Costumo dizer que casa é onde eu me sinto bem, segura e em paz. É o lugar onde posso descansar após um dia longo de trabalho, e onde encontro as pessoas que eu amo. Mas tendo vivido em pelo menos cinco diferentes apartamentos nos últimos três anos, em dois países diferentes, e longe da família, eu precisei ressignificar muito do que “casa” significa para mim.

Se sentir em casa fora de casa é um exercício
Índice Reaprendendo o que é “lar" antes da mudança Uma rotina me ajudou a não me perder de mim As mudanças que me fizeram florescer Quando percebi que o novo lugar virou lar

Reaprendendo o que é “lar” antes da mudança

Quando me tornei imigrante eu sabia que viveria muitas coisas novas, mas não imaginei que seriam tantas. E foi nos detalhes que eu percebi como morar fora vai além de “estar longe de casa”.

A cultura é diferente, as pessoas, o transporte público, o supermercado, o meu novo médico, o sabor do café e até as modelagens de roupa que eu encontro por aqui.

No começo eu tentei enxergar todas essas diferenças com um olhar mais positivo, e isso com certeza me ajudou na adaptação. Além disso, entender e aceitar que certas coisas iriam inevitavelmente mudar é um exercício que eu fiz antes mesmo de chegar no meu novo destino.

Preparar a minha mente, com o auxílio da minha terapeuta, foi importantíssimo durante essa mudança. Aprendi com ela que uma casa só se torna lar depois que a gente cria boas memórias nesse lugar.

Não tem como acelerar esse processo. É viver, e nada mais.

É ir conhecendo pessoas aos poucos, nutrindo essas relações, vivendo momentos felizes na nova casa, cozinhando aquela comida que me lembra alguém especial, aprendendo receitas novas, passando por tempestades, mas enxergando o arco-íris no fim do dia.

Uma rotina me ajudou a não me perder de mim

Criar uma rotina em um novo país foi essencial para que eu não sentisse que estava me perdendo de mim mesma no meio dessa nova vida.

Tudo já é naturalmente tão diferente, que se eu continuasse não fazendo coisas que me deixam bem e feliz, eu acho que a adaptação teria sido bem mais desafiadora.

Se sentir em casa em outro país
Depois de tantas mudanças, hoje é aqui que eu me sinto em casa. Foto: Mi Alves.

Para mim, essas coisas são: exercício físico, cozinhar minha própria comida e ter um tempo para ficar a sós comigo mesma. Para você, o que seriam essas coisas que te aproximam de você mesma?

As mudanças que me fizeram florescer

Já outras coisas mudaram completamente a minha rotina, e eu sou bem mais feliz graças a essas mudanças, como andar muito mais no meu dia a dia e quase não pegar trânsito algum.

Ou então, aproveitar bem mais a cidade já que Amsterdam (onde eu moro) possui muitos parques, feiras de rua e eventos acontecendo o tempo todo. Apreciar cada estação do ano e criar rituais, hábitos e atividades para cada uma delas.

  • Verão? Passeio no lago;
  • Primavera? Passeio pelos campos de Tulipas;
  • Outono? Observar as folhas das árvores trocarem de cor enquanto eu tomo uma sopa de abóbora;
  • Inverno? Filmes embaixo da coberta sem culpa alguma de não estar sendo produtiva o tempo todo, afinal é um momento mais introspectivo do ano mesmo.

Quando percebi que o novo lugar virou lar

Depois de quase quatro anos morando no exterior, e morando em Amsterdam desde 2024, eu posso dizer que me sinto em casa.

Não por conta da cidade que eu escolhi morar, mas pela família que construí aqui, pelos amigos que conheci, pelos novos hábitos que criei, e pela pessoa que me tornei graças a todas essas mudanças e novidades.

Um dia de cada vez, e quando você se dá conta, esse novo seu lugar já virou lar. Com carinho, até a próxima coluna.

*As opiniões dos colunistas não refletem necessariamente a opinião do Euro Dicas.