Portugal acaba de lançar um moderno sistema automatizado de controle de fronteiras nos principais aeroportos, prometendo mais segurança e agilidade. Na prática, a inovação trouxe filas extensas, críticas de passageiros e contratempos inesperados para quem entra em território português — com destaque para brasileiros, que passaram a enfrentar regras mais exigentes.
O que mudou nos aeroportos portugueses
Em maio de 2025, Portugal deu um passo importante na modernização do seu controle de fronteiras ao implantar uma nova geração de sistemas digitais nos principais aeroportos e portos marítimos do país.
A medida, coordenada pelo Sistema de Segurança Interna (SSI) e pela Unidade de Coordenação de Fronteiras e Estrangeiros (UCFE), faz parte do esforço europeu para digitalizar e tornar mais rigorosa a gestão migratória, alinhando-se às novas exigências da União Europeia.
O novo sistema foi ativado nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e em portos marítimos estratégicos. Entre as principais inovações:
- Automatização do controle de passaportes: o processo de entrada e saída passou a ser feito por meio de quiosques eletrônicos, com coleta de dados biométricos (impressão digital e reconhecimento facial);
- Integração com bancos de dados europeus: as informações dos viajantes são cruzadas em tempo real com sistemas de segurança e imigração da União Europeia;
- Registro digital de entradas e saídas: substituição do carimbo manual no passaporte por um registro eletrônico, que armazena não apenas a data e local da passagem, mas também dados biométricos.
O objetivo dessas mudanças é triplo: reforçar a segurança, agilizar o fluxo de passageiros e garantir que Portugal esteja em conformidade com o novo Sistema Europeu de Entrada/Saída (EES), que será obrigatório em todos os países do Espaço Schengen a partir de outubro de 2025.
Por que Portugal mudou o sistema?
A decisão de modernizar o controle de fronteiras não é isolada. Ela responde a um contexto de aumento do fluxo migratório, pressão por mais segurança e necessidade de padronização dos procedimentos em toda a União Europeia.
O ministro da Presidência, Leitão Amaro, afirmou que o investimento de 24 milhões de euros “transforma as fronteiras portuguesas em mais seguras e eficientes”, além de preparar o país para os desafios do futuro.
Falhas e filas viraram rotina diária
Apesar das promessas de agilidade e modernidade, os primeiros dias do novo sistema foram marcados por longas filas, atrasos e insatisfação nos principais aeroportos portugueses, especialmente em Lisboa e Faro.
Passageiros vindos de fora do Espaço Schengen relataram esperas de até quatro horas para passar pela imigração, com casos de desmaio e exaustão devido ao tempo prolongado em pé.
O que causou os problemas?
O principal motivo das filas foi a necessidade de coleta de dados biométricos de todos os passageiros de fora da União Europeia. Embora o sistema seja automatizado, muitos viajantes tiveram dificuldades para utilizar os quiosques, exigindo a intervenção manual dos agentes de fronteira.
Além disso, a equipe policial responsável pelo controle alegou falta de treinamento adequado e de pessoal suficiente para lidar com o novo fluxo.
“As filas na imigração ultrapassaram quatro horas, com passageiros exaustos e sem informações claras”, relatou uma brasileira que desembarcou em Lisboa.
Críticas de passageiros e sindicatos
As críticas vieram de todos os lados. Passageiros reclamaram da falta de informações, do tempo de espera e da sensação de improviso. Os sindicatos da Polícia de Segurança Pública (PSP) denunciaram que a implementação foi feita sem o devido reforço de pessoal e sem treinamento suficiente.
Segundo Paulo Santos, presidente do sindicato, “a situação é insustentável e coloca em risco tanto os agentes quanto os passageiros”.
A ANA – Aeroportos de Portugal, responsável pela gestão dos aeroportos, também foi alvo de críticas por não ter ampliado a infraestrutura para acomodar o aumento do tempo de processamento dos passageiros.
O que dizem as autoridades?
O governo reconheceu os problemas, mas afirmou que os transtornos são “transitórios” e fazem parte do processo de adaptação a uma tecnologia inovadora.
O superintendente Pedro Moura, da Unidade de Coordenação de Fronteiras e Estrangeiros (UCFE), declarou que “os novos sistemas são essenciais para garantir que Portugal opere com os mais altos padrões de segurança e serviço ao cidadão”.
As autoridades recomendam que os passageiros cheguem com antecedência aos aeroportos e acompanhem as atualizações nos canais oficiais.
Há risco de perder uma conexão?
Sim, o risco de perder conexões pode aumentar com a situação. Passageiros relatam que, mesmo com conexões de duas a três horas, há mais probabilidade de não conseguir passar pela imigração a tempo, principalmente em horários de pico ou em voos com grande número de passageiros de fora da União Europeia.
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ENTRAR EM CONTATO →Embora, em situações normais, o aeroporto de Lisboa tenha um esquema para retirar da fila comum passageiros com voos em conexão próxima, o atual cenário de filas e sobrecarga pode comprometer esse procedimento e não há garantia de que todos serão atendidos a tempo.
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Autoridades alertam para o risco de agravamento da situação com o aumento do fluxo no verão europeu.

A tendência é que o número de chegadas aumente significativamente nos próximos meses, o que pode agravar ainda mais as filas e os transtornos.
Só em março, antes do verão, mais de 2 milhões e 700 mil passageiros desembarcaram no país e a capacidade de resposta dos aeroportos já está no limite.
O presidente da Navegação Aérea de Portugal (NAV), Pedro Ângelo, que cuida do controle do espaço aéreo no país, disse que o aumento de voos no verão está sendo tratado com medidas como limitar as férias dos controladores e fazer reuniões para usar melhor os recursos.
Mesmo assim, ele admite que os atrasos devem continuar, já que a estrutura atual não dá conta do movimento.
Impactos para brasileiros
O novo sistema afeta diretamente os cidadãos de países terceiros, incluindo brasileiros, tanto turistas quanto residentes temporários em Portugal. As principais mudanças são:
- Coleta obrigatória de dados biométricos (impressão digital e foto facial) a cada entrada no país;
- Exigência de apresentação de documentação adicional, como comprovante de hospedagem, passagem de volta, meios financeiros e motivo da viagem;
- Verificação automática com bancos de dados europeus, o que pode aumentar o tempo de processamento em caso de inconsistências ou dúvidas.
Como fica a entrada de brasileiros?
Confira o resumo das regras:
- Todos os brasileiros que entram em Portugal como turistas ou residentes temporários estão sujeitos ao novo controle automatizado;
- O sistema não se aplica a cidadãos da União Europeia ou a titulares de vistos de longa duração emitidos por Portugal, mas abrange todos os que entram com vistos de curta duração ou isenção de visto, caso da maioria dos turistas brasileiros;
- O tempo de entrada aumentou, principalmente nos aeroportos de Lisboa e Faro, com relatos de esperas superiores a três horas;
- Brasileiros devem estar preparados para fornecer dados biométricos e apresentar documentos que comprovem o motivo da viagem, reservas de hotel, passagens de retorno, comprovantes financeiros e, em alguns casos, carta convite;
A Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) alertou que o processo pode causar atrasos nas filas de imigração e recomenda atenção às informações oficiais e eventuais atualizações nos procedimentos.
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INSCREVER GRÁTIS→Contexto migratório
A implementação do novo sistema ocorre em um momento de maior fiscalização sobre a imigração em Portugal e na Europa. O país é um dos principais destinos para brasileiros na União Europeia, tanto para turismo quanto para residência.
Portugal anunciou recentemente medidas para notificar e deportar imigrantes irregulares, incluindo brasileiros, o que aumentou a pressão por um controle mais rigoroso nas fronteiras.
O endurecimento das regras visa não só combater a imigração ilegal, mas também alinhar-se ao esforço europeu para responder ao aumento dos fluxos migratórios vindos da África, Ásia e América do Sul.
ETIAS começa em breve
O novo sistema de controle de fronteiras implementado em Portugal está diretamente ligado ao EES (Sistema Europeu de Entrada/Saída) e, em breve, ao ETIAS (Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem).
O ETIAS, cuja entrada em vigor está prevista para cerca de seis meses após o EES (provavelmente em 2026), será uma autorização eletrônica obrigatória para viajantes de países isentos de visto, como o Brasil. Antes de embarcar para Portugal ou qualquer outro país do Espaço Schengen, o viajante terá que preencher um formulário online, pagar uma taxa e receber a autorização
O EES e o ETIAS são sistemas complementares. O ETIAS faz a triagem prévia, antes do embarque, para avaliar riscos e autorizar (ou não) a viagem. O EES, por sua vez, registra a entrada e saída física do viajante na fronteira, com dados biométricos e eletrônicos, monitorando o cumprimento das regras de permanência.
O novo sistema já em operação nos aeroportos portugueses foi desenvolvido para ser totalmente compatível com o EES e, posteriormente, com o ETIAS. Assim, Portugal está se antecipando e preparando suas infraestruturas e procedimentos para a integração plena com esses sistemas europeus.
Fim do carimbo e mais rigor na entrada de brasileiros na Europa
A modernização do controle de fronteiras em Portugal é apenas o começo de uma transformação mais ampla em toda a Europa. O país se prepara para a entrada em vigor do Sistema Europeu de Entrada/Saída (EES), prevista para outubro de 2025, que será implementado gradualmente em todos os países do Espaço Schengen.
O EES vai substituir o carimbo manual no passaporte por registros digitais e biométricos, permitindo um controle mais rigoroso e eficiente das entradas e saídas de cidadãos de países terceiros. O sistema vai registrar nome, dados biométricos, data e local de entrada e saída, e será obrigatório para todos os viajantes não europeus, incluindo brasileiros, americanos e britânicos.
A Comissão Europeia aprovou uma implementação faseada, para evitar grandes transtornos e dar tempo aos países para adaptar suas infraestruturas, treinar equipes e informar os viajantes. Nos primeiros meses, apenas parte dos postos de fronteira utilizará o sistema, aumentando progressivamente até a cobertura total em seis meses.
O que esperar nos próximos meses?
O governo português reconhece que “os ajustes continuarão nas próximas semanas até a estabilização do sistema”.
A expectativa é que, com o tempo, a automação reduza o tempo de espera e aumente a segurança, mas especialistas alertam que o sucesso vai depender do reforço de pessoal, treinamento contínuo dos agentes e adaptação das infraestruturas aeroportuárias.
Para os passageiros, especialmente de fora da União Europeia, a recomendação é de preparação extra: chegar com antecedência, ter a documentação em ordem e acompanhar as atualizações nos canais oficiais.
Para os brasileiros, o impacto será sentido não só no tempo de entrada, mas também na necessidade de adaptação a um processo mais rigoroso e digitalizado.
Sistema está sendo testado em Portugal
Portugal é um dos primeiros países a colocar o sistema em operação real e, por isso, serve de alerta para os demais Estados-membros sobre os desafios práticos da transição para o EES.
A experiência portuguesa está sendo observada de perto por toda a União Europeia, que busca evitar que o mesmo cenário se repita em outros países quando o EES for finalmente implementado.
Portugal assume, assim, o papel de laboratório europeu para o novo modelo de controle de fronteiras, apostando em uma gestão migratória mais segura, eficiente e alinhada com os padrões europeus do século XXI.
“Portugal entra em uma nova era na gestão de fronteiras”, afirmou o Sistema de Segurança Interna, destacando que a inovação trará “mais segurança e maior confiança” para todos.
A digitalização do controle de fronteiras em Portugal marca um passo importante rumo a um sistema mais moderno e seguro. Mas essa transição também trouxe desafios: filas maiores, ajustes técnicos e impacto direto para quem chega de fora da União Europeia — principalmente os brasileiros que queiram morar em Portugal.
Nos próximos meses, será preciso paciência e atenção, já que o país se prepara para adotar de vez o novo sistema europeu de entrada e saída, o EES.
Maurício Martins