O primeiro-ministro Simon Harris pediu a dissolução do atual Parlamento irlandês (Dáil) e confirmou a realização de eleições gerais no país na próxima sexta-feira, 29 de novembro. Em recente entrevista para a imprensa irlandesa, Harris afirmou que “chegou o momento de pedir ao povo irlandês que lhe conceda um novo mandato”.
Primeiro-ministro aposta na sua permanência
O atual primeiro-ministro deveria convocar as eleições gerais apenas para março de 2025. Mas, segundo analistas, decidiu pedir a dissolução do Parlamento e antecipar a escolha do próximo líder do governo por acreditar que será ele o escolhido.
Simon Harris tem poucos meses nesta posição, após ter assumido o cargo com o pedido de demissão do primeiro-ministro anterior. Na sua ainda curta gestão, Harris acaba de aprovar o projeto de lei do Orçamento do Estado para 2025. Isso poderia consolidá-lo como o candidato a ser escolhido no dia 29 de novembro.
Falando com a imprensa irlandesa, explicou sua disposição de “pedir um mandato dos cidadãos deste país para continuar a ser seu Taoiseach.”
Nos últimos dias, o partido de Harris (Fine Gael) mostrava crescimento nas pesquisas, principalmente após algumas vitórias no Parlamento, o que também poderia ter sido um dos gatilhos que fizeram com que as eleições fossem antecipadas.
Além disso, o principal partido de oposição, o Sinn Féin, seguia na trajetória oposta e chegou a registrar, em alguns momentos, queda na preferência dos eleitores, principalmente devido a recentes escândalos políticos.
Os debates entre os maiores partidos têm sido calorosos e não é possível fazer previsões definitivas.
Liderança apertada e reviravolta nas pesquisas
Dados recentes divulgados pela agência Reuters, a partir de pesquisa do Sunday Independent/Ireland Thunks (realizada nos dias 22 e 23 de novembro) mostravam que o Fine Gael tinha o apoio de 22% dos eleitores, contra os 26% registrados no início do mês.
O segundo partido, o Fianna Fáil, que apesar de concorrente tem feito coalizões com o partido do primeiro-ministro, mantinha 20% na preferência dos eleitores, aponta a pesquisa. O mesmo índice foi obtido pelo partido de oposição, o Sinn Féin, que passou dos 18% para os 20% das intenções de voto.
Entretanto, quase às vésperas da eleição, o partido do atual primeiro-ministro teve uma queda nas pesquisas, passando a ocupar o terceiro lugar na preferência dos eleitores. Especialistas ouvidos pela reportagem do Jornal Económico acreditam que a perda de apoio é resultado de uma “série de erros de campanha” do Fine Gael.
Crise na habitação e alta no custo de vida dominam os debates
Nos últimos anos, os irlandeses e os imigrantes que vivem no país têm enfrentado problemas na área da habitação e na alta do custo de vida, temas que têm aparecido com frequência nas campanhas e nos debates.

Além disso, segundo analistas, a recente eleição nos Estados Unidos tem acrescentado pontos importantes nas discussões e nas posições tomadas pelos partidos e candidatos.
Isso porque a política industrial norte-americana, por exemplo, tem forte impacto na economia irlandesa, que depende muito das empresas de tecnologia dos Estados Unidos para a criação de emprego no país.
Eleições gerais devem acontecer a cada 5 anos, no máximo
De acordo com a lei irlandesa, uma eleição geral deve ser realizada pelo menos a cada cinco anos, mas o primeiro-ministro, ou Taoiseach, pode pedir ao Presidente que dissolva o Dáil a qualquer momento.
São as eleições gerais que escolhem os novos deputados do Dáil, que por sua vez irão determinar quem será o próximo-primeiro-ministro. Com a ordem para que o Dáil seja dissolvido, uma nova eleição geral deve ser realizada em até 30 dias.
Atualmente, há 30 partidos políticos registrados para disputar eleições na Irlanda e, nas eleições gerais de 2020, nove partidos diferentes conquistaram assentos no Dáil.
Mas não é preciso que os candidatos sejam membros de algum partido político para concorrer nas eleições gerais: é possível disputar como candidato independente, como aconteceu no último processo. Em 2020, por exemplo, 19 candidatos independentes foram eleitos.
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Nas eleições de 2020, houve um total de 532 candidatos para 160 vagas. Para esta nova eleição, o número de deputados no Parlamento aumentou e estão em jogo 174 cadeiras.
Pela legislação, cada um dos deputados deve representar entre 20 mil e 30 mil pessoas. No novo Parlamento, a ser formado a partir dessa próxima eleição, cada deputado deve representar, em média, 29.593 pessoas.
Voto de estrangeiros é restrito
Ao contrário do que acontece nas eleições locais na Irlanda, em que os cidadãos estrangeiros (sob condições específicas) podem votar, as Eleições Gerais são mais limitadas quanto a essa participação.
“Apenas cidadãos irlandeses e cidadãos britânicos que vivem na Irlanda podem votar nas Eleições Gerais. As mesmas regras se aplicam às eleições que ocorrem quando um TD (deputado) renuncia ao Dail, ou se ele morre ou tem que ser substituído de alguma forma”.
Estas são informações do portal Election Check 24, que traz a validação de informações ligadas ao processo de eleições e combate a fake news.
“A Nona Emenda à Constituição permite que cidadãos não irlandeses votem nas eleições gerais, mas apenas cidadãos britânicos têm direito a isso por lei, porque o Reino Unido tem uma lei semelhante para cidadãos irlandeses”.
Quem é Simon Harris
O atual primeiro-ministro irlandês, um político de 38 anos, é o mais novo a ocupar o cargo. Desempenha as funções desde abril de 2024 e já atuou como deputado e ministro em governos anteriores.
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Marcos Freire