O mercado de trabalho em Portugal tem sido um campo de batalha silencioso para muitos profissionais, especialmente aqueles com mais de 50 anos. O etarismo em Portugal ainda é uma barreira invisível, mas palpável, que afeta a vida de muitos trabalhadores veteranos.
No entanto, ao refletir sobre isso, vejo um país gradualmente reconhecendo o valor da experiência, embora ainda com um longo caminho a percorrer.
As regras ficaram mais rígidas e o improviso acabou. Quem quer morar legalmente em Portugal hoje precisa de planejamento, informação correta e decisões bem feitas desde o Brasil.
O Euro Dicas tem a solução!
Conheça o Ebook Morar em Portugal →Minhas reflexões sobre o etarismo em Portugal
A coluna de hoje nasceu de um encontro inesperado. Fui a uma consulta médica e reencontrei uma conhecida de infância que não via há anos e que veio morar em Portugal na década de 1990. A vida nos leva para caminhos diferentes e a gente acaba perdendo contato com algumas pessoas queridas.
Ao entrar no consultório, confesso que ela não me reconheceu de cara. Mas, quando revelei quem eu era, a emoção tomou conta do ambiente. Colocamos o papo em dia, relembramos histórias engraçadas e matamos a saudade.
Entre um assunto e outro, ela me contou que, apesar de já poder estar aposentada, segue trabalhando com muito entusiasmo. E não é só pelo dinheiro! Ela me explicou que adora se sentir útil e ativa e que o trabalho a mantém com a cabeça ocupada e feliz.
Uma coisa que me chamou a atenção foi quando ela comparou a vida dos colegas dela em Portugal e no Brasil. Ela me disse que por aqui, o mercado de trabalho valoriza os profissionais mais experientes, acima dos 50 anos.
Saí da consulta com essa história na cabeça e comecei a refletir sobre o que ela havia me dito.
De fato, não é de hoje que percebo como a população mais velha na Europa é muito mais ativa economicamente do que no Brasil. Mas, ao mesmo tempo, não podemos negar que o etarismo também existe em Portugal.
O que é esse tal de etarismo?
Etarismo (idadismo em Portugal) é um tipo de preconceito que acontece pela idade, parecido com racismo ou sexismo, mas direcionado a pessoas de certas faixas etárias, geralmente as mais velhas. No mercado de trabalho, isso acontece quando acham que alguém é menos capaz ou competente só devido à idade.
No emprego, o etarismo aparece quando os empregadores preferem contratar gente mais jovem, achando que os mais velhos são menos flexíveis, não entendem tanto de tecnologia ou custam mais caro por causa dos salários mais altos.
Muita gente acredita que, depois de certa idade, os trabalhadores perdem energia, são menos criativos ou têm mais dificuldade para aprender coisas novas. Mas essas ideias, na maioria das vezes, não passam de suposições.
O etarismo faz com que muita gente experiente acabe sendo subaproveitada no mercado. Essa discriminação também mexe com a autoestima, a saúde mental e a qualidade de vida de quem passa por isso, podendo levar ao isolamento e até à depressão.
O cenário atual do etarismo em Portugal
Portugal, assim como muitos outros países europeus, Portugal está envelhecendo. Cada vez nascem menos crianças, enquanto as pessoas vivem mais tempo. Isso cria um cenário em que há mais idosos do que jovens na sociedade. Mas isso traz uma pergunta importante: como aproveitar o talento e a experiência dessa força de trabalho mais velha?
O etarismo em Portugal não é só uma ideia abstrata; ele aparece de forma bem concreta. Basta olhar para anúncios de emprego que pedem candidatos “jovens e dinâmicos”. E quem não é jovem não pode ser dinâmico? Eu mesmo já vi vagas exigindo idade máxima de 45 anos. Sério, que critério é esse?
E os números comprovam o problema. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego entre as pessoas de 55 a 64 anos é bem mais alta do que a média nacional. Isso mostra como é difícil para quem já tem uma carreira consolidada permanecer no mercado de trabalho. O desafio é ainda maior para quem emigrou por volta dessa idade.
Recomendamos a assessoria da Campara, um escritório de advogados experientes para auxiliar na sua solicitação de vistos, autorização de residência, cidadania e outros trâmites. É da nossa confiança.
ENTRAR EM CONTATO →E como fica a situação de quem imigra mais velho?
Quando alguém decide imigrar para Portugal depois de uma certa idade, o etarismo no mercado de trabalho pode virar um baita obstáculo. Além de ter que lidar com as diferenças culturais, a pessoa vai enfrentar um mercado onde a experiência adquirida em outro país muitas vezes não é reconhecida.
Você não precisa gastar com a transferência do dinheiro. Use o cartão multimoedas da Wise direto, com câmbio justo e sem tarifas abusivas. Prático, seguro e econômico. Peça já o seu!
Abrir Conta Multimoeda →Profissionais mais velhos podem precisar começar do zero, ou até mudar de área, porque as oportunidades podem ser mais limitadas se não tiverem conhecimento local ou um currículo mais recente. Sem contar que validar diplomas e certificações pode ser um processo super burocrático, o que coloca ainda mais pressão para mostrar seu valor de novo. É preciso ter isso em mente.
Essa reinvenção é ainda mais difícil para quem imigrar depois dos 50, porque envolve não só a adaptação ao trabalho, mas também ao novo contexto social e econômico. A pressão de entender como as coisas funcionam no mercado local e ainda ter que lidar com o preconceito de idade pode ser bem pesada.
No fim das contas, muitos acabam aceitando trabalhos que não condizem com suas qualificações ou em áreas completamente diferentes do que faziam antes, o que pode fazer a pessoa se sentir como se tivesse perdido sua identidade profissional.
Setores que abrem portas contra o etarismo em Portugal
Mas nem tudo é um céu nublado. Alguns setores já começaram a perceber que experiência não é peso morto — é bagagem valiosa. O trabalho no turismo, por exemplo, um dos motores da economia portuguesa, está abrindo espaço para profissionais com mais de 50 anos.
Afinal, quem já viveu bastante tem aquela habilidade única de contar histórias, falar vários idiomas e entender as diferenças culturais sem precisar de um guia de bolso. E quando se trata de atender bem, nada supera a paciência e o olhar treinado de quem já viu de tudo.
Na consultoria, o cenário é parecido. Algumas empresas perceberam que nem tudo se resolve com um clique ou um algoritmo novo. Resolver problemas complexos exige uma visão estratégica que só se ganha com tempo, além de uma rede de contatos construída ao longo dos anos.
É como no futebol: por mais talento que um jovem tenha, sempre há aquele jogador veterano que sabe exatamente onde estar e o que fazer na hora certa.
Inscreva-se na nossa Newsletter e receba no seu email com exclusividade as melhores colunas, artigos e notícias sobre a Europa! É de graça, inscreva-se agora!
INSCREVER GRÁTIS→A Europa e o etarismo
A União Europeia tem regras bem claras que proíbem a discriminação por idade no trabalho. A Diretiva 2000/78/EC é um exemplo disso — ela garante que todo mundo tenha tratamento igual no emprego, inclusive protegendo contra preconceito devido à idade.
A Comissão Europeia também tem investido em campanhas para mudar a mentalidade dos empresários e das empresas sobre idade no mercado de trabalho. A ideia é mostrar que a experiência e a sabedoria dos mais velhos são verdadeiros tesouros.
Outra coisa bacana é que eles estão focados em criar políticas que ajudem os trabalhadores mais velhos a fazerem transições mais suaves, seja mudando de emprego ou adotando jornadas mais flexíveis. Bons exemplos são o trabalho em tempo parcial ou até mesmo home office, o que pode ser uma “mão na roda” em diferentes fases da vida.
Efeitos do etarismo em Portugal na economia
O etarismo em Portugal não é só injusto para quem passa por isso, mas também afeta a economia do país. Quando as empresas deixam de lado trabalhadores experientes, perdem produtividade, conhecimento e inovação. Basicamente, estão jogando fora um baita capital humano.
O pior é que, mesmo quando alguém com 50 anos ou mais consegue voltar ao mercado de trabalho em Portugal, a realidade não é nada fácil. Muitas vezes, essas pessoas acabam tendo que trabalhar sob o comando de gente que nem faz ideia do histórico profissional e pessoal que elas carregam.
É como se toda aquela bagagem de décadas de experiência não valesse nada e elas fossem tratadas como se estivessem começando a carreira do zero. Isso gera uma frustração enorme.

Esse desrespeito pela história de vida e pelas conquistas dessas pessoas cria um ambiente de trabalho onde todo o potencial delas é desperdiçado, só aumentando o problema do etarismo em Portugal. É como se todo o passado delas fosse apagado.
E tem um custo social bem pesado nisso tudo. Quem é forçado a se aposentar antes do tempo ou fica desempregado por muito tempo acaba enfrentando dificuldades financeiras, o que aumenta a dependência dos serviços sociais e coloca ainda mais pressão sobre o Estado.
Como se no Brasil fosse diferente…
No mercado de trabalho brasileiro, o etarismo é bem real, mesmo que nem sempre seja falado abertamente. Muita gente com mais de 50 anos sente na pele o preconceito por idade. Eu mesmo tenho vários amigos que têm passado por poucas e boas.
As empresas no Brasil costumam valorizar a juventude e o “novo”, o que faz com que prefiram contratar pessoas mais jovens, achando que vão se adaptar melhor ou aceitar salários mais baixos. Isso acaba criando uma situação em que a experiência é vista como um peso e não como um ponto positivo.
Portugal está um pouco à frente com iniciativas do governo e políticas para integrar trabalhadores mais velhos. No Brasil, o preconceito por idade é mais enraizado na cultura, e mesmo com leis contra discriminação por idade, elas não são tão aplicadas na prática.
Mudando perspectivas sobre o etarismo em Portugal
Já dá para ver um raio de esperança em algumas iniciativas que estão surgindo por aí. Em várias regiões de Portugal, projetos que juntam diferentes gerações estão dando super certo. Empresas que apostam na inclusão etária dizem que não só o pessoal fica mais satisfeito, mas também que a inovação aumenta.
E faz sentido, né? Quando você junta a experiência de quem já viu muita coisa com as ideias frescas do pessoal mais novo, saem soluções bem criativas.
O etarismo em Portugal — e não só em Portugal — não precisa ser encarado como algo que não tem jeito. Dá para mudar esse cenário. Se a sociedade começar a enxergar a idade como um ponto positivo e não um limitador, todo mundo sairá ganhando.
Apesar do etarismo ainda ser um desafio grande por aqui, já tem coisa mudando. O turismo e a consultoria, por exemplo, já perceberam o valor da experiência. Além disso, as políticas europeias estão aí para ajudar Portugal a dar esse passo adiante.
O caminho para um mercado de trabalho que valoriza todas as gerações é longo, mas cada passo na direção da inclusão é um avanço para um futuro mais justo e cheio de possibilidades.
*A opinião dos colunistas não reflete necessariamente a opinião do Euro Dicas.