Lá fora, o cinza do inverno e o frio de Braga em Portugal eram o oposto do sol e calor que eu costumava ver nas manhãs cariocas. Mais um dia começava, e com ele, a avalanche de pensamentos e emoções que não me deixavam desde que decidimos atravessar o oceano. Não tem jeito, a imigração e o medo de não dar certo andam juntos.

Homem no aeroporto pensando na imigração e o medo de não dar certo
Índice Sair do Brasil e o medo de não conseguir se adaptar A decisão de imigrar e o medo dos riscos Desafios e incertezas na imigração Recomeçar fora do país e o medo de não alcançar o sucesso Imigrar e enfrentar os medos sobre o futuro: e se não der certo? A imigração e o dilema entre partir e arriscar ou ficar e se conformar

Entre a esperança e a frustração, o caminho de todo imigrante não é nada simples. Venha pensar sobre isso comigo.

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Sair do Brasil e o medo de não conseguir se adaptar

Imigrar é um ato de coragem. Coragem para deixar para trás tudo que conhecemos, o que nos é familiar.

É abdicar da segurança de um abraço conhecido, da rede de apoio construída ao longo de anos, do aconchego de um lar que, apesar de imperfeito, era nosso. Contudo, essa tal de zona de conforto é um verdadeiro playground para o medo.

Para uma pessoa com uma certa dificuldade em lidar com muitas interações sociais, ter de refazer tudo isso do zero gerou um enorme desconforto e ansiedade. Eu sabia que a decisão de morar em Portugal iria me lançar em um mar de incertezas, com a promessa de um futuro melhor, mas sem nenhuma garantia de que ele realmente se concretizaria.

A decisão de imigrar foi impulsionada por uma mistura de frustração e esperança. Frustração com a falta de oportunidades no Brasil, com a violência crescente, com a sensação de estar parado em um lugar que não comportava mais os meus sonhos. E esperança de encontrar um lugar onde pudesse me realizar, construir uma vida mais segura, ter a chance de crescer e evoluir.

Entre a imigração e o medo de não dar certo, o que sempre falou mais alto por aqui foi a vontade de recomeçar. Por tudo isso, veio a decisão de morar em Braga.

A decisão de imigrar e o medo dos riscos

Mas a esperança, por mais forte que seja, não afasta o medo. Só uma pessoa muito inocente pode ignorar o peso do angústia de mudar de país. A imigração e o medo de não dar certo são como dois lados da mesma moeda. A cada passo que dava em direção ao meu novo lar, a sombra da dúvida me acompanhava.

Será que vou conseguir me adaptar? Será que vou encontrar um bom emprego? Será que vou conseguir me reinventar? Será que vou fazer amigos? Será que vou me sentir em casa nesse lugar tão diferente? Quem sou eu a partir de agora?

As semanas que antecederam a minha saída do Brasil foram um turbilhão de emoções. A alegria de realizar um sonho antigo de morar em Portugal se misturava à tristeza de deixar para trás pessoas que amava.

A ansiedade de enfrentar o desconhecido brigava com a empolgação de começar uma nova aventura. Além de ter a pandemia decretada em 2020 como pano de fundo, havia também o temor de falhar, de ter que voltar com o rabo entre as pernas.

Desafios e incertezas na imigração

Lembro-me da noite anterior ao meu voo para Portugal. As malas prontas, o bilhete em mãos, cartão do cidadão na carteira, e um nó na garganta que teimava em não se desfazer. Deitei na cama, mas o sono não veio. A ansiedade sempre foi minha companhia indesejada.

A cada minuto, a sensação de estar fazendo besteira só aumentava. Largar meu trabalho, meus amigos, minha família… Será que eu estava fazendo a escolha certa? E se tudo der errado?

Era como se eu estivesse prestes a pular de um penhasco de cabeça e já não tivesse como voltar atrás. Respirei fundo, engoli o medo e fomos para o aeroporto. A cada passo, o medo de não dar certo martelava na minha cabeça.

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Recomeçar fora do país e o medo de não alcançar o sucesso

Os primeiros meses em Portugal foram um choque. Tudo era encantador e diferente. Me sentia como uma criança aprendendo a andar, tropeçando de vez em quando, inseguro e um pouco deslocado.

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Cidade de Braga, Portugal
Apesar dos desafios e incertezas de imigrar, a cidade de Braga nos recebeu de braços abertos e temos muito carinho por ela. Foto: Maurício Martins

A busca por um emprego em Portugal se mostrou bem mais difícil do que eu imaginava. As entrevistas eram um martírio. As portas se fechavam uma a uma.

A cada “não” que recebia, o medo de não dar certo crescia dentro de mim.

Mas a imigração exige resiliência. É preciso ter a capacidade de se adaptar, de se reinventar, de persistir diante das dificuldades. É preciso aprender a lidar com a frustração, com a sensação de estar fora do lugar. É preciso ter força para levantar a cada queda, para seguir em frente mesmo quando tudo parece conspirar contra.

A imigração e o medo de não dar certo são desafios reais, mas também são chances de se superar. O problema é que, no meio da tempestade, nem sempre conseguimos ver o horizonte.

Gradualmente, fui encontrando meu espaço. Comecei a me sentir mais em casa. Mudamos de cidade em Portugal. A vida foi ganhando cores diferentes e novos sabores. A sensação de pertencimento, antes distante, começava a tomar forma.

Imigrar e enfrentar os medos sobre o futuro: e se não der certo?

A imigração não é para todo mundo. A gente precisa encarar essa realidade. É preciso ter uma vontade de ferro e uma capacidade de adaptação acima da média. É preciso estar pronto para abrir mão de algumas coisas, fazer uns sacrifícios e se jogar no desconhecido sem medo.

Não é só decidir e sair por aí. A decisão é só o começo de uma caminhada e tanto. É preciso, também, ter conhecimento. Saber o que esperar, quais são os desafios do mercado de trabalho, por exemplo, e como se preparar para eles.

É preciso pesquisar sobre a vida como um todo, se informar, conversar com quem já passou pela experiência. Quanto mais soubermos sobre o caminho que estamos trilhando, maiores serão as chances de sucesso. Só assim você pode evitar uma imigração frustrada.

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O planejamento não elimina os tropeços

E mesmo assim, nem tudo dará certo. Haverá momentos de frustração, de desânimo, de vontade de desistir.

Vai ter porta que vai bater na nossa cara, planos que não vão rolar, sonhos que vão ter que esperar e rotas que a gente vai ter que mudar. Mas tudo certo, faz parte do processo. Não podemos ter medo de errar. Cada falha, cada obstáculo, cada decepção é uma chance de aprender, crescer e amadurecer.

São as dificuldades que a gente enfrenta aqui na Europa (ou em qualquer ludar do mundo) que nos tornam mais fortes, mais resilientes e mais preparados para os desafios da vida.

A real é que o medo nos coloca em gaiolas que só existem na nossa cabeça. Não podemos deixar ele virar o refém do “e se?”. Quem já passou por imigração e o medo de não dar certo sabe que o segredo é seguir um passo de cada vez.

A imigração e o dilema entre partir e arriscar ou ficar e se conformar

E se, por acaso, o sonho não se realizar, se a saudade apertar demais, se a vontade de voltar for maior que a vontade de ficar, não há problema algum em mudar de planos e, se for o caso, voltar para o Brasil. A vida é feita de escolhas.

No Instagram do Euro Dicas também comentei sobre o minha trajetória. Confira:

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Nunca é tarde para alçar novos voos, para recomeçar, para trilhar um novo caminho. Seja no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo.

Ao longo dos anos como imigrante aqui em Portugal, consegui ter uma certeza: quem tem medo de cair nunca aprende a voar. A imigração e o medo de não dar certo são aquele combo que todo mundo enfrenta, mas no fim vale a pena.

Hoje, olhando para trás, vejo que a imigração foi uma das decisões mais importantes da minha vida. Foi (e ainda é) um caminho árduo, cheio de desafios e incertezas, mas também de aprendizados e conquistas.

A imigração é como uma escola

Aprendi a ser mais forte, mais independente, mais resiliente. Aprendi a lidar com a frustração e com a diferença. Aprendi a valorizar as pequenas coisas, a celebrar cada conquista. Aprendi também a agradecer por cada oportunidade.

E aprendi, acima de tudo, que o medo de não dar certo é um companheiro comum na imigração, mas não precisa nos paralisar. O medo faz parte, mas não pode ser maior que a nossa coragem, que a nossa vontade de realizar nossos sonhos.

Encarar a imigração e o medo de não dar certo é o pacote completo para quem quer recomeçar. E como disse Guimarães Rosa:

“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”

E coragem é o que não me falta para seguir em frente, atravessando oceanos, construindo meu caminho e vivendo minha história. Pode até soar clichê, mas encarar o medo é a melhor maneira de descobrir uma força que você nem sabia que tinha.

*As opiniões dos colunistas não refletem necessariamente a opinião do Euro Dicas.