Conversando com pessoas com mais de 65 anos sobre expectativas, medos, receios e sonhos para o futuro, alguns pontos são comuns nas conversas, como a possibilidade de envelhecer com saúde, o acesso à assistência médica e condições financeiras para aproveitar a velhice de forma confortável. Pensando nisso, muitas delas optam por morar no exterior, escolhendo principalmente os países europeus, em busca de qualidade de vida na terceira idade. Aliado à isso, muitas pessoas que estão na terceira idade sempre tiveram o sonho de morar fora, mas nunca tiveram a oportunidade de fazê-lo. Neste artigo, saiba mais sobre como funciona a adaptação à vida no exterior após os 65 anos.

Como é a adaptação à vida no exterior após os 65 anos?

Segundo dados da UN|DESA (The United Nations Department of Economic and Social Affairs), uma pesquisa realizada entre os anos de 1990 e 2017 constatou que há mais de 258 milhões de pessoas acima de 65 anos morando longe de seu país natal. Mas, independente dos motivadores para a mudança, algumas incertezas e inseguranças podem estar presentes na decisão e devem ser considerados na tomada de decisão.
Além disso, devem ser tomados alguns cuidados com relação aos aspectos psicológicos e emocionais para minimizar os riscos de um estado depressivo.

Vantagens de mudar de país após os 65 anos

A mudança de país após os 65 anos, em sua maioria, pode ser desfrutada de forma ímpar. Há mais independência nas tomadas de decisões do que fazer, aonde ir ou onde morar. Geralmente, esses questionamentos envolvem menos variáveis a serem consideradas em comparação com uma família com filhos, por exemplo.
Para quem já está aposentado, há liberdade de horário para se fazer o que quiser e quando quiser, e já não há o peso da responsabilidade em sustentar uma família. A maioria dos países europeus dispõem de várias atividades e atrações com um preço acessível ou de graça para essa faixa etária, o que possibilita o idoso de aproveitar o tempo e também fazer novas amizades.
Outro fato que me vem à cabeça é a expressão “se tivesse feito isso com a cabeça que tenho hoje, aproveitaria bem mais”. Então, essa pode ser a oportunidade para experienciar situações novas, com mais maturidade e serenidade.

Pontos de atenção a serem considerados

A adaptação ao novo é difícil em qualquer idade (inclusive, já escrevi um artigo sobre a adaptação dos filhos no exterior), mas pode ser um pouco mais complicada para quem já tem mais idade. Se por um lado a mudança pode ser encarada com mais serenidade, por outro a tendência é que tenhamos mais experiências e histórias de vida, o que pode ser um desafio.
Enquanto as crianças têm um espaço inteiro a ser preenchido, quem já viveu 65 anos ou mais possuem uma vida construída, que deixará para trás para reconstruir uma nova vida fora de seu país. Ou seja, há mais pessoas, lugares e situações a serem deixados.
Além disso, já têm seus costumes, manias e opiniões mais consolidadas, o que deve ser um ponto de atenção para que não haja um choque cultural. É preciso ter a mente aberta para aceitar outra forma de viver e de ver a vida, para que a outra cultura não seja tida como errada e cause sentimentos de repulsa, mas seja vista apenas como algo diferente da sua.

O que fazer antes da mudança para auxiliar a adaptação à vida no exterior após os 65 anos

Sim, eu sei que poder desfrutar da aposentadoria em um país em que você se sinta seguro para andar na rua, tenha cuidados com a saúde de qualidade e que te dê oportunidade de visitar lugares que você sempre quis conhecer parece ser um sonho.
Vivendo a aposentadoria no exterior
No entanto, antes de tomar essa decisão, é importante pensar e pesar alguns aspectos. A idade traz experiência de vida e a calma necessárias para tomar decisões mais comedidas.
Aqui seguem algumas dicas para que você tenha mais subsídios para fazer a escolha de maneira assertiva:

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  • Converse com pessoas conhecidas que fizeram esta mudança;
  • Escreva no papel os pontos positivos e negativos da mudança. Geralmente fazemos essa lista na cabeça, mas é importante colocá-la no papel. Isto te dá mais visibilidade e te ajuda a enxergar com mais clareza;
  • Pesquise sobre o local em que você está pretendendo se mudar. Tome cuidado para ser imparcial. Geralmente, quando queremos algo, a tendência é nos atermos somente aos  pontos que são favoráveis à nossa escolha e deixamos os pontos desfavoráveis de lado ou as justificamos para desqualificá-las;
  • Certifique-se que terá recursos financeiros para todas as despesas iniciais e para se manter ao longo do tempo;
  • Verifique como funcionam as questões burocráticas como: vistos, cartão de residência, aluguel, saúde, entre outros. Será necessário contratar uma empresa de assessoria?

Dicas para se adaptar ao novo país e cuidar da saúde mental

Sentimos que estamos adaptados ao novo país quando estamos integrados à nova cultura. É como se pensássemos em um bolo em que todos os ingredientes se misturam para que fique bonito e saboroso. Cada ingrediente é um costume, um hábito, uma forma de ver a vida, tanto sua quanto do novo país e, para que a nova experiência possa ser desfrutada, devemos misturar todos os ingredientes de forma homogênea, assim como os ingredientes do bolo.  Para que isso aconteça, aqui vão algumas dicas:

  • Encare a nova cultura com curiosidade. O que você pode aprender? O que eles fazem de diferente, por quê? Qual a relação com a história do país?;
  • Seja curioso com relação a você mesmo. Um exercício que costumo fazer nos meus atendimentos e que você pode fazer é escrever sobre a cultura brasileira. Como é, o que tem de bom, o que você não gosta. Se você for descendente de outras nacionalidades, você pode escrever que costumes você tem e que estão relacionados a esse(s) país(es). Depois escreva sobre a cultura do país em que você está. O que eles fazem, comidas, hábitos, festas, jeito de falar, e veja o que te agrada e não agrada. Agora pense o que você quer manter de tudo isso, o que você pode deixar, o que você terá que se acostumar e o que você pode fazer para se adaptar, para que haja a mistura entre as culturas;
  • Tenha uma rede de apoio, forme novos amigos, conheça novas pessoas. É importante tomar cuidado para não se fechar e viver em um mundo à parte;
  • Use menos a expressão “não tenho mais idade para isso”. Se essa frase não faz parte do seu dia a dia, parabéns! Mas se faz, preste atenção e sempre que ela vier na sua cabeça, pense: “será mesmo? Ou posso experimentar?”;
  • Esteja aberto a aprender o novo idioma. Há muitas pessoas que mudam de país, mas resistem a aprender a nova língua, o que dificulta na integração na sociedade local. Aprender o idioma traz a possibilidade de maior independência, aumento da rede de amigos e é um ótimo exercício para deixar o cérebro ativo;
  • Uma das questões que mais abalam o emocional de quem está longe é a distância das pessoas queridas que ficaram no Brasil. A notícia boa é que a tecnologia nos permite ficar mais perto, pelo menos virtualmente, de quem amamos. Então, esteja antenado com relação à esses meios de comunicação;
  • Lembrar de coisas boas que aconteceram no passado ou de como era no Brasil é bom, mas tome cuidado para não viver só no passado e viva o momento;
  • Cuide da sua saúde mental e emocional. Respeite e acolha seus sentimentos, viva-os, mas preste atenção. Caso haja o isolamento e sentimento de tristeza por muito tempo, procure ajuda.

Como Robert Basillach diz “cada idade tem a sua beleza e essa beleza deve sempre
ser uma liberdade”. Aproveite toda a sua bagagem de vida para desfrutar a nova vida
no novo país, isso irá ajudar muito na sua adaptação à vida no exterior após os 65 anos!
Leia também nosso editorial que mostra se vale a pena morar na Europa em tempos de coronavírus.