Ter um relacionamento à distância morando no exterior é algo que pode assustar muita gente, no entanto, não é um bicho de sete cabeças! Neste artigo eu vou contar à vocês em primeira pessoa as experiências de relacionamento à distância que tenho com meu marido, o Erik.

Relacionamento à distância morando no exterior: é possível funcionar?

Sim!

Por mais que um relacionamento à distância morando no exterior não seja a coisa mais fácil do mundo, é muito possível funcionar. No entanto, para que isso dê certo, é preciso que as partes envolvidas estejam comprometidas realmente, estabeleçam combinados e tenham um mesmo objetivo: ficar juntos.

Antes de começar esse texto, fica aqui um aviso: ele foi escrito a partir de um ponto de vista muito específico, o de quem sai do Brasil. Se fosse o Erik escrevendo, talvez esse artigo apontasse outras questões.

Como decidimos ter um relacionamento à distância morando no exterior?

Antes de conhecer o Erik, eu nunca havia vivido um relacionamento à distância. Na verdade, eu tinha a impressão de que seria algo que não poderia funcionar para mim.

Eu mal sabia que eu toparia viver com ele (e ele comigo) não só um, mas dois períodos de relacionamento à distância: um de seis meses, e outro de 1 ano. Abaixo conto um pouquinho mais disso para vocês.

Minha experiência: o começo de tudo

Quando conheci o Erik, minha viagem de intercâmbio na França já estava marcada. Eu havia sido aceita em um Universidade em Paris e em dois meses eu viria para a França para ficar seis meses fazendo uma parte da minha pesquisa do mestrado no país. Falei sobre isso nos cinco primeiros minutos de conversa e ele achou superlegal. Ele até disse que tinha vontade de conhecer Paris!

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A gente começou a sair, mas a conversa sobre compromisso não era tão presente por conta da minha situação. Tínhamos combinado de nos divertir juntos e aproveitar minhas últimas semanas no Brasil.

Com o passar dos dias, começamos a nos ver com mais frequência e conversar mais: tínhamos uma energia muito parecida, gostos semelhantes, ríamos muito e o assunto parecia nunca acabar.

Era final de ano, eu morava na mesma cidade que ele por conta da Universidade e estava organizando minhas coisas para voltar para casa dos meus pais. Eles moravam em uma outra cidade, então a ideia era passar o final do ano em família e embarcar para a França no dia 1º de janeiro do ano seguinte.

Na minha última semana na mesma cidade que a do Erik, nós decidimos ter um date em cada dia da semana, sendo que o último dia seria nossa despedida. Eu já estava bem apaixonada naquele momento, e a semana inteira com ele foi decisiva para eu ter certeza disso! Chegou no último dia e decidimos nos ver ainda mais uma vez: no aeroporto, antes de eu embarcar.

Topando ficar 6 meses longe

Depois que eu cheguei na França, nós continuamos conversando normalmente, seja por mensagem, por ligação ou por vídeo. E por mais que a distância fosse difícil de lidar e o fuso horário difícil de acertar, não conseguimos parar de conversar! Foi então que tomamos a decisão de começar a namorar, mesmo à distância.

Alguns dias depois, ele comprou uma passagem para me visitar. Ele veio no meu 4º mês em Paris e nós passamos 10 lindos dias juntos! Ao longo desses dias, oficializamos o pedido de namoro.

Topando ficar 1 ano longe

Concordar com mais um período a distância não foi assim tão fácil. Depois da primeira temporada fora, eu voltei para o Brasil, nós continuamos namorando e noivamos. Então, quando surgiu a oportunidade de eu passar mais um ano em Paris, a gente já estava junto há 4 anos, já tínhamos muita história e muitos planos.

Mas, sendo essa viagem essencial para desenvolver minha pesquisa de doutorado na França, eu sabia que não podia negar a oportunidade. Ao mesmo tempo, não me conformava em ter de ficar longe do Erik mais uma vez.

Casal mostrando as alianças de casamento, na Pont Alexandre III em Paris.
Na última visita do Erik, nos casamos na Pont Alexandre III, em Paris. Imagem de arquivo pessoal.

Foram longas conversas, choros e contas feitas para tentar encontrar uma forma dele vir comigo. Fomos entender mais sobre o custo de vida na França, pesquisamos como ele poderia ter um visto de trabalho no país, além dos documentos, custos e candidatura para estudar na França. No entanto, ficar remotamente trabalhando não era uma opção no caso dele.

Sendo assim, resolvemos tentar de outra forma. Ele conseguiu fazer um acordo no trabalho que permitiria adiantar dois períodos de férias, para que ele conseguisse me visitar mais vezes. Além disso, ele também combinou que todas as horas extras feitas seriam utilizadas para ampliar seus dias de folga.

Os reencontros em um relacionamento à distância morando no exterior

A primeira visita que ele me visitou foi em junho deste ano. Passamos um mês fantástico, aproveitando muito a companhia um do outro, viajando e, mais importante, nos casando!

Nos casar na França foi um momento muito especial para nós dois: fizemos nossa celebração na mesma ponte que começamos a namorar anos atrás, a Pont Alexandre III, e fomos jantar em um restaurante charmoso e escondido em uma ruela de Paris.

A próxima visita dele também já está marcada: em fevereiro de 2023! Estamos aguardando esse momento com muita ansiedade e, é claro, muita saudade.

As despedidas em um relacionamento à distância morando no exterior

Esse é um momento crítico do relacionamento à distância morando no exterior. É inevitável não conseguir segurar o choro, principalmente quando você sabe que viverá longos meses longe da pessoa amada.

Pelo menos para mim, as despedidas de quando ele passa um tempo aqui e está voltando para o Brasil são as piores. Isso porque ele deixa um vazio na minha casa, um silêncio horrível. É muito angustiante continuar sentindo o cheiro dele no ar, mas não encontrar mais o tênis no canto do quarto, uma toalha a mais pendurada ou passar café só para uma pessoa.

Portanto, quem disser que você se acostuma a lidar melhor com as despedidas ao longo do tempo, certamente está mentindo. A gente sabe que a tristeza vai passar, mas o momento de você ver seu parceiro partir é definitivamente muito ruim!

Como chegar a um acordo?

Para que um relacionamento à distância morando no exterior funcione é preciso que as partes envolvidas cheguem a um acordo bem claro sobre como vocês querem fazer isso. Aqui, não tem uma regra fixa: cada casal vai saber, com o passar do tempo, o que funciona e o que não funciona.

De maneira geral, é muito difícil de imaginar com antecedência todos os cenários e condições deste acordo. Mas, normalmente, o primeiro passo é pensar se vocês manterão uma relação monogâmica (como é meu caso com o Erik) ou não. Essa decisão pode nortear os combinados seguintes do relacionamento de vocês.

Como fazer dar certo um relacionamento à distância morando no exterior?

Fazer um relacionamento à distância dar certo exige bastante dos dois envolvidos.

Com o objetivo de cumprir todos os acordos e combinados, é importante que vocês mantenham um canal de comunicação aberto e sincero. Dessa forma, sempre que surgir algo incômodo, vocês poderão conversar sobre e chegar em uma conclusão.

Eu percebo que na minha experiência, outros elementos têm sido superimportantes para que minha relação à distância com o Erik desse certo. Veja a seguir quais são eles:

Tenham momentos juntos

Ainda que vocês estejam distantes, é mais do que necessário que vocês tenham alguns momentos juntos durante o período de separação. Vejam algumas ideias que funcionam comigo e com o Erik:

  • Combinar momentos de conversa pelo Whatsapp;
  • Tomar uma (ou mais) tacinha de vinho em uma ligação por vídeo;
  • Fazer compras em conjunto, para um futuro próximo;
  • Fazer uma ligação inesperada no meio do dia;
  • Criar playlists colaborativas no Spotify;
  • Rever fotos e vídeos de vocês juntos.

Façam planos para o futuro

Acho que esse ponto é fundamental: imagine seu futuro com a pessoa e faça planos para ele. O legal é que, dependendo do plano que está sendo conversado, mesmo se vocês estivessem em um mesmo espaço, vocês teriam que utilizar ferramentas virtuais. Então, use isso a seu favor! Eu e o Erik abusamos do Google Drive nesse sentido.

Só para ilustrar, eu e Erik, nesse momento, estamos muito engajados em pensar na casa que teremos após a minha volta. Então passamos horas procurando apartamentos, analisando bairros, buscando inspirações de decoração, entre outros.

Outra coisa que fazemos também é pensar sobre as viagens que faremos. Aqui, a imaginação não tem limites: planejamos visitas desde pequenas cidades da França a praias no Brasil!

Inclua seu parceiro na sua vida

Quando você muda para outro país, você inevitavelmente tem muita coisa para contar, afinal, tudo é novo e diferente! Então, nada melhor do que ter alguém com quem compartilhar todas essas novidades.

Esse é o tipo de coisa que faz bem tanto para quem conta, quanto para quem ouve: você mata sua vontade de falar sobre suas experiências e a pessoa, por sua vez, sente que você está lembrando dela o tempo todo.

Formas de amenizar a saudade

Se você tem um relacionamento à distância, saiba que a saudade é uma das piores partes! Por mais que vocês se movimentem para um cuidar do outro, tem dias que você só quer ficar abraçadinho e sentindo o cheiro da outra pessoa.

Então, nesses momentos, é preciso ter formas de amenizar esse sentimento que nos faz tão mal. Uma coisa que me ajuda muito é estar rodeada de coisas que me remetem a ele. Tenho um mural no qual eu coloco várias fotos nossas, os bilhetinhos que ele me fez e ingressos de lugares que a gente visitou. Nesse sentido, ter uma peça de roupa da pessoa também é bem legal.

Uma outra forma que encontramos de amenizar a saudade foi descobrindo hobbies em comum. O Erik sempre gostou muito de andar de bicicleta, e eu acabei descobrindo essa paixão por aqui também. Então, sempre compartilhamos nossas aventuras com nossas bikes, dicas para pedalar e instrumentos para a prática dessa atividade física.

O lado bom do relacionamento à distância morando no exterior

Por incrível que pareça, é possível encontrar o lado bom do relacionamento à distância. Eu diria que, no nível amoroso, isso deixa a relação mais forte. Nesse sentido, ao viver um relacionamento à distância, você consegue saber facilmente se a pessoa realmente se importa com você ou não.

Você nota os atos de carinho de uma maneira muito mais sensível e forte ao mesmo tempo. Além disso, vocês desenvolvem uma capacidade de comunicação diferente, já que sem ela, a condição de estar longe seria fatal para a relação.

Outro ponto positivo é que você frequentemente vai ter aquela sensação de borboletas no estômago antes de reencontrar a pessoa e isso, sem dúvidas, faz com que os preparativos para essa chegada sejam também muito especiais.

Eu particularmente amo os dias que antecedem a chegada do Erik por conta disso: eu me divirto abrindo espaço para as roupas dele no meu armário, renovando alguns itens da casa, comprando a bebida preferida dele, entre outros.

Mas, se você se encaixar na situação de casal imigrante, veja como se preparar para a mudança.

O lado difícil do relacionamento à distância morando no exterior

O lado mais difícil do relacionamento à distância é exatamente o que estar distante implica. A falta do contato físico em seus diversos formatos é muito complicada e, infelizmente, não é algo que você consegue superar estando longe da pessoa.

Uma outra questão é a quantidade de quilômetros que nos separa, bem como o preço de uma viagem para cá: isso significa longos períodos sem conseguir nos encontrar, horas de pesquisa das melhores passagens e esforços tremendos para conseguir fazer isso dar certo.

Mulher de frente para uma janela falando ao telefone.
Sem dúvidas, o celular é um ótimo aliado do relacionamento à distância morando no exterior.

Tudo isso é relativamente pior quando levamos em conta o fuso horário. A diferença da França em relação ao Brasil é de 4 horas durante o inverno europeu, e 5 horas durante o verão. Isso significa que normalmente quando o Erik acorda, já são quase 12h onde eu moro. E quando ele está finalizando o dia dele, por aqui já é bem tarde.

Então a janela de conversa que nós temos ao longo do dia já é bem reduzida. Se considerarmos as demandas do trabalho, eventuais reuniões e outros compromissos, o tempo que temos para conversar se reduz ainda mais.

Precisa existir uma data para terminar a distância?

Aqui, novamente, é o casal que precisa pensar junto. No meu caso, a data para terminar a distância é mais do que necessário. Afinal, não é como se morássemos em cidades vizinhas: são países diferentes, muito distantes, com fusos horários também distintos.

Ter um relacionamento à distância, na minha visão, precisa ser algo passageiro. Afinal, ainda que tenhamos acesso a uma série de ferramentas que permitem a comunicação de maneira fácil, sabemos que a vida real é muito mais divertida.

Eu e o Erik, pelo menos, temos um monte de planos que queremos realizar e que pretendemos fazer longe das telas. Por isso, a data de terminar a distância é também uma data de comemoração por podermos voltar a conviver presencialmente.

Cuidado para não se fechar apenas com os contatos do Brasil

Nessa tentativa de manter o relacionamento à distância, um risco é que você se feche apenas com os contatos do Brasil.

Isso pode ser prejudicial à sua vivência no intercâmbio se você não souber equilibrar os momentos dedicados ao seu relacionamento e os momentos dedicados à sua experiência no exterior. O mesmo vale para quem fica: é preciso, em alguma medida, não se isolar tanto enquanto vocês cuidam da relação de vocês.

Se esse equilíbrio precisa existir, como chegar nele já é uma outra história. É um movimento também bastante delicado, pois ambos os lados estão em um momento fragilizado por diversas razões. Mais uma vez, o segredo aqui para não sofrer continua o mesmo: comunicação e, acima de tudo, amor!