Amsterdam nunca passou pela minha cabeça quando eu pensava em imigrar. Na verdade, parecia sonhar alto demais. Todo mundo sabe como a cidade é bonita, e encantadora com seus canais, tulipas e bicicletas. O cenário da minha vida aqui parece ter saído de um filme, principalmente durante o verão.
Posso ter meus problemas rotineiros, como todo mundo, mas só de ver o sol brilhando nos canais, as pessoas aproveitando as calçadas para brindar e conversar, e a cidade toda florida, eu me belisco e me lembro que é um super privilégio morar aqui.
Um ano de aprendizados e descobertas
Amsterdam é relativamente pequena, dá para fazer muitas coisas a pé, ou em uma curta pedalada. São muitos museus incríveis – como Van Gogh, Rembrandt, Rijksmuseum, Anne Frank – e uma cena cultural intensa.
É aquele tipo de cidade que você não consegue ficar entediada, tem sempre algo diferente acontecendo e uma curiosidade holandesa para conhecer. Seja um mercado de rua, um evento de arte, um festival de música, ou um novo restaurante que recém abriu.
Como é viver em Amsterdam para além das bicicletas, canais e flores?
Vale dizer, que morar aqui vai muito além dos cartões-postais e regiões conhecidas pelos turistas. Na verdade, foi isso que me encantou ainda mais.

Quando eu passei a andar pelas ruas menos conhecidas, visitar lojas locais, conhecer mercados de rua e aproveitar um dia de sol no parque, foi quando eu realmente percebi como pode ser bonito e gostoso morar aqui.
É fácil se sentir conectado com a cidade?
Claro que nem tudo são tulipas – hehehe – e vivemos boa parte do ano com um clima bem menos convidativo.
Céu cinza, muito vento, chuva que vai e vem. Morar aqui me fez comprar uma capa de chuva pela primeira vez na vida. Aqui, ninguém usa sombrinha já que o vento a levaria.
Entendi que não importa o clima, o pessoal estará sempre pedalando – eu ainda não cheguei nesse estágio, primeiro preciso perder o medo de andar de bicicleta.
Mas com isso, aprendi que na vida nem sempre vai existir o “clima perfeito” para fazer alguma coisa, a vida acontece agora, e a gente precisa se adaptar e dançar com o vento!
Ainda sobre mobilidade, além das bicicletas o transporte público funciona muito bem e isso é outro ponto alto. A cidade toda é muito bem conectada com trams, ônibus e três linhas de metrô.
O lado ruim é que eu acho o transporte público extremamente caro, acredito que para encorajar ainda mais o uso das bikes.
Como é ser mulher brasileira na Holanda?
Há um senso real de segurança — raramente me senti vulnerável, mesmo à noite. Mas o que vem incomodando muitas pessoas, principalmente mulheres, são os adolescentes nas suas fatbikes, uma bicicleta elétrica que pode chega até 50 km por hora e que os encoraja a insultar, e às vezes, até abusar, de mulheres na rua.
O governo da Holanda está aumentando o policiamento, principalmente nos parques da cidade, para evitar esse tipo de situação, além da regularização deste meio de transporte. Espero que melhore.
Custo de vida e burocracia: os desafios de morar em Amsterdam
Um desafio grande de viver aqui é o alto custo de vida, especialmente o aluguel. Assim como em outras cidades europeias, a crise imobiliária é real e vem piorando cada vez mais. Além disso, os altos impostos e a burocracia pesa um pouco a paciência, além de pesar no orçamento.
O lado bom é que o governo oferece alguns benefícios como o 30% ruling para imigrantes com alta experiência em uma área em que os Países Baixos entendam como importante. Esse benefício fiscal é válido pelos 5 primeiros anos e ajuda muito quem pensa em imigrar para cá e morar na Holanda.

Outro ponto positivo é que aqui eu consegui abrir minha micro empresa, quase como um MEI do Brasil, para trabalhar com empresas e marcas da Europa, prestar serviços, emitir invoices, e me regularizar como freelancer.
A abertura da empresa foi super rápida, através de um formulário da internet e um horário marcado em um escritório do governo. Saí de lá com tudo pronto, e me senti muito bem acolhida.
No Instagram do Euro Dicas, também compartilhei um pouquinho da minha experiência em Amsterdam após um ano morando aqui. Corre lá para conferir!
Barreira da língua e a convivência com o idioma holandês
Tendo experiência morando em Berlim, posso afirmar que na Holanda a barreira linguística é bem menor. Aqui a população fala inglês desde pequena, então desde o momento em que fui fazer meu visto para morar aqui, até o momento de abrir minha empresa, todos falaram em inglês comigo sem problemas.
Alguns documentos e informações dadas também estavam em inglês, e isso me deixou muito mais tranquila já que minha experiência morando na Alemanha foi um pouco traumática nesse sentido.
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INSCREVER GRÁTIS→Lá, cada vez que eu entrava em um bürgeramt (escritório de atendimento ao cidadão) eu tremia na base por saber que iria enfrentar o mau-humor do atendente e o olhar de julgamento por eu não falar alemão ainda.
Penso em estudar holandês em algum ponto da minha vida por aqui, mas isso não é uma prioridade no momento. Sinto que o primeiro ano morando em Amsterdam como imigrante é uma chuva de novidades, boas e ruins, e que leva algum tempo até você se sentir com as coisas sob controle.
Talvez no próximo ano eu dê uma chance a esse idioma, que é primo do alemão, mas parece mais fácil de aprender, ainda mais porque pretendo ficar aqui por alguns bons anos.
Amsterdam é uma cidade definitiva ou tem prazo de validade?
Diferente da Alemanha, aqui eu consigo ver um futuro mais brilhante para mim e para minha família. Acredito que com os benefícios do governo para questões de trabalho, compra de imóvel e freelancers, se mudar para outro país teria que valer muito, mas muito, a pena.
Agora que eu comecei a criar boas memórias, fazer as primeiras amizades e começar a me acostumar com a cidade, sinto que os próximos anos serão ainda mais bonitos do que o que foi esse primeiro. Mal posso esperar para viver tudo que Amsterdam têm a me oferecer!
*As opiniões dos colunistas não refletem necessariamente a opinião do Euro Dicas.