Uma das mais incríveis vantagens de estar no velho continente é a oportunidade de conhecer muitos países pagando pouco. Mas, como diz o velho ditado brasileiro, às vezes o barato sai caro. Com muito humor e ironia, nesta coluna compartilho com vocês alguns perrengues chiques e experiências que vivi viajando low cost pela Europa.
Viajar low cost pela Europa passa longe do glamour
Fazer viagens low cost pela Europa é um grande paradoxo. Por um lado, você está conhecendo lugares e vivendo experiências muito únicas. Mas, por outro lado, a restrição de recursos te coloca em situações que, por vezes, não batem com aquela ideia romantizada de eurotrip que vemos por aí.
Recomendamos o cartão multimoedas da Wise. É seguro, fácil de usar, as taxas são baixas e você carrega com reais e gasta em euros sem preocupação. Peça o seu e aproveite o melhor cartão de débito internacional do mercado.
PEDIR CARTÃO GRÁTIS →Se quando você pensa em uma viagem pela Europa, você imediatamente imagina looks bem montados, restaurantes incríveis, transporte por aplicativo e hotel com vista para pontos turísticos, esqueça.
No low cost, você tem looks confortáveis que funcionam para várias temperaturas, reflexões sobre se vale a pena pagar outro ticket do metrô ou encarar uma longa caminhada, sanduíche do mercado e a estadia mais barata que você encontrar.
Muitos quilômetros por poucos euros
Por vezes, chegar ao seu lugar de destino acaba retendo parte substancial dos recursos destinados à viagem: uma rápida olhada nos sites de passagens aéreas não deixa dúvidas disso. Por isso, e pelo fato de ser fácil encontrar ofertas de deslocamento por ótimos preços na Europa, a opção pelo transporte low cost acaba sendo uma solução. Mas não sem seus muitos poréns.
Explico: ônibus de empresas como Flixbus, por exemplo, inegavelmente são uma via perfeita para viagens noturnas ou não muito longas. Por menos de 20€ é possível visitar vários países e cidades.

Mas, é preciso estar preparado para uma série de inconvenientes. Passageiros que não respeitam o tempo de parada e atrasam a viagem; outros que falam super alto ou estão em um estado de euforia não condizente com uma viagem de ônibus são alguns deles.
Ter que usar um banheiro minúsculo e compartilhado com muitas pessoas; presenciar conflitos entre viajantes; peças soltas no veículo e seus consequentes barulhos repetitivos são algumas das coisas que vivi ao longo de minhas viagens com esse meio de transporte.
Quando a experiência low cost vira marketing
Outra forma de viajar pela Europa pagando pouco é de avião. Você certamente já deve ter ouvido falar das famosas rotas low cost que encontramos pelo velho continente, em algum momento!
As empresas que ofertam esse tipo de voo fazem muito sucesso exatamente por comercializar passagens aéreas a preços baixíssimos. Elas acabam sendo um ótimo negócio para distâncias mais longas: por exemplo, eu já consegui voos de ida e volta para viajar para a Itália, saindo de Paris, por 50€!
À primeira vista, nada poderia estragar o fato de estar em outro país tão rápido e pagando tão pouco, certo? Errado!
Junto com o preço baixíssimo vem os eventuais problemas com o voo, o desembarque em aeroportos longe dos hotéis e atrações turísticas, os preços absurdos de comidas e bebidas dentro da aeronave, a restrição de bagagem de bordo, valores altíssimos para despachar malas e impossibilidade de voar ao lado de sua companhia – a não ser que você pague a mais por isso.
É para valer esses 50€ que eu e meu companheiro enfrentamos mais de 1h de estrada entre Paris e o aeroporto de Beauvais; que fizemos caber em uma só mochila tudo o que precisávamos para passar 5 dias em outro país; e que vimos os belíssimos Alpes Suíços da janela do avião – ele de um lado da aeronave, e eu do outro.
Aliás, se você nunca tirou um momento para dar uma olhada nas redes sociais da Ryanair, uma das mais famosas companhias aéreas low cost, faça isso! Eles fazem memes engraçadíssimos e reais com a experiência low cost que eles oferecem em seus voos.
A pé: o meio de transporte mais low cost na Europa
Se você decide viajar low cost pela Europa, tenha certeza de que em alguns momentos você vai se questionar se vale a pena encarar caminhadas ou pagar dois trajetos de bilhete de transporte. Spoiler: quando você chega ao ponto de se questionar isso, é porque você provavelmente vai optar pela caminhada.
Aqui, ter alguém para dividir o perrengue (e ajudar a interpretar o mapa) faz toda a diferença. Foi assim que eu e meu companheiro andamos mais de 25km em um só dia em Veneza, subimos ladeiras absurdas em Bruxelas segurando malas e dividimos patinetes quando voltávamos do mercado com a mochila cheia de compras.
Vai viajar sozinha? Garanto que nem assim andar a pé é ruim! Uma bela paisagem, um álbum que você gosta e um sapato confortável. Foi dessa forma, ao som de Harry Styles, que fiz várias longas caminhadas por Milão em pleno inverno.
Acomodações low cost na Europa
Junto do transporte, a estadia também é um dos gastos mais caros de uma viagem. Para conseguir economizar, eu sempre faço a escolha da acomodação depois de deixar meu roteiro pré-montado. É com base nele que busco por opções de estadia o mais longe possível do centro, desde que ela seja de fácil acesso aos meus lugares de interesse.
Só o fato de estar minimamente distante do circuito turístico já ajuda um tanto a baixar o preço: por exemplo, pesquisando opções de onde me hospedar em Roma, notei que o valor cai pela metade se você opta por bairros como Garbatella em vez de ficar perto do Coliseu, por exemplo.
1 banheiro para 7 pessoas e camareiras entrando sem bater
Toda vez que vou viajar low cost pela Europa, eu evito acomodações com quarto compartilhado, mas isso está longe de significar que eu só me hospedo em lugares incríveis. Opto pela opção privada, sim, mas nunca por aquelas que oferecem uma experiência de hotel.
Por isso, aprendi que é mais do que essencial se atentar às condições de onde vamos nos hospedar. Quando visitei Barcelona, por exemplo, segui essa estratégia de sempre e encontrei um lugar que parecia ótimo e bem barato em Sant Adrià de Besòs. A avaliação era aceitável e as fotos também.
Inscreva-se na nossa Newsletter e receba no seu email com exclusividade as melhores colunas, artigos e notícias sobre a Europa! É de graça, inscreva-se agora!
INSCREVER GRÁTIS→No entanto, ao chegar no lugar, percebi que se tratava do anexo do apartamento de um casal. Neste anexo, havia ainda outros dois quartos com turistas e, o pior, apenas um banheiro para todos da residência: dos viajantes aos proprietários.

Uma surpresa tão desagradável quanto essa aconteceu comigo e meu companheiro quando visitamos Veneza. Optamos por ficar em um quarto privado de um grande hostel em Mestre.
O espaço era bonito, mas imensamente caótico: era um vai e vem de muita gente, portas dos quartos vizinhos que batiam sem parar, apenas um elevador para uma torre gigante e vários apartamentos por andar, cozinha compartilhada suja e tudo o mais.
Estávamos encarando a situação numa boa até que em um dia, bem cedinho, fomos acordados por uma camareira que entrou em nosso quarto sem bater! Aparentemente, ela se confundiu com o dia do check-out, o que a princípio não seria um problema.
No entanto, ela saiu sem se desculpar e quando fomos pedir explicação ao hotel, também não houve um pedido de desculpas.
Modus operandi do viajar low cost
Não é apenas a estadia e o meio de transporte que fazem uma viagem ser low cost. Há todo um modus operandi, um mindset low cost para este tipo de turismo.
No meu caso, por exemplo, ele sempre envolve achar que os piores horários do mundo para pegar avião e ônibus não são tão ruins assim. Afinal, qual é o problema de acordar 4 horas da manhã para pegar um voo se vou economizar 100€ na passagem?
Junto dos horários, a economia também pode vir a depender do aeroporto de partida e chegada. Se você escolher o mais longe de todos – como o famigerado Beauvais, perto de Paris, e o de Treviso, perto de Veneza – você consegue uma passagem ainda mais barata.
Apesar de gastar pouco, pontos negativos não faltam. O acesso a esses lugares não é exatamente fácil, nem rápido. Além disso, nesses aeroportos, a última coisa que se pode esperar é estrutura. Portanto, esqueça conforto e opções razoáveis para comer!
Museu ou restaurante? Eis a questão!
Na hora do passeio, o esquema para economizar é escolher bem o que você quer visitar e deixar de lado as deliciosas visitas guiadas. Também vale a pena pesquisar eventuais descontos em certas atrações.
Em Viena, por exemplo, é possível comprar ingressos para a famosa Staatsoper, a ópera da cidade, por humildes 10€. Quando visitei a Áustria, comprei esse bilhete e vi o espetáculo em pé e com visão parcial, mas pelo menos pude ouvir o famoso Figaro!

Como não podia ser diferente, um outro elemento essencial do mindset low cost é economizar na comida. Na Áustria, por exemplo, eu só comprei comida em supermercado – todos os meus eurinhos foram dedicados a visitar os belíssimos museus de Viena.
Em Veneza, o mindset low cost salvou eu e meu companheiro de muitos restaurantes “pega-turista” (aqueles bonitinhos, mas ordinários).
Não tivemos uma experiência idealizada de refeição, à luz de velas e com taças de vinho, mas isso não impediu de viver várias tradições da cultura italiana: experimentamos macarrões e pizzas maravilhosas, mesmo que comêssemos em pé ou sentados à beira do canal. Essa foi a prova máxima de que La Dolce Vita também pode ser super barata!
Dicas para viajar low cost pela Europa em paz
Dito isso, não é surpresa que a primeira e mais importante dica para viajar low cost pela Europa em paz é: esteja preparado para passar perrengue. Uma viagem low cost está longe de ser a coisa mais confortável do mundo e se você vai preparado para não se estressar com isso, já é meio caminho andado.
Além disso, turistar de forma low cost envolve não apenas um estado de espírito aberto, mas também uma organização material na hora de montar sua mala ou mochila para viagem.
Portanto, esqueça bagagens pesadas, itens de muito valor, roupas e sapatos desconfortáveis e tenha junto de você uma pequena farmacinha. Isso vai deixar as coisas menos difíceis.
Além disso, aprenda a olhar para as situações com carinho e humor. E, claro, conheça os seus limites.
Cada viajante tem uma noção diferente de low cost
Lembre-se de que a ideia de uma viagem low cost para mim pode ser muito diferente para você.
Eu, por exemplo, não abri mão de ficar em um quarto privado em nenhuma viagem que fiz. Sei que a experiência do quarto compartilhado não funcionaria para mim – ainda que esta seja a primeira coisa que se passa na cabeça da maioria das pessoas que começam a organizar uma viagem low cost pela Europa.
O mesmo aconteceu quando fui para Viena. Era inegociável ver todos os museus que tinham quadros do Klimt, por isso abri mão da experiência gastronômica por lá. Sabendo disso, me organizei com antecedência para saber em que eu poderia economizar.
Isso me leva, finalmente, a última dica: é impossível fazer uma viagem low cost sem planejamento. Por isso, mapeie tudo o que você quer visitar, faça itinerários a pé considerando uma quantidade de quilômetros por dia confortável para você andar, veja opções de estadia e transporte considerando isso e aproveite.
Sem dúvidas, depois de viajar low cost pela Europa você terá um monte de histórias engraçadas (e talvez um pouco absurdas) para contar!