desagradáveis aconteceriam era persistente.

Sozinho. Viajo mais uma vez sozinho. Não é a forma ideal de viajar, na minha idade. Deveria ter encontrado companhia, mas nem tentei.

Estou gostando da solidão, mas viajar acompanhado é mais seguro e confortável: ter com quem conversar, dar cobertura um ao outro no cuidado com a bagagem para ir ao banheiro num aeroporto, ou entrar na água numa praia deixando a mochilinha na areia.

A grande vantagem de estar sozinho, repito sempre, é fazer os próprios horários, ou simplesmente não ter horários, o que é quase impossível quando acompanhado.

Entrada do museu em Alicante
Entrada do Museu Arqueológico de Alicante. Foto Cesar Barroso.

Haverá problemas, eu sei. Todas as viagens têm problemas. Quem sai para o desconhecido encontrará problemas, principalmente nestes tempos de pandemia e de guerra. Mas não encontramos problemas também no nosso dia-a-dia? E também, não é a viagem mais excitante e cheia de descobertas do que o dia-a-dia?

Empresas aéreas de baixo custo

Estas empresas exigem um certo cuidado ao comprar os bilhetes online. Uma desatenção pode resultar num custo maior.

Explico: em geral, o preço básico admite uma mochila de tamanho médio como única bagagem. Qualquer outra bagagem é adicionada ao preço básico, e se você não o fizer online, pagará muito mais caro no aeroporto. Meus conselhos com relação a estas empresas são:

  1. Não compre as passagens através de uma agência de viagem online; compre diretamente no website da empresa aérea;
  2. Ao comprar, esteja seguro das dimensões e dos pesos de suas malas; caso contrário, terá que pagar mais no aeroporto:
  3. Faça o check-in online.

Um conselho importante: atenção à bagagem incluída

Baseio meus conselhos numa experiência ruim que tive com a Norwegian Airlines, no voo de Alicante para Tallinn, via Estocolmo. Comprei a passagem através de uma agência de viagens e esqueci-me de incluir a maleta que levo dentro da cabine.

Era uma arapuca: quis fazê-lo posteriormente online, ao custo de 12€, mas a agência e a Norwegian fizeram um jogo de empurra (evidentemente já combinado) e não me permitiram comprar online, e no aeroporto tive que pagar 60€, 30€ por cada um dos voos.

Esperneie, xinguei, mas não houve jeito. A passagem, que originalmente custara 90€ teve o custo final de 150€. Serviu-me de lição. Da próxima vez serei mais cuidadoso.

Outro conselho: observe o portão de embarque

Um outro cuidado importantíssimo, que diz respeito a voos em qualquer empresa aérea, é a atenção aos portões de embarque, que às vezes são trocados à última hora. Todos sabemos a dor de cabeça que é perder um voo.

Airbnb

Utilizo muito o Airbnb em minhas viagens. É uma boa opção de alojamento, contanto que se tome bastante cuidado na escolha do imóvel. Há que se ter paciência e gastar tempo para encontrar o lugar certo para se alojar. Leia as opiniões dos hóspedes anteriores, procure no mapa o lugar exato do imóvel e como chegar lá.

Faça perguntas ao anfitrião sobre transporte público, supermercados, distância para o aeroporto ou estação de trem ou de ônibus, Wi-Fi, se terá acesso à cozinha, e tudo mais que precisará saber para evitar surpresas desagradáveis.

A gente tem que procurar criar um relacionamento amigável com o anfitrião para tornar a nossa hospedagem o mais agradável possível. Evidentemente, o preço permitindo, prefiro ficar num imóvel todo para mim.

Alicante

Passei por Alicante no verão de 1970. Só passei, de carro, ao raiar do sol, indo de Torremolinos para Tarragona. O sol era uma bola de fogo colossal envolvido na bruma da manhã, que nunca mais esqueci.

Volto agora, quase que por acaso, pois seu enorme aeroporto é de onde sai o voo da Norwegian – empresa aérea de baixo custo que o escolheu como base de operação na Espanha -, com destino a Tallin, Estônia, minha próxima parada.

Porta da Catedral de Alicante
Catedral de Alicante. Foto: Cesar Barroso.

O acaso não poderia ser mais benigno, pois Alicante é uma bela cidade. Depois de dois dias, concluí que ela resume tudo de bom que tem a Espanha, país que conheço razoavelmente bem. Tem um pouco de Barcelona, de Madri, de Cádiz, de San Sebastián.

O passeio marítimo – Paseo Gomiz – é um lugar mágico, com altas palmeiras, bancos, e a brisa fresca que vem do oceano.

Há centenas de bares onde milhares de turistas de todos os países do norte da Europa consomem cerveja acompanhada de petiscos, as tapas de presunto cru e frutos do mar. Os preços desta área são… turísticos, mas perto encontrei o D’Tablas, na rua Rafael Altamiras, 8, um ambiente frequentado mais por espanhóis e, consequentemente, com melhores preços.

Meus dias em Alicante

Meu Airbnb era perto do terminal ferroviário, e, a pé, eu tinha acesso ao melhor de Alicante, inclusive à praia del Postiguet, onde fui me batizar no segundo dia.

Antes de seguir para a praia, entrei numa loja chinesa para resolver um dos problemas de viajar sozinho: comprar um recipiente plástico fechado hermeticamente, para entrar na água com dinheiro, telefone celular e cartão de crédito. Custou apenas 2,5€.

Prédio na beira mar
A praia em Alicante. Foto: Cesar Barroso.

Com ele no bolso do calção, saí procurando na areia quem pudesse ficar com a sacola onde eu levava outros apetrechos, como boné, bronzeador, caderninho de anotações, etc. Escolhi uma simpática senhora idosa e sua filha, que aceitaram com um sorriso o encargo. Confiei tanto que coloquei na sacola também o recipiente com o dinheiro, o celular e o cartão de crédito.

Cair nas águas mornas do Mediterrâneo depois de um longo inverno foi como entrar no paraíso. Delícia total. Veio-me à mente todos os que lutaram, sobreviveram e morreram no Mare Nostrum, seja como pescadores, marinheiros, guerreiros ou passageiros, muitos deles meus antepassados.

Museus e viagem de trem

Fiquei emocionado com alguns quadros de um museu – Museo de Bellas Artes Gravina (MUBAG), à rua Gravina, 16. São proibidas fotos, e eu não consegui ler os nomes dos pintores, pois estava sem os óculos, razão pela qual apenas recomendo aos leitores do Euro Dicas que forem a Alicante que o visitem pessoalmente ou ao seu site para terem um vislumbre de seu acervo.

Passando na Praça de Los Luceros, vi uma escada rolante que descia para o que parecia ser uma estação de metrô. Desci para curiosar. É uma estação do Tram, veículo de bitola estreita para ligar localidades na Comunidade Valenciana. Em três minutos partia um Tram para Benidorm. No guichê, recebi a grata notícia que é grátis aos domingos, e era domingo.

A viagem de uma hora e vinte minutos até Benidorm é linda pelas vistas do oceano à direita e das montanhas à esquerda. Há que se observar também as casas de veraneio que vão das simples às mais sofisticadas.

Plaza de Los Luceros, em Alicante.
Plaza de Los Luceros, em Alicante. Foto: Cesar Barroso.

Benidorm tem uma arquitetura que não agrada aos olhos, mistura de anos 60 com alguns prédios modernosos. Salta aos olhos que perde muito em relação a Alicante, mas a praia é bonita.

Eu não poderia deixar de visitar o famoso Museu de Arqueologia de Alicante (MARQ), que tem uma imensidão de peças que cobrem a história da região desde a pré-história, muito bem organizadas e belamente apresentadas. A entrada custou-me menos de 2€.

Em seguida, caminhei até o Museu de Arte Contemporânea. Este tipo de arte não é a minha preferida pois não consigo alcançar o que a maioria desses artistas quer expressar, se é que querem expressar alguma coisa.

O último dia em Alicante

No último dia de minha estada visitei a principal atração turística da cidade, o Castelo de Santa Bárbara. De cima de seus 166 metros, têm-se vistas deslumbrantes de 360º de toda Alicante.

Vista de Alicante
A cidade de Alicante vista do Castelo de Santa Bárbara. Foto: Cesar Barroso.

O castelo foi parte importante da defesa de Alicante em diversas ocasiões de sua história de luta para sobreviver a ataques de toda a sorte. Depois de uma semana em Alicante, parti para Tallin, capital da Estônia de onde vou continuar o meu relato de viajante brasileiro aposentado pela Europa.

Leia também o meu relato sobre a vida no Porto para os aposentados.