Portugal, 2020. O avião mal tocou o solo e a pergunta já martelava na minha cabeça: “Imigrei! Quem sou eu agora?”. A verdade é que eu não fazia ideia. Trocar o Brasil por terras lusitanas me jogou em uma aventura de autoconhecimento muito mais profunda do que eu jamais imaginei. Fui obrigado a encarar a reinvenção em um novo país.
Era um recomeço, uma página em branco, e confesso que um frio na barriga me acompanhava a cada passo. Se você também já se aventurou — ou sonha em se aventurar — em terras estrangeiras, convido você a ler esta coluna. Vou te contar como essa experiência me fez, e continua me fazendo, questionar tudo, me reinventar e, finalmente, me reencontrar em um novo lugar.
As regras ficaram mais rígidas e o improviso acabou. Quem quer morar legalmente em Portugal hoje precisa de planejamento, informação correta e decisões bem feitas desde o Brasil.
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O azul do horizonte brasileiro ia ficando cada vez menor na janelinha do avião da companhia aérea TAP. Naquele momento, uma mistura de ansiedade e expectativa borbulhava dentro de mim.
Era 2020, e eu estava a caminho de Portugal, pronto para uma nova vida. As malas? Lotadas de sonhos, umas pitadas de medo e, claro, a bagagem — essa que a gente carrega para onde for — da minha própria história.
Sentia um orgulho danado da minha coragem, mas confesso que também rolava um medo do desconhecido. Acompanhava muito a vida no país através da RTP e da SIC, mas nada se compara a estar onde tudo acontece.
Como seria a minha vida ao morar em Portugal? Eu estava realmente preparado para recomeçar do zero? As perguntas martelavam na minha cabeça, mas a vontade de viver essa aventura falava mais alto.
Sabia que a imigração não era um mar de rosas. Havia lido, me informado, conversado com quem já tinha passado por isso. Mas nada te prepara de verdade para a montanha-russa que é se reinventar em um novo país. É uma experiência que mexe com a gente de um jeito que só vivendo para entender.
E tudo mudou: a reinvenção em um novo país!
Outra questão que não saía da minha cabeça: quem sou eu em Portugal? Um brasileiro em terras lusitanas? Um imigrante em busca de um recomeço? Uma alma em plena transformação? A verdade é que eu me sentia um pouco de tudo isso, e, ao mesmo tempo, meio perdido.

E olha que a minha família veio toda de Portugal para o Brasil. Meus pais e tios fizeram esse caminho há várias gerações. Mas, mesmo assim, eu sabia que nunca seria visto como um português “daqui”. E, para ser sincero, nem queria isso. Tenho um baita orgulho de ser brasileiro.
Lembro que, dias antes de embarcar, minha mãe, com toda a sabedoria dela, me disse:
“Filho, você nunca vai ser considerado português de verdade, por mais que tenha sangue português”. Na hora, confesso que fiquei meio chateado. Mas hoje, vendo as coisas com mais clareza, dou razão a ela.
A verdade é que ser parte de um país, de uma cultura, vai muito além da linhagem. É uma questão de vivências, de como nos conectamos com as tradições e as pessoas ao nosso redor. Mesmo tendo raízes que me ligam a Portugal, a aceitação real como parte da comunidade leva tempo e experiência.
A sabedoria da minha mãe me ensinou que, embora eu carregue meu sangue português, o que realmente importa é o quanto estou disposto a me envolver e a aprender com o lugar que agora chamo de lar.
Esse sentimento de busca por pertencimento é algo que muitos imigrantes enfrentam. É um aprendizado constante, e mesmo que a estrada seja longa, cada passo vale a pena.
A imigração é um ato de coragem, é um mergulho profundo no autoconhecimento. É como se ela te colocasse na frente de um espelho e te mostrasse quem você é de verdade, sem máscaras.
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Em cartaz: “A reinvenção em Portugal”
Nos primeiros dias em Portugal, tudo parecia uma “lua de mel”. Eu me sentia como num filme. As ruas de paralelepípedos, os prédios antigos, o sotaque. Era tudo tão diferente e, ao mesmo tempo, encantador, que me deixava fascinado e um pouco intimidado.
Ficava me perguntando: “O que estou fazendo aqui?” Como se estivesse em um palco, desempenhando o papel de “imigrante”, mas sem ter decorado direito as falas.
As fotos eram uma forma de compartilhar o nosso novo mundo com os amigos e a família. Não era sobre causar inveja, mas sim dividir a alegria de estar em um lugar que, para nós, parecia mágico. Eu me orgulhava de cada detalhe, cada cantinho que chamávamos de casa.

Com o passar do tempo, comecei a sentir que esse novo lugar estava se tornando lar de verdade. Ainda me encanto com muitas coisas, mas agora tudo parece mais familiar, mais meu. Cada experiência, seja boa ou ruim, cada pessoa que conheci, tudo foi me transformando. A reinvenção em um novo país nos ensina que o lar é um sentimento, não apenas um lugar.
Aos poucos, fui percebendo que adaptação em outro país não é sobre se perder, mas sobre ganhar novas camadas na nossa história.
Claro, houve momentos de ansiedade e angústia na imigração. Mesmo com toda a minha experiência profissional e uma carreira sólida no Brasil, me senti vulnerável, como se estivesse começando do zero. E aquela pergunta sempre voltava: será que vou ter que reconquistar tudo de novo?
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O gosto amargo da reinvenção
Cada “não” que eu recebia, ou cada envio de currículo que desaparecia sem resposta, era como um soco no estômago. A frustração vinha de mãos dadas, e eu tinha que me convencer, vez após vez, que era só uma fase, que tudo ia melhorar.
Teve dias em que a esperança quase escorregava pelos meus dedos, mas me agarrava a ela com força. Desistir nunca foi uma opção, mesmo com meus cabelos brancos me lembrando que o tempo continua passando.
Ainda assim, não me arrependo por um segundo de ter trocado o Brasil por Portugal. Foi uma escolha difícil, ousada, mas era o que eu precisava — o que eu ainda preciso. Esse desejo de recomeçar, de criar uma nova história, de me reconectar com meus sonhos, não tem preço. É parte de quem sou.
No meio dessa jornada, acabei me surpreendendo com minha própria resiliência. Sempre fui bom em me reinventar, e aqui não foi diferente. Claro que a batalha cansa, mas saio dela mais forte, mais determinado, com mais orgulho de mim e até mais esperançoso. Imigrar te obriga a se redescobrir e, por mais desafiador que seja, é um processo de crescimento sem preço.
Também já falei sobre a impotência do imigrante quando um familiar adoece.
O que aprendi com a reinvenção em um novo país
Hoje, olhando para trás, percebo que essa mudança foi muito mais do que trocar de país, foi uma verdadeira jornada de autodescoberta. Imigrar nos força a encarar nossos medos, nos desconstruir e reconstruir. É como se a gente fosse levado para dentro de nós mesmos, num processo de autoconhecimento que nunca imaginamos passar.
Viver em Portugal me fez valorizar ainda mais minhas raízes brasileiras, mas também me abriu para o novo. Aprendi a me adaptar ao diferente, a absorver o melhor de cada cultura sem perder quem eu sou. Agora, sou um pouco de cada lugar que vivi. No fim das contas, somos o resultado de todas as experiências que vivemos, as escolhas que fizemos e as transformações que atravessamos.
Quem sou eu agora? Sou alguém que aprendeu a não temer o recomeço, alguém que aprendeu a encarar a oportunidade de se reinventar. Olho para tudo que passei e sinto um orgulho imenso.
A vida não é linear, ela é feita de tombos, reviravoltas, e são essas histórias que moldam quem somos. E acho que todo imigrante deveria sentir o mesmo.
Temos que abraçar nossa trajetória com orgulho, porque quem fica parado no “e se?” nunca descobre o que poderia ter sido.
Se você está aí no Brasil, sonhando em se aventurar em terras estrangeiras, prepare-se para uma jornada intensa de autoconhecimento, com seus altos e baixos. Você pode até pensar que já está pronto, que vai ser tranquilo. Mas a verdade é que a imigração vem cheia de desafios.
Não se assuste com isso! Você é muito mais forte do que imagina e, no final, vai perceber que cada experiência te transformou em alguém melhor. A reinvenção em um novo país é, na verdade, sua própria reinvenção. É a chance de criar um novo “você”, mais forte, resiliente e aberto ao novo. Esteja preparado para essa transformação!
Se quer viver essa aventura repleta de boas experiências, comece um planejamento, pois é fundamental para as coisas darem certo. O Euro Dicas tem o Programa Morar em Portugal para te ajudar em todos os passos necessários para fazer a sua imigração.
*As opiniões dos colunistas não refletem necessariamente a opinião do Euro Dicas.