No dia 3 de novembro, o coordenador do Observatório da Emigração informou que Portugal “precisa desesperadamente” de imigrantes. Para solucionar o problema de falta de mão de obra, a entrada de estrangeiros no país deve ser facilitada e serão feitas campanhas de recrutamento no exterior.
Em declarações à Lusa, o também sociólogo Rui Pena Pires afirmou que o problema demográfico de escassez de mão de obra em alguns setores em Portugal e na Europa é resolvido somente com mais imigração: “É um tema hoje complicado de gerir, face aos movimentos nacionalistas que estão a nascer um pouco por toda a Europa, mas se não tiverem mais imigrantes, Portugal e a Europa estão a suicidar-se”.

Estudo lançado recentemente

De acordo com o “Talent Shortage Survey”, um estudo lançado recentemente pela Manpower, uma das empresas mais antigas a operar no mercado português no ramo de recrutamento e seleção, 46% das empresas nacionais informaram dificuldades acima da média para recrutar o talento certo para o que precisavam, o maior aumento desde 2016.
Além disso, 35% delas admitiram que os candidatos não possuem as competências necessárias para os cargos, o que dificulta o processo de recrutamento e seleção.
De acordo com esse documento, o ranking dos perfis mais procurados é liderado pelos profissionais especializados, como eletricistas, mecânicos e soldadores, e técnicos, como motoristas, engenheiros, informáticos, advogados e professores.
“São profissões que estão em constante mutação e cujo desempenho obriga a alguns conhecimentos técnicos e também tecnológicos”, afirma o diretor executivo da Manpower, Vítor Antunes.
Saiba também quais são os profissionais mais procurados em Portugal neste artigo.

Pena Pires fala sobre a necessidade de mais imigrantes

Segundo Pena Pires, o país “precisa desesperadamente de imigrantes” e “passa demasiado tempo a falar dos problemas da natalidade”.
Mas o sociólogo alertou que é preciso “criar condições para que os pais possam cuidar dos seus filhos” e que não será por meio das políticas de incentivo à natalidade que o problema da falta de mão de obra existente em diversos setores será imediatamente resolvido.
E destacou: “As dinâmicas demográficas da natalidade e da mortalidade não têm consequências a curto prazo”.
Ainda de acordo com Pena Pires, o país precisa colocar menos barreiras na entrada de estrangeiros, visando atrair mais imigrantes e também possuir políticas de recrutamento ativas em diversos países do exterior.
“Os imigrantes do espaço lusófono têm sempre uma vantagem que é a da língua, que facilita em muito a integração”, mas existem outras origens onde Portugal atualmente pode recrutar, concluiu.
Confira o artigo que fizemos sobre imigração em Portugal.

Antunes e Mota também são a favor da imigração

Para Antunes, Portugal necessita de “mão de obra, em geral, e de talentos”. Segundo ele, para solucionar o problema, deve o fazer “não só pela via do regresso de alguns emigrantes, mas também pela via da imigração”.
António Mota, dono da Mota-Engil, empresa com negócios em diversos países no ramo da construção, é um dos afetados pela falta de mão de obra no país.
Segundo ele, se o desenvolvimento em Portugal continuar, o país vai “precisar de mão de obra semiespecializada e especializada. Portugal precisa de muita mão de obra e precisa que regressem os seus quadros que emigraram”, comentou o empresário.
Saiba o que é o CNAI em Portugal e como funciona.