Morar em Portugal é um pouco como trocar para uma marcha mais lenta. Enjoy the ride ao invés de speed it up. E isso tem muito mais a ver com estilo de vida do que com tamanho do país e de sua população. Aqui a escolha é viver a vida propositadamente mais devagarinho.

O ritmo de vida em Portugal é mais lento do que o do Brasil

Já peço desculpas aos meus conterrâneos de São Paulo que vão olhar para essa mineira que aqui escreve e que pensa que sabe como é uma vida em uma cidade grande do Brasil. De fato não sei, não vivi por muito tempo o ritmo frenético das nossas grandes cidades, e mesmo assim senti o peso dessa diferença de ritmo de vida ao chegar aqui (e eu imagino que para vocês deve ser algo como entrar dentro duma bolha, tamanha a desaceleração).

Pois bem, eu explico.

Sensações comuns ao chegar em Portugal

Algumas das (minhas) sensações de recém-chegada a Portugal foram:

  • Será que o atendimento dessa fila não podia ser mais rápido não, meu Deus? Tenho pressa!
  • Como assim o restaurante fecha para férias coletivas em pleno verão?
  • Tem que esperar uma carta chegar em casa em até 15 dias? Como assim?
  • Não tem nada aberto 24h?

São estranhamentos comuns, que parecem que vão fazer toda a diferença na nossa acelerada vida.

Comum e normal, afinal, o Brasil é um país gigante e com MUITA gente, portanto quanto mais ágil for uma fila, melhor. Quanto mais tempo funcionar um serviço, menos fila vai ter. Quanto mais se trabalha, mais se ganha.

É uma lógica simples de um país super populoso e voltado para o trabalho – afinal para muitos brasileiros trabalhar muito é uma lógica de sobrevivência; para outros trabalhar muito é uma ambição de riqueza. Trabalhar pouco não é uma opção.

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Daí você chega aqui e se depara com uma plaquinha que se tornou um meme, mas que não deixa de ser um tanto verdadeira nos negócios locais aqui em Portugal:

Horário de Funcionamento:
Abrimos às 9h e encerramos às 17h.
Às vezes abrimos às 10h.
Às vezes nem abrimos.

Encerrado para almoço

Algo comum não só em Portugal como em outros países da Europa: encerramos para o almoço. Aquela corridinha rápida na hora do almoço para resolver algo na rua torna-se mais complicado, pois muitos estabelecimentos seguem fechando por 1h ou 2h durante o expediente para que a equipe possa almoça em paz.

Quando chegamos do Brasil, parece ilógico. Não dava para revezar o horário de almoço dos funcionários?

Não, não dava. E hoje eu penso: ainda bem.

Tranquilidade em Portugal
Descanso na baía de Cascais

O descanso é inegociável

Eu aprendi algo em Portugal que quero levar para a vida, independentemente de onde eu more: o respeito ao descanso.

São poucos os lugares que estão abertos aos domingos, porque descansamos aos domingos.

São poucos os lugares abertos pela madrugada à dentro porque na madrugada descansamos ou curtimos a noite – ou seja aproveitamos o nosso tempo livre.

São consideravelmente menos pessoas aquelas que fazem horas extras, trabalhando 9h, 10h por dia. Não estou dizendo que em Portugal as pessoas não fazem horas extras e que trabalham pouco – não, senhores. Aqui trabalha-se muito e (não é segredo para ninguém) ganha-se mal. Mas culturalmente respeita-se muito mais o tempo de descanso e isso é admirável.

O contraste de um país workaholic, em que se louva e endeusa aqueles que se “sacrificam” pelo trabalho, que ter um burnout é algo chic e sinal de esforço não cola muito por aqui.

Domingo? Pisa no freio

Tem que ter tempo para ir ao parque e “lagartear” ao sol quando ele aparece. Para ir almoçar aos domingos com a família ou ir a um jantar de grupo com a “malta da faculdade”.
Tem que ter tempo para cuidar de si e dos seus, mesmo que o trabalho seja muito importante.

Aquela velha máxima que todo mundo já ouviu e desejou de “trabalhar para viver e não viver para trabalhar” é muito mais próxima do lado de cá do Atlântico, mesmo nas cidades maiores como Porto e Lisboa.

Alguém pode (e deve) discordar de mim: “ah, mas eu trabalho bem mais aqui em Portugal do que trabalhava no Brasil!”. Estou aqui falando das minhas impressões e da minha experiência, longe de mim querer gravar verdades em pedras.

É a minha impressão depois de 8 anos vivendo aqui, e uma impressão compartilhada com meus amigos brasileiros que moram aqui, e da minha esteticista brasileira que vive aqui e também do rapaz do Uber que chamei ontem, que também é brasileiro do Rio Grande do Sul e veio para cá ter essa vida mais calma.

Dia a dia em Lisboa
Dia a dia e Lisboa

No interior? Diminui mais uma marcha!

No interior de Portugal a tranquilidade impera ainda mais – como é natural aqui e em qualquer lugar do mundo.

A minha mineiridade se sente em casa com a conversa fiada puxada no café mais próximo com aquele senhor que está ali todos os dias, sem a menor pressa. Ou também ao sair da casa dos amigos e familiares portugueses com as mãos cheias de “quentinhas” para se comer mais logo depois de um jantar farto e longo.

As refeições longas ao redor da mesa, com tempo para entrada, prato principal, fruta de sobremesa e o saudoso café ao fim de cada refeição também.

Adoro a sensação de ver que a cidade só desperta por volta das 8h, antes disso está tudo fechado e as pessoas descansam, parece madrugada. Aquilo de acordar antes do sol, pegar o metrô às 7h da manhã para chegar ao trabalho às 9h super acelerado porque já se fez mil coisas também é menos comum num país com dimensões pequeninas e um ritmo de vida mais desacelerado.

Acho que desacelerar é a palavra. E isso está longe de ser algo interiorano ou até mesmo atrasado. É uma opção. E uma opção maravilhosa de uma vida mais tranquila, diga-se de passagem.