O número global de migrantes internacionais atingiu 281 milhões de pessoas em 2020, segundo o relatório da DESA – Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas. Se pensarmos em nosso círculo de convívio, é difícil encontrarmos alguém que não conheça ninguém que more no exterior. Além disso, está cada vez mais frequente escutarmos as pessoas falando que querem sair do Brasil, principalmente para terem mais qualidade de vida.

Mas será que morar fora é viver em um conto de fadas? A realidade é bem diferente, vamos entender isso!

O que é qualidade de vida?

Gosto de fazer essa pergunta aos meus pacientes e às pessoas que me falam sobre a qualidade de vida de se morar no exterior. Via de regra, a resposta é sempre a mesma. Usufruir de um sistema de saúde e educação de qualidade, poder andar na rua com segurança, viver com mais conforto.

Se pensarmos na pirâmide de Maslow, esses fatores estão na base da pirâmide. No entanto, qualidade de vida envolve muito mais do que isso.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), qualidade de vida é:

“a percepção que um indivíduo tem sobre a sua posição na vida, dentro do contexto dos sistemas de cultura e valores nos quais está inserido e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”

A qualidade de vida envolve tanto os aspectos físicos quanto os psicológicos. Muito mais do que se sentir seguro fisicamente, é importante também se sentir seguro psicologicamente. O que envolve autoestima, autoconfiança e autocuidado para que você enfrente os desafios de se desconstruir e se reconstruir em uma sociedade com a cultura, idioma e costumes diferentes da sua.

Então, se você está cogitando a possibilidade em morar fora, é fundamental ter uma visão ampliada sobre as implicações dessa mudança na sua vida e na de sua família. Acompanhe aqui que vou te ajudar a pensar em alguns pontos.

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Qual é o seu projeto de vida?

Você já pensou sobre isso? Quais são as suas expectativas para o futuro? Onde você se imagina? O que você está fazendo? Com quem? Em que situação?

Pode até ser que você pense “não sei onde vou estar, só sei que não quero estar aqui no Brasil”. Como se o único fator importante fosse se afastar do problema atual. Mas, ironicamente, muitos dos problemas que tínhamos no Brasil não desaparecem e, inclusive, outros aparecem.

Então é importante pensar nos seus objetivos em morar fora. O que você espera? Até onde vão os seus limites? O que você está disposto a fazer e a não fazer? É claro que os planos não precisam ser estáticos e podem ser alterados ao longo do tempo. Mas saber o que você quer e não quer para o seu futuro faz com que você tome decisões com mais segurança com a maior probabilidade de assertividade.

A Ana Paula já contou na coluna dela que morar fora não é para todo mundo, veja se você concorda com ela.

Quais são os seus valores pessoais?

Outro fator importante a se pesar é com relação aos seus valores pessoais. Você já parou para pensar sobre eles?
Valores são aquelas características, comportamentos, adjetivos e qualidades que são importantes para nós. São os nossos valores que norteiam os nossos comportamentos e nossas decisões.

Uma forma de você identificar os seus valores é pensar em situações em que você se incomodou com algo. O que aconteceu naquela situação que mexeu tanto com você? Foi a injustiça, desonestidade, falta de companheirismo? Ou senão, você pode lembrar daquelas situações em que você não entendeu muito bem o porquê estava agindo de determinada maneira ou “teimando” por algo. Que valores estavam ali naquela situação?

Conhecer os nossos valores é importante para avaliarmos o quão congruentes eles estão com a cultura do país em que iremos viver. Assim você pode se preparar ou, até mesmo, repensar a sua mudança. Por exemplo, se um dos seus valores mais importantes é o relacionamento interpessoal, pode ser mais desafiador para você estar inserido em países com a cultura mais individualista, onde as pessoas são mais reservadas e não costumam dar muita abertura para outras pessoas.

Trabalho ou meios de sustento

Como você vai se sustentar no novo país? Quanto você vai precisar para viver? Você está preparado para os gastos iniciais? Você está fazendo uma análise otimista ou realista? E se você tiver mais gastos do que imaginava, você tem uma reserva?

Lembro de uma entrevista que vi na televisão alguns anos atrás sobre uma empresa europeia que estava com vagas abertas para brasileiros. Havia uma consultoria no Brasil cuidando da seleção e uma fila de candidatos com a esperança de ganhar 3 vezes o valor do salário no Brasil.

Trabalhar no exterior

Alguns deles foram entrevistados e estavam animados porque com esse valor seria possível se sustentar no novo país, mandar dinheiro para a família e ainda economizar. No entanto, eles não haviam pesquisado o custo de vida naquele país e muitos não tinham ideia do quanto ganhar 3 vezes mais em reais representava na moeda do país hospedeiro.

É importante ter os pés nos chãos na hora de pensar sobre os meios de sustento no novo país. Há muitas informações na internet, muitas opiniões que podem não refletir a sua necessidade e realidade. Por isso, faça pesquisas em sites confiáveis e busque opiniões de pessoas que te falem os benefícios, mas também os pontos de atenção.

Comunicação em um novo idioma

Você conseguirá se fazer entender e entender as pessoas do país hospedeiro? Quão aberto você está para aprender o novo idioma e as expressões locais?

A comunicação é um dos principais fatores para conseguirmos nos relacionar com outras pessoas. Muitas vezes nos sentimos inseguros com o idioma, acabamos nos retraindo e, ao longo do tempo, isso pode levar a um recolhimento social com baixa autoestima e baixa autoconfiança, que podem ser agravadas se as pessoas do novo local não forem tão receptivas aos estrangeiros.

Este é um ponto a ser considerado. Mesmo que você for para um país com um idioma diferente dos mais usuais para nós, como o português, inglês e espanhol, vale pensar na sua abertura para aprender o idioma local, principalmente se a intenção for ficar por lá por um longo período. O poder de se comunicar no mesmo idioma abre portas e caminhos.

Abertura à nova cultura

Levamos uma vida inteira para aprendermos a nos comportar conforme a cultura brasileira. Quando crianças, aprendemos as regras culturais, testamos algumas delas quando viramos adolescentes para podermos assimilar e as internalizamos na fase adulta.

Se escolhemos viver em outro país, temos que passar por todas essas fases da aprendizagem cultural de forma rápida e, muitas vezes, entrando em conflito com algumas das regras culturais que para nós era certa, mas que pode ser interpretada de uma forma totalmente diferente no país em que estamos.

Quando não estamos abertos a rever o nosso jeito de ver o mundo, há o choque entre as culturas. Mas, quando há esta abertura, há o encontro entre as culturas. Quando estamos abertos a aceitar as diversas formas de estar certo, conseguimos nos relacionar de maneira mais leve com o novo país.

Decisão em família

A mudança de país é um tema que já foi conversado com a sua família? Já falei em outro artigo sobre o impacto na família com a mudança de país. A decisão de morar fora precisa ser do casal para minimizar conflitos. Morar fora é um desafio que impacta em todas as áreas da nossa vida e pode ser dificultada quando uma pessoa do casal muda contra a vontade.

Vida nova em família no exterior

Outra questão a se considerar é a família que fica no Brasil. Já vi muitos casos em que um dos fatores principais para a mudança de país foi se afastar dos problemas familiares. Em alguns casos, esse distanciamento é saudável. Mas, em outros, eles agravam e geram mais angústias para quem está longe, pois acabam trazendo sentimentos de ansiedade, culpa, impotência e até mesmo cobranças de quem ficou no Brasil.

Neste caso, é importante trabalhar a inteligência emocional para conseguir acolher todos esses sentimentos, separar as situações, aceitar melhor o que você não consegue controlar e estabelecer limites.

Relacionamentos sociais

Quando converso com os brasileiros que moram fora, uma das principais queixas é com relação à rede de apoio. Nos primeiros meses, o convívio acaba sendo mais entre os membros da família e temos que fazer um esforço para sair da nossa zona de conforto, fazer novos amigos e construir nossa rede de relacionamentos no novo país.

Então, se para você, estar sempre em contato com as pessoas, ter grupos de amigos e uma vida social fora do âmbito familiar são importantes, é fundamental pensar nessa questão e ter consciência que relacionamentos são construídos e leva tempo.

Dicas finais para quem quer morar fora

Morar fora é uma experiência incrível e muito proveitosa. Eu, particularmente, gosto bastante, mas é preciso ter os pés no chão e pesar todos os fatores.

Como mencionei em outro artigo, costumamos idealizar o que não temos e menosprezar aquilo que temos. Quantas coisas boas o Brasil tem e só dei valor depois que perdi.

Então, para tomar a decisão de morar fora ou não, seguem algumas dicas:

  • Converse com pessoas que te falem tanto os prós quanto os contras de se morar em outro país;
  • Tenha em mente que não há lugar perfeito. Todos os países têm os seus problemas e, muitos deles, não são “melhores” ou menos intensos só por estarem em outro país que o seu;
  • Pesquise sobre o país destino em fontes confiáveis;
  • Liste as vantagens e desvantagens de morar no exterior e de morar no Brasil;
  • Reflita sobre os pontos mencionados ao longo desse artigo;
  • Trabalhe o seu autoconhecimento para tomar decisões mais assertivas e ter mais autoconfiança para atravessar os desafios com mais tranquilidade;
  • Aproveite a sua jornada, onde for!

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