A economia da Inglaterra é uma das mais fortes do mundo, ocupando a sexta posição no ranking global e a segunda maior da Europa. Porém, nos últimos anos, o país tem enfrentado desafios causados por fatores internos e externos, como a inflação e os impactos da Guerra da Ucrânia, afetando seu ritmo de crescimento.
Neste artigo, vamos analisar mais de perto os atuais desafios e as perspectivas para a economia da Inglaterra.
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Apesar de ter apresentado um crescimento de 0,9% do PIB em 2024, o cenário atual da economia da Inglaterra ainda é complicado. Atualmente, o aumento dos custos de energia provocados pela guerra da Ucrânia, pressão inflacionária e novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos têm impactado negativamente o desenvolvimento econômico do país.
Conversamos com a consultora financeira Diana Tomazi, que ensina brasileiros e portugueses no UK a investirem, para entender melhor esse cenário e seus desafios. Segundo ela:
A economia da Inglaterra passa hoje por um momento complicado, ela entrou em recessão no segundo semestre de 2023, que é quando o PIB do país, que mede o nível de produtividade, cai por dois trimestres consecutivos.
Ela complementa:
Por outro lado, esse cenário mais difícil não é exclusividade da Inglaterra, toda a Europa está atravessando um momento difícil, principalmente por conta do cenário pós-pandemia e da guerra da Ucrânia.
Diana, que compartilha seus conhecimentos no seu Instagram, também mencionou que a inflação na Inglaterra disparou, levando o governo a aumentar os juros para conter o aumento dos gastos. Isso, por sua vez, resultou em menor nível de consumo, impactando negativamente a produtividade e a economia do país.

No entanto, ela expressou otimismo ao afirmar que há indícios de melhora na economia do país, com expectativas de redução dos juros e diminuição de impostos para estimular as empresas:
Tudo indica que o pior já passou e que as coisas podem estar voltando ao normal a partir deste ano, com os juros sendo reduzidos e os impostos diminuindo para estimular as empresas a produzir mais, fazendo a economia se movimentar.
Principais indicadores da economia na Inglaterra
A recuperação da economia na Inglaterra tem sido lenta e marcada por vários desafios como pressões inflacionárias, políticas tarifárias adversas e impactos econômicos geopolíticos. Embora haja sinais positivos, o cenário em longo prazo permanece incerto, exigindo um constante acompanhamento dos principais fatores econômicos do país.
Para acompanhar a evolução econômica do país, é preciso analisar diversos indicadores. Os principais deles são:
- PIB;
- Dívida pública;
- Inflação;
- Taxa de juros de empréstimo;
- Taxa de desemprego.
Falaremos mais sobre cada um desses indicadores nos próximos tópicos. No entanto, é importante lembrar que esses índices podem variar ao longo do tempo e são influenciados por fatores globais e nacionais.
PIB
De acordo com dados da ONS, o PIB real apresentou um aumento de 0,6% nos três meses até fevereiro de 2025, em comparação com o último trimestre até outubro de 2024. Nesse período, foi registrado um crescimento nos principais setores da economia inglesa como serviços, produção e construção civil.
Diana lembra que, em 2024, as projeções do Bank of England e do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontavam para um crescimento modesto do PIB diante do cenário econômico da economia do país. Ela comenta sobre os números esperados para o ano passado:
Para 2024, o Bank of England previa uma expansão do PIB de só 0,25%, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) previa um crescimento de 0,6%. É pouco, mas ainda assim, é bastante positivo, principalmente por conta do cenário mais complicado que estamos vivendo devido ao já comentado pós-pandemia e à guerra da Ucrânia.
Dívida Pública
O Reino Unido enfrenta um cenário fiscal complexo, marcado por uma dívida pública alta e a necessidade de o governo de equilibrar os investimentos para estimular o crescimento econômico com uma boa sustentabilidade fiscal.
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INICIAR MINHA JORNADA →Segundo o levantamento mais recente do ONS, o déficit orçamentário do país foi estimado em £70,6 bilhões no acumulado do ano fiscal até fevereiro de 2025. Além disso, o FMI prevê que a dívida pública do Reino Unido ultrapassará 100% do PIB até 2029, podendo atingir 108%, devido a pressões fiscais crescentes e ao baixo crescimento econômico.
Esse aumento da dívida está relacionado a uma série de fatores externos. Como destaca a nossa entrevistada, a dívida pública do Reino Unido aumentou mais de 40% desde 2020, sobretudo por conta do crescimento dos gastos do Estado para ajudar as famílias e empresas com o impacto do confinamento da Covid-19 e do aumento dos custos de energia após o início da guerra na Ucrânia.
Inflação na Inglaterra
Em março de 2025, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) ficou em 2,6%, levemente abaixo dos 2,8% registrados em fevereiro. Essa é uma das menores taxas desde setembro de 2024, influenciada principalmente pela redução nos preços dos combustíveis e pela estabilidade nos preços dos alimentos.

Apesar do recuo, a inflação ainda está 2% acima da meta do Banco da Inglaterra, sendo uma das principais preocupações do governo britânico. Especialistas do setor financeiro alertam que o índice pode subir para 3,5% no segundo trimestre de 2025, impulsionado por aumentos nas tarifas de serviços públicos e na carga tributária sobre empregadores.
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Abrir Conta Multimoeda →Taxa de juros de empréstimos
A taxa de juros definida pelo Banco da Inglaterra é outro indicador da economia do Reino Unido. Ela tem um impacto nas taxas de empréstimos e afeta diretamente o custo com hipotecas, cartões de crédito e até opções de poupança de milhões de pessoas no país.
O Comitê de Política Monetária (MPC) do Banco da Inglaterra optou por manter a taxa bancária, conhecida como “bank rate”, abaixo de 4,75% no primeiro quadrimestre de 2025. Há expectativas de que novas reduções possam ocorrer em breve, especialmente diante das projeções de aumento da inflação.
Taxa de desemprego na Inglaterra
A taxa de desemprego entre pessoas com mais de 16 anos do Reino Unido foi estimada em 4,4% entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, segundo o último relatório publicado pelo ONS. Esse valor está acima das estimativas do ano passado, mas permaneceu praticamente inalterado no último trimestre.
Nesse mesmo período e faixa etária, a taxa de emprego registrada foi de 75,1%, enquanto a de inatividade econômica, que inclui pessoas fora da força de trabalho, foi de 21,4%.
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INSCREVER GRÁTIS→Setores com alta demanda
Conforme o ONS, o número estimado de vagas entre janeiro e março de 2025 foi de 781 mil, representando uma redução de 26 mil se comparado com o trimestre anterior. Os setores que estão em alta e contratando mais colaboradores, segundo o portal The London Economic são:
- Saúde e assistência social;
- Hotelaria e alimentação;
- Atividades científicas e técnicas profissionais;
- Varejo;
- Indústria;
- Educação;
- Atividades de serviços administrativos e de apoio;
- Informação e comunicação;
- Transporte e armazenamento;
- Administração pública e defesa.
Para conhecer o desempenho de outros indicadores econômicos da Inglaterra, vale a pena assistir o vídeo do canal Economicamente que traz um panorama completo sobre esses fatores:
É importante acompanhar o movimento desses indicadores de perto para entender a situação do país e tomar decisões mais acertadas, fazendo ajustes adequados nas despesas.
Onde acompanhar os indicadores da economia inglesa?
Existem várias fontes para acompanhar os indicadores da economia inglesa. Algumas das mais confiáveis e acessíveis são:
Banco da Inglaterra
O Banco da Inglaterra é o banco central do Reino Unido e publica regularmente informações econômicas, incluindo taxas de juros, inflação, crescimento econômico e estatísticas do mercado de trabalho.
Escritório Nacional de Estatísticas (ONS)
O Escritório Nacional de Estatísticas (ONS) é a agência responsável por produzir as estatísticas oficiais da economia britânica. O site do ONS reúne uma grande quantidade de informações sobre inflação, desemprego, produtividade e outros indicadores macroeconômicos.
Financial Times
O Financial Times é um dos principais jornais de negócios do mundo e uma fonte confiável para acompanhar as notícias econômicas e financeiras da Inglaterra e do cenário internacional.
BBC News
A BBC News é a maior emissora de notícias da Inglaterra e oferece uma cobertura abrangente dos principais indicadores econômicos do país.
Trading Economics
O Trading Economics é um site que fornece dados e indicadores econômicos de diversos países, incluindo a Inglaterra. É uma ferramenta útil para análises comparativas entre diferentes economias.
O impacto dos imigrantes na economia da Inglaterra
Os imigrantes têm um papel importante na economia britânica. Mesmo sem muitos dados recentes, sabemos que eles ajudam a impulsionar o país de várias formas. Pagam impostos, consomem produtos e serviços, e contribuem para o mercado de trabalho britânico.
Um relatório do Observatório da Migração mostrou que os estrangeiros representaram mais de um quinto dos trabalhadores no Reino Unido no último trimestre de 2024. Além disso, entre 2018 e 2019, os estrangeiros que trabalhavam no país contribuíram com mais de £40 bilhões para a economia britânica.
Pesquisas evidenciam que trabalhadores migrantes têm um papel essencial em áreas como saúde, tecnologia, engenharia e finanças. Só para ter uma ideia, em 2020, cerca de 13,8% dos profissionais da área da saúde no Reino Unido eram cidadãos não britânicos.
Além disso, os estrangeiros também são mais propensos a empreender no Reino Unido. De acordo com um relatório do Migration Policy Institute, imigrantes têm cerca de 7% mais chance de abrir um negócio do que pessoas nascidas no país.
No entanto, há preocupações sobre os efeitos negativos da imigração, como a pressão adicional sobre os serviços públicos, a competição por empregos e salários mais baixos, e possíveis tensões sociais.
Previsões para a economia da Inglaterra e Reino Unido em 2025
Em 2025, a expectativa é que a economia da Inglaterra e do Reino Unido enfrentem desafios importantes, com uma combinação de fatores internos e externos afetando o crescimento econômico dos países.
Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou suas previsões para o Reino Unido, reduzindo a expectativa de crescimento de 1,6% para 1,1%. Esse ajuste reflete as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos britânicos, como aço, alumínio e automóveis, que terão um impacto direto nas exportações do país.
Além da desaceleração econômica, a inflação continua sendo uma preocupação para o Reino Unido. A previsão é de que o índice dos preços ao consumidor atinja uma média anual de 3,1% em 2025, pressionada principalmente pelos aumentos nos preços de serviços essenciais como gás e água.
Em resposta a essa pressão inflacionária, o FMI estima que o Banco da Inglaterra possa reduzir a taxa de juros para 3,75% até o final de 2025, na tentativa de estimular a economia e minimizar os impactos negativos tanto das tarifas americanas quanto do aumento nos preços internos.
Outro ponto de atenção são as contas públicas. O Escritório de Responsabilidade Orçamentária (OBR) projeta que o endividamento do Reino Unido salte de £131 bilhões em 2023/24 para £137 bilhões em 2024/25. A previsão é de uma redução gradual nos anos seguintes, chegando a £74 bilhões em 2029/30.
Com o atual cenário da economia da Inglaterra, vale a pena investir no país?
Sim.
Apesar do atual cenário da economia da Inglaterra, o país ainda conta com uma moeda forte e oferece ativos que se adequam a diferentes tipos de estratégias de investimento. Mas, é claro, o ideal é sempre pesquisar bem as opções disponíveis e os riscos envolvidos.
A consultora financeira Diana Tomazi também considera que, apesar dos desafios econômicos, vale a pena investir no país:
A gente precisa se lembrar de que é nas crises que as melhores oportunidades se fazem presente. É nas crises que os melhores investidores enriquecem, e não na época de bonança.
Diana ainda destaca que, como residente no Reino Unido, há vantagens específicas que nenhum outro país da Europa oferece, o que traz ainda mais oportunidades e possibilidades de investimento:
Nós não investimos somente no UK, mas a partir do UK, como residente fiscal. Isso significa que nós podemos aproveitar os benefícios fiscais que o Reino Unido nos dá, mas também investir de forma globalizada, em qualquer país do mundo, a partir das plataformas no Reino Unido e pelas contas ISAs, que dão isenção de impostos sobre todos os rendimentos (ganhos de capital, juros e dividendos).
No entanto, Diana lembra da importância de pesquisar as opções de investimento disponíveis e entender os riscos de cada uma. Para ela, é essencial saber identificar essas oportunidades e esperar pacientemente até que se concretizem, o que pode levar meses ou até anos.
Quais os melhores setores para investimento?
Apesar do cenário complicado da economia da Inglaterra, existem alguns setores que podem gerar bons rendimentos. Listamos abaixo os principais, segundo pesquisa do IBISWorld 2025:
- Bancos;
- Empreiteiras;
- Consultores de informática;
- Atividades jurídicas;
- Consultores de gestão;
- Desenvolvimento de projetos de construção;
- Concessionárias de carros novos e veículos elétricos;
- Empresas de terceirização de processos de negócios;
- Contabilidade e auditoria;
- Agências de emprego temporário.
Ao conversar sobre esses setores com a nossa entrevistada, ela destacou a importância de investir em segmentos perenes, ou seja, aqueles que são essenciais e sempre terão demanda, independentemente da situação econômica:
Pense comigo: as pessoas podem poupar, quando necessário, para uma viagem ou para um lazer. Mas elas não podem poupar alimentos, energia e aquecimento no frio, existe um limite do que pode ser poupado para sobrevivência. São nesses setores que devemos focar o nosso investimento, principalmente.
Além disso, Diana destaca o setor de tecnologia como uma opção muito atrativa, com ótimas possibilidades de ganho, desde que os investidores saibam identificar as melhores oportunidades.
Quais as principais atividades econômicas da Inglaterra e Reino Unido?
Entre as principais atividades econômicas da Inglaterra, podemos destacar a indústria de serviços, responsável por 81% do PIB do país. O setor financeiro também é um dos principais motores da economia inglesa, com a City de Londres sendo um dos maiores centros financeiros do mundo. Portanto, ótimos setores para trabalhar na Inglaterra.
Além disso, a indústria manufatureira também desempenha um papel importante na economia do país. A Inglaterra é conhecida por sua produção de carros de luxo, como Rolls-Royce e Bentley, e também é líder na produção de medicamentos.
O país também possui uma indústria de turismo próspera, com milhões de visitantes atraídos por suas cidades históricas, paisagens deslumbrantes e atrações culturais.

Por fim, a agricultura e a pesca também desempenham um papel relevante na economia inglesa, com o país produzindo uma ampla variedade de alimentos e bebidas, incluindo chá, cerveja e queijo cheddar. A pesca é uma atividade importante em muitas cidades costeiras, como Grimsby e Hull, e os frutos do mar ingleses são exportados para todo o mundo.
Produção e exportação do Reino Unido
No último trimestre de 2024, o valor das exportações em todo o Reino Unido foi de aproximadamente £206,3 bilhões, enquanto as importações para o país somaram cerca de £217,8 bilhões, tornando a economia britânica mais importadora.
Os maiores parceiros comerciais do país são China, Estados Unidos, Alemanha, França e Noruega. As mercadorias mais exportadas do Reino Unido até janeiro de 2025 foram:
- Ouro: £15,2 bilhões;
- Carros: £2,01 bilhões;
- Turbinas a gás: £1,91 bilhão;
- Prata: £1,91 bilhão;
- Commodities não especificadas em outras partes: £1,63 bilhão.
Histórico da economia da Inglaterra e demais países do Reino Unido
A ascensão da economia da Inglaterra está relacionada ao intenso crescimento industrial que o país vivenciou durante a Revolução Industrial, período no qual a nação se tornou a mais rica do mundo. Ao longo dos anos, o cenário econômico do país foi influenciado por diversos fatores, tanto internos quanto externos.
Veja a seguir os principais marcos que influenciaram a história da economia inglesa.
Impacto da Revolução Industrial
A Revolução Industrial teve um impacto profundo na economia britânica, transformando a nação em uma potência industrial líder.
Durante o século XVIII, a Inglaterra experimentou mudanças significativas na produção, na tecnologia e na organização do trabalho, o que resultou em um aumento da produtividade e da eficiência.
A introdução de novas máquinas, como a máquina a vapor, permitiu a produção em massa de bens, o que ajudou a reduzir os custos de produção e a aumentar os lucros.
Além disso, a Revolução Industrial levou ao crescimento das cidades e da população urbana, criando novas oportunidades de emprego e estimulando o desenvolvimento de indústrias de bens de consumo.
Efeitos negativos da Revolução
No entanto, a Revolução Industrial também teve efeitos negativos, especialmente para os trabalhadores. A mecanização da produção resultou na redução da necessidade de trabalhadores qualificados, o que levou ao desemprego e à queda dos salários.
Apesar disso, foi um marco importante na história da Inglaterra, estabelecendo as bases para a economia industrial moderna e consolidando a posição da nação como uma das principais potências econômicas do mundo.
Crise de 2008 na Inglaterra
A crise financeira de 2008 provocou uma profunda recessão na Inglaterra e nos demais países do Reino Unido, sendo considerada a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial. Entre 2008 e 2009, o país vivenciou o aumento dos índices de desemprego, o fechamento de grandes empresas e a queda dos preços das moradias.
Para entender a gravidade da crise, a taxa de desemprego do Reino Unido alcançou o patamar de 7,54% em 2009, e os imóveis na Inglaterra foram desvalorizados em cerca de 20% entre 2008 e 2009. À medida que o número de desempregados aumentava, havia uma queda na arrecadação de impostos e, consequentemente, uma redução no crescimento econômico do país.
Uma solução encontrada para driblar os efeitos da crise foi o investimento público. Em outubro de 2008, as autoridades europeias anunciaram um plano de resgate no valor de 700 bilhões de dólares para as instituições financeiras do Reino Unido. Nesse mesmo ano, o bloco econômico anunciou um plano de resgate no valor de 1,5% do PIB do bloco para ajudar os países.
O governo britânico também adotou uma série de medidas financeiras semelhantes às implementadas por outros países. As principais foram:
- Gestão das taxas de juros;
- Estímulos fiscais para a retomada da economia;
- Restrições para bancos que recebem fundos públicos.
Economia do Reino Unido pós-Brexit
A economia do Reino Unido foi prejudicada no pós-Brexit. Em 2023, o país foi o único membro do G7 com crescimento econômico menor do registrado antes da pandemia da Covid-19, enquanto outros países da União Europeia se beneficiaram do comércio intra-UE e dos esforços de recuperação coordenados.
Antes do Brexit, as empresas podiam facilmente atender às suas necessidades de mão de obra qualificada por meio do mercado integrado da UE. No entanto, com o fim da livre circulação, setores críticos como agricultura, saúde e hotelaria enfrentaram problemas como:
- Escassez de profissionais;
- Aumento dos custos operacionais;
- Limitação da produção.
A saída do Reino Unido da União Europeia também transformou a relação do país com seu maior parceiro comercial. Os controles alfandegários, requisitos e diferenças regulatórias aumentaram os custos e os encargos administrativos para os exportadores da Inglaterra.
Aliás, uma pesquisa realizada pelo Center for European Reform apontou que nos 18 meses até junho de 2022, o comércio de mercadorias do Reino Unido chegou a ficar 7% menor do que seria se a nação tivesse permanecido na UE.
Os impactos econômicos e as mudanças nas relações comerciais fizeram a população refletir sobre a estratégia adotada pelo país. Em janeiro de 2025, cerca de 55% dos britânicos consideraram que sair da União Europeia foi um erro, enquanto 30% continuavam apoiando a decisão.
Crise da Covid-19 na Inglaterra
A pandemia da Covid-19 na Inglaterra causou uma recessão severa no país, com uma queda significativa no PIB durante o primeiro bloqueio nacional em 2020.
À medida que empresas e consumidores se adaptavam, os bloqueios subsequentes, em outubro de 2020 e no inverno de 2020/21, não resultaram em um declínio tão severo da atividade econômica.
Para reduzir o impacto causado pela pandemia e pelos bloqueios, o governo e o Banco da Inglaterra introduziram inúmeras políticas para manter as empresas em funcionamento e o maior número possível de pessoas empregadas.
Tais medidas ofereceram apoio financeiro a empresas, trabalhadores e ao público durante a crise sanitária.
Guerra da Ucrânia e o impacto na Inglaterra
A Inglaterra também está exposta aos efeitos comerciais da guerra na Ucrânia, com consequências indiretas e de longo prazo no comércio do país .
Apesar da força relativa do Reino Unido em termos de energia e segurança alimentar, assim como de seus vínculos limitados com cadeias de abastecimento que envolvem a Ucrânia, estima-se que a pressão inflacionária global causada pela guerra já tenha contribuído para aumentos substanciais nos preços da energia e dos alimentos.
Desde 2022, a população tem vivenciado altas expressivas em todos os serviços básicos, inclusive nas contas de supermercado. Essa pressão apenas intensifica os efeitos já existentes do Brexit e da pandemia da Covid-19 na economia da Inglaterra.
Além disso, a análise dos investidores russos e estrangeiros no país, juntamente com as sanções impostas pelo Reino Unido e pelo Ocidente a indivíduos e empresas com vínculos com a Rússia, também impacta negativamente o investimento interno.
Guerra de Israel impacta a economia inglesa?
A guerra em Israel tem potencial para afetar a economia global, inclusive a inglesa, especialmente no que diz respeito ao aumento do preço do petróleo e à inflação no Reino Unido.
Embora o conflito ainda não tenha afetado diretamente a produção e exportação de petróleo, a possível entrada do Irã no conflito pode mudar esse cenário. O Irã é o quinto maior exportador de petróleo do mundo e apoia o Hamas.
Com a redução da oferta de petróleo no Reino Unido, a população britânica poderia enfrentar o aumento dos preços dos combustíveis e um retorno ao aumento dos índices de inflação no país.
Vale a pena morar na Inglaterra na atual situação econômica?
Sim!
Apesar da atual situação econômica, do aumento do custo de vida e da inflação, ainda vale a pena morar na Inglaterra. O país continua oferecendo diversos benefícios à população, que devem ser considerados por quem decide viver em território inglês.
Há muitos setores que estão contratando na Inglaterra, e a falta de mão de obra qualificada ainda é um desafio no país. Esse cenário gera boas oportunidades de emprego para estrangeiros.
Além disso, a alta qualidade dos serviços públicos, da educação e a segurança oferecida pela Inglaterra também são fatores decisivos na escolha do país como destino para morar. E, se você quer saber mais sobre como é viver no país, confira nosso Ebook Como Morar na Inglaterra.
Andrea Côrtes