A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que restaurou o aumento das alíquotas do IOF em operações internacionais surpreendeu o mercado, imigrantes, investidores, estudantes e qualquer um que realiza transações financeiras entre Brasil e exterior.
Entenda o que mudou no imposto, como funcionam as novas alíquotas, quem será mais afetado e se a cobrança será retroativa.
Reviravolta judicial: o novo capítulo do IOF
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, restabeleceu quase todo o decreto presidencial que elevou as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), imposto que incide sobre operações de câmbio, remessas, compras internacionais e investimentos.
A única exceção foi a cobrança de IOF sobre o chamado “risco sacado”, modalidade de crédito usada sobretudo por pequenas empresas, que foi vetada pelo ministro por entender que violava o princípio da legalidade, por criar nova hipótese de incidência sem previsão expressa em lei.
Com isso, desde 17 de julho, estão em vigor alíquotas mais altas sobre compras internacionais com cartão, remessas ao exterior, compra de moeda estrangeira, entre outros, além de mudanças em produtos de previdência privada voltados à alta renda.
A decisão veio após uma longa disputa política e jurídica entre Congresso, governo e agentes do mercado, com quatro alterações nas regras em pouco menos de dois meses. O STF atendeu ao Ministério da Fazenda, alegando ausência de desvio de finalidade e necessidade de equilíbrio fiscal para o cumprimento da meta da Lei de Diretrizes Orçamentárias.
Decisão agrada ao Planalto, mas irrita o Congresso
O Ministério da Fazenda destacou, em uma nota técnica, a importância da decisão do STF e o papel do governo.
“A decisão contribui para a retomada da harmonização entre os poderes e representa como o diálogo é fundamental para o retorno à normalidade institucional.”
Já o deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), vice-presidente da Câmara, se mostrou indignado:
“Estou me sentindo muito mal como parlamentar depois dessa decisão do ministro Alexandre de Moraes derrubando uma decisão do Congresso Nacional, do Senado, por unanimidade, e da Câmara por 383 votos. Eu nunca tive postura agressiva a nenhuma decisão do Supremo, mas como vice-presidente da Câmara, é uma desmoralização para o Congresso.”
Linha do tempo: o vai e vem da alta do IOF
Nos últimos meses, ocorreu uma série de mudanças sucessivas no imposto. Veja como foi a cronologia dessas alterações:
| Maio de 2025 | O governo federal anuncia e publica decreto elevando o IOF em diversas operações financeiras, como parte de um esforço para aumentar receitas e reequilibrar as contas públicas. As novas alíquotas passam a vigorar quase de imediato. |
| Junho de 2025 | O Congresso Nacional reage negativamente, pressionando por alternativas ao aumento do imposto e aprovando um decreto legislativo que suspende as mudanças. O governo recua parcialmente, editando nova medida provisória e ajuste em algumas regras. |
| Fim de junho | Congresso aprova definitivamente a suspensão do decreto, retornando o IOF aos patamares anteriores e suspendendo temporariamente a nova cobrança. |
| Julho de 2025 | O Executivo questiona a decisão no STF, e o ministro Alexandre de Moraes restabelece quase integralmente o decreto presidencial, excluindo apenas o “risco sacado”. |
Cobrança retroativa do IOF
O Supremo Tribunal Federal decidiu que o aumento das alíquotas do IOF não só entrou em vigor, mas também vale de forma retroativa: isso quer dizer que o imposto aumentado passou a ser cobrado a partir de 26 de junho de 2025, mesmo que algumas operações tenham sido feitas quando o aumento ainda estava suspenso.
Se uma pessoa fez uma transferência internacional ou comprou moeda estrangeira entre 26 de junho e meados de julho, talvez tenha pago o IOF antigo (menor), porque a alta estava suspensa.

Com a nova decisão, essas operações devem ser recalculadas com a alíquota maior (3,5%), e os bancos ou operadores poderão cobrar a diferença retroativamente, impactando o bolso do consumidor.
Muitas instituições financeiras aguardam uma posição sobre como e quando cobrar a diferença para clientes que realizaram operações no período incerto. Há receio de cobranças extras nas próximas faturas ou ajustes retroativos inesperados para quem transferiu dinheiro, comprou moeda ou utilizou cartão internacional.
Empresas de remessa e bancos estão revisando milhares de transações feitas no período para se adequarem à nova determinação, o que pode resultar em ajustes ou cobranças futuras.
IOF nas operações internacionais: o que você precisa entender
O IOF é um tributo federal incidente sobre operações de crédito, câmbio, seguros e investimentos. Nas transações internacionais, ele afeta especialmente quem faz transferências bancárias, compra moeda estrangeira, usa cartão de crédito internacional ou investe fora do Brasil.
No caso de compras internacionais com cartão de crédito ou débito, o IOF é automaticamente incluído no valor total da transação e já aparece na fatura ou no extrato em reais, de forma clara para o cliente.
Nas remessas de dinheiro para o exterior, o imposto também incide sobre o valor enviado e vem detalhado no comprovante da operação.
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Abrir Conta Multimoeda →Ao comprar moeda estrangeira em espécie, como euros ou dólares, o imposto é cobrado na hora, diretamente na casa de câmbio. Em todas essas situações, o IOF é calculado e recolhido automaticamente pela instituição financeira responsável, seja banco, operadora de cartão ou plataforma de envio, e repassado à Receita Federal, que o direciona ao caixa do governo federal.
Exemplos práticos
Se você faz uma compra internacional de R$ 2.000 no cartão de crédito, será cobrado R$ 70 de IOF (3,5%), totalizando R$ 2.070 na fatura.
Ao transferir 1.000€ do Brasil para uma conta no exterior de mesma titularidade, o IOF é de 3,5% (R$ 225,75 se considerarmos R$ 6,45/€, sem taxas adicionais).
Comprar moeda em espécie (papel-moeda) em uma agência de câmbio também submete o valor integral à alíquota de 3,5%.
Como as mudanças afetam brasileiros na Europa
Para quem vive no exterior, especialmente na Europa, cada operação internacional ganhou nova relevância com as alterações no IOF. A seguir, entenda o impacto nos principais tipos de operação:
Remessas de dinheiro para o exterior
- Enviar dinheiro do Brasil para fora: agora se paga 3,5% de IOF na remessa do Brasil para a própria conta em outro país. Antes, a alíquota era de 1,1%;
- Enviar para terceiros: permanece em 0,38% se o envio for para outra pessoa (ex: amigos, familiares).
Compras com cartão de crédito internacional
- Compras e pagamentos em euros, dólares, libras, etc.: usar o cartão internacional ficou ainda mais caro, pois o IOF subiu de 3,38% para 3,5%. Vale para compras online (Amazon, Shein, Apple, etc.), reservas de hotéis, passagens aéreas e serviços em outros países.
Pagamento de cursos, serviços e taxas no exterior
- Educação: pagamentos de cursos, universidades, mensalidades, taxas de intercâmbio e até planos de saúde internacionais feitos com cartão ou transferência bancária também estão sujeitos ao IOF de 3,5%;
- Serviços digitais: assinaturas e pagamentos de streaming, softwares, consultorias e plataformas de trabalho seguem a mesma alíquota, caso processados como transações internacionais.
Investimentos fora do Brasil
- Aplicações financeiras: quem transfere dinheiro para investir em ativos estrangeiros continua pagando 1,1% (quando a finalidade declarada é investimento), valor mantido pelo STF;
- Previdência privada no exterior: a regra vale tanto para quem faz planejamento de longo prazo quanto para pequenos aportes.
Consequências práticas
Para quem mora fora, as despesas fixas e rotineiras aumentaram, principalmente para quem mantém dependentes no Brasil, faz compras recorrentes ou precisa transferir valores significativos mensalmente.
Famílias que arcam com a educação dos filhos, pagam aluguel ou ajudam parentes sentiram o impacto da alta do IOF, reduzindo o valor disponível após cada operação.
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INSCREVER GRÁTIS→As consequências práticas do aumento podem afetar mais quem mora na Europa e depende do dinheiro enviado do Brasil. O imposto maior reduz a renda disponível de forma sensível, exige ajustes no orçamento familiar e torna o envio de valores para o exterior uma operação menos vantajosa e mais cara.
É um bom momento para enviar dinheiro entre Brasil e Europa?
A resposta depende da direção da transferência e do objetivo. Veja as situações mais frequentes:
Para quem mora no exterior e quer enviar dinheiro para o Brasil
- Não houve aumento do IOF: remessas internacionais para o Brasil continuam com isenções normais. O real impacto para quem manda dinheiro de Portugal ou outros países para contas bancárias no Brasil está na cotação da moeda, não no imposto. Vale a pena usar um comparador de câmbio e tarifas para encontrar a opção mais vantajosa;
- Compare as plataformas: escolha sempre empresas com melhores tarifas e câmbio, como a Wise, pois a economia a cada remessa pode ultrapassar 5%;
- Planeje o envio: remessas em valores elevados de uma só vez costumam compensar grandes custos fixos, mas aproveite períodos de câmbio favorável para otimizar o montante recebido.
Para quem precisa transferir dinheiro para fora, pagar serviços, investir ou fazer compras internacionais
- IOF aumentou: o momento não é ideal em termos tributários, pois o imposto ficou mais pesado para quem remete valores do Brasil para o exterior, paga faculdades, investimentos ou utiliza cartões internacionais. Planeje e, se possível, concentre operações para diluir o impacto do imposto;
- Avalie alternativas bancárias: contas globais, cartões pré-pagos internacionais ou serviços digitais podem ajudar a otimizar os custos, embora o IOF incida em quase todas as formas de envio.
Por que a decisão do IOF interessa (muito) para quem vive fora do Brasil
O IOF incide diretamente no orçamento de quem tem qualquer conexão financeira com o Brasil. Conheça alguns exemplos práticos:
- Orçamento de estudantes e famílias: brasileiros que moram na Europa e fazem remessas frequentes do Brasil para custear intercâmbio, educação superior ou despesas mensais perdem parte do valor nas taxas. Isso se torna ainda mais complexo em países onde o custo de vida subiu bastante nos últimos anos, como Portugal, Espanha, França e Alemanha;
- Empreendedores e investidores: diversificar investimentos no exterior ficou menos atrativo e mais caro por conta do aumento do IOF, limitando possibilidades de patrimônio fora do Brasil;
- Pagamentos de aluguel, saúde e pensão: qualquer despesa recorrente em moeda estrangeira, seja aluguel, plano de saúde ou pensão, consome mais recursos depois da nova decisão;
- Planejamento e previsibilidade: pequenas diferenças percentuais geram impacto ao longo do tempo. Para brasileiros com família dividida entre países, cada ponto de IOF significa milhares de reais a menos ao final de um ano;
- Empresas e serviços digitais: profissionais que recebem pagamentos de fora ou pagam fornecedores internacionais também vão sentir necessidade de rever fluxos e contratos para limitar perdas.
O que esperar do IOF nos próximos meses?
Apesar da decisão de Alexandre de Moraes ter efeito imediato, ela ainda é provisória e pode ser revista pelo Plenário do STF, conforme tramitação regular das ações judiciais.
O Congresso Nacional continua pressionando, especialmente para reverter aumentos considerados abusivos ou que atingem pequenos e médios empresários. O Executivo, de sua parte, depende do IOF para manter as receitas e o equilíbrio fiscal.
Ou seja:
- A situação pode mudar: o STF pode modificar a decisão, seja por maioria simples, seja por interpretação da constitucionalidade das medidas. Novos decretos ou medidas provisórias também podem surgir, ajustando regras;
- Planejamento financeiro é fundamental: diante da instabilidade, é recomendável acompanhamento contínuo das publicações do governo, órgãos de imprensa confiáveis e especialistas financeiros para tomada de decisão embasada;
- Fique de olho em novas medidas: o ano de 2025 mostrou que alterações tributárias podem ser rápidas, retroativas e geram impacto imediato na rotina de famílias e empresas, exigindo atenção redobrada a quem realiza operações internacionais com frequência.
Movimentação prática no Congresso e possíveis ações jurídicas
Até o momento, não há articulação concreta no Congresso para reverter a decisão do STF sobre o IOF. A reação tem se concentrado em recursos e ações jurídicas para que o Plenário julgue e, eventualmente, revise o entendimento do relator.
Parlamentares pressionam por meio de discursos, notas oficiais e ameaças de travar votações, tentando mobilizar a opinião pública diante do embate institucional com o Supremo. Apesar da insatisfação, nenhuma PEC, projeto de lei ou medida legislativa foi formalmente apresentada, e a decisão do STF continua valendo até novo julgamento.
Mudança no IOF acende alerta entre investidores
A analista Débora Oliveira, da CNN Brasil, avalia que a decisão do ministro Alexandre de Moraes gera instabilidade jurídica e desconfiança no mercado. Segundo ela, o impacto atinge investidores, empresas e consumidores, com aumento nos custos de crédito e operações de câmbio.
O governo brasileiro diz estar ciente da reação negativa do mercado e de diversos setores econômicos em relação ao aumento do IOF, mas suas ações mostram que, no momento, a prioridade é o equilíbrio fiscal e a arrecadação, mesmo diante do desconforto gerado entre agentes financeiros, empresas e investidores.
IOF mais alto exige planejamento financeiro
O novo capítulo do IOF em 2025 deixa uma lição clara: planejamento é fundamental. Para quem mora na Europa, tem negócios globais, investe ou mantém laços familiares entre países, acompanhar as regras do IOF virou tarefa obrigatória.
O STF restabeleceu boa parte dos aumentos, tornando remessas, compras e investimentos internacionais mais caros para brasileiros. É fundamental estar atento às notícias aqui no Euro Dicas, planejar operações de maior valor com antecedência e buscar sempre comparadores de tarifas e serviços para diminuir um pouco o efeito das altas alíquotas.
O próximo ajuste pode estar a caminho, mas entender o cenário já é um passo importante para evitar impactos inesperados no orçamento.
Maurício Martins