De repente, surgiu a oportunidade nas suas mãos: se mudar para a Bélgica! Quando oportunidades assim batem à porta, é comum que dúvidas sobre o processo e sobre a vida no local surjam. E, se você tem filhos, provavelmente está se perguntando: como é criar crianças na Bélgica? É melhor ou pior que no Brasil? Vale a pena?

São muitas dúvidas, eu sei. Por isso, neste artigo, vou te contar como foi a minha experiência de mudança para a Bélgica com uma criança pequena, contar minhas impressões do local, da cultura e da vida com um pequeno serzinho por aqui. Espero que este artigo te ajude na sua jornada. Boa leitura!

Como é o processo de mudança com crianças para a Bélgica?

O processo de mudança com crianças é bem parecido com o dos adultos: é necessário muito preparo psicológico e logístico. Antes de tudo, prepare a criança para a grande mudança: explique o que irá acontecer em seguida, como serão as coisas no novo país, e tente sempre enfatizar os lados bons da mudança.

Além disso, é claro, é necessário resolver a parte mais burocrática. A primeira coisa a se fazer é tirar o passaporte da criança e se atentar aos dois tipos de autorização existentes neste documento infantil. Lembre-se também de verificar os documentos necessários para tirar o passaporte.

Ao tirar o passaporte de um menor de idade, você deverá escolher entre a autorização para viajar apenas com um dos pais ou autorização para viajar apenas com os dois pais da criança. Antes de tomar essa decisão, basta pensar bem se em algum momento a criança precisará viajar na companhia de apenas um dos responsáveis ou não.

Com o passaporte em mãos, tanto a criança quanto os responsáveis precisarão se organizar logisticamente para a mudança: malas, seguro viagem para a Bélgica, conseguir aluguel na Bélgica, documentos e tudo o mais.

Criança precisa de visto?

Sim, precisa!

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Para morar na Bélgica, é necessário um visto tanto para os adultos quanto para as crianças. Independente do motivo da mudança, seja a trabalho ou a estudos, a criança precisará de um visto D de reunião familiar.

É bom lembrar que cada caso é um caso, e o consulado belga no Brasil te indicará o tipo adequado de visto ao qual você deve inscrever seu filho. Esse visto possibilitará que a criança retire seu cartão de residência no país sem problemas, além de ter todos os direitos de qualquer cidadão local.

Primeiros passos para quem acabou de chegar na Bélgica com crianças

Em um primeiro momento, pode parecer assustador chegar em um novo país com crianças. Afinal, principalmente quando se trata da Bélgica, será necessário dedicar um bom tempo a resolver as burocracias da documentação necessária para você e para seu filho, além de conseguir decidir em qual cidade na Bélgica morar entre tantas incríveis que existem no país.

Sim, a Bélgica é conhecida (e posso comprovar) por ser um país bem burocrático com os imigrantes. Você e cada membro da sua família precisará comparecer à prefeitura pelo menos três vezes para concluir o processo de residência, além de precisar receber a visita de um oficial de segurança na sua casa para comprovar que você realmente está morando aqui.

Mas não se desespere! Apesar desse processo ser cansativo, ele acaba e é extremamente necessário para que sua família tenha uma vida estável e segura no local.

A seguir, listei os principais passos que você deve seguir assim que chegar com seu filho à Bélgica. Anote todos eles para, no momento do “vamos ver”, ter na ponta da língua tudo o que é necessário ser feito.

1. Registrar a criança na prefeitura na cidade

O primeiríssimo passo para criar crianças na Bélgica é registrar você e seu filho (e todos os outros membros da sua família) na prefeitura da cidade onde você vai morar. Isso deve ser feito em até 10 dias após sua chegada, e você precisará do seu visto em dia para concluir o processo.

A documentação necessária para registrar seu filho na prefeitura é a mesma necessária para você e, via de regra, é a mesma documentação exigida na hora de tirar o visto. Ou seja: você muito provavelmente já tem todos os documentos obrigatórios em mãos. Esse registro na prefeitura acontece em algumas etapas, que envolvem várias visitas à prefeitura.

Na primeira delas, você entrega todos os seus documentos. Na segunda, se seus documentos estiverem em ordem, você retira o “anexo 15” (em tradução livre), que é uma espécie de cartão de residência provisório que dura apenas um mês, enquanto seu documento oficial está sendo produzido.

Na terceira visita, os dados biométricos do seu filho (e os seus também) são retirados. Na quarta, finalmente, você pega o cartão de residência oficial. Dentre essas visitas, um policial também irá passar na sua casa, apenas para confirmar a sua existência e a sua residência no local.

Por aqui, esse processo, apesar de ser cansativo, foi bem tranquilo e não tivemos muitas dores de cabeça.

2. Registrar a criança no plano de saúde e em um posto local

O segundo passo é registrar seu filho no plano de saúde. Para isso, você precisará do seu anexo 15 ou do documento de residência (mas aconselho que você não espere o cartão de residência oficial chegar para fazer esse registro, já que é possível usar o provisório).

Na Bélgica, o registro no plano de saúde é obrigatório e você pode escolher em qual das opções deseja cadastrar sua família. Com esse registro no plano feito, você deverá registrar seu filho em um posto de saúde local.

Cada bairro possui um posto responsável pelas pessoas daquela região específica, e esses postos geralmente contam com clínicos gerais (ou os conhecidos médicos de família), fisioterapeutas e enfermeiros.

Esses postos de saúde servem para situações emergenciais e mais pontuais, e com crianças, é sempre fundamental ter para onde ir em caso de emergência. Conhece as UPAs do Brasil? Pois bem, os postos possuem a mesma funcionalidade, mas de maneira mais compacta (e organizada).

Por exemplo, certo dia minha filha sentiu uma dor de ouvido bem chata, e eu precisaria marcar uma consulta em um hospital maior. Isso levaria, pelo menos, uns dois dias. Como era um problema pontual, liguei para o posto de saúde onde ela é registrada, expliquei o problema e pronto: consegui um encaixe para o mesmo dia, quase na mesma hora.

É claro que nem sempre será tão fácil assim, mas é um bom exemplo de como ter o registro do seu filho nesse posto do bairro pode te ajudar muito.

3. Registrar a criança em uma creche ou escola

Uma coisa que ninguém te fala sobre criar crianças na Bélgica é: conseguir uma vaga na creche ou na escola pode ser muito difícil.

Quando cheguei aqui, não sabia dessa informação e demorei uns meses até pensar em matricular minha filha na escola. Porém, quando conversei com algumas pessoas da Bélgica sobre isso, todas me olharam com espanto e perguntaram a mesma coisa: “mas você não viu isso com um ano de antecedência?”.

Sim! Aqui, as vagas na escola são tão concorridas que os pais reservam a vaga da criança antes mesmo dela nascer. Não estou te contando isso com o intuito de te desesperar, mas com a intenção de te alertar e te dizer “veja isso logo!”.

Todos me disseram que eu tive sorte de conseguir uma vaga para a minha filha em menos de uma semana, então nunca é bom contar com isso.

Criança na Bélgica, em biblioteca.
Aqui na Bélgica, há livrarias por todos os cantos e as escolas sempre promovem passeios para alguma delas. Foto: Lara Delgado

Se possível, comece a pesquisar por algumas escolas e entre em contato com a coordenação antes de se mudar ou durante o processo da mudança. Isso te dará muito mais segurança e aumentará suas chances de conseguir uma vaga a tempo.

E ah, reserve tempo para escolher uma escola, porque aqui há escolas com diferentes filosofias e metodologias de ensino, diferente do Brasil. Há escolas Montessorianas, Tradicionais, Liberais e muitas outras. Vale a pena pesquisar bem antes sobre essas modalidades.

4. Cadastrar a criança no Abono de Família (ou Pacote de Crescimento)

Aqui na Bélgica, existe algo chamado “Abono de Família”, também em tradução livre do holandês e do francês. Esse abono, em curtas palavras, é uma mesada do governo para o seu filho.

Os valores variam conforme as regiões da Bélgica, mas giram entre 90€ e 300€ mensais. Vale lembrar que, independentemente da região, esse valor aumenta conforme a criança cresce, e todas elas recebem o abono até os 25 anos de idade.

Esse dinheiro serve, basicamente, para suprir as necessidades de criar crianças na Bélgica: taxas da escola, roupas, remédios, livros. Não há uma delimitação sobre o que você pode ou não fazer com esse abono, mas ele é basicamente um apoio do Sistema de Segurança Social na criação da sua criança.

Para isso, é necessário fazer um cadastro através do Site do Abono, e isso é bem simples. Para isso, o cartão de residência também é necessário.

5. Ficar ciente de como funcionam as vacinações e outros cuidados com a criança

Na Bélgica, há um órgão específico do governo que cuida de questões como a vacinação das crianças. Esse órgão (CLB na região Flamenca, mas pode ter outros nomes na região francófona) também cuida de outros cuidados médicos menos urgentes, como fonoaudiologia, neuropsicologia e outras.

Quem faz a mediação entre a criança e esse órgão é a escola em que seu filho está matriculado, e todos os detalhes sobre vacina e necessidade de outros cuidados sempre passarão por você.

Assim que você fizer a matrícula da criança, informe-se sobre isso com a própria escola para não ficar para trás desses detalhes tão importantes e para agendar um primeiro encontro com os responsáveis por esses cuidados.

A escola marcará uma consulta inicial com esse órgão governamental, uma espécie de “triagem”, para que se estabeleça a relação entre a equipe médica e a criança (e você, é claro)!

Como funcionam as escolas na Bélgica?

As escolas na Bélgica operam em um sistema educacional complexo e diversificado, que reflete a natureza multilíngue e multicultural do país.

Como você provavelmente já sabe, a Bélgica é dividida em três comunidades, cada uma com seu idioma oficial, e cada uma delas é responsável por administrar sua própria educação de acordo com suas tradições culturais e línguas predominantes.

Vale ressaltar que as escolas na Bélgica têm certa autonomia em relação à organização curricular e administrativa, permitindo que se adaptem às especificidades regionais e culturais. Além disso, existe uma variedade de tipos de escolas, incluindo escolas públicas, privadas, internacionais e subsidiadas pelo governo, isso sem falar na enorme variedade de metodologias de ensino.

Também é importante mencionar que, mesmo nas escolas públicas, é comum que você pague algumas taxas bem baixas de serviço. Minha filha estuda em uma escola pública, e nós pagamos 1€ por cada dia de aula que ela tem. Essa taxa é referente ao serviço de cuidados na hora do recreio e na hora da saída, e é incrivelmente baixo.

Pense comigo: se em um mês seu filho tiver 20 dias de aula, você pagará apenas 20€. Comparando esse valor com o de uma mensalidade de escola no Brasil, por exemplo, é possível observar a discrepância.

É seguro criar crianças na Bélgica?

Sim, definitivamente!

A Bélgica é um lugar muito seguro, o que torna o país um lugar muito bom de se viver com pequenos. Afinal, aqui você experiencia coisas do tipo ir a um parque e não ter medo de algo ruim acontecer (como assaltos, furtos, sequestros e outras atrocidades).

Essa foi uma chave que demorou a virar na minha cabeça, que nasci e cresci no Brasil. No Brasil, com a minha filha, sempre tive medo de sair para determinados lugares abertos e evitava ao máximo sair de noite.

Aqui, anoitece muito cedo durante o inverno e diversas vezes eu levei minha filha em parques para ela brincar mesmo com o céu totalmente escuro. Afinal, além de aqui ser muito seguro, os parques e pracinhas infantis têm uma boa infraestrutura e simplesmente os riscos de algo ruim acontecer são bem, bem baixinhos.

Crianças na Bélgica, em parque aquático
Na Bélgica, as atrações infantis são muito seguras. Foto: Lara Delgado

Para se ter mais uma ideia da segurança do país, aqui é bem comum que crianças pequenas vão à escola sozinhas, seja a pé ou no transporte público da Bélgica. Você vai ver: em horário escolar, são muitas as crianças pequenininhas, com seus 4 ou 5 anos, indo sozinhas ou em grupos com outras crianças para a escola.

Por fim, o trânsito aqui também é seguro e os motoristas respeitam muito as pistas. Aqui há faixas para bicicletas por todas as ruas, e os carros param nas faixas de pedestres com muita antecedência. Claro que há exceções, mas essa é a regra geral.

Como fica a relação com o idioma?

Independente da região que você escolha para morar, a relação do seu filho com o novo idioma pode ser conflitante – e isso é completamente normal e esperado!

Quando a mudança acontece com crianças bem pequenas, a mudança de idioma pode afetar de forma mais sutil. Quanto maior a criança, certamente maior será o desafio. Afinal, crianças maiores já possuem mais contato com o idioma nativo e uma mudança é mais facilmente sentida.

Quando me mudei para a Bélgica, minha filha tinha 2 anos completos e estava começando a soltar algumas palavras. Eu moro na comunidade de língua holandesa, e conforme fomos vivendo a vida na nova cidade, foi perceptível que minha filha sentia a diferença e entendia muito menos coisas que antes.

A mudança acabou provocando um pequeno atraso de fala nela, que precisou pausar o desenvolvimento em uma língua para começar o desenvolvimento em outra (ou outras, como é o caso aqui).

Porém, depois de um ano e meio, ela já entende bem o holandês e já se comunica super bem na escola. Em casa, ela se comunica normalmente comigo e com o pai dela. Na escola, é impressionante o quanto a “chave” do idioma muda. Por exemplo, quando eu a deixo na escola, ela me dá tchau na língua materna e fala “dag!” com os amigos (dag significa “oi” em holandês).

Resumo da história: a adaptação ao idioma é difícil até para nós, adultos, mas ela acontece em algum momento. Tenha paciência!

Comparado com o Brasil, há muitas diferenças culturais na Bélgica?

Sim, isso é inevitável. A Bélgica é um país extremamente diferente do Brasil, em diversos aspectos. Por isso, as diferenças culturais existem e vou listar as que mais nos impactaram aqui:

Alimentação

Dentre as diferenças, uma das principais é a alimentação. No Brasil, estamos acostumados a refeições quentes no almoço e no jantar, sempre com arroz e feijão ou equivalente. Na Bélgica, esse conceito não existe e as refeições são bem diferentes. Por exemplo, almoços comuns por aqui são sanduíches ou um prato com frios como queijo, presunto e azeitonas.

Sobretudo se seu filho começar a estudar em uma escola daqui, local, essa diferença irá se tornar bem significativa. Aqui, na escola onde minha filha estuda, os almoços sempre são um sanduíche acompanhado de um vegetal, como cenoura, brócolis, couve-flor, couve de bruxelas ou qualquer outro. Os lanches são mais parecidos com o que comemos no Brasil, como frutas e biscoitos.

Num primeiro momento, criar crianças na Bélgica pode gerar muito estranhamento, principalmente com esses almoços e outras refeições fora do padrão brasileiro que podem ser um grande estranhamento para os pequenos.

Relação com outras pessoas

Convenhamos: nós, brasileiros, somos muito abertos, expansivos e nos aproximamos rapidamente das pessoas. Na Bélgica, essa aproximação pode parecer mais difícil porque os belgas são, no geral, pessoas mais introspectivas. Aqui, por exemplo, é raro ver belgas convidando pessoas para as suas casas e boa parte dos encontros e confraternizações acontecem na rua mesmo.

Ainda, é cultural daqui as pessoas serem mais fechadas, diretas e objetivas nas relações. Com o tempo, vocês vão se acostumar e entender que esse jeito mais “seco” não significa falta de vontade de criar vínculos com outras pessoas.

O conceito brasileiro de chamar um coleguinha do nosso filho para brincar na nossa casa não existe aqui, e pode ser até estranhado. O mais comum é que as crianças se encontrem nas praças e por lá mesmo brinquem. Essas diferenças dão a sensação de afastamento, mas não se preocupe. Principalmente as pessoas com filhos costumam ser mais abertas a novas amizades.

Clima

O clima na Bélgica é definitivamente diferente do Brasil, como você já deve saber. Durante o inverno, o outono e uma parte da primavera, o clima é frio e está quase sempre nublado e chuvoso. Aqui, as pessoas sempre saem com guarda-chuva e dizem sempre “é a Bélgica, você nunca sabe quando vai chover novamente”.

Se seu(a) filho(a) cresceu pelo menos uma parte da vida no Brasil, certamente irá estranhar o clima. Inclusive, as pessoas aqui costumam suplementar vitamina D por causa da falta de sol, e essa falta de sol causa sensações ruins, como uma certa tristeza.

Por isso essa é uma diferença que pode impactar sua criança e é bom pensar em estratégias para driblar essa situação: consultar um médico para verificar a necessidade ou não da suplementação da vitamina D, aproveitar cada minuto de sol possível para sair com a criança etc.

Cultura

Essa é uma grande diferença, mas com impacto bem mais positivo que as anteriores. Na Bélgica, a cultura (e por cultura aqui entenda como música, teatro, dança, arte no geral) é muito valorizada e há sempre algum evento acontecendo pelas praças.

Crianças na Bélgica assistindo a um show em praça aberta.
A cultura por aqui é muito presente. Na foto, minha filha está aplaudindo um show em praça pública. Foto: Lara Delgado

Esses eventos, sejam eles shows, concertos ou qualquer outro tipo de festa cultural, são sempre kids friendly. Há sempre algum espaço destinado para crianças ou alguma atividade voltada para elas.

Comparativo de custos: é caro criar crianças na Bélgica?

O custo de vida na Bélgica é mais alto que no Brasil. Entretanto, o poder de compra é muito melhor e os salários na Bélgica são bem mais justos (também comparado com o Brasil).

Por outro lado, no Brasil os serviços públicos são bem mais abrangentes. Por exemplo, é possível contar com o SUS, escolas e faculdades públicas e outros serviços semelhantes. Na Bélgica, até há escolas públicas, mas ainda assim nessas escolas é necessário pagar algumas taxas mensais que, normalmente, não passam dos 25€.

Ainda, o acesso à saúde na Bélgica é privado e todos os cidadãos precisam ter um plano de saúde que cubra consultas básicas e reembolsem uma grande parte de coisas médicas mais complicadas, como exames que exigem anestesia ou internação. Esses planos custam, em média, 10€ a cada três meses. Esse valor é bem baixo, sobretudo quando consideramos que o sistema funciona perfeitamente bem.

Em resumo, criar crianças na Bélgica é um pouco mais caro que no Brasil, mas não deixe de considerar o poder de compra, os abonos e incentivos financeiros voltados para todas as crianças e o grande piso salarial do país. Esses três elementos fazem diminuir o custo com os pequenos.

Desafios e importância de estabelecer contato com a família do Brasil

Uma das coisas mais difíceis de morar no exterior com crianças pequenas é manter o contato com a família.

Mesmo que a tecnologia já esteja avançada o suficiente para permitir videochamadas e interações diferentes, nem sempre manter a criança concentrada na telinha dá certo. Isso, sobretudo, quando as crianças são pequenas e ainda não entendem que a pessoa que está ali na tela é a pessoa de verdade, falando com ela.

Porém, mesmo que seja difícil prender a atenção das crianças nas videochamadas com a família, vale a pena o esforço. De pouquinho em pouquinho, a criança vai começar a se familiarizar com as pessoas e com as vozes e isso fará total diferença na hora que vocês forem visitar a família no Brasil.

Aqui, estabelecemos contato quase que diário com as avós e tios mais próximos da minha filha. Muitas vezes fazemos ligações curtinhas, até a atenção dela se desviar para outra coisa. O legal disso foi sentir a importância que isso faz na pele: saímos do Brasil quando ela tinha 2 anos e ficamos na Bélgica por quase dois anos seguidos, sem ir ao Brasil.

Quando fomos visitar a família depois desse tempo todo, minha filha reconhecia muito bem os tios e as avós (e até mesmo outros membros da família). Investir em um mural de fotos com os familiares também é uma ideia boa e que usamos aqui para manter essa presença visual diária.

Desafios de viver sem rede de apoio (pelo menos por um tempo)

Se você está lendo este artigo, provavelmente tem filhos e está pensando em criar crianças na Bélgica – ou acabou de se mudar e ainda está um tanto quanto perdido(a). E se você tem filhos, sabe muito bem da importância que uma boa rede de apoio tem. Avós, tios, primos e pessoas de confiança fazem muita falta, e você provavelmente vai sentir o peso disso, assim como a sua criança.

Meu conselho é: comece a criar conexões na Bélgica o quanto antes. Em 2022, para se ter uma ideia, eram 65 mil brasileiros vivendo no país do chocolate, e esse número só aumenta.

Você certamente passará muitas vezes por alguém na rua e ouvirá essa pessoa falando português (e sentirá um quentinho no coração)! E, é claro, é possível criar conexão com pessoas de todas as nacionalidades.

Sabemos que quando você começar a criar conexões, essas novas pessoas na sua vida não se tornarão automaticamente sua rede de apoio. Porém, ter com quem conversar, dividir experiências, sair junto e movimentar a sua vida é essencial.

Se você conseguir criar laços com outras pessoas que têm filhos, melhor ainda! Em algum ponto, você e sua criança vão começar a sentir falta desse movimento e isso é totalmente natural.

Vantagens e desvantagens de criar crianças na Bélgica

Há vantagens e desvantagens de morar em qualquer lugar, assim como na Bélgica. Vou listar os principais pontos aqui, todos baseados na minha experiência com uma criança de 4 anos na Bélgica.

Vantagens

  • Segurança: na Bélgica, a segurança para as crianças é muito maior (quando comparada ao Brasil). Ter a tranquilidade de sair com os filhos na rua é uma das melhores coisas de viver aqui;
  • Qualidade de vida: os sistemas de saúde, de segurança e de gestão pública na Bélgica funcionam muito bem, além de o poder de compra melhor que no Brasil. Esses fatores juntos tornam a qualidade de vida para os pequenos aqui muito boa;
  • Cultura: por ser um país multicultural, os pequenos têm contato com gente de todo o mundo e com diversas culturas diferentes. Além desse ponto, a Bélgica é um país que incentiva muito a cultura e sempre há algo de diferente acontecendo pelas cidades.

Desvantagens

  • O sentimento de não pertencimento ao novo país pode demorar bastante para passar. Nós, adultos, sabemos lidar bem com isso, mas as crianças não;
  • A saudade e a falta da família podem ser esmagadoras muitas vezes, e para quem vai criar crianças na Bélgica e perdeu a rede de apoio, esses sentimentos podem ser ainda piores e é necessário lidar com isso;
  • No começo, se acostumar com o novo idioma pode ser ruim para as crianças. Nesses momentos, buscar ajuda de profissionais como fonoaudiólogos, psicólogos e pedagogos pode ser fundamental.

Vale a pena criar crianças na Bélgica?

Se é seu sonho criar sua criança em um ambiente seguro, multicultural e repleto de oportunidades, sim! Vale a pena se mudar para a Bélgica com filhos. As vantagens de se viver aqui são muitas, sobretudo para os pequenos, que terão contato com experiências incríveis.

Sim, viver longe da família e sem rede de apoio (pelo menos por um tempo) pode ter um peso bem grande nessa decisão. Por isso, se você estiver vindo ou acabou de chegar em terras belgas com seu filho, busque apoio de outras pessoas o quanto antes.

Faça amizade com os pais de outras crianças da escola do seu filho, procure grupos de brasileiros na cidade onde você mora, passe a frequentar espaços públicos e ocupe o país. Tudo isso irá te ajudar no processo de adaptação com uma criança.

Espero que as dicas desse artigo tenham te ajudado a tirar as dúvidas sobre criar crianças na Bélgica. Espero que vocês se adaptem bem e que aproveitem o país!