Na segunda semana de maio de 2025, o governo britânico anunciou um pacote com novas exigências no processo de imigração. Entre as principais mudanças estão o aumento do prazo para solicitar residência permanente — que passará de 5 para 10 anos — e novas regras para obtenção de vistos de trabalho e permanência de familiares.
As mudanças fazem parte de uma estratégia do governo para reduzir o número de imigrantes e reforçar o controle sobre as fronteiras, em meio a pressões políticas internas e discussões sobre o impacto da imigração no sistema público britânico.
A decisão gerou preocupação entre comunidades estrangeiras e especialistas em direito migratório, que alertam para possíveis consequências sociais e econômicas das políticas migratórias no Reino Unido. Brasileiros que vivem no país de forma legal serão afetados pelas novas regras.
Primeiro-ministro critica desequilíbrio migratório e anuncia ações imediatas
No dia 12 de maio, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou um novo pacote de medidas para conter a imigração legal no Reino Unido.
Segundo ele, o saldo migratório atual, ou seja, a diferença entre o número de pessoas que entram e saem do Reino Unido, equivale à população de Birmingham, a segunda maior do país. “Isso não é controle, é caos”, declarou Starmer, prometendo que o plano reduzirá esse saldo.

Durante o anúncio, o premiê pontuou que as medidas da nova política migratória no Reino Unido visam restabelecer o controle das fronteiras e preservar a coesão social do país.
“Sem controles eficazes, o Reino Unido corre o risco de se tornar uma ilha de estranhos, não uma nação que caminha unida”, afirma.
Pontos centrais das novas medidas de imigração no Reino Unido
O governo britânico divulgou um White Paper (documento informativo) com as propostas para reformular o sistema de imigração legal. Conforme o primeiro-ministro, as novas regras terão como foco tornar o processo mais “controlado, seletivo e justo”.
Durante a coletiva de imprensa realizada em Downing Street antes da publicação das medidas, o primeiro-ministro britânico disse que queria que os níveis de imigração caíssem significativamente até o final de sua legislatura, sem estabelecer uma meta numérica.
Nações dependem de regras — regras justas. Às vezes elas estão escritas, muitas vezes não, mas de qualquer forma, elas dão forma aos nossos valores, nos orientam sobre nossos direitos, é claro, mas também sobre nossas responsabilidades — as obrigações que temos uns com os outros. Em uma nação diversa como a nossa — e eu celebro isso — essas regras se tornam ainda mais importantes.
Uma nova avaliação do Ministério do Interior, que analisa o impacto das mudanças nos vistos de estudo e trabalho e a introdução de testes de proficiência em inglês, estimou que haverá uma redução na entrada de imigrantes de aproximadamente 100 mil pessoas. A projeção indica ainda que a imigração líquida poderá cair para 300 mil até 2029.
Entre as principais medidas apontadas pelo governo, destacam-se:
Regras mais rígidas para vistos de trabalho qualificado
Estrangeiros deverão apresentar diploma universitário para solicitar o visto de trabalhador qualificado. Antes, era aceito o equivalente ao ensino médio avançado. Exceções serão feitas para setores com falta de mão de obra, contudo é um indício de maior restrição nos vistos para o Reino Unido.
Facilidades para estudantes internacionais e talentos globais
Quem se formou em universidades de elite fora do Reino Unido poderá ter acesso facilitado ao visto de trabalho. Estudantes internacionais interessados em abrir negócios e talentos das áreas de ciência e design também terão mais facilidade para obter vistos específicos.
Aumento do prazo para residência permanente
O prazo para solicitar residência permanente será ampliado de 5 para 10 anos. Um sistema de pontos, baseado na contribuição econômica e social, poderá reduzir esse tempo, mas ainda está em discussão.
Fim do visto especial para assistentes sociais
Visto criado durante a pandemia para suprir demanda no setor será encerrado para novos pedidos em junho. No entanto, foi anunciado que quem já possui o visto poderá renová-lo até 2028.
Redução do período de permanência pós-estudo
Estudantes poderão permanecer 18 meses no país após a graduação, em vez de 2 anos. Está em estudo a implementação de um imposto de 6% sobre a receita das universidades com mensalidades pagas por estrangeiros.
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INICIAR MINHA JORNADA →Requisitos mais rigorosos de proficiência em inglês
Os testes de inglês para vistos de trabalho serão mais rigorosos. Dependentes adultos também precisarão comprovar conhecimento básico para vistos de cônjuge ou parceiro. Para residência permanente, será exigido nível mais avançado.
Revisão das regras sobre direitos familiares em imigração
As regras serão atualizadas para limitar o uso do direito à vida familiar para evitar expulsões de imigrantes sem autorização. O Ministério do Interior também aprimorará o registro das saídas de migrantes para melhor monitorar os fluxos.
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Abrir Conta Multimoeda →Nova política de imigração no Reino Unido acompanha tendência europeia
A nova política imigratória do Reino Unido segue uma tendência de endurecimento adotada por diversos países europeus. Recentemente, Portugal, Itália e França implementaram reformas em suas legislações para controlar os fluxos migratórios, regularizar imigrantes e reforçar o controle de fronteiras.
Mudanças em Portugal
O governo português apresentou um plano com 41 medidas para lidar com a crise na Agência para as Migrações e Asilo (AIMA). Além disso, eliminou a chamada manifestação de interesse, que permitia a regularização de imigrantes após um ano de trabalho e contribuições — agora, é necessário apresentar um contrato de trabalho ao chegar no país.
No início de maio, por exemplo, mais de 4 mil imigrantes receberam notificação para deixar Portugal, situação que também afetou os brasileiros no país.
Alterações na Itália
Já na Itália, o Parlamento aprovou uma lei que revê as regras de entrada no país, restringe o acesso a centros de acolhimento para pedidos de asilo tardios e introduz proteções específicas para trabalhadores vítimas de tráfico e exploração. Essa medida foi vista como uma resposta à pressão migratória enfrentada pelo país, sobretudo via Mediterrâneo.

Aliás, recentemente a Itália impôs novas restrições à cidadania por sangue, afetando diretamente os brasileiros.
Mudanças na França
Enquanto isso, na França, foi aprovada uma nova legislação com o objetivo de agilizar os processos de asilo e facilitar a deportação de estrangeiros em situação irregular. A medida também inclui a criação de um novo visto de trabalho voltado para setores que enfrentam escassez de mão de obra.
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INSCREVER GRÁTIS→Embora as políticas variem entre os países, há um consenso crescente em torno do aumento do controle nas fronteiras, da prioridade para trabalhadores qualificados e do rigor nas regras de imigração na Europa.
Esse movimento é motivado por desafios como a pressão sobre os serviços públicos, preocupações com a segurança, debates sobre identidade nacional e a ascensão de forças políticas mais conservadoras.
Brasileiros no Reino Unido terão que esperar mais para conseguir residência permanente
O aumento do prazo para residência permanente afetará tanto os novos imigrantes quanto cerca de 1,5 milhão de trabalhadores estrangeiros, incluindo muitos brasileiros que chegaram ao país em 2020.
Eles terão que aguardar mais tempo para alcançar estabilidade, acesso ampliado a serviços públicos e menos restrições.
Além disso, as regras para entrada de familiares de imigrantes serão endurecidas. Dependentes adultos, como cônjuges e parceiros, precisarão comprovar o nível básico de inglês para obtenção do visto, o que pode ser um desafio para quem tem conhecimento limitado do idioma.
O governo ainda estuda uma regra para limitar até que ponto as pessoas podem usar o direito à vida familiar para impedir que sejam expulsas do país se não tiverem permissão para ficar.
Especialistas alertam para riscos da redução da imigração no Reino Unido
O primeiro-ministro, em seu pronunciamento, classificou setores da economia como “viciados” na importação de trabalhadores e defendeu o investimento na força de trabalho local. No entanto, especialistas alertam para os riscos econômicos e sociais da redução da mão de obra estrangeira no Reino Unido.
No setor de assistência social, que atualmente conta com 131 mil vagas em aberto, a restrição da imigração pode agravar ainda mais a escassez de profissionais e causar um colapso no atendimento de saúde.
A secretária-geral da Unison, maior sindicato dos profissionais de saúde e assistência social do Reino Unido, Christina McAnea, criticou duramente a recente decisão do governo sobre mudanças nas regras de imigração e cobrou esclarecimentos imediatos sobre o impacto das novas medidas para os trabalhadores estrangeiros já residentes no país.
O NHS e o setor de assistência teriam entrado em colapso há muito tempo sem os milhares de trabalhadores que vieram do exterior para o Reino Unido. (…) Os profissionais de saúde e assistência que já estão aqui, compreensivelmente, estarão ansiosos com o que vai acontecer com eles. O governo precisa garantir a esses trabalhadores estrangeiros que eles terão permissão para ficar e continuar com seu trabalho indispensável.
A redução no número de estudantes estrangeiros, também prevista no plano, pode comprometer o financiamento de universidades que já enfrentam dificuldades. Essa queda pode levar o governo a aumentar impostos ou os preços das anuidades para estudantes britânicos.
Medidas ainda não tem prazo fixado
O governo britânico ainda não definiu uma data para a entrada em vigor das novas medidas. No entanto, diante das incertezas do cenário atual, é recomendável que os brasileiros que vivem no Reino Unido — ou que pretendem se mudar para o país — acelerem os processos de solicitação de visto e nacionalidade.
Além disso, acompanhar os debates no Parlamento e notícias pode ser decisivo neste momento. Para saber mais detalhes, assista o vídeo abaixo com comentários sobre as principais mudanças da política imigratória:
Em resumo, sem o aumento nos gastos com educação e treinamento, os economistas alertam que a restrição à imigração pode comprometer o crescimento e a oferta de serviços essenciais no Reino Unido.
Setores como saúde, construção civil e tecnologia, que já enfrentam escassez de mão de obra, podem ser especialmente afetados.
A longo prazo, a falta de investimento em qualificação profissional poderá limitar a competitividade do país e agravar desigualdades regionais no acesso a oportunidades e serviços básicos.
Andrea Côrtes