O custo do aluguel de quartos na Espanha tem disparado nos últimos anos, ultrapassando os 500€ por mês em algumas regiões, quase metade do salário mínimo espanhol. A alta impacta principalmente estudantes e imigrantes que buscam moradias compartilhadas no país.
Segundo os portais imobiliários Idealista e Fotocasa, os aluguéis na Espanha registraram aumentos superiores a 10% no último ano, tanto para quartos em moradias compartilhadas quanto para apartamentos inteiros.
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GARANTIR MINHA ACOMODAÇÃO →Preço do aluguel dobra em 10 anos e pressiona imigrantes
Artigo do jornal El País, com base em dados do Fotocasa, aponta que o aluguel de um quarto na Espanha aumentou 11,7% em 2024, atingindo o valor médio de 520€ por mês. São cômodos com área entre 8 e 14 metros quadrados, em apartamentos compartilhados. E há ainda anúncios de quartos com apenas 5 metros quadrados.
Nos apartamentos compartilhados na Espanha, cujo principal público são estudantes, as áreas comuns, como sala, cozinha e banheiro, são compartilhadas entre todos os moradores.
Segundo o mesmo levantamento, a variação do valor do aluguel nesta categoria de alojamento, quarto em apartamento compartilhado, aumentou mais de 40% nos últimos 3 anos e praticamente dobrou, quando comparado com valores de 9 anos atrás.
Aumento nos preços tem sido uma constante
Outra plataforma que atua na Espanha, a Badi, também registrou aumento de 28% na mesma tipologia, em relação ao ano passado.
E ao contrário do que possa indicar, o aumento dos preços não está associado à redução da oferta, uma vez que o portal também teve um acréscimo de mais de 30% na disponibilidade de quartos.
O que tem acontecido é que o aumento na procura tem sido ainda maior do que o incremento da oferta.
Preços variam por região e podem ultrapassar os 600€
Ainda de acordo com os dados do portal Fotocasa, algumas regiões da Espanha apresentam valores ainda mais altos. É o caso da Catalunha, onde um quarto em apartamento compartilhado pode chegar a mais de 636€.
A pressão nos preços varia de acordo com a zona. Quatro comunidades tinham um preço acima de 500€ por mês em dezembro de 2024:
- Catalunha (636€);
- Madrid (586€);
- Ilhas Baleares (574€);
- País Basco (573€).
No entanto, alugar um quarto na Espanha custa metade do preço nestas regiões:
- Castela e Leão (300€);
- Castela-La Mancha (265€);
- Extremadura (242€).
Mais quartos e menos apartamentos inteiros para alugar
Os diversos portais imobiliários que atuam na Espanha registram uma mudança no perfil das moradias disponíveis para aluguel: há cada vez mais quartos em apartamentos compartilhados e menos casas ou apartamentos “inteiros”.
Segundo um porta-voz do Idealista, a oferta de apartamentos completos está atualmente em níveis muito baixos.
Por outro lado, a oferta de quartos aumentou mais de 20%, o que mostra, segundo as empresas que acompanham esse mercado, uma clara opção dos proprietários por priorizar o aluguel de quartos, o aluguel para turistas ou por temporada, em detrimento dos aluguéis “tradicionais”.
Os indicadores mostram que o ganho, para o proprietário do aluguel de quartos, é de cerca de 9% ao ano, contra cerca de 6% para aqueles que seguem nos aluguéis convencionais de um apartamento completo. Ou seja, investir no aluguel de quartos tem dado retorno superior ao de muitos produtos financeiros.
Crise habitacional faz mais pessoas recorrerem ao aluguel de quartos
Segundo o Conselho Espanhol da Juventude, 87% dos jovens que vivem fora da casa dos pais dividem moradia para reduzir despesas. Os apartamentos têm, em média, 3 ou 4 pessoas compartilhando o espaço
Com a crise imobiliária, perfis que antes conseguiam arcar com aluguéis convencionais estão migrando para moradias compartilhadas.

Estudo do Observatório de Moradia Digna da Esade, instituição acadêmica espanhola, confirma que viver em quartos deixou de ser uma alternativa temporária para se tornar uma solução permanente.
“Sublocar quartos se tornou uma alternativa desesperada para aqueles que não têm acesso a uma moradia digna. Além de ser uma simples solução habitacional, essa prática expõe as profundas deficiências do sistema habitacional e os desafios da exclusão social”, revela o texto.
Aluguéis tradicionais também disparam
Estudo de mercado do portal Idealista também mostra alta recorde nos preços dos aluguéis de casas e apartamentos “inteiros” na Espanha. Na média, os valores subiram 11% em fevereiro deste ano, ficando em torno de 14€/m². Em Barcelona (13,7%) e Madrid (13,4%) as altas foram ainda maiores, na comparação com o mesmo mês do ano passado.
O levantamento aponta que Barcelona continua a ser a cidade com o metro quadrado mais caro (23,7€/m²), seguida de Madrid (21,2€/m²) e San Sebastián (17,7€/m²).
Outros dados do Idealista, considerando um intervalo de tempo de 5 anos (2020-2025) mostram que grande parte do problema está no déficit habitacional e no declínio drástico na oferta de moradias: desde dezembro de 2020, a oferta de aluguéis permanentes na Espanha caiu 56%. Enquanto isso, os preços aumentaram 30%, em média, no mesmo período.
Do final de 2020 até hoje, a alta no valor dos aluguéis chegou a mais de 70% em Valência. Em outras regiões os registros foram:
- 62% em Barcelona;
- 60% em Alicante;
- 55% em Málaga;
- 54% em Segóvia;
- 53% em Palma;
- 45% em Ávila;
- 44% em Madrid.
As altas nos preços espanhóis também se repetem no país vizinho, ainda que com números levemente mais baixos. E o pano de fundo para as subidas de valor é o mesmo: pouca oferta e grande procura.
Em Portugal, os aumentos são menores, mas também impactantes
No país vizinho, o mês de janeiro deste ano registrou um aumento médio de pouco mais de 4% em relação ao igual período de 2024, aponta o portal Idealista. E o aumento só não foi maior porque a oferta subiu um pouco, mas sem acompanhar o ritmo de crescimento da demanda por casas e apartamentos.
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INSCREVER GRÁTIS→Hoje, o preço médio do metro quadrado do aluguel em Portugal está em torno de 16,4€/m², segundo o índice Idealista. Mas há cidades como Lisboa e Porto onde os preços ficam bem acima da média (21,9€/m² e 17,8€/m², respectivamente). No extremo oposto estão Santarém (8,8€/m²) e Viana do Castelo (8,5€/m²).
O mercado imobiliário espanhol continua apresentando desafios para moradores locais e imigrantes, especialmente aqueles que buscam alternativas mais acessíveis, como o aluguel de quartos.
Para brasileiros que planejam se mudar para a Espanha, o planejamento financeiro se torna essencial, seja para encontrar uma moradia adequada dentro do orçamento ou para considerar cidades com menor custo de vida. Acompanhar a evolução do mercado e explorar diferentes opções de acomodação pode fazer diferença na adaptação ao novo país.
Marcos Freire