Sistema de saúde da Inglaterra: como funciona o NHS

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Uma das vantagens de morar na Inglaterra é que eles possuem um sistema de saúde gratuito, assim como temos no Brasil. O “SUS” daqui é chamado de NHS (National Health Service) e é gratuito para todos os cidadãos que moram no país. Saiba mais sobre o sistema de saúde da Inglaterra e a minha experiência com o serviço.

Sistema de saúde da Inglaterra: um dos melhores do mundo

Se você vem para cá trabalhar, deve pagar 200€ por cada ano que deseja ficar na Inglaterra para poder utilizar o sistema público de saúde. Esse pagamento é obrigatório junto com a taxa de aplicação para o seu visto, sem isso você não consegue ter o seu visto de trabalho aprovado.

Em julho de 2018 o NHS fez 70 anos e, apesar de não ser perfeito, está entre um dos melhores sistemas de saúde do mundo.

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Mas como funciona?

Você não pode aplicar para ter acesso ao sistema antes de chegar ao país, então no seu primeiro dia por aqui, além de pegar seu cartão biométrico, ligue para se cadastrar para ter um NiNo (National Insurance Number) que é como o nosso CPF. Esse processo é um pouco demorado, o seu número NiNo demora cerca de 6-8 semanas para chegar pelo correio.

Depois de ter o seu NiNo, você poderá ir ao consultório médico mais próximo para preencher uma ficha e se cadastrar. O consultório médico é como alguns postos de saúde no Brasil, porém ele só tem salas de consultórios e não farmácias ou alas de internação. As farmácias e alas de internação podem ser encontradas dentro dos hospitais.

Um fato engraçado é que esses consultórios são chamados de “surgery” por aqui. Mas não se assuste, se você tiver que ir à alguma “surgery”, não significa que terá que fazer uma cirurgia, é só o nome que os ingleses deram para esse lugar.

Leia neste artigo como funciona a saúde na Inglaterra no sistema privado e público.

A maioria dos escritórios funciona de segunda à sexta das 8h00 às 18h00, você liga e agenda o seu atendimento com um clínico geral do consultório onde se registrou. Se o seu problema precisar de algum acompanhamento mais específico, este clínico geral irá te recomendar para um especialista depois de te atender.

Caso você sofra um acidente, será levado diretamente ao hospital e lá eles cuidarão de você. Se precisar comprar remédios, esses terão que ser por sua conta.

Veja também como funciona o sistema de saúde pública na Espanha.

Quando eu usei o sistema de saúde na Inglaterra

Eu usei o sistema algumas vezes já. A primeira vez foi em dezembro de 2017 porque eu sofro de enxaqueca crônica e ela piorou bastante depois que me mudei para a Inglaterra, então eu li que o sistema de saúde público trabalha com a enxaqueca e decidi procurar um clínico geral.

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A primeira vez que eu fui ao médico aqui, eu não gostei do atendimento, mas quando tive que voltar, apenas pedi para marcar consulta com uma médica diferente e não tive nenhum problema com isso. Todo o mês eu faço acompanhamento para a minha enxaqueca com a mesma médica o que para mim é muito bom, pois acompanhamos minha alimentação, meu estilo de vida e já fiz alguns exames de sangue para eliminar a possibilidade de ter desenvolvido outras enfermidades que podem estar desencadeando essas enxaquecas frequentes.

Confiar no seu médico é importante, independentemente do tipo de problema que você tem. Então se não gostar do médico com quem se consultou, troque. Lógico que em cidades pequenas o número de consultórios é menor, então você teria que se adaptar com que tem lá, ou tentar um plano de saúde.

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Triagem feita por telefone

Eu também torci meu pé em dezembro, mas como eu sou desastrada eu pensei que não fosse nada e segui a vida. Depois de ficar com o pé inchado e latejando por uma semana, eu liguei no meu consultório, mas como era um sábado, estava fechado e recomendaram que eu ligasse para o número geral do sistema de saúde na Inglaterra.

Eu fiz isso, ao me atender pelo telefone, me perguntaram qual era o problema que estava tendo e várias outras perguntas que segundo eles “podem parecer irrelevantes, mas podem estar conectadas ao meu problema”. No final da ligação eles perguntaram quais dos horários disponíveis eu poderia ir para o hospital, pois um médico me atenderia. Assim eu fiz, cheguei uns 20 minutos antes do meu horário e para a minha surpresa o médico estava atrasado. Não muito, somente uns 10 minutos, mas foi aí que percebi que o “horário britânico” não é tão pontual como pensamos.

O médico me atendeu, examinou meu pé e fez as recomendações dele, que no caso eram para eu comprar uma faixa para imobilizar meu tornozelo e tomar analgésicos. Foi rápido e efetivo. Eu gastei mais tempo no telefone do que no consultório, mas gostei desse sistema, porque quando eu estava no telefone, pelo menos eu estava no conforto da minha casa e não em uma fila, e não tive que repetir minhas informações 3 vezes para pessoas diferentes porque todos os meus dados já tinham sido enviados para o meu médico.

O sistema de saúde da Inglaterra é bom, mas não é perfeito

Antes de eu trocar de médico, eu tive uma crise de enxaqueca muito forte, liguei para a NHS e eles disseram que assim que tivessem um médico disponível para falar comigo, eles me ligariam. Passou mais de uma hora, então minha amiga me levou para o hospital. Como isso aconteceu durante o inverno, o hospital estava cheio de pessoas com gripe e outras doenças “típicas do inverno”. Mesmo eu tendo vomitado algumas vezes dentro do hospital, eles demoraram cerca de 3 horas e meia para me atender. Depois de já ter voltado para casa o médico do NHS me ligou para poder saber o que estava acontecendo e como eu poderia prosseguir.

Ou seja, o NHS não é perfeito, mas funciona. Acredito que mesmo estando muito mal, com certeza eles priorizaram pessoas que estavam em estado crítico antes de mim.

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Posso usar o NHS sendo turista?

O serviço é gratuito para todos os residentes legais do país. Se você estiver aqui a turismo e sofrer um acidente, eles vão te atender, mas te enviarão a conta para ser paga. Dependendo da gravidade do seu problema, eles cobrarão o valor antes de te atender, então é melhor vir para cá com um seguro de viagem que cobre tudo para evitar dores de cabeça mais tarde.

Se você tiver cidadania de algum outro país europeu, é bom trazer o EHIC (European Health Insurance Card – Cartão de Seguro de Saúde Europeu), assim caso precise, você pode usufruir dos serviços do NHS mesmo estando aqui apenas por alguns dias.

Existe sistema de saúde particular na Inglaterra?

Sim, mas é um mercado pequeno.

Os ingleses gostam e confiam no sistema de saúde público. No sistema privado o valor que você paga vai variar dependendo do plano e dos benefícios que escolha, como médicos, hospitais, tempo de espera e até mesmo asilos.

Uma das coisas que muita gente acaba usando pelo sistema particular são fisioterapeutas, quiropratas e psiquiatras, já que pelo NHS esses serviços, para além de demorados, a pessoa só é tratada caso esteja em um caso crítico. Se você quebrou o braço porque caiu, provavelmente vai ter que fazer fisioterapia em casa seguindo os vídeos e os panfletos enviados pelo NHS, ou terá que pagar um fisioterapeuta particular para te acompanhar.

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NHS x SUS

Ambos sistemas funcionam e um pode aprender com o outro. Assim como no SUS, o NHS oferece algumas vacinas gratuitas, acompanhamento pré-natal e parto e todos os gastos pagos para o tratamento de qualquer enfermidade ou que arrisque a vida dos residentes. Cirurgias plásticas por ambos sistemas só são disponibilizadas para pessoas que sofreram acidentes ou que realmente precisam para ter uma melhor qualidade de vida.

O NHS é melhor na maneira como distribui os médicos e recebe atendimentos pelo telefone. Ir ao hospital na hora que você pode ser atendido faz muita diferença.

O SUS ganha no fato de que com a receita do posto de saúde você pode conseguir muitos remédios gratuitos.
Como disse antes, ambos sistemas funcionam. E para falar a verdade, o sistema de saúde na Inglaterra me fez entender e gostar muito mais do nosso sistema de saúde no Brasil. O nosso pode melhorar? Deve! Mas devemos aprender a nos orgulhar de temos um serviço público de qualidade assim como os ingleses se orgulham do sistema deles.

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Mari é campo-grandense e já morou em 6 países contando com o Reino Unido, onde vive agora. É bacharel em Relações Internacionais, porém trabalha com Marketing há mais de 4 anos. Ama viajar, aprender novos idiomas, comida, cinema, culturas, bons livros e boa música. Como uma boa sul-mato-grossense, o que mais sente falta é de churrasco com mandioca.